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	<title>Joildo Santos &#187; Artigos</title>
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		<title>Fernando de Barros e Silva: Nana, que a Dilma vai pegar</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Jun 2010 14:25:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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FERNANDO DE BARROS E SILVA
Nana, que a Dilma vai pegar
SÃO ...]]></description>
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><blockquote><p><strong>FERNANDO DE BARROS E SILVA</strong></p>
<p><strong>Nana, que a Dilma vai pegar</strong></p>
<p><strong>SÃO PAULO</strong> &#8211; Bilu-bilu. Gugu-dadá. Tchutchuquinha da mamãe&#8230; Nana, neném, que a Cuca vem pegar. Boi, boi, boi. Uuééééééééé!!!</p>
<p>&#8220;Você confiaria seus filhos para Dilma de babá?&#8221;. A pergunta, de uma apelação ao mesmo tempo grosseira e ridícula, foi lançada pela vereadora paulistana Mara Gabrilli, anteontem, no seu Twitter.</p>
<p>Tucana e muito ligada a Serra, é pouco provável que ela tenha agido de modo espontâneo e desavisado, como disse: &#8220;Estava conversando com uma amiga, que me fez essa pergunta e eu achei interessante&#8221;.</p>
<p>Tão interessante que poderíamos ir além e imaginar, por exemplo, um &#8220;reality show&#8221; com Dilma e Serra trocando fraldas, fazendo aviãozinho com a papinha do bebê, disputando quem sabe contar melhor a história do lobo mau ou quem imita melhor a vovozinha.</p>
<p>Não é preciso ir tão longe para concluir que o microblog de Gabrilli foi posto a serviço de uma regressão. Parece óbvio que a pergunta quis estimular no eleitor a rejeição a Dilma, contrapondo à propaganda da mãe do PAC a figura da madrasta ou da bruxa malvada.</p>
<p>A pesquisa CNI/Ibope divulgada na última quarta mostra que a rejeição ao nome de Serra é maior que ao de Dilma (30% contra 23%). Numa eleição precocemente polarizada, isso preocupa muito os tucanos.</p>
<p>A pergunta da vereadora funciona como revelação de um sintoma: não é Dilma que deve saber embalar a criança, mas o tucano que precisa embalar na disputa. O episódio lembra muito a pergunta lançada pela campanha de Marta Suplicy, em 2008, a respeito Gilberto Kassab: &#8220;É casado? Tem filhos?&#8221;. Lá também havia desespero no ar.</p>
<p>O Twitter, essa engenhoca dos pensamentos ligeiros, será mais e mais uma arma da guerrilha eleitoral. Mas Mara Gabrilli não fica bem como guerrilheira. É uma figura pública importante, que torna a política melhor e representa muito para os direitos dos deficientes. Seria melhor também se estivesse preservada dessas baixarias infantis.</p></blockquote>
<p>via <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2606201003.htm">Folha de S.Paulo &#8211; São Paulo &#8211; Fernando de Barros e Silva: Nana, que a Dilma vai pegar &#8211; 26/06/2010</a>.</p>

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		<title>Respeito para todos: Carta aberta ao Governador Alberto Goldman</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 23:07:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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São Paulo 21 de Junho de 2010
 
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><p><strong>São Paulo 21 de Junho de 2010</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Ao Governo do Estado de São Paulo<br />
Governador Alberto Goldman</strong></p>
<p>Senhor Governador,</p>
<p>Na última semana a cidade de São Paulo foi surpreendida por duas informações extremamente graves. A primeira de que o Estado de São Paulo está nesse momento fora da Copa do Mundo, pela exclusão do estádio do Morumbi, e a segunda, aparentemente por conseqüência da primeira, que a extensão da Linha Ouro do metrô para as estações do Morumbi e Paraisópolis será adiada para possibilitar a extensão da Linha Laranja que chegará a Pirituba, onde se pretende construir um novo estádio.</p>
<p>Apesar de estarmos ansiosos para torcer pelo heptacampeonato brasileiro em nossa cidade, consideramos que este problema, como já opinaram o prefeito Gilberto Kassab e o presidente Lula, será resolvido, por conta da enorme importância econômica e social que nosso estado tem para o país. O adiamento por prazo indefinido para a expansão do metrô na zona sul, no entanto é fato gravíssimo com conseqüências sociais grandes.</p>
<p>Durante muitas décadas o estado teve a equivocada avaliação de que a região do Morumbi não necessitava de transporte coletivo pelo seu caráter elitizado. Tapava os olhos para o fato de nossa região contar com quase 300 mil moradores, a maior parte deles vivendo em comunidades carentes como o Paraisópolis e Jardim Colombo. Na verdade, a política de fundo era as seguidas tentativas de remoção completa destas comunidades, tal qual as políticas higienistas e do apartheid em outros tempos e lugares. Essa visão foi abandonada a partir da urbanização de nossa comunidade e a construção de escolas, avenidas e conjuntos habitacionais. Falta ainda, a construção do Hospital Regional de Paraisópolis que também é prioridade para a comunidade.</p>
<p>O transporte coletivo, no entanto ainda não chegou até o Morumbi. Quem não tem carro se vira com lotações, bicicletas, motos, ônibus que demoram horas para sair e são obrigados a fazer itinerários circulares para chegar a todos os destinos que precisamos. A isso se juntam os carros dos imensos condomínios, e os engarrafamentos nos tomam horas todos os dias. Provavelmente não existe em nossa cidade região com o trânsito tão caótico, mal planejado e nocivo aos direitos dos cidadãos como o Morumbi.</p>
<p>A chegada do metrô começaria a desafogar esta realidade, e deveria ser acompanhada por corredores de ônibus e a multiplicação, pelo menos em dez vezes o número de linhas dedicadas a região. No entanto, com a exclusão do Morumbi da Copa, o metrô anunciou que as estações previstas para 2013 estão adiadas por tempo indeterminado! Nos unimos a uma lista de dezenas de novas estações previstas até 20 anos.</p>
<p>Portanto, em nome da comunidade de Paraisópolis, e em sintonia com todos nossos vizinhos do Morumbi e região, das mais diferentes classes sociais, afirmamos que está sendo cometido um crime contra 300 mil moradores. Não é possível sermos informados via imprensa, jogar no lixo todo o debate que envolveu governo, metrô, lideranças comerciais e sociais de nossa região, por mais de 30 anos, e avisar pela imprensa, que o compromisso assumido e assinado com a nossa comunidade não será cumprido. Nós já pagamos por décadas a ausência do estado nesta região, e embora seja importante trazer a Copa para São Paulo, exigimos que quem pague a conta para isso seja o governo, e não o povo do Morumbi.</p>
