Se a política de Meirelles continuar, daqui a dois anos estaremos com inflação alta e sem crescimento, afirma Nilson na palestra para a CGTB, que publicamos abaixo
NILSON ARAÚJO DE SOUZA*
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, declarou recentemente que “os trabalhadores preferem sacrificar o crescimento econômico a ter inflação”. Então, o senhor Henrique Meirelles, um “legítimo” representante dos trabalhadores e do povo brasileiro, que respeita o sentimento e o pensamento do povo, já decretou que o povo prefere sacrificar o crescimento econômico para não ter alguma inflação.
Quando o presidente Lula lançou o programa Fome Zero, que muita gente criticava dizendo que o programa era uma esmola, afirmou o seguinte: “Quem critica o Fome Zero é porque nunca passou fome”. Se o cidadão tivesse passado fome uma vez na vida, ele saberia a importância do programa para aqueles que estão nessa situação.
Então, quem faz uma afirmação como esta de Henrique Meirelles é porque nunca ficou desempregado e nem esteve próximo de quem esteve desempregado. Sacrificar o crescimento econômico significa sacrificar o emprego, isto é, gerar desemprego.
É evidente que ninguém gosta de inflação muito alta. Mas entre ter alguma inflação e ter desemprego, as pessoas preferem ter alguma inflação, porque é melhor do que ter desemprego, que é o que o presidente do BC está propondo com este caminho de elevar os juros.
Analisemos a questão da inflação. Tem sido feito pela mídia e pelo Banco Central um violento terrorismo nesta questão. Até parece que estamos voltando àqueles índices de inflação dos anos 80, com mais de 2.000% de inflação ao ano. Até parece que nós estamos naquela situação. O ex-ministro Delfim Netto afirmou que, se alguém chegasse de Marte e visse a mídia, iria achar que nós estamos naquela inflação dos anos 80, em virtude do terrorismo que está sendo feito.
E por que este terrorismo? Por duas razões básicas, a meu ver. De um lado, para poder forçar o Banco Central a elevar a taxa de juros cada vez mais, como forma de supostamente combater a inflação e a partir daí beneficiar ainda mais quem já vem se beneficiando com os juros altos, que são os banqueiros, os que vivem de aplicações no mercado financeiro.
Em segundo lugar, para tentar forçar o governo a cortar investimentos e a cortar gastos sociais, para supostamente combater a inflação, com o objetivo de desacelerar o crescimento da economia. Ou seja, torpedear, na prática, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), para que a economia pare de crescer e lá na frente, daqui a dois anos, fique mais difícil para Lula fazer o seu sucessor.
Então, existe o objetivo imediato de satisfazer os interesses dos banqueiros e outro, a médio prazo, de levar os setores mais conservadores, particularmente os tucanos, a retomar o poder no país. Esses são os objetivos desse terrorismo.
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