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	<title>Joildo Santos &#187; Entrevista</title>
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	<description>Sobre os ombros de gigantes</description>
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  <title>Joildo Santos</title>
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		<title>Lula: “Se não estiver previsto a construção de um hospital [em Paraisópolis] agora vai estar”</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Feb 2011 00:03:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[gilson rodrigues]]></category>
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		<description><![CDATA[No final do ano passado, no dia 23 de dezembro, ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No final do ano passado, no dia 23 de dezembro, o então Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista exclusiva para a rádio Nova Paraisópolis FM, representada pelo presidente da União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis, Gilson Rodrigues.</p>
<p>Lula falou sobre a principal reivindicação da comunidade, a construção do Hospital Geral de Paraisópolis.</p>
<p>Leia a entrevista do presidente, que falou também sobre alfabetização e o desenvolvimento de Paraisópolis.</p>
<p><strong>Nova Paraisópolis FM</strong>: Presidente Lula, o programa de urbanização de Paraisópolis é o maior programa de urbanização da América Latina. Dentro do projeto, apesar de estar previsto e em fase de finalização uma AMA e uma UBS, a nossa necessidade é de um hospital geral em Paraisópolis. Somos em 100 mil habitantes, e soma do com Vila Andrade chega a 300 mil habitantes. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a cada mil pessoas se deve ter um leito hospitalar. Dentro do programa de urbanização, dentro do PAC, está previsto a construção de um hospital em Paraisópolis?</p>
<p><strong>Presidente Lula:</strong> Gilson, se não estiver previsto a construção de um hospital agora vai estar. Porque eu vou conversar com a companheira Belchior, que é a Ministra do Planejamento da Dilma e que vai coordenar o PAC, para que ela inclua na discussão com o Ministro da Saúde a construção de um hospital em Paraisópolis.</p>
<p>Porque precisa, não basta apenas um posto de atendimento médico, ou seja, que faça logo um hospital para que o povo tenha segurança.</p>
<p>Pode ficar certo que eu serei portador da reivindicação do povo de Paraisópolis para o Ministro da Saúde, que vai ser o companheiro Padilha, e para a ministra Miriam Belchior que é a companheira que vai coordenar o PAC.</p>
<p><strong>Nova Paraisópolis FM:</strong> Inclusive essa semana a Rádio Nova Paraisópolis entrevistou a futura ministra Miriam Belchior e foi também solicitado que a construção de um hospital seja incluso dentro do programa de urbanização de Paraisópolis. Será uma grande conquista para o ano de 2011.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>DESENVOLVIMENTO</strong></p>
<p><strong>Nova Paraisópolis FM</strong>: O Banco do Brasil acabou de inaugurar a primeira agência dentro de uma favela, lá em Paraisópolis, ainda neste mês. Como o senhor entende que o Banco do Brasil pode contribuir com o desenvolvimento da comunidade?</p>
<p><strong>Presidente Lula:</strong> Olha, só o fato, Gilson, do Banco do Brasil ter aberto uma agência lá dentro demonstra que está mostrando ao povo de Paraisópolis que o bairro é pacífico, de pessoas trabalhadoras e que, portanto, o Banco do Brasil espera que as pessoas depositem seu dinheiro no lá. E a segunda coisa que eu acho importante é porque, o banco estando lá, vai facilitar muito a vida das pessoas que querem pagar conta de luz, conta de água, que querem receber aposentadoria, pagar ou receber alguma coisa, é um sinal de progresso. Eu espero que a Caixa Econômica também implante uma agência lá e para que vocês tenham, dentro de Paraisópolis, tudo que as pessoas têm em qualquer lugar civilizado do mundo.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>ANALFABETISMO</strong></p>
<p><strong>Nova Paraisópolis FM:</strong> Aqui em Paraisópolis nós temos uma grande demanda que são 12 mil pessoas analfabetas ou semi-analfabetas adultas, pessoas que vieram do nordeste, tiveram que trabalhar, consruir São Paulo, e não puderam esudar. De que forma o senhor avalia que governo e comunidade possam se unir para poder erradicar o analfabetismo nas comunidades?</p>
