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	<title>Joildo Santos &#187; obama</title>
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	<description>Sobre os ombros de gigantes</description>
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  <title>Joildo Santos</title>
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		<title>Comando da CIA invade Paquistão e mata ex-colega Osama Bin Laden</title>
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		<pubDate>Tue, 03 May 2011 23:14:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Do Hora do Povo 2955 de 04 de Maio de ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Do <a href="http://horadopovo.com.br/2011/maio/2955-04-05-2011/P7/pag7a.htm">Hora do Povo 2955 de 04 de Maio de 2011</a></p>
<blockquote><p><span style="text-decoration: underline;"><em>Na descrição de um analista paquistanês, os manuais de atentados da Al Qaeda são “muito parecidos” com aqueles manuais que a CIA forneceu para os contras na Nicarágua</em></span></p>
<p>A mídia não está cabendo em si de tanta excitação. Depois de um dia inteiro de glamour no casamento de Lady Kate com o príncipe William, em Londres, viveu a surpresa de, dez anos após a invasão do Afeganistão, ter a morte do chefe da Al Qaeda, Osama Bin Laden, afinal anunciada, no início da madrugada da segunda-feira (hora local), pelo presidente dos EUA.</p>
<p>Osama, que já foi visto nas cavernas de Tora Bora e até nas montanhas do Iêmen, foi afinal abatido em uma mansão-fortaleza, a menos de 100 km da capital paquistanesa, Islamabad, e a uns 100 metros da academia militar do país, a Agulhas Negras de lá. Mas tanta comemoração da mídia serviu principalmente para esconder que foi a CIA que o criou, adestrou, armou e controlou de 1979 a 1991.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>ESQUADRÃO</strong></p>
<p>Um esquadrão da morte enviado por Washington, e sem aviso ao governo de Islamadad, violou espaço aéreo e território soberanos do Paquistão e executou Osama, embora ainda não se saibam os detalhes, e depois jogou o corpo no mar, segundo cerimônia litúrgica da CIA que ficou muito em voga na Argentina na década de 1970. Repetindo W. Bush, Obama disse que a &#8220;justiça foi feita&#8221;, mas pela pressa, além da falta até de uma mera foto, mais parece queima de arquivo. A falta de qualquer comprovação de que a execução aconteceu e de que o executado foi realmente Osama tem causado estranheza no mundo inteiro.</p>
<p>Filho de um empreiteiro que fez fortuna pegando as beiradas dos acordos da família real com os EUA para aplicação dos petrodólares, Osama ainda na universidade se aproximou do wahabismo, versão extremista do Islã patrocinada pelos sauditas. Entre 1979 e 1991, ele foi uma peça chave da estratégia dos EUA, apoiada pelos petrodólares da Arábia Saudita, e pelo serviço secreto paquistanês, para combater as transformações que a revolução popular vinha realizando no Afeganistão, como os direitos à mulher, educação pública e gratuita, a reforma agrária, a separação igreja-Estado e o combate ao milenar tráfico de ópio. Foi possivelmente, ao lado do psicopata Jonas Savimbi, o carniceiro de Angola, o mais famoso &#8220;combatente da liberdade&#8221; da época, que o presidente Reagan exaltava.</p>
<p>Apesar de os propagandistas do império dizerem que foi &#8220;a invasão do Afeganistão&#8221; que causou a enxurrada de &#8220;combatentes da liberdade&#8221; de que Osama se tornou o principal articulador, o conselheiro de segurança nacional de Carter, Brzezinski, admitiu faz tempo que a decisão da CIA de jogar pesado no Afeganistão com o objetivo de desestabilizar a União Soviética, foi tomada pelo menos seis meses antes. A &#8220;Operação Ciclone&#8221; foi a maior ação de desestabilização feita até então. Os sauditas entravam com o Wahabismo e os petrodólares, e o serviço secreto paquistanês canalizava até o Afeganistão a avalanche de pessoal, dinheiro e armas liberados pelos EUA. Só da Arábia Saudita, estima-se em 15 mil o total de &#8220;voluntários&#8221; pró-CIA. Dentro do Afeganistão, a base social era de plantadores de papoulas para o ópio, ladrões, latifundiários e mulás fanatizados.</p>
<p>No início, Osama fazia o recrutamento de contrarrevolucionários e os conduzia ao Afeganistão, mas sem cruzar a fronteira. A partir de 1984, passou a participar das sabotagens e outras operações de guerra, com um grupo de adeptos, que se tornaria a Al Qaeda. Em 1989, a URSS decidiu empreender sua retirada, e o governo popular, apesar de toda a agressão, conseguiu se manter no poder, o que só se tornou inviável em 1992, quando a queda do sistema socialista o deixou sem retaguarda.</p>
<p>Quando os EUA, durante a Guerra do Golfo, desembarcaram tropas em solo sagrado, Meca e Medina, com aprovação dos Saud, Osama rompeu com os antigos patrocinadores, o que se agravou com a permanência das tropas após o fim da agressão ao Iraque, em 1991. A partir daí, a criatura se volta contra o criador, até a execução no domingo. No Afeganistão, a devastação causada pela ação conjunta dos EUA, sauditas e governo paquistanês acabou levando à tomada do poder pelo Taliban, montado e armado pelo serviço secreto de Islamabad.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>FOLHA CORRIDA</strong></p>
<p>Em 1994, Osama teve sua cidadania cassada pela realeza. Ele havia se transferido para o Sudão em 1992, de onde teve de se retirar após pressões dos EUA, retornando ao Afeganistão. Em 1998, foram feitos ataques às embaixadas americanas na Tanzânia e no Quênia, com 224 mortos e centenas de feridos, atribuídos à Al Qaeda. Em 2000, ação no Iêmen acertou o navio US Cole. Nesse ínterim, a petroleira Unocal iniciou conversações com o Taliban, para construir um oleoduto que escoasse o petróleo do Mar Cáspio, atualmente, controlado principalmente pela Rússia e Irã. Mas as negociações entraram em impasse.</p>
<p>Em 11 de setembro de 2001, as torres gêmeas de Nova Iorque desabam após atingidas em cheio por aviões carregados de combustível e pilotados por agentes supostamente da Al Qaeda. Também é atingido o prédio do Pentágono. A pretexto de capturar Osama, o governo de W. Bush, invade o país, onde os EUA estão atolados há dez anos. Mas até hoje lá está o dedo da CIA: na descrição de um analista paquistanês, os manuais de atentados da Al Qaeda são &#8220;muito parecidos&#8221; com aqueles manuais que a CIA forneceu aos contras na Nicarágua.</p>
<p style="text-align: right;"><span style="text-decoration: underline;"><em>ANTONIO PIMENTA</em></span></p>
</blockquote>
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		<title>Eduardo de Oliveira: A próposito da visita do presidente Barack Obama ao Brasil</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Mar 2011 20:41:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[1- Cada área geo-econômica, para os que têm olhos de ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>1- Cada área geo-econômica, para os que têm olhos de ver, perceberá que o capitalismo ensandecido que se estabelece na inquietante condição de suprema vítima do nefasto neo-liberalismo, como o que presenciamos neste histórico momento, vindo a ser a engrenagem triturante das forças vitais do organismo social, que não encontra energias suficientes e necessárias capazes de fazer frente ao tsunami avassalador que dilacera as entranhas das sociedades humanas.</p>
<p>2- Face a esta trágica realidade, recorremo-nos a Michael Moore dos Estados Unidos da América do Norte, em discurso proferido durante manifestação, em Madison, Wisconsin, dia 05 de março do ano em curso, contra o corte US$ 1,6 bilhão, no orçamento dos governos locais quando este declara do alto de sua incontida indignação que <em>“<strong>Ao contrário do que diz o poder que quer que vocês desistam das pensões e aposentadorias, que aceitem salários de fome e voltem para casa em nome do futuro dos netos de vocês, os EUA não estão falidos</strong></em>”, posto que esta falsa afirmação não resiste à verdade dos fatos, uma vez que o referido país está sentado em bilhões de malotes de trilhões e trilhões de dólares, que se encontram à disposição dos bancos privados, dos seus banqueiros, e dos monopólios, amealhados à custa dos desempregos, da fome, da retomada dos locais das moradias dos trabalhadores, do flagelo do frio, que consome o corpo dos descamisados e colocam em sobressalto o espírito do generoso povo, que sempre acreditou no eldorado do “sonho americano”.</p>
<p>3- É em meia a esta sofrida parcela de sua população que encontramos aqueles que através de sucessivas gerações que construíram com suor, lágrimas e sangue e muita determinação, este gigante do norte das Américas, que hoje representam quase que 200 milhões dos habitantes norte-americanos.</p>
<p>4-  O que é de se lastimar é o fruto desta fantástica riqueza manipulada e acumulada, que se encontra nas mãos de menos que 10% integrada por magnatas e de 400 famílias, enquanto que 90% do continente humano daquele país estão obrigados a viverem com apenas e tão somente 10% da referida fortuna, ressaltando a clamorosa injustiça, algo insustentável e inadmissível de ser aceito, passivamente, ao longo do século XXI, em que vive a humanidade nos dias de hoje.</p>
<p>5- E os negros ! O que dizer dos negros que as estatísticas afirmam representar cerca de 14% da população daquele país, contingente este mergulhado quase que totalmente neste campo sombrio da miserabilidade que os coloca abaixo da linha da pobreza, reconhecida secularmente. </p>
<p>No Brasil há dois marcantes momentos relacionados com a vida, a historia e a cultura dos   afro-descendentes: um antes do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outro depois de sua personalidade haver conquistado a mencionada investidura, razão pela qual os brasileiros de todas as latitudes e etnias são sobejamente reconhecidas ao governo federal dos dias atuais que criam um amplo programa de promoção e soerguimento da comunidade negra de nosso país.</p>
<p>6- O pior é que este triste quadro de miséria histórica acaba de tornar-se mais grave, abrangente e profundo, diante do chocante paradoxo, pelo fato de os Estados Unidos da América do Norte, terem,  hoje, dirigindo o seus destinos, um Presidente de origem negra, que fora espetacularmente eleito, ao acenar aos seus milhões de leitor que iria combater, com unhas e dentes a política imperialista implantada pelo seu antecessor, que determinou a invasão e a destruição do IRAQUE e de outras violências praticadas a humanidade do nosso planeta.</p>
<p>7-  É assim dentro deste clima que não reflete uma perspectiva de fé e de esperança para o curso de uma economia desenvolvimentista que venha, a curto prazo, em socorro das pessoas brancas e negras do mundo que penosamente atravessamos, que o Congresso Nacional Afro-Brasileiro e demais entidades co-irmãs que comungam conosco pela efetiva implantação, entre nós, de uma política de consolidação dos nossos compromissos democráticos e igualitários, sob cujo ambiente é aguardada a visita do primeiro Presidente negro dos Estados Unidos  que é  Barack Obama, ao nosso idolatrado Brasil.</p>
<p>São Paulo, 18/03/2011</p>
<p>Prof. Eduardo de Oliveira</p>
<p>Congresso Nacional Afro Brasileiro &#8211; CNAB</p></blockquote>
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		<title>O WikiLeaks lavou a alma do Itamaraty</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Dec 2010 13:15:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ELIO GASPARI 05/12/2010 Folha de São Paulo
Não  é a ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po0512201015.htm">ELIO GASPARI 05/12/2010 Folha de São Paulo</a></p>
<blockquote><p><span style="position:relative;color:green;width:170px;background:white;border-top:  2px solid gold ;border-bottom:2px solid gold;float:right;padding: 0.1em; margin: 0.3em;font-family:Georgia,Verdana,Arial, Helvetica;font-size: 12pt;line-height:26px; text-align: right;"><span style="filter:alpha(opacity=75);-moz-opacity:.75;opacity:.75;">Não </span><b> </b>é <br><b></b>a <br><b>diplomacia </b>brasileira <br><b>que não </b>gosta <br><b>dos </b>EUA, <br><b>são os </b>EUA <br><b>que não gostam </b>de <br><b>uma </b>diplomacia<span style="filter:alpha(opacity=90);-moz-opacity:.90;opacity:.90;"> brasileira</span></span></p>
<p>A PAPELADA do WikiLeaks relacionada com o Brasil prestou um serviço à diplomacia nacional. À primeira vista, apresentou o Itamaraty como inimigo dos Estados Unidos. Olhada de perto, documentou que o governo americano é inimigo do Itamaraty.</p>
<p>Como o vazamento capturou mensagens do canal que liga a embaixada americana ao Departamento de Defesa, o ministro Nelson Jobim ficou debaixo de um exagerado holofote. Exagerado, porém veraz. Em janeiro de 2008, Jobim tratou com o então embaixador Clifford Sobel assuntos que não eram de sua competência, dizendo coisas que não devia.</p>
<p>Sobel, um quadro estranho à diplomacia americana, saído do plantel de empresários republicanos com carreiras políticas fracassadas, qualificou-o como um homem decidido a &#8220;desafiar a supremacia histórica do Itamaraty em todas as áreas da política externa&#8221;. Em treze palavras, resumiu o objeto do desejo dos americanos: desafiar a supremacia histórica do Itamaraty em todas as áreas da política externa.</p>
<p>O Itamaraty é um ofidiário. Nele há de tudo, mas poucos foram os casos de diplomatas bem colocados que quisessem terceirizar as relações internacionais do Brasil. Já houve diplomata que ia para o serviço vestindo a camisa verde dos integralistas, assim como houve comunista dos anos 50 que, nos 70, trabalhava de mãos dadas com o Serviço Nacional de Informações.</p>
<p>Sempre há quem divirja das linhas da política externa da ocasião mas, noves fora vinganças burocráticas, a máquina une-se quando se trata de defender &#8220;a supremacia histórica do Itamaraty em todas as áreas da política externa&#8221;.</p>
<p>Essa característica sempre incomodou a diplomacia americana. Pelo poderio e pelo tamanho de sua representação no Brasil, ela busca o fatiamento das &#8220;áreas da política externa&#8221;. É sempre mais fácil negociar assuntos agrícolas com um ministro indicado por um poderoso deputado que um dia voltará a cuidar de seus interesses. Negociar tarifas em foros internacionais com diplomatas influenciando a posição brasileira é um pesadelo para as delegações americana e europeias. (Salvo em casos raros, como quando Brasília determinou ao chefe da delegação que votasse com os americanos.)</p>
<p>Se dependesse das famosas ekipekonômicas, os Estados Unidos teriam quebrado a resistência brasileira à criação da Associação de Livre Comércio das Américas, a Alca, defendida durante os governos Clinton e Bush. Em 2002, o negociador americano disse que, se o Brasil não aderisse à Alca, teria que vender seus produtos na Antártida. O setor mais organizado (e pecuniariamente desinteressado) da oposição à Alca estava no Itamaraty.</p>
<p>Durante o tucanato, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães dizia que negociar um acordo de livre comércio daquele tipo seria o mesmo que discutir um caminho para o patíbulo e foi demitido da direção do Instituto de Pesquisas de Relações Internacionais do ministério.</p>
<p>O que incomoda o Departamento de Estado é uma diplomacia capaz de impedir que sua embaixada negocie no varejo dos ministérios assuntos que envolvem relações internacionais. Se o embaixador Sobel pudesse tratar temas da defesa só com Jobim, seria um prazer. Os diplomatas brasileiros não decidem todas as questões onde se metem, mas atrapalham. Por isso, um embaixador americano queixava-se dos &#8220;barbudinhos do Itamaraty&#8221;.</p>
<p>Poucas vezes os &#8220;barbudinhos&#8221; apanharam tanto como no caso da resistência brasileira ao golpe de Honduras, no ano passado. Graças ao WikiLeaks, conhece-se agora o telegrama enviado pelo embaixador americano em Tegucigalpa, Hugo Llorens, a Washington, três semanas depois da deposição do presidente Manuel Zelaya: &#8220;Na visão da embaixada, os militares, a Corte Suprema e o Congresso armaram um golpe ilegal e inconstitucional contra o Poder Executivo&#8221;. O texto integral do telegrama é quatro vezes maior que este texto e nele a palavra &#8220;golpe&#8221; é usada 13 vezes.</p>
