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Do Hora do Povo
Apeoesp respondeu com 40 mil nas ruas às afirmações do Governo do Estado de que greve atingiu apenas 1% da categoria
Reunidos em assembleia sexta-feira na avenida Paulista, mais de 40 mil professores da rede pública estadual de ensino aprovaram a continuidade da greve iniciada no dia 8 de março e o mote: “Serra mente para o povo, a educação pede socorro”.
O mar de professores transbordou do vão livre do MASP e ocupou as duas pistas da Paulista, respondendo a versão do governo tucano de que a paralisação teria alcançado 1% do magistério, contra 80% contabilizados pelo Conselho Estadual de Representantes da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo).
O caráter ordeiro e pacífico da manifestação destoou da magnitude do aparato repressivo montado pelo governo tucano, que além de 300 policiais usou até helicóptero militar para tentar intimidar os professores.
Ao longo da semana de convocação para o ato, o apoio de pais e estudantes ao movimento foi crescendo. O governo do Estado chegou a ordenar aos diretores de escolas que passassem a negar informações à imprensa, na tentativa de que a população desconhecesse o alcance da paralisação, e não tomasse conhecimento do abandono a que foi submetida a educação pública no Estado mais rico da Federação.
CENSURA
O governo do Pior Salário Do Brasil (PSDB) – como denunciaram os manifestantes em suas faixas e cartazes – enviou por email memorandos de censura às direções das escolas estaduais. Um deles, distribuído pela Diretoria de Ensino Leste 3 e exibido pela Liderança do PT em sessão plenária na Assembleia Legislativa, conclamava as direções ao silêncio: “em virtude dessa paralisação, a imprensa está entrando em contato diretamente com as escolas solicitando dados e entrevistas. Solicitamos ao Diretor de Escola para não atender a esta solicitação”.
“A valorização dos servidores e dos serviços público é essencial. E o que faz o desgoverno Serra? Além de não cumprir a data-base, que é o período onde cada categoria profissional tem assegurado o direito de negociar o seu reajuste salarial e abrir
perspectivas de evolução, não apresenta nenhuma proposta para o conjunto do funcionalismo e ainda tenta impor condições vexatórias para o magistério”, denunciou a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha (Bebel).
Por isso, esclareceu Bebel, entre as principais bandeiras do movimento estão o reajuste salarial imediato de 34,3%; a incorporação das gratificações e extensão aos aposentados; plano de carreira justo; garantia de emprego e o fim das avaliações excludentes, como o provão dos ACTs (Admitidos em Caráter Temporário) e a avaliação de mérito.
BAIXOS SALÁRIOS
O descompromisso salta aos olhos em qualquer visita a uma escola estadual, mas fica ainda mais evidente no valor da hora-aula pago pelo Estado de São Paulo: Professores do Ensino Básico II recebem R$ 7,58 a hora-aula, valor inferior ao pago no Acre (R$ 11,17), Roraima (R$ 10,32), Alagoas (R$ 10,15), Tocantins (R$10,10) e Espírito Santo (R$ 9,60). Professores de Ensino Básico I recebem ainda menos, R$6,55 por hora-aula.
Após seis horas de estrada desde Bauru, a professora de alfabetização (1ª a 4ª série) Ana da Conceição Antunes disse que “contra o Serra, viajaria quanto tempo fosse necessário”. Não é para menos. Após 23 anos de magistério, Ana é uma das muitas vítimas dos absurdos critérios implantados pelo governador, que decidiu elaborar uma prova para “medir a capacidade” sem a mínima correspondência com a realidade e a necessidade das salas de aula. “Assim, estou encostada na escola, sem ter aulas para dar. Virei reserva e temo perder de vez o meu trabalho. É uma situação humilhante para quem dedicou uma vida para a escola”, relatou.
Ao longo de todo o percurso, da Paulista até a Praça da República, os professores foram recebendo o apoio da população, além de diversas entidades sociais presentes na assembleia. Entre elas, a União Municipal dos Estudantes de São Paulo, que manifestou solidariedade à greve. De acordo com a presidenta da UMES, Ana Letícia, “há 16 anos a educação de São Paulo vem sendo degradada com a política neoliberal de retirada do Estado de cumpridor de suas obrigações, de investir na qualidade do ensino”. Exemplificando o que qualificou de “desmonte”, Ana Letícia citou “a criação da aprovação automática – ou ignorância continuada – e a cartilha do Serra, com dois Paraguais no continente sul-americano; o ataque à autonomia do professor; o sucateamento de laboratórios e bibliotecas; fechamento de escolas e lotação de salas de aula com 50, 60 alunos, e o fechamento de turnos escolares”.
Uma nova assembleia foi convocada para a próxima sexta-feira (19), a partir das 14 horas, no vão livre do MASP. Até lá os professores aprovaram a realização de panfletagens e atos nas principais avenidas das cidades, onde a população será informada dos descaminhos da educação paulista.


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