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Sobre Joildo Santos

- Editor do Jornal Espaço do Povo

Comentários do Facebook

9 Comentrios

  • Pedro Almeida
    14 de maio de 2009 | Permalink | Responder

    Atualmente, por onde quer que andemos, vemos demonstrações de toda sorte de absurdos, seja pela falta de educação, seja pela ausência total de solidariedade com as outras pessoas, seja pelo egoísmo e pela mesquinharia.

    Os que agonizam nos corredores dos hospitais públicos poderiam receber atendimento dignificante e humanitário. Os médicos e funcionários apelidaram estas áreas onde predomina a situação caótica de “Pântano”. Nesses momentos todos nutrem alguma revolta e total perplexidade.

    A Saúde Pública em nosso País precisa ser reformada com urgência. (As funerárias realizam lucros excepcionais, nunca se ganhou tanto dinheiro neste ramo.) Onde está a verba para a Saúde, para a Educação de Qualidade? Foi parar no bolso de quem? Em quais Paraísos Fiscais? Ilhas Jersey? Ilhas Cayman? Com Maluf, Celso Pitta, Newton Cardoso? Daniel Dantas? Banco Opportunity? Obras do Juiz Lalau?

    Por outro lado, quando um político engendra formas ilícitas de enriquecer ele está assassinando pessoas de baixa renda. Também destrói gerações que poderiam ter um futuro melhor.

    ———————————————————–
    Opinião Pública

    O leitor Bob Bruza lembra a grande resposta do deputado Paulo Maluf ao repórter do CQC que lhe perguntou se já havia roubado alguma coisa:

    “Não necessariamente”.

    Hugo Werneck disse:
    11/05/2009 às 8:53

    Desculpem mas a resposta do senhor Maluf, está compatível com o seu caratér, (ou falta de). Trata-se, sem dúvida de um daqueles energúmenos que estão se lixando para a opinião pública. O que ainda não perceberam é que ele, diferentemente de outros idiotas, tão maléficos quanto ele, como Genoino, Chinaglia que fazem “biquinho” quando vêem a turma do CQC., entrega-se à galhofa e transforma assuntos sérios, com o roubo do dinheiro público em piada. O que o pessoal da Bandeirante, intensionalmente ou não, está fazendo e manter o canalha na mídia, o que não deixa de “ajudar aos mal informados a darem os seus votinhos à ele, sempre com a velha máxima do rouba mas faz. E o pilantra ainda agride a nossa inteligência, quando diz não ter e nunca ter tido uma conta bancária no exterior, mesmo quando submetido a provas irrefutáveis, vide o caso de sua detenção em Paris. Agora, que fique claro, esse cretino não é pior que os edmares castelo, fernandos gabeiras, eduardos suplicys, josés sarneys, michel temeres, jaderes barbalhos, severinos cavalcantes e outras tralhas que estão depositadas na lixeira do Congresso Nacional ou de outros órgãos públicos. E o que devemos fazer? Continuo com a minha campanha solitária de perda de mandatos de TODOS atuais congressistas, mesmo aqueles “suspeitos de serem honestos”.Depois, faremos novas eleições com pessoas comprovadamente honestas e competentes, sem deixar de montar um esquema de fiscalização do comportamente desses novos homens públicos, se possível sem parentesco com os mafiosos que andam por aí. O ideal é que uma evolução tecnológica promovesse a reprodução humana em chocadeiras, assim não teríamos que aguentar a parentada sempre ávida em usufruir o escasso dinheiro público

    http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/tag/cqc/

  • Pedro Almeida
    14 de maio de 2009 | Permalink | Responder

    CARIDADE E SAÚDE PÚBLICA EM TEMPO DE EPIDEMIAS
    BELÉM 1850-1890

    Como ainda não se conhecia a natureza de grande parte das doenças que ameaçavam toda a sociedade, as medidas utilizadas pelo governo para prevenir ou evitar o agravamento dos flagelos variaram de acordo com as diferentes teorias médicas em voga na época. Ao longo dos oitocentos, a necessidade de entender a etiologia daquelas enfermidades trouxe à tona um acirrado debate entre os esculápios, que se dividiam entre as premissas da teoria infeccionista, segundo a qual, estavam na infecção, provocada pelas alterações do ar atmosférico, os agentes causadores do flagelo; e a teoria contagionista, que defendia a tese da transmissibilidade das doenças através do contagio de um indivíduo a outro. De acordo com o Dicionário de Medicina Popular de Napoleão Chernoviz66, naquele momento, definia-se infecção como sendo “a ação exercida na economia por miasmas mórbidos”, enquanto que o contágio, implicava na transmissão da doença através do contato físico de um indivíduo são com outro enfermo. Assim à notícia de uma nova epidemia, alguns questionamentos eram repetidos entre a classe médica provincial. Qual a origem das doenças que por ali se estabeleciam? Como elas se propagavam? Seria através da infecção ou do contágio? Como fazer para combatê-las?

    http://www3.ufpa.br/pphist/images/dissertacoes/2006_Magda_Nazare.pdf

    Epidemias e fontes históricas no Ceará do século XIX
    http://www.anpuh.uepg.br/xxiii-simposio/anais/textos/FRANCISCO%20CARLOS%20JACINTO%20BARBOSA.pdf

    Poder e Doença: epidemias em tempos de centralização (Portugal – sécs. XIV/XVI)