<p>Que os investimentos aumentem um pouco, e se expandem em paralelo a linha ouro e amarelo. Não abrimos mão do metrô em nossa região. Por isso, convocaremos ao lado dos mais de 20 deputados estaduais com trabalho em nossa região, com a participação de dezenas vereadores, deputados federais e senadores uma audiência pública na Assembléia Estadual e contamos com a presença dos representantes do metrô para discutir o assunto.</p>
<p>Atenciosamente,</p>
<p><em>Gilson da Cruz Rodrigues<br />
Presidente da União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis</em></p>

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		<title>Archimedes Marques: &#8220;POLÍCIA: a mais estressante e criticada das profissões&#8221;</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Jun 2010 18:10:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><blockquote><p>Apesar da Polícia trabalhar mantendo a ordem pública, protegendo a sociedade, aconselhando, dirimindo conflitos, evitando o crime, investigando, fazendo a paz ou regulando as relações sociais, é considerada por boa parte da população como ineficiente, violenta, agressiva e criminosa.</p>
<p>Por conta desses atributos negativos, o desgaste das instituições policiais e dos seus membros é iminente e presente, aumentando ainda mais a ansiedade e a angustia de cada um para constatar o seu estresse, cansaço e desolação.</p>
<p>Apesar do bom policial dar o melhor de si durante o seu labute, de sair de casa sem saber se volta a ver mais os seus filhos, de ser capaz de dar a sua própria vida para defender a sociedade contra o marginal, de trabalhar quase sempre por um salário não condizente com a importância da sua missão, é veementemente criticado pela mídia e pelo povo quando por um deslize qualquer deixa de exercer a sua função satisfatoriamente.</p>
<p>Trabalhar excessivamente lidando com o público, com os problemas brutais da sociedade, com o perigo constante, com a prevenção e repressão aos crimes diariamente e permanentemente e ainda não se ver recompensado psicologicamente e financeiramente, não pode deixar alguém, por mais forte que seja, sem se sentir cansado e estressado.</p>
<p>Enquanto que para a sociedade o crime comumente assusta e todos são condicionados a correr de uma briga, a fugir de um iminente perigo, o policial, por sua vez, deve correr em sua direção e ali estar presente para manter a paz pública.</p>
<p>Aliados a essa problemática da incompreensão, ingratidão, critica negativa por parte da sociedade, ainda resta a questão da sobrecarga de trabalho alcançada por muitos policiais, que por conta dos baixos salários que percebem, buscam alternativas na vida privada para complementar o seu ganho e melhor suprir as necessidades da sua família, ou seja, passam eles a fazer o famoso “bico” nas suas horas de folga, horas essas que seriam dedicadas ao seu descanso, ao laser, a um melhor convívio com seus filhos e que são perdidas nessa nova atividade, aumentando assim, consideravelmente o seu cansaço físico e o conseqüente estresse emocional, isso quando não ocorre morte em confronto com os marginais.</p>
<p>Infelizmente, também é triste ter que constatar que muitos dos nossos policiais, por absoluta falta de opção e condição financeira, residem na periferia das grandes cidades, por vezes até nos morros ou bairros dominados pelo tráfico. Suas vidas e dos seus familiares correm por um fio e por isso vivem eles a se esconder para que ninguém saiba a sua verdadeira profissão. Quando são policiais militares andam com suas fardas escondidas em sacolas para só vesti-las nos seus locais de trabalho. Essa constante preocupação é também fator de grande somatório para o aumento do estresse para qualquer um que viva tal drama.</p>
<p>É fácil concluir que para haver o saneamento desses problemas, necessário se faz mudanças de pensamentos e atos do povo, passando a sociedade a sentir a sua Policia a luz do valor da amizade para em boa cumplicidade apoiar as suas ações de resgate da dignidade corroída pelo poder publico através dos anos, ao invés de arrastá-la cada vez mais para o fundo do poço, ao mesmo tempo em que urge também por vontade política em resolver de vez a situação salarial e social das Polícias, principalmente com a implantação do piso nacional, assim como, pela unificação das classes, para uma Policia efetivamente única e forte, reduzindo o estresse de cada membro, melhorando assim o desempenho de todos para uma real prestação de serviços à sociedade. </p>
<p><em>Archimedes Marques é Delegado de Policia. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela Universidade Federal de Sergipe</em></p></blockquote>

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		<title>Casa real</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Jun 2010 13:37:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Da Folha de São Paulo 16/06/2010
Casa real
A certa altura da ...]]></description>
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href="http://www.google.com/reader/link?url=http://www.joildo.net/artigos/casa-real/&title=Casa+real&srcURL=http://www.joildo.net" target="_blank" rel="nofollow"><img
src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><p>Da <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1606201001.htm">Folha de São Paulo 16/06/2010</a></p>
<blockquote><p><strong>Casa real</strong></p>
<p>A certa altura da reunião na qual Lula decidiu sancionar o reajuste de 7,7% para os aposentados, um dos participantes mencionou o discurso de José Serra na convenção do PSDB em Salvador, no qual o candidato comparou o presidente a Luís 14. Aqui e ali ouviram-se críticas, mas Lula cortou, magnânimo:<br />
-Eu acho que ele foi induzido ao erro.<br />
Ninguém entendeu, e então presidente explicou:<br />
-É que na véspera eu fui à Bahia, e as pessoas diziam na rua: &#8220;Lula, meu rei!&#8221;. O Serra se confundiu&#8230;</p></blockquote>

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		<title>Mate um turco e descanse</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Jun 2010 23:52:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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		<category><![CDATA[israel]]></category>

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Do Viomundo
5/6/2010, Uri Avnery, Gush Shalom [Bloco da Paz],  ...]]></description>
