Pinochelettis em ação em Honduras

Google Buzz

honduras1

golpe_honduras_usa

golpe_honduras_usa

Honduras: repúdio popular abala golpe de Pinochelettis

A maior manifestação contra o golpe ocorreu no domingo. Centenas de milhares foram ao aeroporto para receber Zelaya. Isolado em todo mundo e repelido pelo povo, regime pária desestabilizou-se ao impedir volta do presidente e atirar contra a multidão

Centenas de milhares de hondurenhos acorreram ao aeroporto de Tegucigalpa, no domingo dia 5 de julho, para saudar o presidente Manuel Zelaya – cujo avião não conseguiu pousar -, agudizando o isolamento interno e externo dos golpistas instalados no poder no país há uma semana. Antes mesmo da manifestação, às primeiras horas do domingo, segundo entrevista do jornalista Luiz Galdámez, da Rádio Globo Honduras, à Telesur, três dos principais empresários do país, dois deles ex-presidentes, Ricardo Maduro e Carlos Flores Facussé, haviam se reunido com o ditador de plantão Roberto Micheletti, para anunciar a retirada de apoio que haviam antes hipotecado, “por sua intransigência e negativa a uma saída negociada”. Também foi desmentida a suposta “unanimidade” do parlamento hondurenho na derrubada de Zelaya: 16 deputados, 10 deles do próprio partido de Zelaya, o Partido Liberal, e 6 da Unificação Democrática, afirmaram à agência Prensa Latina terem votado contra o golpe.

FRENTE NACIONAL

A manifestação foi convocada pela Frente Nacional Contra o Golpe de Estado, que reúne sindicatos, estudantes, organizações de camponeses e partidos que exigem a volta de Mel – como Zelaya é carinhosamente chamado pelos hondurenhos. Os golpistas já estavam bastante abalroados pelo isolamento internacional, desde o repúdio ao golpe que incluiu até o governo Obama, suspensão da OEA e retirada de embaixadores latino-americanos e da União Européia. Agora, com seus disparos contra uma multidão desarmada, com fuzis M-16, que resultaram na morte de pelo menos duas pessoas e ferimentos em mais de 30, a situação dos golpistas fica ainda mais frágil. No dia seguinte, como vêm fazendo diariamente há uma semana, manifestantes retomaram as ruas contra os assassinatos, e as mobilizações – que estão ocorrendo no país inteiro -, nas cidades e nas estradas, vão prosseguir até a devolução do poder ao presidente legítimo, Zelaya. Para completar, a suspensão de créditos internacionais no montante de US$ 470 milhões e do fornecimento de petróleo com preço reduzido (US$ 350 milhões no ano passado) tornou ainda mais precária a situação no terreno da economia.

“Não é verdade que todos os deputados estejam de acordo com a imposição de Micheletti”, afirmou à agência Prensa Latina a deputada Silvia Ayala, do partido Unificação Democrática. Ela disse que o falso consenso foi apresentado ao mundo visando conferir legitimidade aos golpistas. Entre os parlamentares que votaram contra o golpe estiveram José Azcona, filho do ex-presidente José Simón Azcona (1986-1990); Elvia Vale e Carolina Echeverría, todos do Partido Liberal, e César Ham (Unificação), além de Sílvia. O advogado de Direitos Humanos e autor de um documentário sobre a “Escola das Américas”, Andrés Conteris, relatou em entrevista ao programa de TV dos EUA, “Democracy Now”, como os golpistas estão perdendo até o controle da mídia, onde preponderam. Dois canais de TV, o 36 e o 45 foram fechados, e o canal 11, por ter mostrado alguma coisa das mobilizações, sofreu um atentado a bomba. A Rádio Balão, que transmitiu as declarações de Zelaya, quando sobrevoava Tegucigalpa, sofreu intervenção. Um jornalista da Rádio América, em San Juan Pueblo, foi assassinado na sexta-feira dia 3. O diretor do canal 36 e o diretor da Rádio Global, da capital, estão escondidos. Também foi fechada a Rádio Progresso, do interior.

Além de Micheletti, outro expoente dos golpistas é o “chanceler” Ortez Colindre, que após chamar Obama de “negrinho”, agora veio a público sustentar que a ditadura não matou ninguém, e que foram os próprios manifestantes que se mataram entre si. O jovem de 19 anos que foi assassinado com um tiro na cabeça, tombou a poucos metros do pai. O crime pôde ser visto em transmissão ao vivo pela televisão, e o posicionamento de franco-atiradores em telhados já havia sido referido pela agência EFE. Manifestantes colheram no local e exibiram numerosas cápsulas defla-gradas de munição de fuzil M-16.

HILLARY

Em novo desdobramento, o Departamento de Estado ao mesmo tempo que confirmou a reunião de Zelaya com a secretária Hillary Clinton, recusou receber uma delegação dos golpistas enviada a Washington. Enquanto o chão se desfaz sob os pés de Micheletti, o presidente Zelaya aproveitou para se dirigir também aos militares, com grande serenidade, ao sobrevoar Tegucigalpa. Após o início dos disparos contra a multidão, ele condenou o crime e pediu aos militares que “não apontem mais os fuzis contra o povo hondurenho”. Às vítimas dos disparos, ele se dirigiu mais tarde, para se solidarizar “de forma muito sincera com as famílias sacrificadas em uma marcha pacífica para apoiar um presidente legítimo”.

ANTONIO PIMENTA

Do Hora do Povo

Sobre Joildo Santos

- Editor do Jornal Espaço do Povo


4 Trackbacks

Deixe um comentário

Deixe um comentário, ou trackback de seu site. Você também pode assinar nossos comentários via RSS.

Seu email nunca é compartilhado. Campos obrigatório são marcados *

Siga @joildo