    As sociedades medievais e modernas foram constantemente atingidas por diversos cataclismos e epidemias. Dentre estas, coube à peste a triste primazia em ceifar um elevado número de vidas, agindo em vagas recorrentes, principalmente a partir de meados do século XIV.
    Depois da grande epidemia de Peste Negra de 1348, a doença instalou-se no Ocidente, abatendo-o em focos endêmicos segundo datas e regiões variadas. Intrinsecamente nefasta, associada a este outro flagelo da humanidade que foi (é) a fome, produziram sangrias demográficas mais ou menos profundas, mas constantes, entre as populações dos séculos XIV ao XVI. E demarcaram nas cidades o palco privilegiado para a encenação de seu espetáculo de horrores.

    http://www.abrem.org.br/poderedoenca.pdf

    • 14 de maio de 2009 | Permalink | Responder

      Esse seu email está voltando, tem certeza que ele é o correto? usa o formulário de contato e me encaminha o correto preciso falar contigo.

      • Pedro Almeida
        14 de maio de 2009 | Permalink | Responder

        A resposta foi encaminhada para o seu e-mail google.

  • Pedro Almeida
    14 de maio de 2009 | Permalink | Responder

    Nota Complementar…

    66) O Dicionário de Medicina Popular de Napoleão Chernoviz, foi um dos mais divulgados e utilizados na sociedade oitocentista brasileira.

  • Lobo Jr.
    17 de maio de 2009 | Permalink | Responder

    Diretrizes para a política de saúde de um governo popular e democrático

    INTRODUÇÃO

    A ditadura militar, imperante no Brasil, nas duas últimas décadas, pode ser designada, sinteticamente, de antipopular, pois, dirigida para a exploração desmedida de imenso contingente populacional, favorecendo às chamadas elites representadas por ínfima parcela da população; de antidemocrática, porque divorciada da vontade da maioria e de antinacional, posto que, promoveu dependência e a desenfreada exploração do povo brasileiro, por empresas e bancos internacionais. À margem disto, generalizou-se a mais descarada corrupção. A sem-cerimônia com o interesse coletivo e com a opinião pública tornou fora de moda até a menor preocupação com a aparência de honestidade e de eficiência, na gestão do governo.

    Este processo político-administrativo resultou, diversamente, em setores diferentes da vida nacional. Houve inegável incremento da economia. Mas a custo de não menos inegável involução das condições de vida e de bem-estar social.

    O setor saúde terá sido, talvez, o mais prejudicado, dentre aqueles que compõem as agências públicas de promoção do bem-estar, no país. A involução sanitária do Brasil é um fato incontestável, representando-se pelo incremento de doenças evitáveis e pelo ressurgimento daquelas que já haviam sido banidas do cenário nosológico nacional. Mais de metade de nossa população padece e paga seu tributo à desnutrição; a malária, a tuberculose, a doença de Chagas, a esquistossomose, a hanseníase, as gratroenterites, as doenças venéreas e todo o cortejo de doenças da pobreza apresentam índices crescentes. Recrudescem a febre amarela e a filariose. A par disso, crescem, também, aquelas patologias típicas dos países ricos: a obesidade, a arteriosclerose, as neoplasias, o diabetes, as cardiopatias. A incidência de AIDS se acelera, dobrando-se o número de casos novos, a cada dez meses, não sendo incrível que aí conquistemos um campeonato mundial. As doenças mentais são a segunda causa de invalidez e de benefícios previdenciários, acometendo a mais de dez, em cada cem brasileiros e, ainda assim, diz-se, inteligentemente, que não se constituem em problema de saúde pública…

    A desimportância do setor saúde, na administração pública, pode ser aferida, seguramente, por três indicadores infalíveis, dentre outros, naturalmente: a maior ou menor facilidade com que o governante o utiliza como instrumento de barganha; o percentual orçamentário que lhe é atribuído e, efetivamente, liberado e o grau de organização do setor. Compare-se o setor saúde com o de obras públicas, com o aparelho arrecadador e com o repressivo.

    A recuperação do setor saúde e sua transformação em instrumento capaz de atender às necessidades da população, como um todo, constituem-se em compromisso de todas as forças políticas que se organizaram e cresceram no combate à ditadura militar, inclusive porque ela sucateou o aparelho sanitário e promoveu a insalubridade, contribuindo com a insatisfação popular e ampliando a oposição.

    Daí, a necessidade de um diagnóstico sumário dos problemas, da ereção de princípios norteadores da ação e da implementação de propostas que convirjam para o resgate desta fração da “dívida social”, contraída para o povo brasileiro.

    DIAGNÓSTICO SUMÁRIO

    A ampliação e o aperfeiçoamento dos serviços de promoção da saúde e de prevenção das condições patológicas e a melhoria das condições de saúde, bem como, as de educação, cultura, moradia e transporte, têm sido a tônica das promessas de todos os políticos, em períodos pré-eleitorais. A despeito disto, as condições sanitárias da população estão cada vez piores e o sistema de assistência está arruinado e desacreditado.