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href="http://www.google.com/reader/link?url=http://www.joildo.net/artigos/mate-um-turco-e-descanse/&title=Mate+um+turco+e+descanse&srcURL=http://www.joildo.net" target="_blank" rel="nofollow"><img
src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><p>Do <a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/ury-avnery-sobre-a-flotilha-mate-um-turco-e-descanse.html">Viomundo</a></p>
<blockquote><p>5/6/2010, <strong>Uri Avnery</strong>, Gush Shalom [Bloco da Paz],  Israel (<a href="http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1275739480/"><strong>O  título original é  “Kill a turk and rest”</strong></a>)</p>
<p>“O bloqueio não isola o Hamás. O bloqueio isola Israel.”</p>
<p>Publicado por Gush Shalom [Bloco da Paz], Israel, em Haaret’z,  Telavive, 3/6/2010</p>
<p>Tradução de<strong> Caia Fittipaldi</strong></p>
<p>“O ataque aos barcos não é vitória de Israel. É derrota.” Gush Shalom</p>
<p>Em mar alto, em águas internacionais, a marinha israelense atacou o  barco. Os comandos mascarados atacaram com fúria. Centenas de agredidos  resistiram. Os soldados atiraram. Houve mortos, muitos feridos. O barco  foi levado a outro porto, os passageiros desembarcaram. O mundo os viu  andando pelo cais, homens e mulheres, velhos e jovens, todos esgotados,  rasgados, um depois do outro, escoltados por soldados…</p>
<p>O navio era o “Exodus 1947”. Havia deixado a França na esperança de  romper o bloqueio britânico, imposto para impedir que navios abarrotados  de sobreviventes do Holocausto aportassem nas costas da Palestina. Se  não conseguissem aportar, imigrantes ilegais, seriam levados pelos  britânicos aos campos de concentração em Chipre, como já acontecera  antes. Ninguém se preocuparia com eles por mais de um, dois dias.</p>
<p>Em Israel, no governo, estava Ernest Bevin, do Partido Labour,  ministro britânico, arrogante e brutal, apaixonado pelo poder. Jamais  deixaria que um bando de judeus mandasse em seu governo. E decidiu  ensinar uma lição aos judeus, o mundo por testemunha. “É provocação!”  gritou ele e, claro, estava certo. O objetivo era mesmo gerar um ato de  provocação, para atrair os olhos do mundo para o bloqueio britânico da  Palestina.</p>
<p>O que aconteceu todos sabem: o ataque degenerou, uma estupidez levou à  outra, o mundo solidarizou-se com os passageiros dos barcos. Os  britânicos, senhores da Palestina não cederam e pagaram o preço. Pesado  preço.</p>
<p>Muitos creem que o caso do “Exodus” marcou o ponto de virada da luta  para a criação do Estado de Israel. O Mandato britânico entrou em  colapso sob o peso da condenação internacional e os britânicos tiveram  de deixar a Palestina. Houve, é claro, muitas outras razões de peso para  aquela decisão, mas o episódio do “Exodus” provou ser a palha que  quebrou a espinha dorsal do camelo.</p>
<p>Essa semana, em Israel, não fui o único que lembrou esse episódio. De  fato, foi quase impossível não lembrar, sobretudo os israelenses que já  vivíamos na Palestina naquele tempo e vimos tudo.</p>
<p>Há diferenças importantes, é claro. Aqueles eram sobreviventes do  Holocausto; hoje, são pacifistas de todo o mundo. Mas então, como hoje, o  mundo viu soldados pesadamente armados atacar brutalmente passageiros  desarmados – que resistiram com o que encontraram à mão, paus e porretes  e com os punhos. Daquela vez, como hoje, aconteceu em mar alto –  daquela vez, a 40 km da costa; agora, a 65 km.</p>
<p>Analisado em retrospectiva, o comportamento do governo britânico em  todo o caso parece inacreditavelmente estúpido. Mas Bevin não era bobo;  os oficiais britânicos que comandaram a ação não eram idiotas. Afinal,  acabavam de guerrear guerra mundial, do lado vencedor.</p>
<p>Se agiram como perfeitos idiotas do começo ao fim, foi por  arrogância, insensibilidade e absoluto desprezo pela opinião pública  mundial.</p>
<p>Ehud Barak é o Bevin israelense. Burro, não é; nem os generais  israelenses são burros. Mas são hoje responsáveis por uma cadeia de  decisões e atos alucinados, cujas implicações são difíceis de avaliar. O  ex-ministro e atual comentarista Yossi Sarid descreveu o comitê dos  sete ministros – “grupo dos sete” –, que decide sobre questões de  segurança, como “os sete idiotas” – e devo protestar. Foi insulto aos  idiotas.</p>
<p>Os preparativos para a flotilha exigiram mais de um ano. Centenas de  mensagens de e-mail andaram pelo mundo. Eu mesmo recebi dúzias. Não era  segredo. Tudo foi feito às claras.</p>
<p>Houve tempo de sobra para que instituições políticas e militares em  Israel se preparassem para a chegada dos barcos. Os políticos poderiam  ter sido consultados. Os soldados, treinados. Os diplomatas, informados.  O pessoal da espionagem trabalhou.</p>
<p>De nada adiantou. Todas as decisões foram erradas, do primeiro ao  último momento. E ainda não terminou.</p>
<p>A ideia de romper o bloqueio com uma flotilha de pacifistas beira a  genialidade. Põe Israel num dilema – tendo de escolher entre várias  alternativas, todas ruins. É a situação em que qualquer general sonha  ver o general adversário.</p>
<p>As alternativas:</p>
<p>(a) Permitir que a Flotilha chegue a Gaza, sem obstáculos. O  secretário do Gabinete apoiava essa ideia. Mas levaria ao fim do  bloqueio, porque depois dessa flotilha viriam outras, cada vez maiores.</p>
<p>(b) Deter os navios em águas territoriais, vistoriar a carga,  assegurar-se de que não havia nem armas nem “terroristas” e deixá-los  prosseguir até o porto. Levantaria alguns protestos em todo o mundo, mas  preservar-se-ia o bloqueio, pelo menos em princípio.</p>
<p>(c) Capturar os barcos em alto mar e levar todos até Ashdod. O risco,  nesse caso, seria a batalha contra os ativistas a bordo, até Ashdod.</p>
<p>Como os governantes em Israel sempre fazem, quando têm de escolher  entre várias alternativas ruins, o governo Netanyahu escolheu a pior.</p>
<p>Todos os que acompanharam os preparativos como noticiados pelos  jornais previam que havia risco de resultar em mortos e feridos. Ninguém  aborda barco turco à espera de ser recebido por garotinhas louras que  ofereçam rosas. Todos sabem que os turcos não se rendem facilmente.</p>
<p>As ordens que os soldados receberam – e a imprensa divulgou –  incluíam as palavras fatais: “a qualquer custo”. Qualquer soldado sabe o  que significam essas palavras terríveis. Não bastasse, na lista dos  objetivos da missão, a atenção aos passageiros civis aparecia em  terceiro lugar, depois da salvaguarda da segurança dos soldados e da  necessidade de cumprir a missão.</p>