<p><strong>Presidente Lula:</strong> Eu tenho conversado com o Ministro da Educação. Há duas semanas eu fui a Salvador porque nós estávamos comemorando 1 milhão de pessoas alfabetizadas pelo programa Brasil Alfabetizado, do Ministério da Educação. Acho, Gilson, que o Fernando Haddad vai dedicar essa sua gestão ao ensino fundamental e a questão da alfabetização. Primeiro é preciso pactuar com os prefeitos para que eles assumam a responsabilidade da alfabetização e, ao mesmo tempo, pegar uma comunidade como Paraisópolis, que tem 12 mil analfabetos e assumir o compromisso de alfabetizar essas pessoas, ou seja, não é possível que, encostado no Morumbi, a gente tenha 12 mil pessoas analfabetas morando lá. Essa é uma coisa que inclusive, você Gilson, poderia chamar o Fernando Haddad para uma entrevista no começo do ano que vem para que ele assuma o compromisso de criar com vocês as condições de alfabetizar todos os adultos em Paraisópolis.</p>
<p><strong>Nova Paraisópolis FM:</strong> Essa é uma grande bandeira levantada pela comunidade. Paraisópolis propõe ser a primeira comunidade a erradicar o analfabetismo e estamos com muita força e muita garra com o programa Escola do Povo para conquistar esse objetivo. Aproveito para agradecer a doação, o presente que nos foi dado (terno da posse presidencial de 2002), que foi realizado o leilão no dia 16 de agosto, no Buddha Bar, promovido pela Dona Marisa e o Wanderley Nunes, e vai dar início a esse programa de erradicação do analfabetismo.</p>
<p><strong>Nova Paraisópolis FM:</strong> Presidente mais uma coisa, estamos fazendo a campanha de alfabetização na comunidade e a gente queria que o senhor pedisse para as pessoas que são analfabetas, que pudessem se inscrever no Programa de Alfabetização.</p>
<p><strong>Presidente Lula:</strong> Eu queria pedir a todos os adultos da Nova Paraisópolis, das pessoas analfabetas, que não tiveram a oportunidade de aprender a ler e escrever, ou as que aprenderam um<br />
pouquinho e que já esqueceram, que procure a Associação de Moradores de Paraisópolis para que vocês se inscrevam e se alfabetizem, ou seja, vocês podem estudar a noite, vai ter outros horários de estudo que o Gilson vai oferecer a vocês, mas o que é importante é que vocês assumam o compromisso de se alfabetizarem porque será bom para vocês, será bom para Parai sópolis, será bom para o Brasil.</p>
<p><strong>Nova Paraisópolis FM:</strong> Obrigado Presidente, foi um prazer poder entrevistá-lo, desejamos muita sorte e muita paz na nova jornada que você vem a enfrentar e espero contar com o senhor na continuidade de transformar a comunidade de Paraisópolis, a favela de Paraisópolis, num verdadeiro bairro.</p>
<p><strong>Presidente Lula:</strong> Obrigado a você Gilson e pode ficar certo que lá para março/abril do ano que vem, eu vou lá fazer uma visita a vocês de Paraisópolis e fazer uma grande entrevista ao vivo.</p>
<div id="attachment_3311" class="wp-caption alignnone" style="width: 896px"><a href="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2011/02/4STU8174.jpg"><img class="size-full wp-image-3311" title="4STU8174" src="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2011/02/4STU8174.jpg" alt="" width="886" height="591" /></a><p class="wp-caption-text">Gilson Rodrigues e o Presidente Lula</p></div>
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		<title>Dilma à Folha: &#8220;[...]esse seu jornal não pode chamar a ditadura de ditabranda, viu? Não pode, não.[...]&#8220;</title>
		<link>http://www.joildo.net/entrevista/dilma-entrevista-folha-05-04-2009/</link>
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		<pubDate>Sun, 05 Apr 2009 14:03:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[doi-codi]]></category>