    2.1. Fatores que determinaram a involução das condições de saúde do povo brasileiro:

    2.1.1. política econômica voltada para o privilegiamento do capital, em detrimento do trabalho, acentuando-se o processo de exploração, tanto no interior da sociedade brasileira, quanto na ampliação do processo de exploração do país, por grupos financeiros estrangeiros;

    2.1.2. deterioração das condições de trabalho, moradia, transporte, alimentação e lazer;

    2.1.3. perda do poder aquisitivo da população assalariada, determinando a piora da nutrição e das condições de higiene;

    2.1.4. notória impunidade de atos desonestos e de violência, tornados modelos de comportamento público;

    2.1.5. decrescimento progressivo dos recursos financeiros destinados aos programas de bem-estar social;

    2.1.6. desleixo, pela administração pública direta, em favor das empresas públicas, nas quais o sistema de controle favorece desvios e má utilização de recursos.

    2.1.7. degradação do sistema de instrução, notadamente, daquele destinado a preparar recursos humanos para a saúde.

    2.2. Fatores que condicionam a baixa qualidade dos serviços de promoção de saúde e de prevenção da ocorrência, evolução ou da invalidez.

    Os fatores que se reúnem para condicionar a baixa qualidade e o conseqüente descrédito dos serviços sanitários são de naturezas variadas e se apresentam, com diferentes intensidades, em cada caso. O trabalho de esquematizá-los e sistematizá-los, se, de um lado, resulta artificioso, tendente à supersimplificação e à mecanização, doutro, permite uma visão global do problema enfocado, que é o que se pretende aqui. Tais fatores podem ser ordenados em dois grupos: os ideológicos e os político-administrativos. 2.2.1. Fatores ideológicos:

    a) O conceito de saúde

    A primeira controvérsia ideológica, acerca do conceito de saúde, versa sobre se a saúde é algo natural ou sobrenatural. As concepções de mundo, animistas e religiosas têm como denominador comum a crença de que a saúde de alguém é algo que depende, exclusivamente, de fenômenos que se processam fora e além da natureza, dos espíritos ou da divindade. Foi pelo século IV, antes de nossa era, que o aparecimento do conceito de physis fundamentou e se fez essência de toda medicina, a partir de então, dando origem ao conceito de saúde como algo natural, resultado da interação dinâmica de fenômenos físicos, químicos, biológicos, psicológicos e sociais. A conceituação científica de saúde, como de resto a concepção científica de qualquer outra dimensão da natureza, é um dado fundamental da educação geral e da educação para a saúde, em particular.

    A segunda controvérsia importante sobre a conceituação de saúde é posta na contradição entre a compreensão da saúde, como um bem individual ou um bem coletivo. O entendimento da saúde, como um atributo que interessava, somente, ao indivíduo que a gozava ou a perdia, foi fruto da crença em seu caráter mágico-sobrenatural. O conhecimento dos mecanismos de contágio e o avanço no entendimento sobre as doenças transmissíveis e sobre a dinâmica social puseram, em xeque, esta crença. A medicina islâmica medieval, com sua concepção orgânica e biologizada de sociedade, já defendia que a saúde (ou doença) de um, interessa a todos; o que foi reforçado pelo conhecimento de que se alguém é hipodesenvolvido, inválido ou enfermo, produz menos ou nada e consome mais ou tem mais necessidade, contribuindo para diminuir a produção de bens e serviços e aumentar o consumo.

    A terceira controvérsia se refere à divergência de opiniões se a saúde é ou não, direito inerente à cidadania, mas, como esta divergência apresenta um conteúdo que se mescla e depende da conceituação de estado, será posta adiante.

    Quarta divergência, e a mais importante, no que se refere ao conceito de saúde, é aquela que antepõe duas opiniões acerca da própria essência do fenômeno saúde: a) uma negativa (porque fundamentada em uma negação), tradicional e influenciada pela visão dualista, sobre naturalista e individualista e que define saúde como ausência de sofrimento, enfermidade ou invalidez; b) outra, fundada na concepção natural, relaciona a sanidade com o estado de relativa satisfação das necessidades elementares e com a aptidão a se ajustar a novas circunstâncias de existência. Daí que, ao menos em teoria, hoje, quase todos definem saúde como bem-estar físico, mental e social, vincando a natureza tridimensional do homem integral, unidade inseparável de suas dimensões biológicas, psicológicas e sociais. Tal conceituação pode ser criticada por seu caráter impreciso e tendente ao utópico. Impreciso, por que se inicia no conceito de bem-estar como estado de satisfação das necessidades e, ainda, que se possa elencar um conjunto de necessidades como elementares (trabalho, moradia, transporte, vestuário, saúde, educação, lazer, cultura, justiça, etc.), a consciência de tais necessidades se dá de forma relativa, gerando aspirações e expectativas decorrentes do conhecimento, das experiências anteriores e da comparação com outras pessoas ou grupos. Utópico, porque o ser humano tem necessidades, extremamente, plásticas e enorme potencial para criar outras necessidades, a partir da satisfação daquelas que o motivaram, anteriormente; o homem é um animal insatisfeito, o que, provavelmente, é um dos mais importantes fatores que condicionam seu enorme potencial evolutivo e sua capacidade de transformar as condições de vida e a natureza. E, modificando-as, gerar as premissas para sua própria transformação.

    Conferência realizada em janeiro de 1987, para profissionais da área de Saúde Pública, em Recife-PE.