<p>Se Binyamin Netanyahu, Ehud Barak, o comandante geral do exército e o  comandante da marinha não sabiam que a operação poderia levar a matar e  ferir civis desarmados, então é necessário concluir – até os que ainda  relutem – que são todos insuperavelmente incompetentes. Merecem ouvir as  palavras imortais de Oliver Cromwell ao Parlamento: “Estão aí há tempo  demais, considerado o serviço que têm prestado… Vão-se! Nos livrem de  vocês. Em nome de Deus, fora!”</p>
<p>Esse acontecimento aponta outra vez para um dos mais sérios aspectos  da situação: Israel vive numa bolha, numa espécie de gueto mental, que  nos isola do mundo e nos impede de ver outra realidade: a que o resto do  mundo vê. Um psiquiatra veria aí sintoma de grave doença mental.</p>
<p>A propaganda do governo e do exército israelenses, para o público  interno, conta história simples: os heroicos soldados de Israel,  valentes e sensíveis, elite da elite, abordaram o navio com intenções de  “parlamentar” e foram atacados por uma turba selvagem e violenta. Os  porta-vozes oficiais nunca esqueceram de repetir a palavra  “linchamento”.</p>
<p>No primeiro dia, praticamente toda a mídia israelense acreditou.  Afinal, claro que os judeus sempre são as vítimas. Sempre. Aplica-se a  soldados judeus, claro. Claro. Soldados judeus abordam barco estrangeiro  em águas internacionais e, imediatamente, se metamorfoseiam em vítimas  encurraladas, sem escolha, obrigados a defender-se de ataque violento  incitado por antissemitas.</p>
<p>Impossível não lembrar da clássica piada de humor judeu, sobre a mãe  judia na Rússia, que se despede do filho convocado para o exército do  czar, em guerra contra a Turquia. “Não se desgaste”, aconselha a mãe.  “Mate um turco, e descanse. Mate outro turco e descanse outra vez…”</p>
<p>“Mas, mamãe”, o filho interrompe, “E se o turco me matar?”</p>
<p>“Matar você”?, exclama a mãe. “E por que o mataria? O que você fez a  ele?”</p>
<p>Soa como loucura, para qualquer pessoa normal. Soldados pesadamente  armados de um comando de elite abordam um navio no mar, no meio da  noite, por mar e por ar – e são as vítimas?</p>
<p>Mas há aí uma gota de verdade: são vítimas, sim, de comandantes  arrogantes e incompetentes, de políticos irresponsáveis e da imprensa  que os mesmos arrogantes, incompetentes e irresponsáveis alimentam. De  fato, são vítimas também da população de Israel, dado que esses  eleitores, não outros, elegeram aquele governo, inclusive a oposição,  que não é diferente da situação.</p>
<p>O caso do “Exodus” repetiu-se, com troca de papéis. Agora, os  israelenses são os britânicos.</p>
<p>Em algum lugar, algum novo Leon Uris prepara-se para escrever o  próximo livro, “Exodus 2010”. Um novo Otto Preminger planeja filmar novo  blockbuster. Estrelando, um novo Paul Newman. Sorte, que não faltam  hoje talentosos atores turcos.</p>
<p>Há mais de 200 anos, Thomas Jefferson declarou que todas as nações  deveriam agir “com respeito decente pelas opiniões da humanidade”. Em  Israel, os líderes jamais aceitaram a sabedoria dessa lição. Preferem a  lição de David Ben-Gurion: “Não importa o que pensem os não-judeus. Só  importa o que os judeus fazem.” Vai-se ver, tinha certeza de que não há  judeus que agem como imbecis.</p>
<p>Fazer da Turquia, inimiga, é pior que simples tolice. Há décadas, a  Turquia tem sido a mais próxima aliada de Israel na Região, muito mais  próxima do que a opinião pública supõe. A Turquia poderia, no futuro,  fazer o papel de importante mediadora entre Israel e o mundo  árabe-muçulmano, entre Israel e Síria e, sim, também entre Israel e o  Iran. É possível que Israel, agora, tenha conseguido unir o povo turco  contra Israel – e já há quem diga que esse seria o único tema em torno  do qual os turcos afinal se uniram.</p>
<p>Estamos vivendo o segundo capítulo da operação “Chumbo Derretido”.  Daquela vez, Israel reuniu a opinião pública contra Israel e os  israelenses, chocamos os raros amigos de Israel e facilitamos a luta  para os inimigos de Israel. Agora, Israel repete o feito, com talvez  ainda mais sucesso. Israel conseguirá virar, contra Israel, a opinião  pública mundial.</p>
<p>Esse processo é lento. É como água, acumulando por trás da barragem. A  água sobe devagar, em silêncio, mal se vê. E quando alcança nível  crítico, a barragem cede e será o desastre, para Israel. Israel  aproxima-se perigosamente desse ponto.</p>
<p>“Mate um turco e descanse…” recomenda a mãe, na piada. O governo de  Israel nem descansa! Parece decidido a não parar, até ter convertido em  inimigo, o último amigo que reste a Israel.</p>
<p><strong>Nota da Tradutora </strong></p>
<p>*Interessante comparar esse artigo, de Uri Avnery, com “Israel’s  vivid act of piracy may yet turn the tide of global opinion” [port.  “Israel: claro ato de pirataria pode fazer virar a maré da opinião  pública global”], Linda Grant, em The Guardian, 4/6/2010. Esse artigo,  com o título alterado para<a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100604/not_imp561458,0.php"><strong> “O primeiro navio”, foi traduzido e publicado pelo jornal O Estado de  S. Paulo, 4/6/2010</strong></a>.</p>
<p>O artigo do Guardian visa a defender a preservação de “um Estado  sionista”, na Palestina. Uri Avnery visa a defender “Dois Estados para  Dois Povos” – campanha do Bloco da Paz, israelense, na Palestina. O  jornal O Estado de S.Paulo finge que defende algum “equilíbrio”, mas  obra para tirar das manchetes qualquer denúncia contra o governo de  Netaniahu e, também, a denúncia de “claro ato de pirataria de Israel”,  que está presente no original britânico, é denunciado também por Avnery,  mas foi apagado da tradução publicada no Estadão. O Estadão é o pior  jornal e mais mentiroso do mundo</p></blockquote>

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		<title>O tucanato está tonto e zangado</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Jun 2010 14:26:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Folha de São Paulo 06/06/2010
ELIO GASPARI
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<blockquote><p><strong>ELIO GASPARI</strong></p>
<p><em><strong>O tucanato está tonto e zangado</strong></em></p>
<p><span style="position:relative;color:green;width:170px;background:white;border-top:  2px solid gold ;border-bottom:2px solid gold;float:right;padding: 0.1em; margin: 0.3em;font-family:Georgia,Verdana,Arial, Helvetica;font-size: 12pt;line-height:26px; text-align: right;"><span style="filter:alpha(opacity=75);-moz-opacity:.75;opacity:.75;">Serra </span><b> </b>entrou <br><b></b>na <br><b>disputa </b>aveludado <br><b>como Tancredo </b>Neves <br><b>e </b>em <br><b>poucas semanas </b>enfureceu-se <br><b></b>como<span style="filter:alpha(opacity=90);-moz-opacity:.90;opacity:.90;"> Collor</span></span></p>
