O Jornal O Estado de São Paulo publicou dia 08/10/2008 matéria intitulada “Morumbi, Paraisópolis e o escadão da discórdia”, anteriormente havia publicado “carta-denúncia” sobre uma suposta onda de ataques perpetrados por bandidos que utilizavam motos na mesma região, naquela oportunidade me manifestei sobre a falta de consistência daquelas denúncias que inclusive falava em toque de recolher.
Essa “denúncia” se prestou à pressionar à Polícia Militar a colocar novamente uma base comunitária na região da Rua Francisco Tomas de Carvalho próximo à Giovanni Gronchi, o que de fato ocorreu dias depois da publicação da minha resposta neste mesmo Estado de São Paulo, com a publicação de uma matéria falando em toque de recolher o que motivou a instalação novamente da base.
Agora esta reportagem relata que moradores do Morumbi querem que a PM instale câmeras numa escadaria recém construída dizendo que ali é rota de fuga de “bandidos”, primeiro diziam que os “bandidos” usavam motos para roubar, agora sacam da cartola que eles fogem a pé, a única coisa que permanece igual nestas “denúncias” é que colocam Paraisópolis como sendo um local violento e propenso a resguardar a criminalidade.
Esse tipo de discurso é a expressão do preconceito que algumas pessoas ainda possuem (minoria, espero), não conseguem entender que para resolver o problema da criminalidade não basta polícia ou câmera, haja visto a própria rotina que essas pessoas têm que levar com câmeras para todos os lados, carros blindados, cercas elétricas e outras medidas que servem apenas para trazer uma sensação temporária de segurança e que no fundo só conseguem os aprisionar no seu próprio medo.
Ao acreditar que a simples presença policial representa segurança essas pessoas ignoram que ao colocar policia em determinado local o “bandido” irá migrar para outro local ou mudará suas práticas para conseguir burlar esses “métodos de segurança”, partindo do princípio de que as causas não foram atacadas adequadamente.
Para entrarmos em um campo que permite comprovação, gostaria que fizessem um exercício simples, peguem os dados de criminalidade da região, que é atendido pelo 89º DP, notará que a região atendida por este distrito possui quase todos os índices abaixo da média da cidade, e outra coisa a se levar em conta é que esses dados são de toda a região e não apenas de Paraisópolis.
Ai logo aparecerão os que se dizem amendrontados em registrar um boletim de ocorrência, oras, sem informações como se ataca o problema adequadamente?
A segregação nunca deu certo, cabe a todos nós buscar soluções que sejam boas para todos e não exclusivamente para essa parcela que detém os recursos econômicos e que se nega muitas vezes a aumentar o salário de sua empregada doméstica (que normalmente não tem seus direitos trabalhistas respeitados) mas paga com tranqüilidade um ingresso de R$600 para um show, é a hipocrisia completa.
Como resolver estes problemas se ao invés de nos unirmos querem nos separar da solução?
Será que instalar câmera resolve o problema da criminalidade? Se sim então sugiro a instalação destes equipamentos em toda a cidade.
Nós queremos discutir a solução da segurança com seriedade e não é adotando este tipo de ação discriminatória que conseguiremos isso.
Esse pessoal tem que acordar logo, senão será tarde demais. Segurança deve ser garantida para todos e não apenas para quem banca o holerite.
*Baseado em carta que enviei ao Jornal O Estado de São Paulo criticando sua postura
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