<p>O companheiro Obama agasalhou o golpe, Nosso Guia, não.</p></blockquote>
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		<title>China, EUA e Brasil: O tamanho da bomba de cada um</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Nov 2009 19:33:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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		<title>A paz de Obama</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Oct 2009 02:52:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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		<title>O Cara em ação</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 21:17:32 +0000</pubDate>
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		<title>Pinochelettis em ação em Honduras</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Jul 2009 12:22:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Honduras: repúdio popular abala golpe de Pinochelettis
A maior manifestação contra ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a class="shutterset" href="http://www.joildo.net/wp-content/photos/charges/honduras1.jpg"><img class="ngg-singlepic ngg-left" src="http://www.joildo.net/wp-content/photos/charges/honduras1.jpg" alt="honduras1" width="450" height="343" /></a></p>
<p><a class="shutterset" href="http://www.joildo.net/wp-content/photos/charges/golpe_honduras_usa.jpg"><img class="ngg-singlepic ngg-left" src="http://www.joildo.net/wp-content/photos/charges/golpe_honduras_usa.jpg" alt="golpe_honduras_usa" width="475" height="360" /></a></p>
<p><a class="shutterset" href="http://www.joildo.net/wp-content/photos/charges/090708_central_america.jpg"><img class="ngg-singlepic ngg-left" src="http://www.joildo.net/wp-content/photos/charges/090708_central_america.jpg" alt="golpe_honduras_usa" width="600" height="403" /></a></p>
<blockquote><p><strong>Honduras: repúdio popular abala golpe de Pinochelettis</strong></p>
<p><em>A maior manifestação contra o golpe ocorreu no domingo. Centenas de milhares foram ao aeroporto para receber Zelaya. Isolado em todo mundo e repelido pelo povo, regime pária desestabilizou-se ao impedir volta do presidente e atirar contra a multidão</em></p>
<p>  Centenas de milhares de hondurenhos acorreram ao aeroporto de Tegucigalpa, no domingo dia 5 de julho, para saudar o presidente Manuel Zelaya &#8211; cujo avião não conseguiu pousar -, agudizando o isolamento interno e externo dos golpistas instalados no poder no país há uma semana. Antes mesmo da manifestação, às primeiras horas do domingo, segundo entrevista do jornalista Luiz Galdámez, da Rádio Globo Honduras, à Telesur, três dos principais empresários do país, dois deles ex-presidentes, Ricardo Maduro e Carlos Flores Facussé, haviam se reunido com o ditador de plantão Roberto Micheletti, para anunciar a retirada de apoio que haviam antes hipotecado, “por sua intransigência e negativa a uma saída negociada”. Também foi desmentida a suposta “unanimidade” do parlamento hondurenho na derrubada de Zelaya: 16 deputados, 10 deles do próprio partido de Zelaya, o Partido Liberal, e 6 da Unificação Democrática, afirmaram à agência Prensa Latina terem votado contra o golpe.</p>
<p><strong>FRENTE NACIONAL</strong></p>
<p>  A manifestação foi convocada pela Frente Nacional Contra o Golpe de Estado, que reúne sindicatos, estudantes, organizações de camponeses e partidos que exigem a volta de Mel – como Zelaya é carinhosamente chamado pelos hondurenhos. Os golpistas já estavam bastante abalroados pelo isolamento internacional, desde o repúdio ao golpe que incluiu até o governo Obama, suspensão da OEA e retirada de embaixadores latino-americanos e da União Européia. Agora, com seus disparos contra uma multidão desarmada, com fuzis M-16, que resultaram na morte de pelo menos duas pessoas e ferimentos em mais de 30, a situação dos golpistas fica ainda mais frágil. No dia seguinte, como vêm fazendo diariamente há uma semana, manifestantes retomaram as ruas contra os assassinatos, e as mobilizações – que estão ocorrendo no país inteiro -, nas cidades e nas estradas, vão prosseguir até a devolução do poder ao presidente legítimo, Zelaya. Para completar, a suspensão de créditos internacionais no montante de US$ 470 milhões e do fornecimento de petróleo com preço reduzido (US$ 350 milhões no ano passado) tornou ainda mais precária a situação no terreno da economia.</p>
<p>“Não é verdade que todos os deputados estejam de acordo com a imposição de Micheletti”, afirmou à agência Prensa Latina a deputada Silvia Ayala, do partido Unificação Democrática. Ela disse que o falso consenso foi apresentado ao mundo visando conferir legitimidade aos golpistas. Entre os parlamentares que votaram contra o golpe estiveram José Azcona, filho do ex-presidente José Simón Azcona (1986-1990); Elvia Vale e Carolina Echeverría, todos do Partido Liberal, e César Ham (Unificação), além de Sílvia. O advogado de Direitos Humanos e autor de um documentário sobre a “Escola das Américas”, Andrés Conteris, relatou em entrevista ao programa de TV dos EUA, “Democracy Now”, como os golpistas estão perdendo até o controle da mídia, onde preponderam. Dois canais de TV, o 36 e o 45 foram fechados, e o canal 11, por ter mostrado alguma coisa das mobilizações, sofreu um atentado a bomba. A Rádio Balão, que transmitiu as declarações de Zelaya, quando sobrevoava Tegucigalpa, sofreu intervenção. Um jornalista da Rádio América, em San Juan Pueblo, foi assassinado na sexta-feira dia 3. O diretor do canal 36 e o diretor da Rádio Global, da capital, estão escondidos. Também foi fechada a Rádio Progresso, do interior.</p>
<p>Além de Micheletti, outro expoente dos golpistas é o “chanceler” Ortez Colindre, que após chamar Obama de “negrinho”, agora veio a público sustentar que a ditadura não matou ninguém, e que foram os próprios manifestantes que se mataram entre si. O jovem de 19 anos que foi assassinado com um tiro na cabeça, tombou a poucos metros do pai. O crime pôde ser visto em transmissão ao vivo pela televisão, e o posicionamento de franco-atiradores em telhados já havia sido referido pela agência EFE. Manifestantes colheram no local e exibiram numerosas cápsulas defla-gradas de munição de fuzil M-16.</p>
<p><strong>HILLARY</strong></p>
<p>Em novo desdobramento, o Departamento de Estado ao mesmo tempo que confirmou a reunião de Zelaya com a secretária Hillary Clinton, recusou receber uma delegação dos golpistas enviada a Washington. Enquanto o chão se desfaz sob os pés de Micheletti, o presidente Zelaya aproveitou para se dirigir também aos militares, com grande serenidade, ao sobrevoar Tegucigalpa. Após o início dos disparos contra a multidão, ele condenou o crime e pediu aos militares que “não apontem mais os fuzis contra o povo hondurenho”. Às vítimas dos disparos, ele se dirigiu mais tarde, para se solidarizar “de forma muito sincera com as famílias sacrificadas em uma marcha pacífica para apoiar um presidente legítimo”.</p>
<p><em>ANTONIO PIMENTA</em></p></blockquote>
<p><span class="info">Do <a href="http://www.horadopovo.com.br">Hora do Povo</a></span></p>
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		<title>Uri Avnery: Obama não está para piscadelas</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Jun 2009 01:10:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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		<category><![CDATA[israel]]></category>
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		<description><![CDATA[Uri Avnery*
Tradução: coletivo Todas as Vozes
LEMBRAM-SE DE DOV WEISGLASS? Aquele, ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><strong>Uri Avnery*</strong></p>
<p><em>Tradução: coletivo Todas as Vozes</em></p>
<p>LEMBRAM-SE DE DOV WEISGLASS? Aquele, que disse que a paz teria de esperar até que os palestinos virassem finlandeses? Que falava de conservar em formol o processo de paz?</p>
<p>Weisglass será para sempre lembrado, menos pelo que disse do que por suas piscadelas, aquela coisa de falar e piscar um olho. Weisglass é o Rei da Piscadela.</p>
<p>Essa semana, Binyamin Netanyahu convocou-o para reunião urgente; precisava de curso intensivo de &#8220;piscar olho&#8221;, expressão de gíria, do hebraico contemporâneo, para &#8220;enganação&#8221;).</p>
<p>Enganação é o principal instrumento de trabalho dos empreiteiros israelenses que constroem colônias. A enganação-piscadela é a verdadeira mãe de todas as colônias. Os colonos enganam-piscam. O governo de Israel engana-pisca. Dizem não, e enganam-piscam. Enganam-piscam e constroem. Enganam-piscam e instalam água e luz. Enganam-piscam e mandam soldados para os postos avançados e arrancam palestinos de suas terras e arrancam oliveiras pelas raízes.</p>
<p>A piscadela de enganação também é o principal instrumento de trabalho da diplomacia israelense. Tudo se faz por piscadelas. Os EUA exigem o fim da construção de colônias e piscam. Israel concorda – e também pisca.</p>
<p>O problema é que não há registro impresso de piscadelas. Não há tecla de computador para marcar &#8220;piscadela de enganação&#8221;. Então… Hillary Clinton pode, honesta e sinceramente, garantir que não há piscadelas de enganação em acordos assinados por EUA e Israel. Nem em qualquer memorando-registro das conversações. Não há registro de piscadelas de enganação em nenhum arquivo ou documento.</p>
<p>Pior: parece que a cultura afro-norte-americana não conhece a piscadela de enganação. Quando Netanyahu sentou-se na Casa Branca e pôs-se a piscar –  Barack Obama não respondeu. Bibi piscava e piscava e piscava… e Obama não entendia. Piscou e piscou e piscou até ter cãibras no olho, e nada! Obama provavelmente pensou que Bibi tivesse um cacoete. Como pisca! Realmente embaraçoso.</p>
<p>O que fazer ante alguém que não é de piscadelas? Como, ó Deus, conseguir resposta de piscadela? </p>
<p>ESSE É o principal problema que o primeiro-ministro de Israel enfrenta hoje.</p>
<p>Amanhã, o primeiro-ministro discursará um &#8220;Grande Discurso&#8221;. Não apenas grande, também muito &#8220;histórico&#8221;. Será a apoteótica resposta ao discurso de Obama no Egito. Tudo está sendo encenado para que os dois discursos se pareçam. Obama falou na Universidade do Cairo? Netanyahu falará na Universidade Bar-Ilan, instituição religiosa da direita israelense, onde foi cevado o assassino de Yitzhak Rabin.</p>
<p>Mas as semelhanças ficam por aí. Haverá diferenças. Obama delineou os contornos de um Novo Oriente Médio? Netanyahu delineará os contornos do Velho, bem velho, Oriente Médio. Obama falou de um futuro de paz, cooperação e respeito mútuo? Netanyahu falará do passado de Holocausto, violência, ódio e medos.</p>
<p>O maior problema de Netanyahu é convencer o mundo de que o velho é novo. Converter os velhos e surrados clichês em novidade; convertê-los em palavra de ordem para amanhã. Mas… como fazê-lo sem usar piscadelas de enganação, ante alguém que não reage a piscadelas? Como falar sobre &#8220;crescimento natural&#8221; das colônias, sem piscar? Como falar de Estado palestino, sem piscar? Como falar sobre apressar as negociações de paz com palestinos, sem piscadela de enganação?</p>
<p>Os mais famosos alfaiates foram convocados para ajudar a costurar as roupas novas do rei, dos ministros, dos deputados ao Parlamento israelense, de todos os professores-mágicos e, claro, também de Shimon Peres.</p>
<p>Todos acorreram, ao primeiro chamado: costurar roupa nova, calças de moda e gravata colorida – dessas que só os espertalhões veem.</p>
<p>Israel sempre apostou no Holocausto, como uma espécie de salvo-conduto para cometer qualquer crime. Era dizer &#8220;Holocausto&#8221; e a sala ficava em silêncio. Israel pôde oprimir os palestinos, roubar a terra deles, meter colônias na terra dos palestinos, espalhar postos de controle armado por toda parte, como caca de mosca. Israel bloqueou Gaza, fez o que quis. E quando os não-judeus protestavam, bastava gritar &#8220;Holocausto&#8221; – e os protestos calavam, congelados nos lábios dos não-judeus.</p>
<p>Agora… O que fará Israel, contra Obama, que denuncia o horror do Holocausto, que visita um campo de concentração e leva ao lado Elie Wiesel, &#8220;Mr. Holocaust&#8221;, em pessoa… E que, mesmo assim, exige que pare a construção de colônias?</p>
<p>Não surpreende que Netanyahu esteja sofrendo o suplício da insônia, sem descanso para a alma. Netanyahu sem o Holocausto é como o Papa sem a cruz. Sem um &#8220;segundo Holocausto&#8221;… o que Netanyahu terá a dizer contra o Iran? O que dirá sobre o &#8220;Perigo Existencial&#8221; que impede Israel de evacuar tendas e barracões na Judeia e derrubar muros na Samaria?</p>
<p>Sem isso… o que restará para que Netanyahu  recheie seu &#8220;Discurso Histórico&#8221;?</p>
<p>Terá de martelar prego quadrado em buraco redondo. Cada vez que diga &#8220;sim&#8221;, leia-se &#8220;não&#8221;. É o que sempre fizeram seus antecessores. Ehud Barak fez. Ariel Sharon fez. Ehud Olmert fez. Com uma diferença: diziam, faziam… e piscavam a piscadela de enganação; mas Netanyahu terá de falar sem piscar.<br />
Terá de falar da solução dos Dois Estados… sem mencionar dois Estados. Terá de falar sobre parar de construir nas colônias… sem parar de construir nas colônias e com o trabalho (de construção nas colônias) continuando, sem parar, a pleno vapor.</p>
<p>No passado, sempre houve muitos truques para continuar a construção de colônias. &#8220;O cérebro judeu produz patentes&#8221; – diz uma canção popular muito conhecida. Novas colônias foram sempre construídas, sob a mentira de que seriam extensões da colônias existentes – mesmo que a &#8216;extensão&#8217; esteja a dez, cem, duzentos, mil, dois mil metros de distância… desde que, da colônia, aviste-se a &#8216;extensão&#8217;. Ou mentiu-se que a construção prosseguia, não em novas terras, mas nos limites das colônias já existentes… O que sempre foi quase-verdade, porque a colônia de Maaleh Adumin, por exemplo, é enorme, com área equivalente à de Telavive.</p>
<p>Talvez Netanyahu lembre a famosa carta de George W. Bush, em que manifesta opinião de que, em qualquer futuro acordo de paz, &#8220;centros populacionais já existentes&#8221; deve(ria)m ser anexados a Israel. Mas nem Bush definiu o que fossem &#8220;centros populacionais&#8221; ou demarcou fronteiras. Nem Bush jamais disse que Israel estaria autorizado a construir em terra dos palestinos antes de haver qualquer acordo. Antes de tudo, porque jamais teve autoridade para decidir essas questões.</p>
<p>Israel fala também do &#8220;crescimento natural&#8221;. OK. Mulheres podem ser usadas como máquinas de fabricar crianças, de preferência gêmeos e trigêmeos. E qualquer um pode adotar filhos, de 1 a 101 anos. Claro, sempre que nasce um filho, é preciso construir outro quarto, outra casa, outra colônia.<br />
(E quem fale em &#8220;crescimento natural&#8221; para os judeus, fala também de &#8220;crescimento não-natural&#8221; para os árabes. Os árabes não crescem naturalmente. São como uma doença: crescem não-naturalmente. Netanyahu talvez use também esse argumento.)<br />
E quanto ao Estado da Palestina, que Obama está projetando?</p>
<p>A televisão israelense fez feio trabalho, essa semana: lembrou aos israelenses que Netanyahu disse há apenas seis anos: “Estado palestino – NÃO!”, porque &#8220;dizer sim a um Estado palestino significa dizer não ao Estado judeu&#8221;.</p>
<p>Netanyahu parece crer que se trata apenas de como encenar as coisas. Talvez diga que, no passado, Israel já aceitou o Mapa do Caminho, que contém vestígios de um Estado palestino. É verdade que Israel &#8216;aceitou&#8217;… mas com 14 emendas que, de fato, castraram o Mapa do Caminho e o converteram em papel sem qualquer significado. Netanyahu conta com que Obama dê-se por satisfeito.</p>