<p>O TUCANATO ESTÁ tonto, sem motivo. A prova da falta de rumo está na insistência de José Serra em fazer oposição vigorosa&#8230; ao governo da Bolívia. Campanhas presidenciais têm momentos mágicos, como o dia em que Fernado Henrique Cardoso viu eleitores empunhando cédulas do real durante um comício na Bahia. Serra precisa perseguir esses momentos. Ele entrou na disputa com um discurso aveludado, lembrando Tancredo Neves, e em poucas semanas crispou-se, tentando ficar parecido com Fernando Collor.</p>
<p>A perplexidade tucana não tem amparo na realidade. A percentagem de eleitores dispostos a tirar o PT do governo é igual à daqueles que gostariam de votar em Dilma Rousseff. Trata-se apenas de batalhar pelo votos com uma plataforma real, livre de marquetagens. Se perder, paciência.</p>
<p>Em 2008, nos Estados Unidos, o jogo bruto detonou a candidatura de Hillary Clinton, que parecia invencível. Em vez de falar macio, ela e o marido, Bill, decidiram pegar pesado. Ciscaram para fora. Num episódio típico, empurraram Ted Kennedy para o colo de Obama. É verdade que ele namorava a hipótese, mas a gota d&#8221;água se deu quando Bill Clinton disse-lhe: &#8220;Esse sujeito nunca fez nada. (&#8230;) Ele nos servia café!&#8221;. Kennedy ouviu e fechou a conta.</p>
<p>Tanto Serra como Dilma se parecem mais com madame Clinton do que com o companheiro Obama. O problema de Serra é que Dilma tem Lula ao seu lado. Com estrondos, não ganhará a eleição.</p></blockquote>

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		<title>Archimedes Marques: A Polícia e o recente cúmulo do absurdo</title>
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		<pubDate>Sun, 16 May 2010 03:52:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><blockquote><p>O Brasil assistiu atônito e incrédulo, a divulgação na imprensa televisada, falada, escrita e virtual, sobre um fato policial diferente dos tantos outros relacionados ao mesmo tipo penal que ocorre diariamente em todo lugar: O roubo ocorrido contra uma comerciante no interior de São Paulo certamente teria passado despercebido se não tivesse ocorrido dentro de uma Delegacia de Polícia, em tese, um dos lugares mais seguros que há.</p>
<p>A cidadã de posse de uma quantia superior a R$ 13 mil reais acondicionados em sua bolsa, teria se dirigido até a Delegacia de Salto, na região de Sorocaba, em São Paulo, no sentido de registrar uma ocorrência policial dando conta de que o seu número de telefone celular estaria clonado, e ali, na sala de espera, fora abordada por um marginal que tomou à força a sua bolsa.</p>
<p>Desprende-se das diversas reportagens que o delinqüente que provavelmente vinha seguindo a comerciante desde a retirada da referida quantia em banco, agrediu e roubou a bolsa da vítima, tudo isso ocorrido no interior dessa Delegacia de Policia em que estavam presentes, além de outras pessoas comuns, três funcionários, provavelmente dos quadros da Policia Civil daquele Estado, que assistiram imóveis e sem esboçarem quaisquer tipos de reação ao ato criminoso que lhes eram obrigatórios devido às suas supostas funções policiais inerentes.</p>
<p>Consta que a vítima reagiu ao assalto e chegou a entrar em luta corporal com o seu agressor por duas vezes, dado ao fato de que na primeira investida ela teria levado a melhor e conseguido jogar a sua bolsa por cima do balcão justamente para onde estavam dois funcionários da Delegacia, destarte, que na segunda investida e tentativa para retomar a sua bolsa das mãos do bandido que ainda tivera tempo suficiente para pular o balcão de ida e volta, fora a vítima refreada da sua ação pela voz do marginal que ordenara ao seu comparsa que estava do lado de fora do recinto para atirar na mesma, fato que não ocorreu.</p>
<p>Momentos depois, a reativa e corajosa vitima ainda indignada, e com toda razão, desabafou para um canal de televisão que cobriu o fato:</p>
<p><strong>- O Escrivão depois disse que não intercedeu porque ele achou que era uma briga de marido e mulher. Eu achei o cúmulo do absurdo. Fosse briga de marido e mulher, fosse briga de vizinho, o mínimo que eles podiam fazer era intervir. Eu posso ser assaltada no supermercado, na rua, no cinema, na praça, na calçada, no portão da minha casa, mas nunca dentro de uma Delegacia.</strong></p>
<p>O trabalho do Policial é árduo, perigoso e estressante, por isso, exige prudência, perseverança, amor a profissão e capacidade de concentração aguçada com equilíbrio e razoabilidade nos seus atos para que não ocorram os deslizes, mas nesse fato, se é como fora pintado, teriam realmente os referidos servidores obrigação de intercederem no evento criminoso mesmo que se isso valesse as suas próprias vidas.</p>
<p>Tal fato altamente negativo atinge em cheio todas as Instituições policiais do nosso país, vez que o povo nunca faz distinção entre as polícias. Para a esmagadora parte da população a Polícia é uma só e dela todos esperam a proteção devida conforme estabelece a Constituição Federal.</p>
<p>É evidente que os três funcionários que estavam presentes na Delegacia devem ser investigados com toda a isenção ou rigor possível pela Corregedoria de Policia Civil de São Paulo, dando-lhes todos os direitos de ampla defesa inerentes e, se forem considerados culpados, punidos na forma das Leis Administrativa e Penal.</p>
<p>É evidente também que a vítima deve ser reembolsada do seu prejuízo financeiro pelo Estado, não com um processo demorado e burocrático que leva anos para resolução com recursos e tudo mais, e sim, através de uma Ação rápida que restabeleça a vítima e ao povo o respeito pelas nossas instituições públicas, vez que de resto, ao plano geral, no fundo, o Estado é o principal responsável por tal ocorrido por não dispor de Policiais suficientes para guarnecer a Delegacia.</p>
<p>Do crime de roubo praticado por tais marginais, que pode decorrer outros crimes inerentes aos funcionários públicos presentes demonstram a vulnerabilidade existente em nossas Polícias. Não só na Polícia Civil daquele Estado, mas em todas as Polícias do Brasil que foram corroídas por várias eras, em diversos Governos passados.</p>
<p>A segurança pública sempre foi esquecida e sucateada através dos anos. As Polícias sempre foram relegadas ao segundo plano, principalmente no que tange a valorização profissional dos seus membros. Com raras exceções, poucas conquistas foram alcançadas pelas classes policiais em alguns Estados da Nação.</p>