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		<description><![CDATA[ A Ministra-chefe da Casa Civil Dilma Roussef em entrevista ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2009/04/dilma_roussef.jpg"><img class="size-full wp-image-1928 alignleft" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="dilma_roussef" src="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2009/04/dilma_roussef.jpg" alt="dilma_roussef" width="163" height="230" /></a> A Ministra-chefe da Casa Civil Dilma Roussef em entrevista à Folha de São Paulo neste domingo, fala sobre a luta armada, crimes atribuídos à ela e um suposto plano de sequestrar Delfim Netto &#8211; na época, Ministro da Fazenda &#8211; ela também comenta o uso do termo ditabranda pela Folha e demonstra a indignação que todos sentimos pelo desrespeito que a Folha trata o período mais violento da história recente do nosso país.</p>
<p>Muita boa entrevista com a ministra.</p>
<p><a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0504200908.htm">Folha de São Paulo 05/04/2009</a></p>
<blockquote><p><strong>Dilma diz não ter a mesma cabeça da época em que era guerrilheira, mas se orgulha de não ter mudado de lado, e sim de métodos</strong></p>
<p><strong>FERNANDA ODILLA</strong><br />
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA</p>
<p>UMA DAS três sentenças de prisão de Dilma  Rousseff, de 1971, a descreve como a inimiga que &#8220;jamais esmoreceu&#8221; desde que  ingressou na luta armada contra o regime  instalado pelo golpe de 31 de março de 1964 e dissolvido 21 anos depois. Leia a entrevista da ministra sobre  a vida na clandestinidade durante a ditadura.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; A sra. se lembra dos planos  para sequestrar Delfim e montar fábrica de explosivos?<br />
DILMA ROUSSEFF </strong></em>- Ah, pelo amor  de Deus. Nenhuma das duas eu  lembro. Nunca ninguém do  Exército, da Marinha e da Aeronáutica me perguntou isso.  Não sabia disso. Acho que não  era o que a gente [queria], não  era essa a posição da VAR.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; A sra. logo percebeu que a  clandestinidade seria o caminho natural?<br />
DILMA </strong></em>- Percebi. Todo mundo  achava que podia haver no Brasil algo muito terrível. O receio  de que um dia eles amanheceriam e começariam a matar era  muito forte. Sou bem velha, comecei em 1964. Com o passar  do tempo, o Brasil foi se fechando, as coisas foram ficando cada  vez mais qualificadas como  subversivas. Era subversivo até  uma música, uma peça de teatro, qualquer manifestação de  rua. Discutir reforma universitária era subversivíssimo. Coisas absolutamente triviais hoje  eram muito subversivas.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Foi escolha da sra. o trabalho no setor de mobilização urbana?<br />
DILMA </strong></em>- Qual era a outra alternativa?</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Havia a expropriação.<br />
DILMA </strong></em>- Disso eu nunca quis  ser. Nós não achávamos isso  grande coisa. A partir de um determinado momento houve  uma visão crítica disso, do que a  gente chamava militarismo. É  muito difícil falar isso porque  as pessoas ficam achando que a  gente está limpando a barra.  Não me interessa ficar falando  nisso, é da época e deu. Eu sei  que havia uma tensão eterna.  Nunca concordávamos uns  com os outros porque pensávamos diferente. Bota todo mundo junto, você imagina. Não  posso dizer o que aconteceu  dentro da direção.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; No Rio, a sra. acompanhou  a fusão e acompanhou o racha [da  VAR] em Teresópolis.<br />
DILMA </strong></em>- Na minha cabeça, eu só  lembro que a gente conversava  e discutia muito, debatia. Tinha  uma infraestrutura complexa  porque a gente não saía de lá,  não podia aparecer. Bom não  era. Mas, naquela época, você  achava que estava fazendo tudo  pelo bem da humanidade. Nunca se esqueça que a gente achava que estava salvando o mundo de um jeito que só acha aos  19, 20 anos. Sem nenhum ceticismo, com uma grande generosidade. Tudo fica mais fácil.  Tudo fica mais justificado, todas as dificuldades. Você não  ter roupa não tem problema. Às  vezes, andava com uma calça  xadrez e uma blusa xadrez.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; A sra. faz algum mea-culpa pela opção pela guerrilha?<br />
DILMA </strong></em>- Não. Por quê? Isso não é ato de confissão, não é religioso. Eu mudei. Não tenho a mesma cabeça que tinha. Seria estranho que tivesse a mesma cabeça. Seria até caso patológico. As pessoas mudam na vida, todos nós. Não mudei de lado não, isso é um orgulho. Mudei de métodos, de visão. Inclusive, por causa daquilo, eu entendi muito mais coisas.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Como o quê?<br />