<p>Em resumo: ninguém precisa voltar a falar de Dois Estados, porque o assunto já foi mencionado no Mapa do Caminho (amaldiçoado seja! – como Netanyahu, se não diz, pensa), que Israel declarou morto há muito tempo, mas que agora finge que volta a considerar, e no qual há rápida menção a algo semelhante a Dois Estados. Então não se fala mais nisso; basta uma rápida referência de modo oblíquo (e piscadela).</p>
<p>Mas o que fazer se, apesar de tudo, Obama insiste para que Netanyahu pronuncie as palavras &#8220;Estado palestino&#8221;, dos próprios lábios? Se não houver truque possível, para dizer sem dizer, Netanyahu talvez pronuncie as palavras… e mentalmente as exorcizará, como maldição; e acrescentará qualquer meia dúzia de adjetivos que detonarão o real significado das palavras. Exatamente como, antes dele, já fizeram Barak, Sharon e Olmert.</p>
<p>As declarações de Tzipi Livni e sua turma deram a impressão de que continuam todos empacados. Também ela parece crer que Israel poderá continuar a falar sobre Dois Estados, enquanto opera na direção oposta; falar de parar a construção de novas colônias, e continuar a construí-las. Dessa toca não virá qualquer mensagem nova.</p>
<p>A questão é que Obama não está interessado em dar nova formulação a velhos slogans. Parece estar exigindo que Israel aceite o princípio dos Dois Estados como base para ação concreta e rigorosa: chegar a um acordo para o estabelecimento de um Estado chamado Palestina, com capital em Jerusalém Leste; e fim das colônias e de toda a parafernália da ocupação.</p>
<p>Obama está exigindo negociações consistentes, de modo que em dois ou três anos – antes do fim de seu governo – haja verdadeira paz na Região, uma paz que realmente assegure a existência e a segurança do &#8220;Estado judeu de Israel&#8221; (expressão que George Mitchell inaugurou essa semana) e do Estado árabe da Palestina, lado a lado.</p>
<p>Tudo isso é parte de uma nova ordem de um novo Grande Oriente Médio, do Paquistão ao Marrocos, como parte de uma visão de mundo mais ampla.<br />
Contra essa visão, de nada servem as piscadelas de enganação à moda Weisglass ou a ginástica verbal à moda Peres.</p>
<p>No discurso de amanhã, Netanyahu terá de escolher um dentre três caminhos: ou adota a via de uma colisão frontal com os EUA; ou promove mudança total na política do seu governo em Israel; ou renuncia.</p>
<p>Acabou a era das piscadelas de enganação.</p></blockquote>
<p><span class="info">13/06/2009  <a href="http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1244932344/">Obama won’t wink back</a>. Li primeiro no <a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/uri-avnery-obama-nao-esta-para-piscadelas/">Vi o Mundo</a></span></p>
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		<title>Discurso de Barack Obama no Cairo &#8211; Egito</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Jun 2009 04:45:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[obama]]></category>

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		<description><![CDATA[Barack Obama, Discurso na Universidade do Cairo, 4/6/2009

4/6/2009, Huffington Post
Tradução ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>Barack Obama, Discurso na Universidade do Cairo, 4/6/2009</em><br />
<a href="http://www.huffingtonpost.com/2009/06/04/obama-egypt-speech-video_n_211216.html"><br />
4/6/2009, Huffington Post</a></p>
<p><em><strong>Tradução de Caia Fittipaldi</strong></em></p>
<p>Sinto-me honrado, nessa milenar cidade do Cairo, recebido por duas importantes instituições. Há mais de mil anos, a Universidade de al-Azhar já era sentinela avançada dos estudos islâmicos, e por mais de um século a Universidade do Cairo é fonte de desenvolvimento do Egito. Juntas, essas instituições representam a harmonia entre a tradição e o progresso. Agradeço a hospitalidade dessas universidades e a hospitalidade do povo egípcio. Trago-lhes com orgulho a boa-vontade do povo americano, e um voto de paz das comunidades muçulmanas em meu país: assalaamu alaykum[1].</p>
<p>Nos reunimos num momento de tensão entre os EUA e muçulmanos em várias partes do mundo – tensão que brota de forças históricas e vão além do atual debate político. As relações entre o Islam e o ocidente incluem séculos de coexistência e cooperação, mas também conflitos e guerras religiosas. Mais recentemente, a tensão foi alimentada pelo colonialismo que nega direitos e oportunidades a muitos muçulmanos, e uma guerra fria na qual países de maioria muçulmana são muitas vezes tratados como fantoches [or. proxies], sem atenção às suas aspirações. Além disso, as rápidas mudanças trazidas pela modernidade e pela globalização levaram muitos muçulmanos a ver o ocidente como hostil às tradições do Islam.<br />
<span id="more-2179"></span><br />
Extremistas violentos exploraram essas tensões em minorias pequenas, mas potentes, de muçulmanos. Os ataques de 11/9/2001 e os continuados esforços daqueles extremistas em ações de violência contra civis, levaram alguns, no meu país, a ver o Islam como inevitavelmente hostil, não só aos EUA e aos países ocidentais, mas hostil também aos direitos humanos. O que alimentou mais medo e desconfiança.</p>
<p>Enquanto nossas relações forem definidas por nossas diferenças, mais força daremos aos que semeiam ódio, não paz; e aos que promovem conflitos, não a cooperação que pode ajudar nosso povo a alcançar justiça e prosperidade. Esse ciclo de suspeitas e discórdia tem de acabar.</p>
<p>Vim até aqui em busca de um recomeço, entre os EUA e os muçulmanos de todo o mundo; recomeço baseado em interesse mútuo e mútuo respeito; e baseado na verdade de que os EUA e o Islam não são exclusivos e não precisam viver em competição. Em vez disso, somam-se e partilham princípios comuns – princípios de justiça e progresso; de tolerância e de respeito à dignidade de todos os seres humanos.</p>
<p>Reconheço que a mudança não pode acontecer da noite para o dia. Nenhum discurso pode pôr fim a anos de desconfiança, nem posso, eu, com meu pouco tempo de governo, ter resposta para todas as complexas questões que nos trouxeram ao ponto em que estamos. Mas estou convencido de que, para andar adiante, temos de falar abertamente o que escondemos nos nossos corações, e, também, o que se diz por trás de portas fechadas. Temos de manter esforço sustentado para nos ouvir, uns os outros; para aprender uns dos outros; para respeitar uns os outros; e para procurar terreno comum. Como ensina o santo Corão: &#8220;Sê consciente de Deus e dize sempre a verdade.&#8221; É o que tentarei fazer – dizer a verdade, do melhor modo que consiga, sob o peso da enorme tarefa à nossa frente, e firme na minha crença de que os interesses que partilhamos como seres humanos são mais poderosos que as forças que nos mantêm afastados.</p>
<p>Parte dessa convicção tem raízes na minha própria experiência. Sou cristão, mas meu pai é família queniana com várias gerações de muçulmanos. Menino, vivi muitos anos na Indonésia e ouvia o chamamento do azaan [o canto que convoca os muçulmanos para as orações] ao nascer do dia e ao cair da noite. Jovem adulto, trabalhei em comunidades, em Chicago, nas quais muitos encontravam dignidade e paz em sua fé muçulmana.</p>
<p>Na universidade, aluno de história, também conheci civilizações que muito devem ao Islam. Foi o Islam – em lugares como a Universidade al-Azhar – que conduziu a luz do saber ao longo de muitos séculos, pavimentando o caminho para o Renascimento e o Iluminismo europeus. A inovação, em comunidades muçulmanas, desenvolveram a álgebra; a bússola e outros instrumentos de navegação; o manejo dos pincéis e penas e a imprensa; o que sabemos sobre como as doenças disseminam-se e como podem ser curadas. A cultura islâmica deu-nos seus arcos majestosos e as espirais; a poesia eterna e a música; a caligrafia mais elegante e locais de contemplação. E, ao longo da história, o Islam demonstrou por palavras e ações, as possibilidades da tolerância religiosa e da igualdade racial.</p>
<p>Sei, também, que o Islam sempre foi parte da história dos EUA. A primeira nação a reconhecer meu país foi o Marrocos. Ao assinar o Tratado de Trípoli, em 1796, nosso segundo presidente, John Adams, escreveu: &#8220;Os EUA não tem, em sim nenhum traço de inimizade contra as leis, a religião ou a tranquilidade dos muçulmanos.&#8221; E desde o nascimento dos EUA, os muçulmanos norte-americanos enriqueceram os EUA. Lutaram nossas guerras, serviram ao governo, lutaram pelos direitos civis, empreenderam, iniciaram negócios, ensinaram em nossas universidades, conquistaram medalhas em arenas esportivas, receberam Prêmios Nobel, construíram nossos mais altos arranha-céus e acenderam a tocha Olímpica. Quando o primeiro muçulmano norte-americano foi recentemente eleito para o Congresso, ele jurou defender nossa constituição, sobre o mesmo Santo Corão que um dos pais fundadores dos EUA – Thomas Jefferson – guardava em sua biblioteca pessoal.</p>
<p>Assim conheci o Islam em três continentes, antes de chegar à parte do mundo onde foi revelado. Essa experiência guia minha convicção de que a parceria entre EUA e o Islam tem de basear-se sobre o que é o Islam, não sobre o que ele não é. E entendo como parte de minha responsabilidade como presidente dos EUA lutar contra os estereótipos negativos do Islam, onde apareçam.</p>
<p>Mas esse mesmo princípio deve aplicar-se ao modo como os muçulmanos vêem os EUA. Assim como os muçulmanos não são um estereótipo, tampouco os EUA são estereótipo de império que só pensa em seus interesses. Os EUA têm sido uma das maiores fontes de progresso que o mundo jamais conheceu. Nascemos de uma revolução contra um império. Fomos fundados sobre o ideal de que todos são criados iguais, e derramamos sangue e lutamos durante séculos para dar pleno sentido a essas palavras – dentro de nossas fronteiras e em todo o mundo. Somos modelados por todas as culturas, chegadas de todos os quadrantes da Terra, e dedicados a um simples conceito: E pluribus unum – &#8220;De muitos, [fazer] um.&#8221;</p>
<p>Muito se disse de um afro-americano, de nome Barack Hussein Obama, ter sido eleito presidente. Mas minha história pessoal não é assim tão rara. O sonho da oportunidade para todos os povos ainda não se concretizou nos EUA, mas a promessa persiste para todos que cheguem às nossas costas, incluídos os cerca de 7 milhões de muçulmanos norte-americanos que hoje, nos EUA, gozam de condições de vida e educação superiores à média.</p>
<p>Além disso, a liberdade na América é indivisível da liberdade de religião. Há uma  mesquita em cada estado dos EUA, mais de 1.200 mesquitas em todo o país. Por isso o governo dos EUA foi aos tribunais para proteger o direito de mulheres e meninas usarem o hijab, e punir os que tentassem negar-lhes esse direito.</p>
<p>Que não reste nenhuma dúvida: o Islam é parte dos EUA. E eu acredito que os EUA guardam consigo a verdade segundo a qual, independente de raça, religião ou idade, todos partilhamos aspirações comuns – viver em paz e segurança; obter boa educação e trabalhar com dignidade; amar a família, a comunidade e nosso Deus. Tudo isso todos partilhamos. Essa é a esperança de toda a humanidade.</p>
<p>Claro, reconhecer nossa humanidade comum é apenas a primeira de nossas tarefas. Só palavras não bastam para atender às necessidades de nosso povo. Essas necessidades só serão satisfeitas se agirmos firmemente nos próximos anos; e se entendermos que os desafios à frente são partilhados e que se fracassarmos, todos sofreremos.</p>
<p>Já aprendemos, de nossa experiência recente, que quando um sistema financeiro enfraquece, num país, a prosperidade de todos sofre, em todos os lugares. Quando uma gripe faz adoecer um ser humano, todos ficamos ameaçados. Quando uma nação trabalha para construir uma arma nuclear, o risco de ataques nucleares aumenta para todos os povos. Quando um extremista violento opera num desfiladeiro nas montanhas, há pessoas ameaçadas do outro lado do oceano. E quando inocentes são massacrados na Bósnia e Darfur, a mancha se alastra por toda nossa consciência coletiva. Isso é o que significa partilhar o mundo, no século 21. Essa é a responsabilidade que todos temos, uns com os outros, como seres humanos.</p>
<p>É uma responsabilidade difícil de assumir. A história humana tem sido, muitas vezes, história de nações e tribos que subjugam umas as outras para atender interesses que não são de todos. Nos novos tempos que vivemos, essas atitudes são de auto-derrota. Dada nossa interdependência, qualquer ordem mundial que ponha uma nação ou um povo acima dos demais, fracassará inevitavelmente. Assim, pensemos o que pensarmos do passado, não podemos ficar prisioneiros do passado. Nossos problemas têm de ser equacionados em espírito de parceria; temos de partilhar o progresso.</p>
<p>Isso não implica que se devam ignorar as fontes de tensão. De fato, sugere o contrário disso: temos de encarar abertamente essas tensões. Assim, nesse espírito, permitam que eu fale clara e abertamente sobre algumas questões que creio que temos de enfrentar juntos.</p>
<p>A primeira dessas questões que temos de enfrentar é o extremismo violento, em todas as suas formas.</p>
<p>Em Ankara, deixei claro que os EUA não estão – e jamais estarão – em guerra contra o Islam. Mas enfrentaremos sem descanso todos os extremistas violentos que ameacem nossa segurança. Porque rejeitamos o que homens e mulheres de todas as fés rejeitam: a morte de inocentes, homens, mulheres e crianças. E meu primeiro dever como presidente é proteger os norte-americanos.</p>
<p>A situação no Afeganistão demonstra os objetivos dos EUA e a necessidade de que todos trabalhemos juntos. Há mais de sete anos os EUA lutam contra a al-Qaida e os Taliban com amplo apoio internacional. Lá não estamos por escolha nossa; fomos para lá por necessidade. Sei que há quem questione e quem justifique os eventos do 11/9. Mas sejamos claros: a al-Qaida matou cerca de 3.000 pessoas, naquele dia. As vítimas foram homens, mulheres e crianças norte-americanas e de outras nações, inocentes, que jamais haviam feito mal a alguém. Mesmo assim, a al-Qaida escolher assassinar aquelas pessoas, assumiu a autoria do ataque e ainda hoje afirma sua determinação de matar outra vez em escala massiva. Eles têm braços em vários países e tentam ampliar sua área de alcance. Nada disso são especulações. Esses são fatos a serem enfrentados.</p>
<p>Que ninguém se engane: não desejamos manter nossas tropas no Afeganistão. Não queremos instalar bases lá. É agonia, para os EUA ver morrer nossos jovens, homens e mulheres. Esse conflito custa-nos muito e é politicamente difícil continuar aquela luta. Nós retiraríamos os nossos soldados de lá e com alegria os traríamos para casa, se pudéssemos ter certeza de que não há extremistas violentos no Afeganistão e no Paquistão, determinados a matar o maior número possível de norte-americanos. A situação ainda não é essa.</p>
<p>Por isso continuamos lá, numa coalizão de 46 países. E, apesar dos custos envolvidos, a determinação dos EUA não enfraquecerá. De fato, nenhum de nós pode tolerar esses extremistas. Eles já mataram em muitos países. Já mataram gente de várias fés –mais do que de todas, eles mataram muçulmanos. Aquelas ações são irreconciliáveis com os direitos humanos, com o progresso das nações e com o Islam. O Santo Corão ensina que quem mata um inocente, mata como se matasse toda a humanidade; e que quem salva um ser humano, salva como se salvasse toda a humanidade. A resistente fé de mais de um bilhão de seres humanos é muito maior que o ódio estreito de uns poucos. O Islam não é parte do problema de combater o extremismo violento – é parte importante da promoção da paz.</p>
<p>Sabemos também que só o poder militar não resolverá os problemas no Afeganistão e no Paquistão. Por isso, planejamos investir 1,5 bilhões de dólares ao ano, nos próximos cinco anos, para ajudar os paquistaneses a construir escolas e hospitais, estradas e empresas, e centenas de milhões para ajudar os que perderam suas casas. Por isso estamos oferecendo mais de 2 bilhões para ajudar os afegãos a desenvolver sua economia e oferecer os serviços de que as pessoas necessitam.</p>