<p>O tempo passa e com ele a nossa credibilidade perante a opinião do povo vai ficando cada vez mais distante, com isso as nossas lutas são inglórias. Os nossos Projetos de Emendas a Constituição se arrastam por anos a fio no Congresso Nacional sem solução alguma. O povo já não confia mais na sua Polícia e, fatos negativos como esse assalto dentro de uma Delegacia de Polícia nos leva cada vez mais para baixo.</p>
<p>Com a credibilidade policial em baixa aumentam-se as estatísticas enganosas colocando os níveis da violência urbana em melhores patamares, quando na verdade é o contrário, pois o povo deixa de registrar principalmente ocorrências de fraudes, furtos e roubos por não mais acreditar na sua Polícia.</p>
<p>Com isso os Governos repassam esses dados não condizentes como se verdadeiros fossem para o povo enaltecendo as suas gestões de segurança pública e até gastando fábulas com propagandas baseadas em erros, não por números maquiados, e sim em decorrência da falta absoluta de confiança da população nas ações policiais.</p>
<p>Diante da real falta de credibilidade e da perda da confiança do povo nas ações da sua Polícia com o conseqüente desleixe estatal para com as nossas instituições, devemos, pois, lutar por uma Polícia verdadeiramente forte, por uma Polícia única como ótima opção para resolução da problemática.</p>
<p>O tempo de briga por moedas e migalhas deve ficar para trás. Devemos recolher as nossas desavenças, esquecer de vez as medições de poder ainda existente entre as Polícias Civil e Militar, que fazem com que fiquemos com forças divididas e partir para uma luta mais sólida e dignificante.</p>
<p>Nós somos agentes de transformação social e não somos analfabetos políticos nem tampouco devemos pensar em desestabilizar governo algum, devemos sim, lutarmos para mostrar a nossa grandeza através da habilidade porque também entendemos de técnicas dialógicas e não só do combate ao crime pela força.</p>
<p>Devemos lutar pelo que merecemos através da perspicácia, pois assimilamos uma verdade que não é só nossa e sim da população que clama por uma segurança pública justa e eficaz.</p>
<p>Devemos lutar pela nossa valorização profissional de maneira zelosa porque discutimos sobre a sociedade e é dessa mesma sociedade o desejo de ter uma Polícia forte e eficiente para a conseqüente proteção do bem comum.</p>
<p>Para chegarmos a esse patamar superior, não devemos usar a linguagem beligerante nem tampouco arrogante ou desafiante, e sim, a linguagem inteligente do consenso para a recondução da razão instrumental em busca daquilo que achamos satisfatório para a possível Polícia unificada e ideal para o povo, pois é do povo a nossa razão de existência.</p>
<p>Juntos, resgataremos a nossa dignidade perdida, a confiança e a credibilidade do povo, pois passaremos a ser uma entidade policial verdadeiramente forte.
</p></blockquote>
<p>(Delegado de Policia. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela Universidade Federal de Sergipe)</p>

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		<title>Fórmula simples da qualidade do ensino</title>
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		<pubDate>Fri, 07 May 2010 10:55:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Da Folha de São Paulo Tendências 07/05/2010
MARIA IZABEL AZEVEDO NORONHA
Valorizando ...]]></description>
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><p>Da <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0705201008.htm">Folha de São Paulo Tendências 07/05/2010</a></p>
<blockquote><p><strong>MARIA IZABEL AZEVEDO NORONHA</strong></p>
<p><span style="position:relative;color:green;width:170px;background:white;border-top:  2px solid gold ;border-bottom:2px solid gold;float:right;padding: 0.1em; margin: 0.3em;font-family:Georgia,Verdana,Arial, Helvetica;font-size: 12pt;line-height:26px; text-align: right;"><span style="filter:alpha(opacity=75);-moz-opacity:.75;opacity:.75;">Valorizando </span><b> </b>professores, <br><b></b>com <br><b>salários </b>adequados, <br><b>a escola </b>pública <br><b>estadual </b>paulista <br><b>poderá cumprir </b>o <br><b>papel que dela </b>se<span style="filter:alpha(opacity=90);-moz-opacity:.90;opacity:.90;"> espera</span></span></p>
<p>NO DIA 1º de abril, durante a greve do magistério, a Folha publicou novo ranking dos salários dos professores brasileiros.</p>
<p>Em São Paulo, o Estado mais rico da Federação, os salários são menores que os de Estados como Amazonas, Tocantins, Mato Grosso, Roraima, Maranhão, Acre e outros. Pior: os salários vêm caindo.</p>
<p>Nosso Estado ocupa hoje a 14ª posição no ranking, uma queda de três posições. Mas, se considerarmos o valor do salário-base, sobre o qual se calculam os benefícios da aposentadoria e da carreira do magistério, a situação é ainda pior.</p>
<p>O salário-base do professor que ministra aulas nos cinco primeiros anos do ensino fundamental, com jornada de 24 horas semanais, é de apenas R$ 785,50, e o do professor que ministra aulas do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e no ensino médio, com jornada de 24 horas semanais, é de R$ 909.</p>
<p>O ranking demonstra que tínhamos razão em realizar a greve e em continuar lutando por reajuste.</p>
<p>O jornal também publicou matéria na qual constata, a partir de seus critérios, que o magistério paulista acumulou uma perda salarial de 22% nos últimos dez anos, contrariando a afirmação do governo de que não temos perda alguma.</p>
<p>Ainda assim, o governo manteve-se intransigente e intensificou a repressão, com intimidações, ameaças e até demissões de professores em greve.</p>
<p>Agora, o secretário da Educação, Paulo Renato Souza, publica artigo (&#8220;Salários na educação paulista&#8221;, &#8220;Tendências/ Debates&#8221;, 22/4) para tentar responder ao jornal. Os números, porém, não mentem.</p>
<p>Por isso, é vã a tentativa do secretário de olhar os fatos da maneira como gostaria que eles fossem.</p>
<p>O secretário envereda por justificativas que, no fundamental, não conseguem desmentir as informações. A remuneração dos professores paulistas é muito baixa. O artigo do secretário decepciona e nada propõe.</p>
<p>Aliás, a julgar pelas suas considerações sobre a arrecadação per capita no Estado de São Paulo, o magistério jamais terá ganhos salariais, a não ser através de medidas excludentes, como bônus condicionado à não utilização de direitos e uma &#8220;promoção por mérito&#8221;, que exclui pelo menos 80% dos professores de reajustes salariais e depende de prova de conhecimentos enciclopédicos que despreza a experiência do professor em sala.</p>