DILMA </strong></em>- O valor da democracia,  por exemplo. Por causa daquilo, eu entendi os processos absolutamente perversos. A tortura é um ato perverso. Tem  um componente da tortura que  é o que fizeram com aqueles  meninos, os arrependidos, que  iam para a televisão. Além da  tortura, você tira a honra da  pessoa. Acho que fizeram muito isso no Brasil. Por isso, minha filha, esse seu jornal não  pode chamar a ditadura de ditabranda, viu? Não pode, não.  Você não sabe o que é a quantidade de secreção que sai de um  ser humano quando ele apanha  e é torturado. Porque essa  quantidade de líquidos que nós  temos, o sangue, a urina e as fezes aparecem na sua forma  mais humana. Não dá para chamar isso de ditabranda, não.<span id="more-1927"></span></p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Quando a sra. foi presa, foram apreendidos documentos falsos, desenho da VAR e um bilhete de  amor com as iniciais TG. Era do Cláudio Galeno Linhares?<br />
DILMA </strong></em>- Não, era do Carlos  Araújo. Era apelido dele. Se você quiser me mandar, eu agradeço. Onde que está isso, hein?</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; No inquérito arquivado no  STM. O bilhete está assim: &#8220;Nêga  querida, infelizmente não poderei  estar aí [no Natal]. Verás na prática,  prometo-te&#8230;&#8221;  DILMA </strong></em>- Essa quantidade de te,  você acha que é de mineiro, pô?  Isso é de gaúcho. Tudo no te&#8230;  Não falei do Carlos no depoimento. Eles acreditavam que  era o Galeno. Carlos era da direção, eu não podia abrir a boca. Depois eles descobriram.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Como foi, durante os dias  de Oban, para conseguir proteger a  direção? Pelo que vi, alguns nomes  não foi possível proteger como Maria Joana Telles, Ruaro, Vicente&#8230;<br />
DILMA </strong></em>- Eles sabiam deles porque tinha caído outra pessoa  que era da direção. Foi por isso  que caí. Eu caí porque caiu outra pessoa.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Era com quem a sra. teria  um encontro. O José Olavo?<br />
DILMA </strong></em>- Essas coisas eu não  quero falar, minha filha. Não  quero dar responsabilidade para ninguém. Estou muito velha  para fazer isso.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; No depoimento da Justiça,  a sra. cita os quatro como tendo caído em consequência direta de sua  queda. A sra. dá os quatro nomes?<br />
DILMA </strong></em>- É. Caíram, ponto.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Eu conversei com o hoje  coronel, antigo capitão Maurício&#8230;  DILMA </strong></em>- Ele existe ainda? Ele já  não batia bem da bola. Ele continua sem bater?</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Eu perguntei se ele votaria  na sra. para presidente. Primeiro,  disse não. Depois, pediu para retificar dizendo que &#8220;depende com  quem vai concorrer&#8221;.<br />
DILMA</strong></em> &#8211; Minha querida, pelo  amor de Deus. A vida é um pouquinho mais complicada que isso. Mas respeito o que ele falou.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Ele participava das sessões  [de tortura]?<br />
</strong></em>DILMA &#8211; Ele era da equipe de  busca, nunca participou. Mérito dele. Pelo menos enquanto  estive na Oban. Não posso dizer  depois. Você tinha aquele negócio de dar ponto para parar de  apanhar, e ele levava as pessoas. Ele fez a busca em toda a  minha casa. Pegava minhas coisas e perguntava sobre elas.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; No depoimento à Justiça,  a sra. cita ele como responsável pelas sessões de torturas.<br />
DILMA </strong></em>- Que ele torturava pessoalmente, nunca vi. A mim  não foi. Que ele entrava na sala  e via tortura, tenho certeza.  Qualquer um entrava. Te torturavam com a porta aberta.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Li uma entrevista em que  a sra. diz que fez treinamento no exterior, mas não consegui encontrar  o período em que isso pode ter acontecido. Deu tempo de sair do Brasil  para treinar?<br />