<p>Sobre a questão do Iraque. Ao contrário do Afeganistão, o Iraque foi guerra que os EUA escolheram e provocou fortes discussões em meu país e em todo o mundo. Embora eu acredite que os iraqueanos estão hoje melhor, sem a tirania de Saddam Hussein, também acredito que os eventos do Iraque ensinaram aos EUA a necessidade de usar a diplomacia e de construir consenso internacional para resolver nossos problemas, sempre que possível. De fato, lembro as palavras de Thomas Jefferson: &#8220;Espero que nossa sabedoria aumente à medida que aumente nosso poder, e nos ensine que quanto menos usarmos nosso poder, mais ele aumentará.&#8221;</p>
<p>Hoje, os EUA têm dupla responsabilidade: ajudar o Iraque a forjar melhor futuro e entregar o Iraque aos iraqueanos. Deixei bem claro para os iraqueanos que não buscamos novas bases e nada queremos de seu território ou de seus recursos. A soberania do Iraque é do Iraque. Por isso ordenei a retirada de nossas brigadas de combate em agosto próximo. Por isso honraremos nosso acordo com o governo democraticamente eleito no Iraque, de retirar nossos soldados das cidades iraqueanas em julho e removê-las, todas, até 2012. Ajudaremos os iraqueanos a treinar suas forças de segurança e a desenvolver sua economia. Mas apoiaremos um Iraque seguro e único como parceiros, não como dominadores.</p>
<p>Por fim, assim como os EUA jamais tolerarão a violência dos extremistas, jamais alteraremos nossos princípios. O 11/9 foi enorme trauma para nosso país. O medo e a ira que provocou foi compreensível, mas em alguns casos levou-nos a agir ao contrário de nossos ideais. Tomamos ações concretas para mudar de curso. Proibi inequivocamente o uso de tortura pelos EUA, e ordenei que a prisão da baía de Guantânamo seja fechada até o início do próximo ano.</p>
<p>Portanto, os EUA defender-se-ão, respeitando a soberania das nações e sob o império da lei. E o faremos em parceria com comunidades muçulmanas que também são ameaçadas. Quanto antes os extremistas sejam isolados e não se sintam bem-vindos nas comunidades muçulmanas, mais rapidamente todos teremos mais segurança.</p>
<p>A segunda melhor fonte de tensão que temos de discutir é a situação entre israelenses, palestinos e o mundo árabe.</p>
<p>Todos conhecem os fortes laços que unem Israel e os EUA. São laços inquebráveis. Baseiam-se em ligações culturais e históricas e no reconhecimento da legitimidade da aspiração do povo judeu a ter uma pátria, aspiração que se baseia na sua trágica história que não pode ser negada.</p>
<p>Em todo o mundo, o povo judeu foi perseguido, e o antissemitismo na Europa culminou num Holocausto sem precedentes. Amanhã visitarei Buchenwald, um dos campos da rede de campos nos quais os judeus foram escravizados, torturados, executados a tiros e em câmaras de gás pelo Terceiro Reich. Seis milhões de judeus foram mortos – mais do que toda a população de judeus de Israel, hoje. Negar esses fatos é pensamento sem fundamento, é ignorância e é manifestação de ódio. Ameaçar Israel de destruição – ou repetir estereótipos vis sobre os judeus – é erro grave e só serve para evocar, na mente dos israelenses suas memórias mais dolorosas, impedindo que haja a paz que o povo daquela região merece.</p>
<p>Por outro lado, é inegável o sofrimento dos palestinos – muçulmanos e cristãos –em busca de uma pátria. Há mais de 60 anos sofrem a dor da deslocação. Muitos esperam em campos de refugiados na Cisjordânia, em Gaza e em terras próximas, por uma vida de paz e segurança que jamais puderam ter. Sofrem humilhações diárias – maiores e menores – resultado da ocupação. Aí tampouco não cabem dúvidas: a situação do povo palestino é intolerável. Os EUA não darão as costas às legítimas aspirações dos palestinos, por dignidade, oportunidades e um Estado seu.</p>
<p>Ao longo de décadas, o impasse permaneceu: dois povos com aspirações legítimas, cada um deles com sua história dolorosa que tornou quase impossível qualquer acordo. É fácil denunciar; os palestinos denunciam os refugiados criados pela fundação de Israel; e os israelenses denunciam a constante hostilidade e os ataques ao longo de sua história, de fora e de dentro de suas fronteiras. Mas se se vê o conflito ou pelos olhos de um, ou pelos olhos de outro, não vemos a verdade: a única solução possível para atender às aspirações dos dois lados é criarem-se dois Estados, nos quais israelenses e palestinos possam viver em paz e em segurança.</p>
<p>Atende aos interesses de Israel e atende aos interesses dos palestinos; atende aos interesses dos EUA e atende aos interesses do mundo. Por isso me aplicarei pessoalmente para chegar a esse resultado, com a paciência que a tarefa exige. Os deveres acordados pelas duas partes no &#8220;Mapa do Caminho&#8221; são claros. Para que se faça a paz, é tempo de eles – e todos nós – fazermos o que é de nossa responsabilidade.</p>
<p>Os palestinos devem abandonar a violência. Resistência mediante violência e morte é errada e a nada leva. Durante séculos os negros nos EUA sofreram o castigo do chicote como escravos e a humilhação da segregação. E não venceram pela violência, nem foi a violência que lhes trouxe a igualdade de direitos. Foi a insistência pacífica e determinada conforme os ideais que são o centro da fundação dos EUA. O mesmo se pode dizer de outros povos, da África do Sul ao Sul da Ásia; da Europa oriental à Indonésia. É uma história e uma verdade simples: a violência e caminho sem saída. Não é sinal nem de coragem nem de poder, disparar foguetes em quartos onde dormem crianças, ou explodir idosas em ônibus. Assim, nenhuma autoridade moral pode impor-se; assim, de fato, a autoridade moral rende-se.</p>
<p>É tempo de os palestinos focarem-se no que realmente podem construir. A Autoridade Palestina deve desenvolver sua capacidade para governar, com instituições que atendam às necessidades do povo. O Hamás tem apoio de alguns palestinos, mas também tem responsabilidades. Para cumprir seu papel e atender às aspirações dos palestinos, e para unir o povo palestino, o Hamás tem de desistir da violência, reconhecer acordos passados e reconhecer o direito de existência de Israel.</p>
<p>Ao mesmo tempo, os israelenses têm de reconhecer que, assim como não se pode negar o direito à existência de Israel, tampouco se pode negar o direito dos palestinos. Os EUA não aceitam a legitimidade da continuada construção de colônias israelenses. Essas construções violam acordos existentes e minam quaisquer esforços que se faça com vistas à paz. A construção de colônias tem de parar.</p>
<p>Israel deve também cumprir sua obrigação de garantir que os palestinos possam viver, trabalhar e desenvolver sua sociedade. Assim como leva devastação às famílias palestinas, a continuada crise humanitária em Gaza não contribui para a segurança de Israel; nem a continuada falta de oportunidades na Cisjordânia. Permitir melhores condições de vida diária para o povo palestino tem de ser parte da via da paz. E Israel deve tomar medidas concretas para tornar possíveis aquelas condições.</p>
<p>Por fim, os Estados árabes devem reconhecer que a Iniciativa da Paz Árabe foi importante primeiro passo, mas não põe fim a todas as responsabilidades. O conflito árabes-Israel não deve continuar a ser usado para distrair a atenção dos povos de nações árabes, de outros problemas. Em vez disso, deve ser causa de ações para ajudar o povo palestino a desenvolver instituições que sustentem um Estado palestino; para reconhecer a legitimidade de Israel; e para escolher o progresso, em vez do foco de autoderrota, do passado.</p>
<p>Os EUA alinharemos nossas políticas ao lado dos que busquem a paz. Diremos em público o que dizemos privadamente aos israelenses, aos palestinos e aos árabes. Não podemos impor a paz. Privadamente, muitos muçulmanos reconhecem que Israel não sairá de lá. Assim também, muitos israelenses reconhecem que é preciso criar um Estado palestino. É tempo de os EUA agirem na direção do que todos sabem que é verdade.</p>
<p>Muitas lágrimas já correram. Muito sangue já foi derramado.. Todos temos a responsabilidade de agir para que chegue o dia em que mães israelenses e palestinas possam ver seus filhos crescer sem medo; quando a Terra Santa das três maiores religiões seja o lugar de paz que Deus quer que sejam; quando Jerusalém seja lar seguro e permanente para judeus, para cristãos e para muçulmanos, e lugar onde todas as crianças de Abraão vivam juntas e em paz, como na história de Isra, quando Moisés, Jesus e Maomé (que a paz esteja com eles) reuniram-se em oração.</p>
<p>A terceira fonte de tensão é o interesse que todos temos quanto aos direitos e responsabilidade das nações, quanto às armas nucleares.</p>
<p>Essa questão tem sido uma fonte de tensão entre os EUA e a República Islâmica do Iran. Por muitos anos, o Iran definiu-se em parte pela oposição ao meu país e há, sim, uma história tormentosa entre nós. No meio da Guerra Fria, os EUA desempenharam um papel na derrubada de um governo iraniano democraticamente eleito. Desde a revolução islâmica, o Iran desempenha um papel em atos de tomada de reféns e ataques violentos contra soldados e civis norte-americanos. Essa história é bem conhecida. Mais do que nos deixar prender no passado, tenho repetido claramente aos líderes e ao povo iranianos que meu país está preparado para avançar. A questão, hoje, não tem a ver com o que o Iran seja contra, mas tem a ver, sim, com o futuro que o Iran queira construir.</p>
<p>Será difícil superar décadas de desconfiança, mas agiremos com coragem, retidão e determinação. Haverá questões a discutir entre os dois países e estamos dispostos a avançar sem precondições, a partir de mútuo respeito. Mas é claro que, em tudo quanto tenha a ver com armas nucleares, alcançamos um ponto sem volta. Não se trata apenas de defender interesses dos EUA. Trata-se de evitar uma corrida nuclear armamentista no Oriente Médio, que poria essa região do mundo em rota de imenso perigo.</p>
<p>Entendo os que protestam, porque alguns países têm armas nucleares e outros não têm. Nenhuma nação pode escolher e decidir quais nações tenham armas nucleares. Por isso, reafirmei fortemente o compromisso dos EUA com buscar um mundo em que nenhuma nação tenha armas nucleares. E todas as nações – inclusive o Iran – devem ter direito de desenvolver capacidades nucleares para finalidades pacíficas, desde que assumam os direitos e os deveres garantidos pelo Tratado de Não-proliferação de Armas Nucleares. Esse compromisso é o núcleo do Tratado e deve ser obrigatório pra todos que firmem o Tratado. Tenho esperanças que todos os países na Região partilhem esse objetivo.</p>
<p>A quarta questão da qual tratarei é a democracia.</p>
<p>Sei que tem havido controvérsia sobre a promoção da democracia nos anos recentes e muito dessa controvérsia está ligada à guerra no Iraque. Permitam-me ser claro: nenhum sistema ou governo pode ou deve ser imposto por uma nação a outra.</p>
<p>Isso, contudo, não enfraquece o meu compromisso com governos que reflitam o desejo popular. Cada nação dá vida a esse princípio à sua maneira, enraizado nas tradições de seu povo. Os EUA não têm a pretensão de saber o que é melhor para todos, tanto quanto não têm a pretensão de alterar o resultado de eleições pacíficas. Mas eu creio profunda e inabalavelmente que todos os povos anseiam por algumas coisas: a capacidade de se manifestar e de ter voz sobre como cada um é governado; confiança na lei e na justa administração da justiça; governo transparente que não roube o povo; liberdade para viver como se escolha viver. Não são só ideias norte-americanos: esses são direitos humanos, e, por isso, os EUA os apoiarão sempre, em todos os lugares.</p>
<p>Não há caminho simples para cumprir essa promessa. Mas há, de claro, o seguinte: governos que protejam esses direitos acabam sempre por ser mais estáveis, mais bem-sucedidos e a oferecer melhor segurança. Suprimir ideias jamais conseguiu fazê-las desaparecer. Os EUA respeitam o direito de todas as vozes pacíficas e respeitadoras da lei que se façam ouvir em todo o mundo, ainda que discordem delas. E acolheremos todos os governos eleitos e pacíficos – sempre que governem com respeito a todo o povo.</p>
<p>Esse último ponto é importante porque há os que defendem a democracia só enquanto estejam longe do poder; uma vez chegados ao poder, tornam-se cruéis opressores dos direitos de outros. Não importa onde seja, o governo do povo e pelo povo é padrão simples para todos os que cheguem ao poder: é indispensável manter o poder pelo consenso, não pela coerção; é indispensável respeitar os direitos das minorias, e participar, com espírito de tolerância e respeito aos acordos; é indispensável pôr o interesse do povo e os resultados legítimos do processo político acima do partido de cada um. Sem esses ingredientes, só eleições não bastam para produzir verdadeira democracia.</p>
<p>A quinta questão de que devo falar também é a liberdade de religião.</p>
<p>O Islam tem honrada tradição de tolerância. Vemos na história da Andaluzia e de Córdoba, durante a Inquisição. Vi em primeira mão, criança na Indonésia, onde cristãos devotos gozam de liberdade de culta em país predominantemente muçulmano. Precisamos desse espírito, hoje. Todos, em todos os países, devem ser livres para escolher e viver a própria fé, por persuasão de mente, coração e alma. Essa tolerância é essencial para que as religiões floresçam, tanto quanto é ameaçada por muitos e diferentes modos.</p>
<p>Entre os muçulmanos, há uma perturbadora tendência a avaliar a própria fé pela rejeição de outras fés. A riqueza da diversidade religiosa deve ser defendida – seja para os maronitas no Líbano ou os coptas no Egito. Devem-se costurar as fraturas também entre os muçulmanos; as divisões entre sunitas e a Xia já levaram a muito trágica violência, sobretudo no Iraque.</p>
<p>A liberdade de religião é central para que os povos consigam viver juntos, Devemos sempre examinar os modos mediante os quais protegemos a liberdade de religião. Nos EUA, por exemplo, regras sobre doações para finalidades religiosas tornaram difícil, para muitos muçulmanos, cumprir algumas de suas obrigações. Por isso comprometi-me a trabalhar ao lado dos muçulmanos norte-americanos, para que possam cumprir o dever de pagar o zakat.</p>
<p>Assim também, é importante que os países ocidentais evitem impedimentos para que os cidadãos muçulmanos pratiquem a religião como decidam praticá-la – por exemplo, tentando determinar o tipo de roupa a ser usado pelas mulheres muçulmanas. Impossível não ver que há hostilidade disfarçada contra algumas religiões, por trás dessa máscara de liberalismo.</p>
<p>A religião deve, sempre, nos unir, todos. Por isso, estamos preparando projetos públicos para aproximar cristãos, muçulmanos e judeus. Por isso acolhemos com alegria os esforços do rei Abdullah da Arábia Saudita, de seu diálogo entre várias religiões e a liderança da Turquia na Aliança das Civilizações. Em todo o mundo, temos de converter os diálogos em ações de aproximação entre as várias religiões, para, assim construir pontes que levem os povos à ação conjunta – seja para combater a malária na África, seja nos momentos de catástrofes naturais.</p>
<p>A sexta questão sobre a qual quero falar são os direitos das mulheres.</p>
<p>Sei que há muito debate sobre essa questão. Rejeito o ponto de vista de alguns no ocidente, de que a mulher que escolha cobrir os cabelos seria de algum modo menos igual às demais mulheres, mas também creio que se se nega educação às mulheres se lhes sonega direitos de igualdade. Não por acaso, os países em que as mulheres têm acesso a plena educação têm mais probabilidades de alcançar a prosperidade.</p>
<p>Quero aqui ser bem claro: a igualdade para as mulheres não é questão e objeto de discussão, nem é problema, só para o Islam. Na Turquia, no Paquistão, em Bangladesh e na Indonésia, vimos países com maioria de muçulmanos elegerem mulheres para postos de liderança. Ao mesmo tempo, prossegue a luta por direitos iguais para as mulheres em muitos campos da vida nos EUA e em vários outros países do mundo.</p>