<p>O texto do secretário reconhece que a arrecadação paulista representa 40% da receita nacional. Mas a peça orçamentária estadual é subestimada todos os anos quanto às receitas, gerando excedentes de arrecadação que são gastos de acordo com a vontade do governo.</p>
<p>Neste ano, a retomada do crescimento econômico faz prever um superavit gigantesco. Parte desses recursos poderia ser revertida na valorização dos servidores, sobretudo dos professores, que cumprem uma das mais importantes funções sociais.</p>
<p>Para tanto, o governo deve implementar uma carreira atraente, bem estruturada e estimuladora, construída sobre salários-base adequados e na qual o professor possa evoluir até os mais altos níveis salariais sem que tenha que deixar de lecionar.</p>
<p>Muitos professores, hoje, assumem funções como as de diretor ou de supervisor de ensino movidos pelas necessidades salariais. Uma carreira justa permitirá realizar algo que há muito não se faz no Estado de São Paulo: planejamento.</p>
<p>A partir de um piso salarial adequado, haveria a previsibilidade dos gastos do Estado com salários ano a ano, balizando os planos plurianuais e os Orçamentos anuais, hoje verdadeiras peças de ficção.</p>
<p>O processo educativo exige planejamento, estabilidade e continuidade. Não adianta o governo falar em qualidade de ensino se suas políticas vão em sentido oposto.</p>
<p>O que temos é uma verdadeira desorganização do Estado, definindo-se políticas que se modificam ou se extinguem ao bel-prazer do governo de plantão. Não há política salarial. O governo decide, como lhe convém, se dá ou não reajuste.</p>
<p>Nós, professores, lutamos por uma carreira que nos permita viver com dignidade, e não apenas sobreviver, como hoje ocorre.</p>
<p>Com valorização dos professores, salários adequados e condições de trabalho, a escola pública estadual paulista poderá, finalmente, cumprir o papel que a sociedade dela espera.</p>
<p><strong>MARIA IZABEL AZEVEDO NORONHA é presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e membro do Conselho Nacional de Educação.</strong></p></blockquote>

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		<title>Paulo Skaf (PSB-SP) se mantém na disputa ao governo de SP</title>
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		<pubDate>Tue, 04 May 2010 11:15:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Da Coluna da Mônica Bergamo na Folha de São Paulo ...]]></description>
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><p>Da Coluna da <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0405201007.htm">Mônica Bergamo na Folha de São Paulo 04/05/2010</a></p>
<blockquote><p><strong>PAPO FIRME </strong><br />
Paulo Skaf, pré-candidato ao governo de São Paulo, e o deputado Márcio França, presidente do PSB no Estado, se reuniram ontem com o senador Romeu Tuma (PTB-SP), que quer ser candidato ao Senado, mas encontra dificuldade para entrar na chapa em aliança com o PSDB. Conversaram também com dirigentes do PPS.</p>
<p><strong>DIA DO FICO </strong><br />
E, numa sinalização de que não pretende desistir tão fácil da pré-candidatura, Skaf anunciou ontem, em reunião com mais de cem diretores do Sesi/ Senai, que vai se licenciar da presidência da Fiesp em breve para se dedicar à campanha.</p></blockquote>

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		<title>Repórter desmascara blogueira cubana Yoani Sánchez em entrevista</title>
		<link>http://www.joildo.net/noticias/reporter-desmascara-blogueira-cubana-yoani-sanchez-em-entrevista/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Apr 2010 23:10:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Publicado no Vermelho
Yoani Sánchez é a nova personalidade da oposição ...]]></description>
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href="http://www.google.com/reader/link?url=http://www.joildo.net/noticias/reporter-desmascara-blogueira-cubana-yoani-sanchez-em-entrevista/&title=Repórter+desmascara+blogueira+cubana+Yoani+Sánchez+em+entrevista&srcURL=http://www.joildo.net" target="_blank" rel="nofollow"><img
src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><p><a href="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2010/04/yoani_sanchez.jpg"><img src="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2010/04/yoani_sanchez-243x300.jpg" alt="" title="yoani_sanchez" width="243" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-3125" /></a></p>
<p><a href="http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=128182&#038;id_secao=7">Publicado no Vermelho</a></p>
<blockquote><p>Yoani Sánchez é a nova personalidade da oposição cubana. Desde a  criação de seu blog, Generación Y, em 2007, obteve inúmeros prêmios  internacionais: o prêmio de Jornalismo Ortega y Gasset (2008), o prêmio  Bitacoras.com (2008), o prêmio The Bob&#8217;s (2008), o prêmio Maria Moors  Cabot (2008) da prestigiada universidade norte-americana de Colúmbia. Do  mesmo modo, a blogueira foi escolhida como uma das 100 personalidades  mais influentes do mundo pela revista Time(2008), em companhia de George  W. Bush, Hu Jintao e Dalai Lama.</p>
<p>Seu blog foi incluído na lista dos 25 melhores do mundo do canal CNN e  da Time(2008). Em 30 de novembro de 2008, o diário espanhol El País a  incluiu na lista das 100 personalidades hispano-americanas mais  influentes do ano (lista na qual não apareciam nem Fidel Castro, nem  Raúl Castro). A revista Foreign Policy, por sua vez, a considerou um dos  10 intelectuais mais importantes do ano, enquanto a revista mexicana  Gato Pardofez o mesmo para 2008.</p>
<p>Esta impressionante avalanche de distinções simultâneas suscitou  numerosas interrogações, ainda mais considerando que Yoani Sánchez,  segundo suas próprias confissões, é uma total desconhecida em seu  próprio país. Como uma pessoa desconhecida por seus vizinhos &#8211; segundo a  própria blogueira &#8211; pode integrar a lista das 100 personalidades mais  influentes do ano?</p>
<p>Um diplomata ocidental próximo desta atípica opositora do governo de  Havana havia lido uma série de artigos que escrevi sobre Yoani Sánchez e  que eram relativamente críticos. Ele os mostrou à blogueira cubana, que  quis reunir-se comigo para esclarecer alguns pontos abordados.</p>
<p>O encontro com a jovem dissidente de fama controvertida não ocorreu em  algum apartamento escuro, com as janelas fechadas, ou em um lugar  isolado e recluso para escapar aos ouvidos indiscretos da &#8220;polícia  política&#8221;. Ao contrário, aconteceu no saguão do Hotel Plaza, no centro  de Havana Velha, em uma tarde inundada de sol. O local estava bem  movimentado, com numerosos turistas estrangeiros que perambulavam pelo  imenso salão do edifício majestoso que abriu suas portas no início do  século XX.</p>