DILMA </strong></em>- Acho engraçadíssimo  porque quando me perguntaram isso, eu neguei que tivesse  feito. É que nem aquela lista  que sai aí dizendo que eu fiz dez  assaltos armados. Nunca fiz  uma ação armada. Se tivesse  feito, eu estaria condenada por  isso. É a mesma coisa essa história do treinamento. Nunca fiz  nem treinamento no exterior  nem ação armada. É só perguntar para as pessoas.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Incomoda a sra. atribuírem essas ações a seu nome?<br />
DILMA </strong></em>- É chato. Não sou supermulher para dizer que não  me incomoda. Agora não perco  a cabeça por isso. Estão mentindo, têm segunda intenção.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Não teve treinamento no  exterior, mas o básico todo mundo  sabia como montar e desmontar  uma arma. Era questão de segurança do dia a dia?<br />
DILMA </strong></em>- Sempre fui muito dedicada, mas não achava isso  grande coisa. Nunca fiquei avaliando se devia fazer isso ou  aquilo. Não se colocava assim  para nós. Falavam assim: &#8220;Vai  ali e aprende a montar e desmontar a arma&#8221;. Você ia e  aprendia. &#8220;Vai ali e escreve um  documento.&#8221; Você também ia.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Como era o dia a dia da prisão? Algumas companheiras de cela  dizem que a sra. dava aula de macroeconomia, mas não gostava muito dos trabalhos manuais de tricô e  crochê&#8230;<br />
DILMA </strong></em>- Aprendi bem. Sei fazer  tricô e crochê. Você sabe que faço tapete? Mas não aprendi tapete lá, não. Fazia muito bem  crochê. Podem falar que eu não  fazia&#8230; (risos) No fim, gostava  de fazer crochê. A gente lia  muito, escutava muita música,  conversava muito, jogava vôlei.  [As aulas] estão fantasiando&#8230;</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; A sra. tinha consciência  que continuava na mira da polícia  mesmo depois da prisão?<br />
DILMA </strong></em>- Tinha. Não podia fazer  aniversário que ficavam pendurados nas árvores, olhando.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Quando tem o racha,  quem assume a VAR?<br />
DILMA </strong></em>- Não me lembro. Se o  Espinosa tá dizendo que eu estava&#8230; Não sei se fui, se não fui  [do comando]. É um período  muito pequeno até a queda. Fui  uma das primeiras a cair. Eu  lembro que eu fui em outubro  para São Paulo e nunca mais  voltei [ao Rio]. Fiquei lá junto  com todo mundo que dirigia a  VAR na época. Só me lembro do  José Olavo e de mais um. Tinha  mais. Tinha quatro.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Muita gente dizia que a  sra. era a responsável pelo dinheiro  da organização. A sra. era o caixa de  São Paulo, para manter militantes,  aparelhos?<br />
DILMA </strong></em>- Também não me lembro disso, não, que eu era do dinheiro. Se eu fosse do dinheiro,  eles tinham me matado a pau.  Tudo o que eles queriam era o  dinheiro. Não lembro isso, não.  Não me lembro de ter caído  com um tostão. Se eu tivesse dinheiro, ia ser um festival.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O delegado ficou bem impressionado com a sra. depois do interrogatório. A ponto de defini-la  como uma pessoa com dotação intelectual apreciável.<br />
DILMA </strong></em>- Interessante&#8230; Da onde  ele tirou isso, né? Nem me lembro dele. A gente não dava importância para o delegado do  Dops, só para a Oban. Deve ter  vindo da Oban. Tinha um juiz  auditor louco (risos). Ele fez  uma denúncia dizendo que eu  era a Joana d&#8217;Arc do terror. Era  ridículo. Ele era dado a essas&#8230;</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; É muito divertido o perfil  que o delegado traça.<br />
DILMA </strong></em>- Essa parte não era pública, essa parte do delegado.  Você conseguiu um documento  único. A Oban classificava a  gente pelo nível de perigo. O  major Linguinha [Waldir Coelho] só interrogava quem ele  achava que era direção. Ele falava comigo sempre.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; A sra. não pegou o delegado Sérgio Fleury no Dops?<br />
DILMA </strong></em>- Quando entrei no  Dops, o Fleury estava em viagem. Passei quase um mês na  Oban e um mês no Dops. Eu  custei a ir embora da Oban.  Achava estranho eu não ir embora. Todo mundo ia, e eu ficava. Eu não lembro a data. Vai ficando muito obscuro, como foi  e como é que não foi.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Vocês passavam por um  treinamento intensivo para deletar  as coisas. Tinha que esquecer para  não contar?<br />