<p>Nossas filhas podem contribuiu tanto, para a sociedade, quanto nossos filhos, e nossa prosperidade comum só aumentará de houver condições para que todos – homens e mulheres – alcancem seu pleno potencial. Não acho que as mulheres devem fazer as mesmas escolhas que os homens para serem iguais, e respeito as mulheres que escolham viver suas vidas nos papeis tradicionais femininos. Mas tem de ser escolha das mulheres. Por isso, os EUA trabalharão como parceiros de qualquer país de maioria muçulmana para apoiar a expansão da alfabetização para meninas, para estimular que as jovens trabalhem mediante microfinanciamentos que ajudem as pessoas a realizar seus sonhos.</p>
<p>Por fim, quero discutir desenvolvimento econômico e oportunidade.</p>
<p>Sei que, para muitos, a face da globalização é contraditória. A internet e a televisão podem trazer conhecimento e informação, mas também sexualidade ofensiva e violência a mais absurda. O comércio pode trazer riqueza e oportunidades, mas também enormes rupturas e mudanças nas comunidades. Em todas as nação, também na minha, essa mudança pode provocar medo. Medo de que, por causa da modernidade, percamos o controle sobre nossas escolhas econômicas, nossas políticas e, mais importante, sobre nossa identidade – tudo o que mais prezamos nas nossas comunidades, nossas famílias, nossas tradições e nossa fé.</p>
<p>Mas também sei que não se pode negar o progresso humano. Não tem de haver contradição entre desenvolvimento e tradição. Países como o Japão e a Coreia do Sul viram suas economias crescerem, sem deixar de manter culturas distintas. O mesmo vale para o espantoso progresso de países de maioria muçulmana, de Kuala Lumpur a Dubai. Em tempos antigos e nos nossos tempos, sempre houve e há comunidades muçulmanas da linha de frente da inovação e da educação.</p>
<p>É importante, porque nenhuma estratégia de desenvolvimento pode ser baseada apenas no que vem da terra, nem será sustentável se os mais jovens não encontrarem empregos. Muitos Estados do Golfo gozaram de grande prosperidade por causa do petróleo, e alguns estão começando a focar-se em desenvolvimento mais amplo . Mas todos temos de reconhecer que educação e inovação serão a moeda de troca do século 21, e ainda há muitas comunidades muçulmanas nas quais o subdesenvolvimento ainda predomina nessas áreas. Estou reforçando esses investimentos nos EUA. E, se os EUA, no passado, visaram prioritariamente o petróleo e o gás nessa parte do mundo, agora buscamos engajamento mais amplo.</p>
<p>Na educação, expandiremos programas de intercâmbio, aumentaremos as bolsas de estudo, semelhantes às que levaram meu pai aos EUA, ao mesmo tempo em que estimularemos que mais norte-americanos estudem em comunidades muçulmanas. Haverá bolsas para estudantes muçulmanos promissores, para que prossigam seus estudos nos EUA; investiremos em formação à distância para professores e crianças em todo o mundo; e criaremos uma nova rede online, de modo que um adolescente no Kansas possa comunicar-se instantaneamente com um adolescente no Cairo.</p>
<p>Para o desenvolvimento econômico, criaremos um novo corpo, no mundo dos negócios, para os que queiram encontrar parceiros nos países de maioria muçulmana. Participarei de um encontro de cúpula sobre empreendedorismo, esse ano, para encontrarmos meios para aprofundar laços entre líderes empreendedores, fundações e empreendedores do campo social nos EUA e em comunidades muçulmanas em todo o mundo.</p>
<p>No campo da ciência e da tecnologia, lançaremos um novo fundo para apoiar o desenvolvimento tecnológico em países de maioria muçulmana, e para levar idéias ao mercado, porque assim se criam empregos. Abriremos novos centros de produção científica de excelência na África, no Oriente Médio e no sudeste da Ásia e indicaremos novos enviados especialistas em ciências para que colaborem em programas para desenvolver fontes alternativas de energia, criar empregos &#8216;verdes&#8217;, digitalizar dados e informações, reciclar resíduos e aumentar colheitas. E hoje estou anunciando um novo esforço global com a Organisation of the Islamic Conference para erradicar a pólio. Também estamos expandindo as parcerias com comunidades islâmicas para promover a atenção médica à saúde maternal e neonatal.</p>
<p>Todas essas iniciativas devem ser implementadas em parcerias. Os norte-americanos estão preparados para reunir-se aos demais cidadãos e demais governos; às organizações comunitárias, aos líderes religiosos, aos homens de negócio nas comunidades muçulmanas em todo o mundo, para ajudar nosso povo a alcançar uma vida melhor.</p>
<p>Nenhuma das questões que descrevi são fáceis de resolver. Mas é nossa responsabilidade nos reunirmos em nome do mundo que buscamos – um mundo no qual os extremistas não ameacem nosso povo; que os soldados norte-americanos estejam de volta à casa; um mundo no qual israelenses e palestinos, cada um vivam seguros em seu próprio Estado, e a energia nuclear seja usada para finalidades pacíficas; um mundo no qual os governos sirvam aos cidadãos e os direitos de todos os filhos de Deus sejam respeitados. Esses são interesses mútuos. Esse é o mundo que buscamos. Mas só o poderemos alcançar juntos.</p>
<p>Sei que há muitos – muçulmanos e não-muçulmanos – que questionam se poderemos forjar esse novo começo. Uns anseiam por fazer subir as chamas da divisão e pôr-se como obstáculo no caminho do progresso. Outros sugerem que o esforço não vale a pena – que estamos condenados à dissensão, e as civilizações fatalmente entrarão em choque. Muitos mais são simplesmente céticos, não crêem que possa ocorrer qualquer mudança real. Há tanto medo, tanta desconfiança. Mas se escolhermos nos deixar prender no passado, jamais andaremos adiante. Quero dizer, sobretudo aos mais jovens de todas as fés, em todos os países – vocês, mais do que quaisquer outros, podem refazer esse mundo.</p>
<p>Todos partilhamos esse mundo, apenas por pequena fatia de tempo. A questão é se consumiremos esse tempo dedicados ao que nos mantém separados, ou se nos comprometeremos num esforço – um esforço sustentando – para encontrar base comum a todos, para nos focar no futuro que buscamos para nossos filhos, respeitando a dignidade de todos os seres humanos.</p>
<p>É mais fácil começar guerras do que pôr-lhes ponto final. Mais fácil culpar os outros, do que olhar para dentro; ver o que é diferente, em alguém, do que ver o que temos em comum. Mas temos de escolher o caminho certo, não apenas o caminho mais fácil. Há regra que rege, no coração de todas as religiões – que façamos aos outros, como queremos que nos façam a nós. Essa verdade transcende nações e povos – uma crença que não é nova; que não é nem branca nem negra nem mulata; que não é cristã, muçulmana ou judia. Uma crença que pulsava no berço da civilização, e que ainda pulsa no coração de bilhões. É uma fé em outro povo, e é o que me trouxe hoje aqui.</p>
<p>Temos o poder para fazer o mundo que buscamos, mas só se tivermos coragem para produzir um novo começo, sem perder de vista o que está escrito.</p>
<p>O Santo Corão nos diz: &#8220;O humanidade! Homem e mulher te criamos; e em nações e tribos, para que se conheçam uns os outros.&#8221;</p>
<p>O Talmud nos diz: &#8220;Toda a Torá promove a paz.&#8221;</p>
<p>A Bíblia Sagrada nos diz: &#8220;Abençoados os que fazem a paz, pois serão chamados filhos de Deus.&#8221;</p>
<p>Os povos do mundo podem viver juntos em paz. Essa é a visão de Deus. Agora, esse tem de ser nosso trabalho aqui na Terra. Obrigado. Que a paz de Deus esteja com vocês.</p>
<p><em>[1] Em árabe, no orig.: &#8220;Que a paz esteja contigo&#8221;. </em></p></blockquote>
<p><span class="info">Li primeiro no <a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/integra-do-discurso-de-obama-no-cairo/">Vi o Mundo</a></span></p>
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		<title>EUA não planejam levantar embargo a Cuba</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Mar 2009 20:40:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Biden nega que EUA planejem levantar embargo a Cuba
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<p><span class="warning"><a href="http://oglobo.globo.com/economia/mat/2009/03/28/biden-nega-que-eua-planejem-levantar-embargo-cuba-755047142.asp">Biden nega que EUA planejem levantar embargo a Cuba</a></span></p>
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		<title>Uri Avnery: Do lado errado</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jan 2009 04:11:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Uri Avnery*, 24/1/2009
DE TODAS as belas frases do discurso de ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p><strong><em>Uri Avnery*, 24/1/2009</em></strong></p>
<p><strong>DE TODAS as belas frases do discurso de posse de Barack Obama, as palavras que me ficaram na cabeça foram: &#8220;Vocês estão do lado errado da história.&#8221;</strong></p>
<p>Falava dos regimes tirânicos do mundo. Mas os israelenses também devem pensar sobre essas palavras.</p>
<p>Nos últimos dias, tenho ouvido muitas declarações de Ehud Barak, Tzipi Livni, Binyamin Netanyahu e Ehud Olmert. E, cada vez que as ouço, voltam-me à cabeça, para me assustar, aquelas palavras: &#8220;Vocês estão do lado errado da história.&#8221;</p>
<p>Obama falou como homem do século 21. Em Israel, os líderes falam língua do século 19. São como os dinossauros, que tanto medo espalharam à sua volta e nem perceberam que seu tempo havia acabado.</p>
<p>DURANTE a emocionante cerimônia de posse, várias vezes falou-se do quadro multicolorido que é a família do novo presidente.</p>
<p>Todos os 43 presidentes, antes de Obama, foram brancos e protestantes, exceto John Kennedy, branco e católico. 38 deles são descendentes de imigrados das ilhas britânicas. Dos outros cinco, três são descendentes de holandeses (Theodor e Franklin D. Roosevelt e Martin van Buren) e dois, de alemães (Herbert Hoover e Dwight Eisenhower.)</p>
<p>A face da família Obama é muito diferente. Na família estendida há brancos e descendentes de escravos negros, africanos do Quênia, indonésios, chineses do Canadá, cristãos, muçulmanos e até um judeu (afro-norte-americano e judeu convertido). Os dois primeiros nomes do presidente, Barack Hussein, são árabes.</p>
<p>Essa é a face da nova nação norte-americana – uma mistura de raças, religiões, países de origem e cores de pele, uma sociedade aberta e diversa, de cujos cidadãos espera-se que sejam iguais e que se identifiquem com os &#8220;pais fundadores&#8221;. O americano Barack Hussein Obama, filho de pai nascido numa vila do Quênia, pode falar com orgulho de &#8220;George Washington, pai de nossa nação&#8221;, da &#8220;Revolução Americana&#8221; (a guerra de independência contra os ingleses) e lembrar o exemplo dos &#8220;nossos ancestrais&#8221; – os pioneiros brancos e os escravos negros que “suportaram o golpe do chicote&#8221;. Essa é a percepção de uma nação moderna, multicultural e multirracial: todos os cidadãos norte-americanos são herdeiros de toda essa história.</p>
<p>Israel é produto do nacionalismo estreito do século 19, um nacionalismo fechado e excludente, baseado na origem étnica e racial, em sangue e terra. Israel é um &#8220;Estado judeu&#8221; e só é judeu quem nasça judeu ou converta-se conforme a lei judaica (Halakha). Como o Paquistão e a Arábia Saudita, Israel é um Estado cujo mundo mental é, em larga medida, limitado pela religião, pela raça e pela origem étnica.</p>
<p>Quando Ehud Barak fala sobre o futuro, fala a língua do passado, em termos de força bruta e ameaças brutais, com os exércitos como solução para todos os problemas. Essa foi também a língua do George W. Bush que semana passada desapareceu de Washington, língua que ainda soa nos ouvidos ocidentais, como eco de um passado velho.</p>
<p>As palavras do novo presidente vibram no ar: “Nosso poder, só ele, não pode proteger-nos, nem nos autoriza a fazer como queiramos.” As palavras-chave foram “humildade e moderação”.</p>
<p>Em Israel, os líderes vociferam sobre o que fizeram na guerra de Gaza, na qual Israel usou força sem qualquer moderação, intencionalmente, contra população civil, homens, mulheres e crianças, com o objetivo declarado de &#8220;manifestar poder de contenção&#8221;. Na era que começou 3ª-feira passada, essas expressões só geram desmoderação.</p>
<p>ENTRE Israel e os EUA abriu-se uma ravina essa semana, ainda estreita, quase invisível – mas que pode alargar-se e converter-se em abismo.</p>
<p>Os primeiros sinais ainda são fracos. No discurso de posse, Obama disse que &#8220;Somos uma nação de cristãos, muçulmanos, judeus e indus – e de não-crentes.&#8221;</p>
<p>Desde quanto? Desde quando os muçulmanos aparecem antes dos judeus? O que aconteceu com a &#8220;herança judaico-cristã&#8221;? (Expressão completamente falsa, para começar, porque o judaísmo é muito mais aparentado com o islamismo do que com o cristianismo. Por exemplo: judaísmo e islamismo não pregam a separação entre religião e Estado.)</p>
<p>Na manhã seguinte, Obama telefonou para vários líderes do Oriente Médio. Decidiu fazer um gesto inusitado: o primeiro telefonema foi para Máhmude Abbas, só depois telefonou a Olmert. A mídia israelense não consegue digerir isso. O Haaretz, por exemplo, ativamente falsificou a notícia e escreveu – não só uma, mas duas vezes na mesma edição – que Obama telefonou a “Olmert, Abbas, Mubarak e ao rei Abdallah” (nessa ordem).</p>
<p>Em vez do grupo de judeus norte-americanos que sempre foram encarregados do conflito Israel-Palestina durante os dois últimos governos, de Clinton e de Bush, Obama, logo no primeiro dia de governo, nomeou um árabe-norte-americano, George Mitchell, filho de mãe libanesa que chegou aos EUA com 18 anos; e o próprio Mitchell, órfão de pai irlandês, foi criado por uma família de cristãos maronitas libaneses.</p>
<p>Nenhuma dessas é boa notícias para os líderes israelenses. Nos últimos 42 anos, mantiveram uma política expansionista, de ocupação, e construíram colônias em estreita cooperação com Washington. Confiaram no apoio ilimitado dos EUA, do massivo aporte de dinheiro e de armas ao veto no Conselho de Segurança da ONU. Esse apoio sempre foi essencial para a política israelense. Esse apoio pode estar chegando ao limite.</p>
<p>Claro que as coisas acontecerão gradualmente. O lobby pró-Israel em Washington continuará a impor o medo de Deus, no Congresso. Um navio imenso, como os EUA, só muito lentamente pode alterar o próprio rumo, tem de fazer curvas suaves. Mas os procedimentos para manobrar o navio começaram logo no primeiro dia do governo Obama.</p>
<p>Nada disso aconteceria se os EUA, eles mesmos, não tivessem mudado. Não se trata apenas da mudança política. Há mudança na visão de mundo, no arranjo mental, nos valores. Um certo mito americano, muito semelhante ao mito sionista, foi substituído por outro mito americano. Não por acaso, Obama devotou parte tão grande do discurso a esse tema (mas o discurso, vale lembrar, não inclui uma única palavra sobre o extermínio dos nativos americanos).</p>
<p>A guerra de Gaza, quando dezenas de milhões de norte-americanos assistiram à horrível carnificina na Faixa de Gaza (apesar de a rigorosa autocensura só ter mostrado uma parte ínfima do que realmente houve), acelerou o processo da separação. Israel, a valente irmãzinha, aliada leal na &#8220;Guerra ao Terror&#8221; de Bush, foi mostrada como a Israel violenta, ensandecida, mostro sem compaixão, assassina de mulheres, crianças, feridos e doentes. E quando sopram esses ventos, o lobby perde peso.</p>
<p>Os líderes israelenses da Israel oficial nada perceberam. Não sentem que Obama implanta novo contexto, não sentem que &#8220;o chão deslizou sob seus pés&#8221;. Pensam que seja questão política momentânea, à qual darão jeito com a ajuda do lobby e dos congressistas servis.</p>
<p>Os líderes israelenses ainda estão intoxicados pela guerra, embriagados de violência. Reescreveram a frase famosa do general prussiano, Carl von Clausewitz. Para eles: “A guerra é a continuação de uma campanha eleitoral, por outros meios.” Competem entre eles com empenho de se autovangloriar, cada um por seu quinhão de &#8220;crédito&#8221;.</p>