    Luiz Salvador de Miranda Sá Júnior
    Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria

    http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-311X1987000300010&script=sci_arttext

  • Lobo Jr.
    17 de maio de 2009 | Permalink | Responder

    Implicações médico-sociais das diferentes opiniões acerca da saúde

    A saúde e o poder estatal

    Ao longo dos vinte anos da ditadura, a federação brasileira foi ficando um mito cada vez maior. De fato, o estado brasileiro vem funcionando como estado unitário, embora se mantivessem intactos os mecanismos formais de autonomia das unidades federadas. Fazia-se de conta que era uma federação, assim como se fazia de conta que o país era uma democracia. Por força da legislação centralizadora, do controle do aparelho repressor e, principalmente, pela centralização dos tributos e da arrecadação previdenciária, a união era, realmente, quase o único poder. Durante esse período o Ministério da Saúde e o da doença, o Ministério da Previdência Social, controlaram quase todos os instrumentos e recursos para a saúde, ainda que estes pertencessem e fossem administrados pelos estados, municípios ou particulares. Na prática, os governos municipais vêm funcionando como se fossem sucursais do poder estadual e, este, como filial do poder federal. Esta situação, somente, poderá ser revertida a partir da Reforma Tributária e da clara definição das atribuições da união, dos estados e municípios, com relação ao setor saúde. As propostas de unificação do sistema de saúde, seja por delegação ou transferência de atribuições para os estados e municípios, serão meras manobras demagógicas, exercício de voluntarismo ou sobrecarga indevida de responsabilidade para as unidades estaduais e municipais, enquanto, à união, se atribuir uma cota, desmedidamente, grande da carga tributária e a totalidade da arrecadação previdenciária. É, absolutamente, fundamental que se defina, com a maior precisão possível, a área de competência a responsabilidade de cada instância do poder estatal no que diz respeito às ações de saúde e que a esta competência corresponda fração proporcional dos recursos arrecadados.

    Outro fato que não pode ser desprezado é que muitas das propostas de reforma da organização sanitária, no Brasil, são cópias da organização sanitária de estados socialistas, quase todos eles estados unitários, sendo muito difícil a transposição, não fora por outras razões mais significativas, pela diferença da estruturação do poder estatal.

    Outra implicação médico-social importante deste tema diz respeito à atividade dos funcionários públicos. Tradicionalmente, os governos se pretendem credores da lealdade dos funcionários. E não o são. O credor principal da lealdade dos funcionários, mesmo daqueles que exercem cargos de confiança dos governantes, é o povo. O serviço público deve existir para servir ao povo e atender aos seus interesses. A atitude de compromissos para com a população usuária é algo que faz muita falta no serviço de saúde e deve ser objeto de incansável combate ideológico, por parte dos militantes de partidos populares. Os comportamentos funcionais incompetentes, omissos ou desonestos, às vezes, são baseados na afirmação de quanto pior, melhor ou na inutilidade de tentar melhorar o serviço público. Mas estas são vãs justificativas para encobrir comportamentos anti-sociais e egoístas. Um político democrata e popular, qualquer que seja o seu grau de responsabilidade no governo do seu partido, ou naquele aliado, no qual ele participe, pois se deve presumir que não será funcionário de confiança de adversários, tem o dever de ensinar com seu exemplo e fixar a imagem de probidade e eficiência, a serviço do interesse da população, mesmo que, no momento, pareça prejudicar, eleitoralmente, ao seu governo; após, será vantajoso.

    a) vide post anterior
    b) link indicado ao rodapé

    c) Relação entre as práticas curativas e preventivas

    A dissociação conceitual de prevenção e assistência, saúde e doença, higiene e medicina, procedimentos preventivos e curativos e outras que tais traduzem um descaminho ideológico de cunho dualista ou mecanicista. A dicotomização das práticas sanitárias preventivas e curativas, realizadas até hoje, foi um dos fatores mais importantes pela inoperância e ineficiência de nosso sistema sanitário. O conceito moderno de prevenção abrange as práticas de prevenção primária (promoção do bem-estar e profilaxia da ocorrência de enfermidades), secundária (prevenção da evolução, diagnóstico precoce e pronto tratamento adequado) e terciária (prevenção da invalidez, readaptação, reabilitação) que devem ser implantadas de forma integrada.

    Esta questão que parece encerrar uma discussão estéril e acadêmica, na verdade, tem tido reflexos práticos de grande abrangência: na organização dos serviços, faz com que se criem dois organismos que mais se perturbarão, além de determinar desperdícios e recursos; no atendimento individual, conduz ao tratamento sintomático e à subestimação ou inexistência de procedimentos educativos; conduz à superestimação de consulta, da cirurgia e dos demais procedimentos assistenciais, resultando na desvalorização de procedimentos educativos, de vigilância sanitária e de vigilância epidemiológica. Proclamar a supremacia ou prioridade da profilaxia ou da terapêutica, leva ao atraso institucional da saúde.