DILMA </strong></em>- Uma parte você tentava esquecer. Sabe que teve uma  época em que eu falei uma coisa  que eu achava que era verdade  e não era. Era mentira que eu  tinha contado e aí depois eu  descobri que era mentira. Você  conta e se convence.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Informação obtida sob  tortura é de responsabilidade de  quem tortura e não de quem fala?  Dá para culpar a pessoa que falou?<br />
DILMA </strong></em>- Não dá mesmo. Até  porque ali, naquela hora, tinha  uma coisa muito engraçada que  eu vi. Aconteceu com muita  gente, não foi só comigo. É por  isso que aquela pergunta é absurda, a do senador [Agripino  Maia, do DEM]. A mentira é  uma imensa vitória e a verdade  é a derrota. Na chegada do presídio [Tiradentes], estava escrito &#8220;Feliz do povo que não tem  heróis&#8221;, que era uma frase do  Brecht que tem um sentido amplo. Esse fato de não precisar de  heróis mostra uma grande civilidade. É preciso que cada um  tenha um pouco de heroísmo.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Quando a sra. chegou à  Oban, houve muitos gritos?<br />
DILMA </strong></em>- Teve. Fazia parte do  script. É uma luta eterna entre  a sua autodestruição e sua luta  para ficar inteiro psicologicamente. A palavra correta é uma  disputa moral no sentido amplo da palavra moral. É uma  disputa entre éticas diferentes,  entre princípios diferentes.  Uma pessoa que se dispõe a fazer a outra ter dor tem um processo de difícil identificação.  Fico imaginando o que foi Abu  Ghraib, porque bota de um lado  americanos e de outro lado um  outro mundo. Você tem de ser  desqualificado como ser humano para ser torturado, santa, senão você não é.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; E a família da sra., como  reagiu a isso tudo?<br />
DILMA </strong></em>- Minha mãe foi absolutamente fantástica. Eles tinham horror de mãe.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Só para deixar claro, a sra.  não se recorda desse plano para sequestrar o Delfim?<br />
DILMA </strong></em>- Não. Acho que o Espinosa fantasiou essa. Sei lá o que  ele fez, eu não me lembro disso.  E acho que não compadece  com a época, entendeu? Nós  acabamos de rachar com um  grupo, houve um racha contra a  ação armada e vai sequestrar o  Delfim? Tem dó de mim. Alguém da VAR que você entrevistou lembrava-se disso? Isso  é por conta do Espinosa, santa.  Ao meu conhecimento jamais  chegou. Não me lembro disso,  minha filha. E duvido que alguém lembre. Não acredito que  tenha existido isso, dessa forma. Isso está no grande grupo  de ações que me atribuem. Antes era o negócio do cofre do  Adhemar, agora vem o Delfim.  Ah, tem dó. Todos os dias arranjam uma ação para mim.  Agora é o sequestro do Delfim?  Ele vai morrer de rir.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; De qualquer forma, obrigada por tocar nesse assunto delicado&#8230;<br />
DILMA </strong></em>- Eu estou te fazendo  uma negativa peremptória. Para mim, não disseram. Tá?</p></blockquote>
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		<title>Entrevista com Gustavo Petta</title>
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		<pubDate>Fri, 30 May 2008 17:40:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[O blog teve a oportunidade de entrevistar Gustavo Petta, ex-presidente ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O blog teve a oportunidade de entrevistar Gustavo Petta, ex-presidente da UNE por duas gestões, membro do Conselho Nacional de Juventude &#8211; CONJUVE e provável candidato a vereador na cidade de São Paulo. Aproveitem e visitem o <a href="http://blogdopetta.blig.ig.com.br/">Blog do Petta</a>.</p>
<p><a href='http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2008/05/tv0707-01f1.jpg'><img src="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2008/05/tv0707-01f1.jpg" alt="" title="Gustavo Petta" width="100" height="123" class="alignleft size-thumbnail wp-image-292" /></a><strong>Você foi presidente da UNE por duas gestões consecutivas, que tipo de experiências pode-se tirar desta atuação frente ao movimento estudantil nacional?</strong><br />