<p>Tzipi Livni, que não pode disputar com os homens a coroa de senhor-da-guerra, tenta superar os homens em dureza, secura, belicosidade, fúria, impiedade.</p>
<p>De todos, o mais brutal é Ehud Barak. Uma vez, eu o chamei de &#8220;criminoso de paz&#8221;, porque levou ao fracasso a conferência de Camp David em 2000 e destroçou o campo da paz israelense. Agora, devo chamá-lo de &#8220;criminoso de guerra&#8221;, porque foi quem planejou a guerra de Gaza sabendo que assassinaria civis em massa.</p>
<p>Aos olhos dele e aos olhos de muitos, na opinião pública em Israel, a guerra foi operação militar digna de elogios. Os conselheiros de Barak também apostaram em que a guerra o elegeria. O partido Labor, que durante décadas foi o maior partido no Parlamento israelense, chegara nas pesquisas a 12, até a 9 cadeiras, de 120. Com a ajuda das atrocidades em Gaza, subiu agora para 16 cadeiras, ou próximo disso. Não é grande sucesso e nada garante que não volte a afundar.</p>
<p>Qual foi o erro de Barak? Simples: as guerras sempre ajudam a direita. A guerra, por sua própria natureza, desperta na população as emoções mais primitivas – ódio e medo, medo e ódio. A direita cavalga sobre essas emoções há séculos. Mesmo que alguma &#8220;esquerda&#8221; inicie uma guerra, ainda assim a direita sempre ganha mais. Em estado de guerra, a população vota antes em qualquer direita &#8216;audaz&#8217; do que em alguma &#8216;esquerda&#8217; cenográfica.</p>
<p>Essa, aliás, é a segunda vez que Barak comete o mesmo erro. Quando, em 2000, disseminou a cantilena do &#8220;Revirei cada pedra, no caminho da paz, / Ofereci aos palestinos o que jamais alguém lhes oferecera. / Rejeitaram tudo. / Não temos parceiro para construir a paz&#8221; –, Barak conseguiu não só reduzir a esquerda a frangalhos como, também abriu o caminho para a ascensão de Ariel Sharon nas eleições de 2001. Agora, está pavimentando a estrada para Binyamin Netanyahu (com a esperança bem evidente de ser seu ministro da Defesa).</p>
<p>E Barak não pavimenta a estrada apenas para Binyamin Netanyahu. O verdadeiro vencedor nessa guerra é um homem que nem participou dela: Avigdor Liberman.</p>
<p>O partido de Liberman, que em qualquer país normal seria identificado como partido fascista, cresce nas pesquisas eleitorais. Por quê? Porque Liberman fala como Mussolini, oferece a imagem de um Mussolini israelense, odeia árabes, é capaz de todas as brutalidades. Comparado a Liberman, Netanyahu é um doce. Grande parte dos mais jovens, criados ao longo de anos de ocupação, matança e destruição, depois de duas guerras atrozes, vê em Netanyahu o seu líder.</p>
<p>AO MESMO TEMPO em que os EUA dão passo de gigante na direção da esquerda, Israel está à beira de afundar-se na direita.</p>
<p>Quem tenha visto os milhões que acorreram para assistir à posse de Obama em Washington sabe que Obama não fala só em seu nome. Ali, manifestavam-se aspirações de um povo, outra visão de mundo.</p>
<p>Entre o mundo mental de Obama e o mundo mental de Liberman e Netanyahu não há ponte possível. Entre Obama, e Barak e Livni, também, há um abismo. A Israel pós-eleitoral talvez acorde para descobrir que entrou em rota de colisão com os EUA pós-eleitorais.</p>
<p>Onde estão os judeus norte-americanos? A grande maioria deles votou em Obama. Estarão entre a espada e a caldeirinha – entre a natural adesão a Israel e seu governo. É razoável supor que daí virá alguma pressão de baixo para cima, sobre os &#8216;líderes&#8217; dos judeus-norte-americanos os quais, vale também anotar, jamais foram eleitos, e sobre organizações como o AIPAC. O porrete com o qual os líderes israelenses estão habituados a contar nas horas de aperto pode estar reduzido a cabo-de-vassoura quebrado.</p>
<p>A Europa tampouco permanece intocada pelos novos ventos. É verdade, sim, que ao final da guerra, vimos os líderes europeus – Sarkozy, Merkel, Browne e Zapatero – sentados como meninos de escola, ouvindo respeitosamente a escandalosa arrogância de Ehud Olmert, citando-se e recitando-se. Pareciam aprovar as atrocidades da guerra, falando em Qassams e apagando a ocupação, o bloqueio e a construção de colônias. Não porão na parede de seus gabinetes presidenciais aquela foto.</p>
<p>Mas durante a guerra de Gaza, as ruas européias encheram-se de manifestantes, que gritavam contra aqueles horrores. As mesmas multidões saudaram a posse de Obama.</p>
<p>É um novo mundo. Em Israel, os líderes políticos devem estar sonhando com um novo slogan: &#8220;Parem o mundo, que eu quero descer!&#8221; Não há outro mundo.</p>
<p>SIM, Israel está do lado errado da história.</p>
<p>Felizmente, há também outra Israel. Não aparece na ribalta e sua voz só pode ser ouvida por quem a procure. É uma Israel racional, sadia, que olha o futuro, que quer progresso e paz. Nas eleições de fevereiro, mal se ouvirá sua voz, porque os velhos partidos lá estão, com os pés pregados no mundo velho.</p>
<p>Mas o que houve nos EUA influenciará profundamente o que aconteça em Israel. A enorme maioria dos israelenses sabe que Israel não sobrevive sem laços estreitos com os EUA. Obama é agora o líder do mundo e todos vivemos no mesmo mundo. Se Obama promete trabalhar &#8220;agressivamente&#8221; pela paz entre israelenses e palestinos, essa é a palavra de ordem, para Israel.</p>
<p>Israel quer estar do lado certo da história. Levará meses, talvez anos, mas tenho certeza de que conseguirá. A hora de pôr-se a andar é hoje.</p>
<p><em><strong>* Uri Avnery, 24/1/2009, &#8220;<a href="http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1232853498">On The Wrong Side</a>&#8220;, em Gush Shalon [Grupo da Paz]. Tradução de Caia Fittipaldi. Tradução autorizada pelo autor. </strong></em></p>
</blockquote>
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		<title>Discurso de posse do Presidente Barack Obama</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jan 2009 18:04:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.flickr.com/photos/84992687@N00/3004717988"><img class="alignleft" style="border: 0pt none; margin-left: 5px; margin-right: 5px;" title="the 44th President of the United States...Barack Obama" src="http://farm4.static.flickr.com/3004/3004717988_06761377b7_m.jpg" border="0" alt="the 44th President of the United States...Barack Obama" hspace="5" width="214" height="240" /></a></p>
<blockquote><p>Obrigado<br />
<strong><em>(Obama, Obama)</em></strong><br />
Meus compatriotas,</p>
<p>Aqui me encontro hoje humilde diante da tarefa diante de nós, agradecido pela confiança depositada por vocês, atento aos sacrifícios feitos por nossos ancestrais. Agradeço ao presidente Bush pelos seus serviços a esta nação, assim como pela generosidade e pela cooperação mostradas durante esta transição.</p>
<p>Quarenta e quatro americanos, até hoje, prestaram o juramento presidencial. Suas palavras foram ditas durante a maré ascendente da prosperidade e nas águas calmas da paz. Mas frequentemente o juramento é prestado em meio a nuvens crescentes e tempestades ruidosas. Nestes momentos a América foi em frente não apenas graças ao talento e à visão daqueles no poder, mas porque nós, o povo, permanecemos fiéis aos ideais de nossos antecessores e aos nossos documentos fundadores.</p>
<p>Foi assim e deve ser assim com esta geração de americanos.</p>
<p>Estamos no meio de uma crise que é agora bem compreendida. Nossa nação está em guerra contra uma rede de violência e ódio de longo alcance. Nossa nação está bastante enfraquecida, uma consequência da ganância e da irresponsabilidade de alguns, mas também da nossa incapacidade coletiva de tomar decisões difíceis e preparar a nação para uma nova era. Lares foram perdidos; empregos foram cortados; empresas destruídas. Nossa saúde é cara demais; nossas escolas deixam muitos para trás; e cada dia traz novas evidências de que a forma como usamos a energia fortalece nossos adversários e ameaça nosso planeta.</p>
<p>Estes são os indicadores de uma crise, tema de dados e estatísticas. Menos mensurável, mas não menos profundo, é o solapamento da confiança por todo o nosso país. Um medo persistente de que o declínio da América seja inevitável, e que a próxima geração deva ter objetivos menores.</p>
<p>Hoje eu lhes digo que os desafios diante de nós são reais. São sérios e são muitos. Eles não serão superados facilmente ou num curto período de tempo. Mas saiba disso, América: eles serão superados. <strong><em>(aplausos)</em></strong></p>
<p>Neste dia nós nos unimos porque escolhemos a esperança e não o medo, a unidade de objetivo, e não o conflito e a discórdia.</p>
<p>Neste dia viemos proclamar o fim de nossas chorumelas e falsas promessas, as recriminações e os dogmas desgastados, que por tempo demais estrangularam nossa política.</p>
<p>Ainda somos uma nação jovem, mas, nas palavras das Escrituras, chegou a hora de deixar de lado as coisas infantis. Chegou a hora de reafirmar nosso espírito resistente; de optar pela nossa melhor história; de levar adiante esse dom precioso, essa nobre ideia, passada de geração em geração: a promessa divina de que todos são livres, todos são iguais e todos merecem a chance de lutar por sua medida justa de felicidade.</p>
<p>Ao reafirmar a grandeza de nossa nação, compreendemos que a grandeza não é um presente. Deve ser conquistada. Nossa jornada nunca foi aquela de atalhos ou de quem se contenta com pouco. Nunca foi o caminho dos fracos de coração – daqueles que preferem o ócio ao trabalho, ou buscam apenas os prazeres da fortuna e da fama. Foi, isto sim, o dos que correm risco, dos que fazem, dos que executam coisas – alguns célebres, mas mais comumente homens e mulheres obscuros em seu trabalho, que nos levaram pelo longo e áspero caminho da prosperidade e da liberdade.</p>
<p>Por nós eles empacotaram suas pequenas posses mundanas e viajaram pelos oceanos em busca de uma nova vida.</p>
<p>Por nós eles trabalharam em condições ruins e se estabeleceram no oeste; suportaram o estalar do chicote e araram a terra dura.</p>
<p>Por nós eles lutaram e morreram em lugares como Concord e Gettysburg; na Normandia e em Khe Sahn.</p>
<p>Mais de uma vez esses homens e mulheres lutaram, se sacrificaram e trabalharam até que suas mãos estivessem em carne viva para que nós vivêssemos uma vida melhor. Eles viram uma América maior que a soma de nossas ambições individuais; maior que todas as diferenças de nascença ou riqueza ou partido.</p>
<p>Esta é a jornada que continuamos hoje. Ainda somos a nação mais próspera e mais poderosa na face da Terra. Nossos trabalhadores não são menos produtivos que no início desta crise. Nossas mentes não são menos inventivas, nossos bens e serviços não são menos necessários que na semana passada, no mês passado ou no ano passado. Nossa capacidade permanece intacta. O tempo de deixar as coisas como estão, ou de proteger pequenos interesses e adiar decisões desagradáveis, esse tempo certamente passou. A partir de hoje, temos que nos levantar, sacudir a poeira e começar de novo o trabalho de refazer a América.</p>
<p>Para onde quer que olhemos, há trabalho a fazer. O estado da economia exige ação, ousada e rápida, e nós vamos agir &#8211; não apenas para criar novos empregos, mas para estabelecer novas fundações para o crescimento. Construiremos as estradas e pontes, as linhas elétricas e digitais que alimentam nosso comércio e nos unem. Recolocaremos a ciência em seu devido lugar, e usaremos as maravilhas da tecnologia para elevar a qualidade de nosso atendimento de saúde e reduzir seu custo. Usaremos o sol, os ventos e o solo para abastecer nossos carros e fazer funcionar nossas fábricas. E transformaremos nossas escolas e universidades para atender as exigências de uma nova era. Podemos fazer tudo isso. E faremos tudo isso.</p>
<p>Ora, alguns questionam a escala de nossas ambições. Sugerem que nosso sistema não pode tolerar planos demais. Suas memórias são curtas. Pois esquecem o que este país já fez; o que homens e mulheres livres podem obter quando a imaginação se une a um objetivo comum, e a necessidade à coragem.</p>
<p>O que os cínicos não conseguem entender é que o chão moveu-se sob seus pés. Que as disputas políticas vazias que nos consumiram por tanto tempo não servem mais. A questão que se deve perguntar hoje não é se o governo é grande demais ou pequeno demais, mas se funciona &#8211; se ajuda as famílias a encontrar empregos com salários decentes, assistência que possam pagar, aposentadorias dignas. Onde a resposta for sim, nossa intenção é seguir em frente. Onde a resposta for não, os programas serão cortados. E aqueles que administram os dólares da população terão que assumir suas responsabilidades: gastar com sabedoria, mudar os maus hábitos, fazer negócios à luz do dia. Porque só então poderemos restaurar a confiança que é vital entre um povo e seu governo.</p>
<p>E tampouco temos de decidir se o mercado é uma força positiva ou negativa. Seu poder de gerar riqueza e expandir a liberdade é incomparável, mas a crise serviu para nos lembrar que, sem fiscalização atenta, o mercado pode escapar ao controle, e que um país não poderá prosperar por muito tempo caso beneficie apenas aos mais prósperos. O sucesso de nossa economia sempre dependeu não apenas do tamanho do nosso Produto Interno Bruto mas do alcance de nossa prosperidade; de nossa capacidade para expandir as oportunidades de forma a que estejam disponíveis para quem quer as deseje &#8211; e não por caridade, mas sim porque essa é a mais segura rota para o bem comum.</p>
<p>Quanto à nossa defesa comum, rejeitamos como falsa a noção de que é preciso escolher entre a segurança e os nossos ideais. Os fundadores da nação, diante de perigos que mal conseguimos imaginar, redigiram uma carta básica que garantia o Estado de Direito e os direitos humanos, uma carta expandida à custa do sangue de muitas gerações. Essas idéias continuam a iluminar o mundo, e não as abandonaremos em nome do oportunismo. E assim, a todos os outros povos e governos que estão nos assistindo hoje, das maiores capitais à pequena aldeia onde meu pai nasceu: saibam que os Estados Unidos são amigos de todas as nações e de todos os homens, mulheres e crianças que desejem um futuro de paz e dignidade, e que estamos prontos a liderar, uma vez mais.</p>
<p>Lembrem-se de que as gerações passadas enfrentaram o fascismo e o comunismo não apenas com mísseis e tanques mas com alianças firmes e convicções duradouras. Elas compreendiam que a força apenas não basta para nos proteger, e não nos confere o direito de fazer tudo que quisermos. Em lugar disso, sabiam que nosso poder cresce quando é usado com prudência; nossa segurança emana da justiça de nossa causa, da força do nosso exemplo, e da humildade e da contenção, qualidades que nos ajudam a moderá-la.</p>
<p>Cabe a nós preservar esse legado. Se voltarmos a ser orientados por esses princípios, seremos capazes de enfrentar as novas ameaças que exigem ainda mais esforço, e ainda mais cooperação e entendimento entre as nações. Começaremos a entregar o Iraque responsavelmente ao governo de seu povo, e criaremos uma paz trabalhosa mas duradoura no Afeganistão. Com velhos amigos e antigos inimigos, trabalharemos de modo incansável para reduzir a ameaça nuclear e reverter o perigo do aquecimento global. Não nos desculparemos por nosso modo de vida, e tampouco vacilaremos ao defendê-lo, e para aqueles que procuram atingir seus objetivos causando terror e massacrando inocentes, temos a dizer apenas que nossos espíritos são mais fortes que os deles, e nada poderá alquebrá-los. Nossos inimigos não conseguirão perdurar, e nós os derrotaremos.</p>
<p>Porque sabemos que a multiplicidade de nossas heranças é fonte de força e não de fraqueza. Somos um país de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus e descrentes. Fomos influenciados por todos os idiomas e culturas, vindos de todos o quadrantes da terra, e, porque provamos o sabor amargo da guerra civil e da segregação e emergimos dessa experiência sombria mais fortes e mais unidos, não nos resta senão acreditar que os velhos ódios um dia passarão; que as divisões entre as tribos em breve se dissolverão; que, à medida que o mundo diminui, nossa humanidade comum se revelará; e que os Estados Unidos precisam desempenhar o seu papel para promover uma nova era de paz.</p>