    d) As categorias sociais

    A população brasileira pode ser dividida, grosso modo, em três conjuntos mais ou menos bem definidos: o primeiro, constituído por aqueles que têm melhor renda, a classe dominante os proprietários de grandes áreas, grandes e médios empresários e comerciantes, prestadores de serviço de renda significativa, os executivos e outras pessoas bem-assalariadas constitui uma fração que vai de 4 a 8% da população que pode arcar, integralmente, com as despesas com os serviços sanitários; o segundo, abrangendo de 30 a 65% da população, conforme a região considerada, composto pela parcela de assalariados mais ou menos organizada, desfruta dos serviços da previdência social, e o terceiro, composto pelos desempregados, pelos subempregados, pelo grande contingente de despossuídos, marginalizados das cidades médias, grandes e das metrópoles e grande fração da população rural, é servida pela assistência pública. A primeira camada dispõe dos melhores cuidados e serviços de saúde, das instalações mais confortáveis, da tecnologia mais sofisticada, de profissionais, extremamente, bem qualificados e dos serviços mais eficientes; a segunda é atendida pelos serviços próprios da previdência social, por profissionais e serviços contratados ou credenciados, remunerados por tarefa ou produção; a terceira é atendida pelos serviços municipais e estaduais. O que é interessante destacar, como fenômeno ideológico, é que cada um destes três tipos de serviços tem uma organização e uma dinâmica, inteiramente, diferente das demais. Um mesmo profissional, não importa se médico, dentista, porteiro, atendente, que milite em dois ou três deles, exercerá sua função profissional de forma, inteiramente, distinta em cada um. Porque se uma pessoa é pobre, remediada ou rica, isto, por si só, fará com que os demais a tratem diversamente; e se um profissional é funcionário do governo, prestador autônomo de serviço ou empregado de uma empresa, terá, necessariamente, um desempenho diverso, na dependência desta circunstância, além da situação social do cliente.

    Aqui se situa uma das encruzilhadas mais importantes das que separam e permitem identificar os quadros políticos mais conscientes, dentre os profissionais de saúde. E é aqui, um dos pontos mais importantes do processo educativo dos profissionais de saúde que deve ser objeto da melhor atenção do sistema de recursos humanos de uma secretaria de saúde de um governo democrático e popular.

    e) Os serviços ativos e passivos

    Diz-se que um serviço de saúde tem funcionamento passivo, qualquer que seja o seu grau de resolutividade e qualquer que seja o volume dos serviços que presta, quando, somente, atende àqueles que o procuram. Uma agência sanitária é chamada de ativa, quando ela se dirige para sua população-alvo, buscando identificar as pessoas em risco, contribuindo para o desenvolvimento da educação, promovendo a vigilância sanitária na área sob sua responsabilidade, integrando-se com as demais agências de bem-estar, visando à promoção da saúde e à profilaxia das enfermidades; enfim, quando seus procedimentos não ficam na dependência da iniciativa da clientela.

    f) A delimitação da responsabilidade

    A indefinição de responsabilidade e a desorganização dos serviços de saúde são, simultaneamente, reflexo de sua desimportância aos olhos do poder e ganho secundário com o qual esse poder pretende gratificar os profissionais, corrompendo-os para que se acumpliciem no jogo de fazer de conta, de que exercem ações de saúde. E tem conseguido este objetivo. Os profissionais de saúde se acumpliciam na medida em que tiram proveito da desorganização e da indefinição de responsabilidade, recusamos instrumentos de controle de qualidade dos serviços prestados e se colocam acima das exigências e necessidades da clientela. É preciso desfazer esta situação já cronificada, não só pela valorização do trabalho, mas pela simultânea definição, em cada serviço, da clientela sob sua responsabilidade e pela reorganização do setor, de modo a capacitá-lo a produzir aquilo que é seu objetivo, serviços de saúde de boa qualidade.

    A definição precisa da responsabilidade de cada categoria funcional e de cada serviço, somada à adoção de instrumentos de controle de qualidade do trabalho produzido, são medidas cujo significado deve ser discutido em cada instância do sistema com os funcionários, representantes da sociedade e de usuários.

    g) A questão da democracia

    O primeiro e mais importante momento da interação dos conceitos de saúde e democracia, a chamada DEMOCRATIZAÇÃO DA SAÚDE, consiste em se assegurar a todos o direto de acesso a serviços de saúde de boa qualidade, dever indeclinável do poder estatal, como contrapartida necessária do direito que tem cada cidadão de desfrutá-lo. O exercício do governo popular e democrático obriga a utilização de todos ps meios ao alcance para o cumprimento deste objetivo. É preciso que cada cidadão seja atendido com prontidão, presteza, cortesia e eficiência, quando tenha ameaçada ou comprometida sua saúde. Este é o primeiro e mais importante dos objetivos governamentais, no setor, e tudo mais deve se subordinar a ele.

    Em segundo lugar, deve-se considerar a questão da democratização de cada agência, em particular. Aqui, é preciso considerar, preliminarmente, a existência e influência do individualismo anarcóide ou anarquista, detestável praga política cultivada pela ditadura e fomentada pelo empobrecimento e perda da importância social das camadas médias e das chamadas profissões liberais. O assembleísmo e o corporativismo são as expressões mais difundidas desta distorção ideológica. Outra, é a supervalorização das questões e problemas locais, com a conseqüente perda da perspectiva do processo político-administrativo global ou do sistema de saúde, enquanto totalidade. Acrescente-se a confusão que se faz entre os conceitos de autoridade e autoritarismo. Na ditadura, a autoridade governamental carecia de legitimidade, pois que, voltada para interesses que não eram os populares e originada de um golpe militar que pretendia se perenizar. Daí, seu caráter autoritário. Instalado o processo democrático, ao menos formal, a situação é outra. Portanto, é preciso iniciar o processo de discussão deste fenômeno e se iniciar a busca pela recuperação da respeitabilidade da autoridade pública.