<em>Em primeiro lugar, vale dizer que o movimento estudantil é uma grande escola de formação política. Estando na presidência da UNE, a gente mantém contato com opiniões e realidades diversas, e isso nos faz ver o país com outros olhos. Pessoalmente, tive a oportunidade de participar da implantação do ProUni, uma das grandes conquistas do movimento estudantil nos últimos anos, e retomada da sede nacional da UNE, no Rio de Janeiro, que havia sido tomada dos estudantes no regime militar. No ProUni, conseguimos formar grupos de discussão por todo o país, que constantemente se reúnem para aparar arestas do projeto. Já na retomada da sede, iniciamos as conversas com o governo federal para a reconstrução do prédio.</em></p>
<p><strong>No atual movimento estudantil há espaço para as diferentes forças políticas, como foi nestes anos atuar na busca de entendimentos sobre as questões polêmicas que envolvem a juventude?</strong><br />
<em>O papel da UNE sempre foi o de mediar os debates, levando em conta a vontade da maioria dos estudantes. A partir dessas decisões, definidas em votações nos Congressos e Assembléias, a entidade se posicionava de forma unificada. Uma das principais bandeiras atualmente é a da reforma universitária, mas a UNE também dá espaço para preocupações cotidianas dos jovens, como a sexualidade, o consumo de drogas e soluções para a educação e o mercado de trabalho. Vale lembrar que neste ano tivemos a realização da 1ª Conferência Nacional da Juventude, organizado pelo Conselho Nacional da Juventude, que abriu espaço não só para o movimento estudantil, mas também para todos aqueles lutam por uma maior relevância política da juventude. A partir desse encontro, todos esses temas polêmicos foram contemplados e encaminhados para os poderes Legislativo e Executivo sob caráter prioritário. </em></p>
<p><strong>Com seu histórico no movimento estudantil e junto aos movimentos sociais, cogita-se sua candidatura à vereador da cidade de São Paulo neste ano, em se confirmando essa possibilidade qual deveria ser a prioridade de um representante da juventude emergido dos movimentos sociais? </strong><br />
 <em>As prioridades são semelhantes àquelas defendidas no movimento estudantil, como a luta pelo protagonismo juvenil na sociedade e a criação de políticas públicas para a juventude, principalmente para quem mora na periferia de São Paulo. Há também o foco na questão educacional, em que é preciso buscar soluções para o ensino público em todos os níveis. Deve-se, ainda, estar ligado às necessidades locais da cidade, principalmente na questão do trânsito e do meio ambiente, dois novos problemas que devem monopolizar os debates daqui para frente.</em></p>
<p><strong>Debate que vai se acalorando cada vez mais é pelas candidaturas à prefeitura da cidade de São Paulo, dá-se como certa candidatura da Ministra do Turismo Marta Suplicy (PT-SP), a briga protagonizada por Kassab (DEM-SP) e Alckmin (PSDB-SP) (em vistas a 2010) para se sairá uma chapa demo-tucana ou se lançarão candidaturas próprias, há ainda a candidatura da Ver. Soninha Francine (PPS-SP), e uma possível candidatura do Dep. Aldo Rebelo (PCdoB) entre outros. Qual sua perspectiva sobre o que se desenha neste cenário que logo mais deverá ficar mais claro?</strong><br />
<em>As últimas eleições foram marcadas por uma polarização muito exacerbada e, até certo ponto, artificial. Isso nivelou os discursos por baixo, dando mais ênfase às vitórias políticas de dois partidos hegemônicos na cidade. O aparecimento de candidaturas alternativas é muito importante, pois tira o foco da questão meramente partidária (e nem sempre ideológica) e dá espaço para uma visão mais aprofundada sobre a cidade e seus problemas. Essa é, por exemplo, a preocupação do Bloco de Esquerda, que tem como possível candidato o deputado Aldo Rebelo. Por causa de sua larga experiência política – já foi ministro, presidente da Câmara e é ex-presidente da UNE -, acredito que Aldo seja um nome forte para que essas novas abordagens aos problemas paulistanos venham à tona. Fora isso, vale lembrar que São Paulo tem um grande potencial para se tornar o centro das mudanças propostas pelas novas alianças na América Latina, e Aldo é um dos maiores articuladores que a política brasileira tem atualmente. </em></p>
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