<p>Para com o mundo muçulmano, procuramos um novo meio de avançar, com base nos interesses e no respeito mútuos. Para os líderes de todo o mundo que procuram semear conflitos ou imputam ao Ocidente a culpa pelos males de suas sociedades saibam que seus povos os julgarão com base naquilo que puderem construir, e não no que destroem. Para aqueles que se apegam ao poder pela corrupção, trapaça e repressão aos dissidentes, saibam que vocês estão do lado errado da História, mas que estamos dispostos a lhes estender a mão, se não formos recebidos por um punho cerrado.</p>
<p>Aos povos dos países pobres, prometemos trabalhar com vocês para fazer com que suas fazendas floresçam e que as águas corram límpidas; para nutrir os corpos famintos e alimentar as mentes ávidas. E para as nações como a nossa, que desfrutam de relativa abundância, temos a dizer que não é mais possível manter a indiferença ao sofrimento do lado de lá de nossas fronteiras, e tampouco podemos consumir os recursos do planeta sem considerar os efeitos. Pois o mundo mudou, e é preciso que mudemos com ele.</p>
<p>Ao contemplarmos a estrada que temos a percorrer, recordamos com humilde gratidão os bravos norte-americanos que, neste exato instante, patrulham desertos longínquos e montanhas distantes. Eles têm algo a nos dizer hoje, da mesma maneira que os heróis sepultados em Arlington sussurram para a posteridade. Nós os honramos não apenas porque são os guardiões de nossa liberdade mas porque personificam o espírito do serviço público: a disposição de encontrar significado em algo maior do que eles mesmos. E neste momento um momento que definirá uma geração &#8211; é exatamente esse espírito que deve habitar-nos a todos.</p>
<p>Pois por mais que um governo possa e deva fazer, em última análise a fé e determinação do povo norte-americanos é que embasam esta nação. É a gentileza com que um estranho é acolhido quando as barragens se rompem, a abnegação de trabalhadores que preferem trabalhar menos horas a ver colegas perderem os empregos, que nos conduzem nas horas mais escuras. É a coragem do bombeiro que penetra sem hesitar em um corredor enfumaçado, mas também a disposição de um pai ou mãe a cuidar de seu filho, que terão a palavra final quanto ao nosso destino.</p>
<p>Nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos com que os enfrentamos podem ser novos. Mas os valores dos quais nosso sucesso depende trabalho duro e honestidade, coragem e lealdade, tolerância e curiosidade, fidelidade e patriotismo &#8211; vêm do passado, e são verdadeiros. São eles que representam a silenciosa força que moveu nosso progresso ao longo das décadas. O que precisamos é retornar a eles &#8211; o reconhecimento, da parte de cada norte-americano, de que temos deveres para conosco, para com nosso país e para com o mundo, deveres que não aceitamos relutantemente mas sim recebemos com alegria, firmes no conhecimento de não existe nada tão satisfatório para o espírito, nada que ajude tanto a definir o caráter, quanto dar o máximo a serviço de um objetivo difícil.</p>
<p>Esse é o preço e a promessa da cidadania.</p>
<p>Essa é a força de nossa confiança &#8211; o conhecimento de que Deus nos atribui a tarefa de dar forma a um destino incerto.</p>
<p>Esse é o significado de nossa liberdade e de nosso credo &#8211; o motivo para que homens, mulheres e crianças de todas as raças e todas fés estejam unidos para celebrar nesse cenário magnífico, e para que um homem cujo pai nem mesmo seria servido em um restaurante menos de 60 anos atrás possa hoje estar diante de vocês para fazer o mais sagrado dos juramentos.</p>
<p>Assim, que este dia seja dedicado a recordar quem somos e o longo caminho que percorremos. No ano em que os Estados Unidos nasceram, no mais frio dos meses, um pequeno bando de patriotas estava unido em torno das bruxuleantes fogueiras de um acampamento militar à beira de um rio congelado. A capital havia sido abandonada. As tropas inimigas estavam avançando. A neve estava manchada de sangue. Em um momento no qual o destino de nossa revolução estava em dúvida, o pai de nosso país ordenou que as seguintes palavras fossem lidas ao povo:</p>
<p>&#8220;Que o mundo futuro saiba que, nas profundezas do inverno, quando nada exceto a esperança e virtude era capaz de sobreviver, que cidade e campo, alarmados diante do perigo comum, saíram em campanha para enfrentá-lo&#8221;. Meus compatriotas. Diante dos perigos comuns, neste inverno de nosso sofrimento, é hora de recordar aquelas palavras imortais. Com esperança e virtude, enfrentemos uma vez mais a correnteza gélida, suportemos as tempestades que nos aguardam. Que os filhos de nossos filhos um dia venham a dizer que, sujeitos ao teste, não permitimos que essa jornada se encerrasse, não recuamos e não vacilamos; com os olhos fixos no horizonte e trazendo conosco a graça do Senhor, nós carregamos conosco o precioso dom da liberdade e o entregamos em segurança às futuras gerações&#8221;</p></blockquote>
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		<title>Carta aberta de Uri Avnery a Barack Obama</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Jan 2009 05:55:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
O ex-deputado do Parlamento israelense e um dos fundadores do ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>
O ex-deputado do Parlamento israelense e um dos fundadores do movimento pela paz, Uri Avnery, redigiu uma carta aberta ao presidente eleito dos EUA, Barack Obama, sugerindo que o novo governo comece a agir pela paz israelense-árabe a partir do primeiro dia. &#8220;Infelizmente, todos os seus predecessores desde 1967 jogaram duplamente. Apesar de falarem sobre paz da boca para fora, e às vezes realizarem gestos de algum esforço pela paz, na prática eles apoiavam nosso governo em seu movimento contrário a esse esforço&#8221;, diz Avnery.<span id="more-1580"></span></p>
<p>Esta é uma carta aberta escrita por Uri Avnery, 85 anos, ex-deputado do Knesset (Parlamento de Israel), soldado que ajudou a fundar Israel em 1948 e que há décadas milita pela paz:</p>
<p>&#8220;As humildes sugestões que se seguem são baseadas nos meus 70 anos de experiência como combatente de trincheiras, soldado das forças especiais na guerra de 1948, editor-em-chefe de uma revista de notícias, membro do parlamento israelense e um dos fundadores do movimento pela paz:</p>
<p>1) No que se refere à paz israelense-árabe, o Sr. deve agir a partir do primeiro dia.</p>
<p>2) As eleições em Israel acontecerão em fevereiro de 2009. O Sr. pode ter um impacto indireto, mas importante e construtivo já no começo, anunciando sua determinação inequívoca de conseguir paz israelo-palestina, israelo-síria e israelo-pan-árabe em 2009.</p>
<p>3) Infelizmente, todos os seus predecessores desde 1967 jogaram duplamente. Apesar de que falaram sobre paz da boca para fora, e às vezes realizaram gestos de algum esforço pela paz, na prática eles apoiavam nosso governo em seu movimento contrário a esse esforço.</p>
<p>Particularmente, deram aprovação tácita à construção e ao crescimento dos assentamentos colonizadores de Israel nos territórios ocupados da Palestina e da Síria, cada um dos quais é uma mina subterrânea na estrada da paz.</p>
<p>4) Todos os assentamentos colonizadores são ilegais segundo a lei internacional. A distinção, às vezes feita, entre postos &#8220;ilegais&#8221; e os outros assentamentos colonizadores é pura propaganda feita para mascarar essa simples verdade.</p>
<p>5) Todos os assentamentos colonizadores desde 1967 foram construídos com o objetivo expresso de tornar um estado palestino &#8211; e portanto a paz &#8211; impossível, ao picotar em faixas o possível projetado Estado Palestino. Praticamente todos os departamentos de governo e o exército têm ajudado, aberta ou secretamente, a construir, consolidar e aumentar os assentamentos, como confirma o relatório preparado para o governo pela advogada Talia Sasson.</p>
<p>6) A estas alturas, o número de colonos na Cisjordânia já chegou a uns 250.000 (além dos 200.000 colonos da Grande Jerusalém, cujo estatuto é um pouco diferente). Eles estão politicamente isolados e são às vezes detestados pela maioria do público israelense, mas desfrutam de apoio significativo nos ministérios de governo e no exército.</p>
<p>7) Nenhum governo israelense ousaria confrontar a força material e política concentrada dos colonos. Esse confronto exigiria uma liderança muito forte e o apoio generoso do Presidente dos Estados Unidos para que tivesse qualquer chance de sucesso.</p>
<p>8 ) Na ausência de tudo isso, todas as &#8220;negociações de paz&#8221; são uma farsa. O governo israelense e seus apoiadores nos Estados Unidos já fizeram tudo o que é possível para impedir que as negociações com os palestinos ou com os sírios cheguem a qualquer conclusão, por causa do medo de enfrentar os colonos e seus apoiadores. As atuais negociações de &#8220;Annapolis&#8221; são tão vazias como as precedentes, com cada lado mantendo o fingimento por interesses politicos próprios.</p>
<p>9) A administração Clinton, e ainda mais a administração Bush, permitiram que o governo israelense mantivesse o fingimento. É, portanto, imperativo que se impeça que os membros dessas administrações desviem a política que terá o Sr. para o Oriente Médio na direção dos velhos canais.</p>
<p>10) É importante que o Sr. comece de novo e diga-o publicamente. Idéias desacreditadas e iniciativas falidas &#8211; como a &#8220;visão&#8221; de Bush, o &#8220;mapa do caminho&#8221;, Anápolis e coisas do tipo &#8211; devem ser lançadas à lata de lixo da história.</p>
<p>11) Para começar de novo, o alvo da política americana deve ser dito clara e sucintamente: atingir uma paz baseada numa solução biestatal dentro de um prazo de tempo (digamos, o fim de 2009).</p>
<p>12) Deve-se assinalar que este objetivo se baseia numa reavaliação do interesse nacional americano, de remover o veneno das relações muçulmano-americanas e árabe-americanas, fortalecer os regimes dedicados à paz, derrotar o terrorismo da Al-Qaeda, terminar as guerras do Iraque e do Afeganistão e atingir uma acomodação viável com o Irã.</p>
<p>13) Os termos da paz israelo-palestina são claros. Já foram cristalizados em milhares de horas de negociações, colóquios, encontros e conversas. São eles:</p>
<p style="padding-left: 30px;">a) estabelecer-se-á um Estado da Palestina soberano e viável lado a lado com o Estado de Israel.</p>
<p style="padding-left: 30px;">b) A fronteira entre os dois estados se baseará na linha de armistício de 1967 (a &#8220;Linha verde&#8221;). Alterações não substanciais poderão ser feitas por concordância mútua numa troca de territórios em base 1: 1.</p>
<p style="padding-left: 30px;">c) Jerusalém Oriental, incluindo-se o Haram-al-Sharif (o &#8220;Monte do Templo&#8221;) e todos os bairros árabes servirão como Capital da Palestina. Jerusalém Ocidental, incluindo-se o Muro Ocidental e todos os bairros judeus, servirão como Capital de Israel. Uma autoridade municipal conjunta, baseada na igualdade, poderia se estabelecer por aceitação mútua, para administrar a cidade como uma unidade territorial.</p>
<p style="padding-left: 30px;">d) Todos os assentamentos colonizadores de Israel &#8211; exceto aqueles que possam ser anexados no marco de uma troca consensual &#8211; serão esvaziados (veja-se o 15 abaixo)</p>
<p style="padding-left: 30px;">e) Israel reconhecerá o princípio do direito de retorno dos refugiados. Uma Comissão Conjunta de Verdade e Reconciliação, composta por palestinos, israelesnses e historiadores internacionais estudará os fatos de 1948 e 1967 e determinará quem foi responsável por cada coisa. O refugiado, individualmente, terá a escolha de 1) repatriação para o Estado da Palestina; 2) permanência onde estiver agora, com compensação generosa; 3) retorno e reassentamento em Israel; 4) migração a outro país, com compensação generosa. O número de refugiados que retornarão ao território de Israel será fixado por acordo mútuo, entendendo-se que não se fará nada para materialmente alterar a composição demográfica da população de Israel. As polpuldas verbas necessárias para a implementação desta solução devem ser fornecidas pela comunidade internacional, no interesse da paz planetária. Isto economizaria muito do dinheiro gasto hoje militarmente e a partir de presentes dos EUA.</p>
<p style="padding-left: 30px;">f) A Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza constituirão uma unidade nacional. Um vínculo extra-territorial (estrada, trilho, túnel ou ponte) ligará a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.</p>
<p style="padding-left: 30px;">g) Israel e Síria assinarão um acordo de paz. Israel recuará até a linha de 1967 e todos os assentamentos colonizadores das Colinas de Golã serão desmantelados. A Síria interromperá todas as atividades anti-Israel, conduzidas direta ou vicariamente. Os dois lados estabelecerão relações normais.</p>
<p style="padding-left: 30px;">h) De acordo com a Iniciativa Saudita de Paz, todos os membros da Liga Árabe reconhecerão Israel, e terão com Israel relações normais. Poder-se-á considerar conversações sobre uma futura União do Oriente Médio, no modelo da União Européia, possivelmente incluindo a Turquia e o Irã.</p>
<p>14)A unidade palestina é essencial. A paz feita só com um naco da população de nada vale. Os Estados Unidos facilitarão a reconciliação palestina e a unificação das estruturas palestinas. Para isso, os EUA terminarão com o seu boicote ao Hamas (que ganhou as últimas eleições), começarão um diálogo político com o movimento e sugerirão que Israel faça o mesmo. Os EUA respeitarão quaisquer resultados de eleições palestinas.</p>
<p>15) O governo dos EUA ajudará o governo de Israel a enfrentar-se com o problema dos assentamentos colonizadores. A partir de agora, os colonos terão um ano para deixar os territórios ocupados e voluntariamente voltar em troca de compensação que lhes permitirá construir seus lares dentro de Israel. Depois disso, todos os assentamentos serão esvaziados, exceto aqueles em quaisquer áreas anexadas a Israel sob o acordo de paz.</p>
<p>16) Eu sugiro ao Sr., como Presidente dos Estados Unidos, que venha a Israel e se dirija ao povo israelense pessoalmente, não só no pódio do parlamento, mas também num comício de massas na Praça Rabin em Tel-Aviv. O Presidente Anwar Sadat, do Egito, veio a Israel em 1977 e, ao se dirigir ao povo de Israel diretamente, mudou em tudo a atitude deles em relação à paz com o Egito. No momento, a maioria dos israelenses se sente insegura, incerta e temerosa de qualquer iniciativa ousada de paz, em parte graças a uma desconfiança de qualquer coisa que venha do lado árabe. A intervenção do Sr., neste momento crítico, poderia, literalmente, fazer milagres, ao criar a base psicológica para a paz.</p>
<p><em>Tradução: Idelber Avelar</em></p>
<p>Publicado originalmente no site de <a href="http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1228602649/">Uri Avnery</a> e sua tradução publicada na <a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15451">Carta Maior.</a></p></blockquote>
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		<title>Podcast do Joildo Santos #27</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 15:50:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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<p>Vitória de Obama nos EUA e novas formas de comunicação com os cidadãos</p>
<p>PMDB e PT correndo atrás da presidência do Senado</p>
<p>Sen. Eduardo Azeredo ameaçando o direito a meia-entrada, participação especial do <a href="http://sergiovds.wordpress.com">Sérgio Vieira</a></p>
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		<title>Discurso da vitória de OBAMA</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Nov 2008 02:46:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Olá, Chicago!