    2.2.2. Fatores Político-administrativos

    Os fatores ideológicos resultam de fatos econômicos e ocasionam fatos políticos, mas existem alguns fatores que são, preponderantemente, políticos ou administrativos:

    a) investimentos públicos imediatistas, visando ao retorno imediato e lucratividade contabilizável;

    b) dissociação dos programas de bem-estar social, separação dos programas profiláticos dos assistenciais e dissociação de cada um destes, em atividades incomunicáveis;

    c) desvalorização do serviço público civil da administração direta;

    d) tal desvalorização foi muito mais sentida no setor de bem-estar social e, muito mais agudamente, na área da saúde, refletindo-se tanto no sucateamento dos serviços quanto no aviltamento salarial dos profissionais;

    e) adoção de uma política hospitalocêntrica e praticada através da compra de serviços que eram remunerados por uma moeda, especialmente, inventada, as “unidades de serviço”, o que se transformou em fator de incontrolável corrupção e mau atendimento;

    f) progressiva desvalorização das “unidades de serviço” fomentando e, até justificando, as práticas corrompidas e a má qualidade dos serviços prestados, tornados cada vez piores;

    g) pulverização dos recursos, divididos por incontáveis serviços;

    h) privilegiamento do poder federal no controle e na atribuição dos recursos tributários e previdenciários arrecadados;

    i) injustiça da arrecadação previdenciária, que é a grande fome de financiamento das ações de saúde, alcançando vinte por cento da massa dos salários, quando deveria incidir sobre o faturamento, o capital e o lucro;

    j) política tecnocratizada de recursos humanos, desvinculada das exigências dos serviços e das necessidades sociais, além da marginalizada em relação ao sistema formal de instrução;

    1) política de medicamentos voltada para privilegiar os grupos empresariais internacionais e reforçadora da dependência tecnológica;

    m) abandono dos programas de vigilância sanitária;

    n) subordinação do poder municipal ao estadual e deste, ao federal;

    o) excessiva centralização;

    p) desorganização;

    q) indefinição de responsabilidade;

    r) supervalorização dos procedimentos curativos, hospitalares e que empregam tecnologia dispendiosa e estrangeira;

    s) seleção e promoção de pessoal dirigidas para o atendimento de compromissos eleitorais e para o favorecimento de grupos;

    t) CORRUPÇÃO.

    —–
    Conferência realizada em janeiro de 1987, para profissionais da área de Saúde Pública, em Recife-PE.

    Luiz Salvador de Miranda Sá Júnior
    Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria

    http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-311X1987000300010&script=sci_arttext

  • Lobo Jr.
    17 de maio de 2009 | Permalink | Responder

    (Última Parte)

    PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA POLÍTICA SANITÁRIA

    Existe, hoje, uma concordância muito grande sobre alguns pontos fundamentais de uma política sanitária progressista e que tem valor de princípios norteadores da ação. Tais princípios são:

    A SAÚDE COMO PRÁTICA DEMOCRÁTICA

    As questões mais significativas com respeito a este tema, já foram enunciadas anteriormente. Mas implica em se assegurar, a todos, o direito a condições mínimas de salubridade e às melhores e mais competentes condições de assistência; ademais, implica na democratização dos serviços, pela participação em sua gestão de conselhos comunitários, com a participação dos servidores.

    O PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE

    Em primeiro lugar, na responsabilidade do poder estatal de garantir, a todos, as melhores condições possíveis de saúde e assistência. Na responsabilidade que têm os serviços de saúde, em particular, com a salubridade do meio e as condições de assistência a serviço da população, que lhe é atribuída.

    REGIONALIZAÇÃO E SETORIZAÇÃO

    Somente será possível se assegurar o exercício do princípio da responsabilidade, quando cada unidade sanitária ou outra agência de saúde tiver, perfeitamente, definida a população abrangida em sua jurisdição. A situação atual, quando todos os serviços são responsáveis por toda a população, resulta em que ninguém é responsável. É indispensável que cada município seja organizado em distritos sanitários e estes, em setores que alcancem dois a quatro mil habitantes mais ou menos, sendo que os distritos não devem abranger população maior que sessenta e setenta mil pessoas.

    PREVENÇÃO E ASSISTÊNCIA COMO CATEGORIAS INSEPARÁVEIS

    Impõe a unificação, em um sistema único, de todos os programas de prevenção e de assistência à saúde. Hoje, não é possível mais admitir que diversas agências municipais, numerosos serviços estaduais e vários ministérios (somente no nível oficial) executem programas de saúde, de forma desorganizada, e em desfavorecimento da população.

    PROGRAMAÇÃO ATIVA

    Os serviços de saúde devem funcionar regidos pela necessidade de manter atividades extramuro, voltadas para evitar as enfermidades e, quando não for possível, diagnosticar e tratar o mais rapidamente possível. Cada unidade sanitária deve manter, em ação compartilhada com a comunidade, programas de vigilância sanitária que ultrapassem a vigilância de alimentos, medicamentos, cosméticos e produtos domissaneantes e alcancem a proteção e recuperação do ambiente físico, das condições de moradia e de transporte, das condições de trabalho, de serviços urbanos e de segurança individual e coletiva.

    O PRINCÍPIO DA HIERARQUIZAÇÃO

    Presume uma organização de serviços, de crescente complexidade, em função de sua sofisticação e capacidade resolutiva, desde as unidades mais elementares do ponto de vista de dotação de pessoal e de recursos tecnológicos, as mais sofisticadas, que serão as referências distritais, municipais, regionais, estaduais ou federais. A unidade elementar de saúde, abrangendo uma localidade de moradia ou de trabalho, será a única instância a poder encaminhar o cliente ou o problema de saúde ao nível superior que tiver que ser mobilizado.

    PRINCÍPIO DA EQÜIDADE

    O objetivo geral é garantir a todos, em condições de igualdade de oportunidade, o melhor tratamento possível.

    As prioridades devem ser estabelecidas pela limitação dos recursos, mas deverão ser determinadas por exigências clínicas, epidemiológicas ou pela necessidade social.

    PRINCÍPIO DA DESCENTRALIZAÇÃO

    É fundamental que se promova, ao máximo, a descentralização administrativa, de modo que as agências regionais e as unidades sanitárias distritais sejam dotadas de capacidade para gerir recursos humanos, materiais e financeiros.

    No entanto, é preciso que haja uma supervisão permanente do nível central para as regionais e destas, para as unidades distritais e locais.

    A supervisão deve ser integrada, educativa e capaz de avaliar os serviços e encaminhar propostas de melhoria do desempenho e rendimento, em termos de quantidade, oportunidade e qualidade do serviço prestado.

    PRINCÍPIO DA INTEGRAÇÃO

    Todos os programas de saúde têm que funcionar integrados em uma mesma área de jurisdição e no mesmo nível de atuação.

    Em princípio, deve-se promover um esforço para integrar todas as atividades sanitárias do setor público e deste, com o privado.

    Para isto, é necessário fortalecer e prestigiar os os organismos de gestão ativa, Comissão Interinstitucional de Saúde (CIS) no âmbito estadual; Comissões Regionais Interinstitucionais de Saúde (CRIS), nas regiões de saúde e Comissões Interinstitucionais Municipais de Saúde ou Comissões Locais Interinstitucionais de Saúde (CIMS ou CLIS), nos municípios.

    A par disto, deve se ativar o Conselho Estadual de Saúde, como órgão consultivo e com algumas atribuições normativas, constituído com um máximo de representatividade das categorias profissionais de saúde, de prestadores de serviços, de usuários, partidos políticos e agências do serviço público que tenham atuação na área de saúde.

    PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE

    É necessário e desejável que todo programa ou atividade programada vise à continuidade. É preciso que o planejamento das ações se faça prevendo, ao máximo, a persistência temporal do projeto.

    Programas de emergência podem e devem ser estabelecidos, para atender a exigências imprevistas (CATÁSTROFES NATURAIS ou provocadas, por exemplo); previstas (MIGRAÇÕES do trabalho sazonal, festivais, exposições); ou por interesse da política sanitária (mutirões, atenção por unidades móveis). Estas últimas, no entanto, devem ser entendidas como ação de emergência e visarem, no futuro, o mais próximo possível, sua instalação como atividade permanente.

    Conferência realizada em janeiro de 1987, para profissionais da área de Saúde Pública, em Recife-PE.

    Luiz Salvador de Miranda Sá Júnior
    Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria

    http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-311X1987000300010&script=sci_arttext

  • Lobo Jr.
    22 de maio de 2009 | Permalink | Responder

    12/05/2009

    Gripe suína expõe outra tragédia!

    O jornalista Mauro Santayana, no Jornal do Brasil, e, no último domingo, o jornal Washington Post divulgaram suspeitas graves sobre o surto de gripe suína e que, por alguma razão, não eram citadas nas notícias da nossa mídia. As suspeitas referem-se às denúncias feitas há anos por comunidades mexicanas afetadas por unidades industriais que operam com lagoas de excremento e urina, de mais de um milhão de porcos, que contaminam os lençóis freáticos da região.

    Argemiro Ferreira
    ————————————————————————
    Quando da mudança do nome da gripe suína para Gripe-A, há uma semana, o jornalista Mauro Santayana, em sua coluna do Jornal do Brasil, divulgou dados relevantes e suspeitas graves que, por alguma razão, não eram citados nas notícias de nossa mídia. No último domingo eles afinal chegaram também à primeira página do jornal Washington Post, destacados em três colunas.

    Enviada da cidade de La Gloria, no México, onde fica gigantesca fazenda de criação de porcos, a reportagem de Steve Fainaru, da editoria internacional do Post, referiu-se às denúncias feitas há anos por comunidades afetadas por unidades industriais como aquela, sobre os efeitos das lagoas de excremento e urina, de mais de um milhão de porcos, que contaminam os lençóis freáticos da região.

    No segundo parágrafo da reportagem o jornal ressalvou que “as autoridades de saúde não encontraram conexão entre as granjas de criação de porcos e a gripe suína”. E as autoridades da Organização Mundial da Saúde fizeram mais do que isso, como Santayana registrara. Aparentemente sob pressão das multinacionais de porcos, inventaram o nome novo – e neutro – para distanciar os porcos da doença.

    Desde o primeiro momento o artifício lembra o complô da indústria de cigarro, durante mais de meio século, para negar a conexão entre seu produto e o câncer. A indústria negava haver “prova conclusiva”. É o se faz agora, segundo o Post. Atribuiu-se ao prefeito de Perote, sede do condado onde fica La Gloria, esta afirmação: “Para desfazer o mito, ou mesmo para reconhecê-lo como realidade, precisamos de mais estudos”.

    Como o NAFTA abriu o caminho

    Segundo o prefeito Guillermo Franco Vázquez, na jurisdição do condado há 22 comunidades afetadas por tais fazendas. La Gloria é uma delas, no estado de Veracruz, sudeste do país. “Desde o final de março, quando misteriosa doença respiratória infectou 616 residentes, tornou-se o centro da crise da gripe suína”. O primeiro caso do novo vírus, tinha relatado Santayana, foi Edgar Hernández, de 4 anos.