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Barack Hussein Obama Jr." rel="gb_imageset[]" href="http://www.joildo.net/wp-content/photos/variedades/obama_hope.jpg"><img class="ngg-singlepic ngg-none alignleft" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Barack Hussein Obama Jr." src="http://www.joildo.net/wp-content/photos/variedades/obama_hope.jpg" alt="obama_hope.jpg" width="295" height="205" /></a></p>
<p>Olá, Chicago!</p>
<p>Se alguém aí ainda dúvida de que os Estados Unidos são um lugar onde tudo é possível, que ainda se pergunta se o sonho de nossos fundadores continua vivo em nossos tempos, que ainda questiona a força de nossa democracia, esta noite é sua resposta.</p>
<p>É a resposta dada pelas filas que se estenderam ao redor de escolas e igrejas em um número como esta nação jamais viu, pelas pessoas que esperaram três ou quatro horas, muitas delas pela primeira vez em suas vidas, porque achavam que desta vez tinha que ser diferente e que suas vozes poderiam fazer esta diferença.</p>
<p>É a resposta pronunciada por jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, incapacitados ou não-incapacitados.</p>
<p>Americanos que transmitiram ao mundo a mensagem de que nunca fomos simplesmente um conjunto de indivíduos ou um conjunto de estados vermelhos e estados azuis.</p>
<p>Somos, e sempre seremos, os EUA da América.</p>
<p>É a resposta que conduziu aqueles que durante tanto tempo foram aconselhados por tantos a serem céticos, temerosos e duvidosos sobre o que podemos conseguir para colocar as mãos no arco da História e torcê-lo mais uma vez em direção à esperança de um dia melhor.</p>
<p>Demorou um tempo para chegar, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data, nestas eleições, neste momento decisivo, a mudança chegou aos EUA.</p>
<p><span id="more-1256"></span>Esta noite, recebi um telefonema extraordinariamente cortês do senador McCain.</p>
<p>O senador McCain lutou longa e duramente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e duramente pelo país que ama. Agüentou sacrifícios pelos EUA que sequer podemos imaginar. Todos nos beneficiamos do serviço prestado por este líder valente e abnegado.</p>
<p>Parabenizo a ele e à governadora Palin por tudo o que conseguiram e desejo colaborar com eles para renovar a promessa desta nação durante os próximos meses.</p>
<p>Quero agradecer a meu parceiro nesta viagem, um homem que fez campanha com o coração e que foi o porta-voz de homens e mulheres com os quais cresceu nas ruas de Scranton e com os quais viajava de trem de volta para sua casa em Delaware, o vice-presidente eleito dos EUA, Joe Biden.</p>
<p>E não estaria aqui esta noite sem o apoio incansável de minha melhor amiga durante os últimos 16 anos, a rocha de nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama da nação, Michelle <span class="ParrafoNegrita">Obama</span>.</p>
<p>Sasha e Malia amo vocês duas mais do que podem imaginar. E vocês ganharam o novo cachorrinho que está indo conosco para a Casa Branca.</p>
<p>Apesar de não estar mais conosco, sei que minha avó está nos vendo, junto com a família que fez de mim o que sou. Sinto falta deles esta noite. Sei que minha dívida com eles é incalculável.</p>
<p>A minha irmã Maya, minha irmã Auma, meus outros irmãos e irmãs, muitíssimo obrigado por todo o apoio que me deram. Sou grato a todos vocês. E a meu diretor de campanha, David Plouffe, o herói não reconhecido desta campanha, que construiu a melhor campanha política, creio eu, da história dos EUA da América.</p>
<p>A meu estrategista chefe, David Axelrod, que foi um parceiro meu a cada passo do caminho.</p>
<p>À melhor equipe de campanha formada na história da política. Vocês tornaram isto realidade e estou eternamente grato pelo que sacrificaram para conseguir.</p>
<p>Mas, sobretudo, não esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a vocês. Ela pertence a vocês.</p>
<p>Nunca pareci o candidato com mais chances. Não começamos com muito dinheiro nem com muitos apoios. Nossa campanha não foi idealizada nos corredores de Washington. Começou nos quintais de Des Moines e nas salas de Concord e nas varandas de Charleston.</p>
<p>Foi construída pelos trabalhadores e trabalhadoras que recorreram às parcas economias que tinham para doar US$ 5, ou US$ 10 ou US$ 20 à causa.</p>
<p>Ganhou força dos jovens que negaram o mito da apatia de sua geração, que deixaram para trás suas casas e seus familiares por empregos que os trouxeram pouco dinheiro e menos sono.</p>
<p>Ganhou força das pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio gelado e o ardente calor para bater nas portas de desconhecidos, e dos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários e organizaram e demonstraram que, mais de dois séculos depois, um Governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu da Terra.</p>
<p>Esta é a vitória de vocês.</p>
<p>Além disso, sei que não fizeram isto só para vencerem as eleições. Sei que não fizeram por mim.</p>
<p>Fizeram porque entenderam a magnitude da tarefa que há pela frente. Enquanto comemoramos esta noite, sabemos que os desafios que nos trará o dia de amanhã são os maiores de nossas vidas &#8211; duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira em um século.</p>
<p>Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos valentes que acordam nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para dar a vida por nós.</p>
<p>Há mães e pais que passarão noites em claro depois que as crianças dormirem e se perguntarão como pagarão a hipoteca ou as faturas médicas ou como economizarão o suficiente para a educação universitária de seus filhos.</p>
<p>Há novas fontes de energia para serem aproveitadas, novos postos de trabalho para serem criados, novas escolas para serem construídas e ameaças para serem enfrentadas, alianças para serem reparadas.</p>
<p>O caminho pela frente será longo. A subida será íngreme. Pode ser que não consigamos em um ano nem em um mandato. No entanto, EUA, nunca estive tão esperançoso como estou esta noite de que chegaremos.</p>
<p>Prometo a vocês que nós, como povo, conseguiremos.</p>
<p>Haverá percalços e passos em falso. Muitos não estarão de acordo com cada decisão ou política minha quando assumir a presidência. E sabemos que o Governo não pode resolver todos os problemas.</p>
<p>Mas, sempre serei sincero com vocês sobre os desafios que nos afrontam. Ouvirei a vocês, principalmente quando discordarmos. E, sobretudo, pedirei a vocês que participem do trabalho de reconstruir esta nação, da única forma como foi feita nos EUA durante 221 anos, bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada sobre mão calejada.</p>
<p>O que começou há 21 meses em pleno inverno não pode acabar nesta noite de outono.</p>
<p>Esta vitória em si não é a mudança que buscamos. É só a oportunidade para que façamos esta mudança. E isto não pode acontecer se voltarmos a como era antes. Não pode acontecer sem vocês, sem um novo espírito de sacrifício.</p>
<p>Portanto façamos um pedido a um novo espírito do patriotismo, de responsabilidade, em que cada um se ajuda e trabalha mais e se preocupa não só com si próprio, mas um com o outro.</p>
<p>Lembremos que, se esta crise financeira nos ensinou algo, é que não pode haver uma Wall Street (setor financeiro) próspera enquanto a Main Street (comércio ambulante) sofre.</p>
<p>Neste país, avançamos ou fracassamos como uma só nação, como um só povo. Resistamos à tentação de recair no partidarismo, na mesquinharia e na imaturidade que intoxicaram nossa vida política há tanto tempo.</p>
<p>Lembremos que foi um homem deste estado que levou pela primeira vez a bandeira do Partido Republicano à Casa Branca, um partido fundado sobre os valores da auto-suficiência e da liberdade do indivíduo e da união nacional.</p>
<p>Estes são valores que todos compartilhamos. E enquanto o Partido Democrata conquistou uma grande vitória esta noite, fazemos com certa humildade e a determinação para curar as divisões que impediram nosso progresso.</p>
<p>Como disse Lincoln a uma nação muito mais dividida que a nossa, não somos inimigos, mas amigos. Embora as paixões os tenham colocado sob tensão, não devem romper nossos laços de afeto.</p>
<p>E àqueles americanos cujo apoio eu ainda devo conquistar, pode ser que eu não tenha conquistado seu voto hoje, mas ouço suas vozes. Preciso de sua ajuda e também serei seu presidente.</p>
<p>E a todos aqueles que nos vêem esta noite além de nossas fronteiras, em Parlamentos e palácios, a aqueles que se reúnem ao redor dos rádios nos cantos esquecidos do mundo, nossas histórias são diferentes, mas nosso destino é comum e começa um novo amanhecer de liderança americana.</p>
<p>A aqueles que pretendem destruir o mundo: vamos vencê-los. A aqueles que buscam a paz e a segurança: apoiamo-nos.</p>
<p>E a aqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda ilumina tão fortemente: esta noite demonstramos mais uma vez que a força autêntica de nossa nação vem não do poderio de nossas armas nem da magnitude de nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e firme esperança.</p>
<p>Lá está a verdadeira genialidade dos EUA: que o país pode mudar. Nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já conseguimos nos dá esperança sobre o que podemos e temos que conseguir amanhã.</p>
<p>Estas eleições contaram com muitos inícios e muitas histórias que serão contadas durante séculos. Mas uma que tenho em mente esta noite é a de uma mulher que votou em Atlanta.</p>
<p>Ela se parece muito com outros que fizeram fila para fazer com que sua voz seja ouvida nestas eleições, exceto por uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.</p>
<p>Nasceu apenas uma geração depois da escravidão, em uma era em que não havia automóveis nas estradas nem aviões nos céus, quando alguém como ela não podia votar por dois motivos &#8211; por ser mulher e pela cor de sua pele.</p>
<p>Esta noite penso em tudo o que ela viu durante seu século nos EUA &#8211; a desolação e a esperança, a luta e o progresso, às vezes em que nos disseram que não podíamos e as pessoas que se esforçaram para continuar em frente com esta crença americana: Podemos.</p>
<p>Em uma época em que as vozes das mulheres foram silenciadas e suas esperanças descartadas, ela sobreviveu para vê-las serem erguidas, expressarem-se e estenderem a mão para votar. Podemos.</p>
<p>Quando havia desespero e uma depressão ao longo do país, ela viu como uma nação conquistou o próprio medo com uma nova proposta, novos empregos e um novo sentido de propósitos comuns. Podemos.</p>
<p>Quando as bombas caíram sobre nosso porto e a tirania ameaçou ao mundo, ela estava ali para testemunhar como uma geração respondeu com grandeza e a democracia foi salva. Podemos.</p>
<p>Ela estava lá pelos ônibus de Montgomery, pelas mangueiras de irrigação em Birmingham, por uma ponte em Selma e por um pregador de Atlanta que disse a um povo: &#8220;Superaremos&#8221;. Podemos.</p>
<p>O homem chegou à lua, um muro caiu em Berlim e um mundo se interligou através de nossa ciência e imaginação.</p>
<p>E este ano, nestas eleições, ela tocou uma tela com o dedo e votou, porque após 106 anos nos EUA, durante os melhores e piores tempos, ela sabe como os EUA podem mudar.</p>
<p>Podemos.</p>
<p>EUA avançamos muito. Vimos muito. Mas há muito mais por fazer. Portanto, esta noite vamos nos perguntar se nossos filhos viverão para ver o próximo século, se minhas filhas terão tanta sorte para viver tanto tempo quanto Ann Nixon Cooper, que mudança virá? Que progresso faremos?</p>
<p>Esta é nossa oportunidade de responder a esta chamada. Este é o nosso momento. Esta é nossa vez.</p>
<p>Para dar emprego a nosso povo e abrir as portas da oportunidade para nossas crianças, para restaurar a prosperidade e fomentar a causa da paz, para recuperar o sonho americano e reafirmar esta verdade fundamental, que, de muitos, somos um, que enquanto respirarmos, temos esperança.</p>
<p>E quando nos encontrarmos com o ceticismo e as dúvidas, e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com esta crença eterna que resume o espírito de um povo: Podemos.</p>
<p>Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os EUA da América&#8221;.</p>
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