    Como boa parte dos dados da reportagem do jornal dos EUA já estava a 6 de maio na coluna do jornalista brasileiro, é estranho ter ficado fora dos jornais. Em especial o que já se sabe sobre a companhia Granjas Carroll de Mexico, dona das fazendas de porcos – e subsidiária da corporação transnacional Smithfield Foods, sediada no estado da Virgínia e cujos dirigentes negaram-se a falar ao Post.

    Santayana citou declaração do deputado mexicano Atanasio Durán, segundo a qual as Granjas Carroll foram expulsas de dois estados americanos, Virginia e Carolina do Norte, devido aos danos ambientais que causavam. A salvação para elas foi o NAFTA, Acordo de Livre Comércio da América do Norte. Graças ao tratado, as Carroll foram transferidas em 1994 para o país vizinho, com apoio do governo mexicano.

    O NAFTA permitiu à corporação transnacional dos EUA ficar fora do controle das autoridades do México – detalhe que encorajou a transferência. O jornalista destacou: “É o drama dos países dominados pelo neoliberalismo: sempre aceitam a padridão que mata”. Mesmo assim, a reportagem do Post destaca: as relações agora entre a Smithfield e os residentes das comunidades próximas tornaram-se insustentáveis.

    Os protestos da população afetada repetem-se desde 2007. Manifestações às vezes até bloqueiam uma rodovia federal na região. E a resposta da Smithfield/Carroll consistiu em mobilizar a própria polícia local contra os manifestantes, alguns dos quais são alvos de processos criminais instigados pela transnacional. Um pequeno fazendeiro de 66 anos contou ao Post ter sido obrigado a vender sua plantação de milho para pagar sua defesa.

    Prisão para punir as vítimas

    Bertha Crisostomo, autoridade municipal de La Gloria citada no Post e na coluna de Santayana, foi acusada pela Smithfield. Atualmente está em liberdade sob fiança. Em fevereiro ela denunciara a contaminação do subsolo pelos tanques de urina e excrementos da Carroll. Hoje ela acha que a companhia escolhe certos alvos deliberadamente – parte de um processo de intimidação para silenciar os descontentes.

    Assim, a gravidade da gripe suína – ou Gripe-A, Influenza-A, ou que nome tenha – está servindo para amplificar um problema que já era sério para os residentes da área e continua a crescer devido à expansão da atividade da transnacional, ameaçando ainda mais a saúde e o meio ambiente. Apesar de favorável a investimentos na região, Crisostomo acha que não se pode negociar com a saúde das pessoas.

    A julgar pelo que relatou o Post, a posição das autoridades mexicanas parece ambígua. Originalmente a Smithfield chegou como uma joint venture com a mexicana Agroindustrias Unidas, trazendo o método da “integração vertical” – que amontoa milhares de porcos em estábulos idênticos cobertos por telhados de metal. Ali os porcos comem, crescem, urinam e defecam – até serem mortos.
    Excrementos e urina são captados e seguem em condutos para depósitos-tanques a céu aberto do tamanho de dois campos de futebol – chamados pela companhia de “lagoas”.

    Alega-se que são à prova de vazamento, mas os residentes contestam. Instalações agroindustriais desse tipo, em larga escala, são riscos graves para a saúde da população porque podem contaminar os lençóis freáticos e transmitir vírus, inclusive novos.

    Uma batalha sempre desigual

    Pessoas da região queixam-se há anos de doenças de pele, garganta inflamada e outros efeitos. As “lagoas” são abertas e sem cercas, de cor avermelhada, opaca. O mau cheiro faz as pessoas se sentirem tão mal que mal conseguem comer. As 16 fazendas da Smithfield na área produzem, segundo a própria companhia, um milhão e 200 mil porcos por ano.

    Fazendas podem surgir da noite para o dia, a poucas centenas de metros de casas habitadas por famílias da área. Como contou ao Post o fazendeiro Fausto Limón, que planta soja e milho. “Nunca pensamos que iriam criar uma aqui perto, mas vieram. Então começamos a vomitar, ter dores de cabeça, olhos lacrimejantes. Tivemos de sair à procura de outro lugar, longe daquele mau cheiro”.

    Outro efeito é a praga dos cachorros que se alimentam de restos de porcos mortos descartados nas proximidades das instalações. Além disso, sempre há pedaços espalhados. Quando Limon soube que se planejava a instalação de outra fazenda perto de sua casa, não teve dúvida: uniu-se a outros residentes e organizou mais um grupo ativista Pueblos Unidos, atuantes na região.

    É principalmente contra os Pueblos Unidos – cuja ação parece semelhante à dos Sem Terra do Brasil – que a Smithfield/Carroll atua, mobilizando como pode a polícia e a Justiça, graças a seus largos recursos e um exército de advogados. Estes, com a certeza de que são imbatíveis, movimentam-se com desembaraço também junto às autoridades nos vários níveis – local, estadual e federal.

    fonte:
    Carta Maior

    http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15984

    Boca no Trombone

    http://muitasbocasnotrombone.blogspot.com/2009/05/gripe-suina-expoe-outra-tragedia.html

    http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/05/12/por-tras-da-febre-suina/

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