<p>Yoani Sánchez vive perto das embaixadas ocidentais. De fato, uma simples  chamada de meu contato ao meio-dia permitiu que combinássemos o  encontro para três horas depois. Às 15h, a blogueira apareceu  sorridente, vestida com uma saia longa e uma camiseta azul. Também usava  uma jaqueta esportiva, para amenizar o relativo frescor do inverno  havanês.</p>
<p>Foram cerca de duas horas de conversa ao redor de uma mesa do bar do  hotel, com a presença de seu marido, Reinaldo Escobar, que a acompanhou  durante uns vinte minutos antes de sair para outro encontro. Yoani  Sánchez mostrou-se extremamente cordial e afável e exibiu grande  tranquilidade. Seu tom de voz era seguro e em nenhum momento ela pareceu  incomodada. Acostumada aos meios ocidentais, domina relativamente bem a  arte da comunicação.</p>
<p>Esta blogueira, personagem de aparência frágil, inteligente e sagaz, tem  consciência de que, embora lhe seja difícil admitir, sua midiatização  no Ocidente não é uma causalidade, mas se deve ao fato de ela preconizar  a instauração de um &#8220;capitalismo sui generis&#8221; em Cuba.</p>
<p><strong>O incidente de 6 de novembro de 2009</strong></p>
<p><strong>Salim Lamrani &#8211; Comecemos pelo incidente ocorrido em 6 de novembro de  2009 em Havana. Em seu blog, a senhora explicou que foi presa com três  amigos por &#8220;três robustos desconhecidos&#8221; durante uma &#8220;tarde carregada de  pancadas, gritos e insultos&#8221;. A senhora denunciou as violências de que  foi vítima por parte das forças da ordem cubanas. Confirma sua versão  dos fatos?</p>
<p>Yoani Sánchez -</strong> Efetivamente, confirmo que sofri violência.  Mantiveram-me sequestrada por 25 minutos. Levei pancadas. Consegui pegar  um papel que um deles levava no bolso e o coloquei em minha boca. Um  deles pôs o joelho sobre meu peito e o outro, no assento dianteiro, me  batia na região dos rins e golpeava minha cabeça para que eu abrisse a  boca e soltasse o papel. Por um momento, achei que nunca sairia daquele  carro.</p>
<p><strong>SL &#8211; O relato, em seu blog, é verdadeiramente terrorífico. Cito  textualmente: a senhora falou de &#8220;golpes e empurrões&#8221;, de &#8220;golpes nos  nós dos dedos&#8221;, de &#8220;enxurrada de golpes&#8221;, do &#8220;joelho sobre o [seu]  peito&#8221;, dos golpes nos &#8220;rins e [...] na cabeça&#8221;, do &#8220;cabelo puxado&#8221;, de  seu &#8220;rosto avermelhado pela pressão e o corpo dolorido&#8221;, dos &#8220;golpes  [que] continuavam vindo&#8221; e &#8220;todas essas marcas roxas&#8221;. No entanto,  quando a senhora recebeu a imprensa internacional em 9 de novembro,  todas as marcas haviam desaparecido. Como explica isso?</p>
<p>YS &#8211; </strong>São profissionais do espancamento.</p>
<p><strong>SL &#8211; Certo, mas por que a senhora não tirou fotos das marcas?</p>
<p>YS &#8211; </strong>Tenho as fotos. Tenho provas fotográficas.</p>
<p><strong>SL &#8211; Tem provas fotográficas?</p>
<p>YS &#8211; </strong>Tenho as provas fotográficas.</p>
<p><strong>SL &#8211; Mas por que não as publicou para desmentir todos os rumores  segundo os quais a senhora havia inventado uma agressão para que a  imprensa falasse de seu caso?</p>
<p>YS -</strong> Por enquanto prefiro guardá-las e não publicá-las. Quero  apresentá-las um dia perante um tribunal, para que esses três homens  sejam julgados. Lembro-me perfeitamente de seus rostos e tenho fotos de  pelo menos dois deles. Quanto ao terceiro, ainda não está identificado,  mas, como se tratava do chefe, será fácil de encontrar. Tenho também o  papel que tirei de um deles e que tem minha saliva, pois o coloquei na  boca. Neste papel estava escrito o nome de uma mulher.</p>
<p><strong>SL &#8211; Certo. A senhora publica muitas fotos em seu blog. Para nós é  difícil entender por que prefere não mostrar as marcas desta vez.</p>
<p>YS -</strong> Como já lhe disse, prefiro guardá-las para a Justiça.</p>
<p><strong>SL &#8211; A senhora entende que, com essa atitude, está dando crédito aos  que pensam que a agressão foi uma invenção.</p>
<p>YS &#8211; </strong>É minha escolha. <strong><br />
</strong><br />
<strong>SL &#8211; No entanto, até mesmo os meios ocidentais que lhe são mais  favoráveis tomaram precauções oratórias pouco habituais para divulgar  seu relato. O correspondente da BBC em Havana, Fernando Ravsberg, por  exemplo, escreve que a senhora &#8220;não tem hematomas, marcas ou  cicatrizes&#8221;. A agência France Presseconta a história esclarecendo com  muito cuidado que se trata de sua versão, sob o título &#8220;Cuba: a  blogueira Yoani Sánchez diz ter sido agredida e detida brevemente&#8221;. O  jornalista afirma, por outro lado, que a senhora &#8220;não ficou ferida&#8221;.</p>
<p>YS </strong>- Não quero avaliar o trabalho deles. Não sou eu quem deve  julgá-lo. São profissionais que passam por situações muito complicadas,  que não posso avaliar. O certo é que a existência ou não de marcas  físicas não é a prova do fato.</p>
<p><strong>SL &#8211; Mas a presença de marcas demonstraria que foram cometidas  violências. Daí a importância da publicação das fotos.</p>
<p>YS </strong>- O senhor deve entender que tratamos de profissionais da  intimidação. O fato de três desconhecidos terem me levado até um carro  sem me apresentar nenhum documento me dá o direito de me queixar como se  tivessem fraturado todos os ossos do corpo. As fotos não são  importantes porque a ilegalidade está consumada. A precisão de que &#8220;me  doeu aqui ou me doeu ali&#8221; é minha dor interior.</p>
<p><strong>SL &#8211; Sim, mas o problema é que a senhora apresentou isso como uma  agressão muito violenta. A senhora falou de &#8220;sequestro no pior estilo da  Camorra siciliana&#8221;.</p>
<p>YS -</strong> Sim, é verdade, mas sei que é minha palavra contra a deles.  Entrar nesse tipo de detalhes, para saber se tenho marcas ou não, nos  afasta do tema verdadeiro, que é o fato de terem me sequestrado durante  25 minutos de maneira ilegal.</p>
<p><strong>SL &#8211; Perdoe-me a insistência, mas creio que é importante. Há uma  diferença entre um controle de identidade que dura 25 minutos e  violências policiais. Minha pergunta é simples. A senhora disse,  textualmente: &#8220;Durante todo o fim de semana fiquei com a maçã do rosto e  o supercílio inflamados.&#8221; Como tem as fotos, pode agora mostrar as  marcas.</p>
<p>YS </strong>- Já lhe disse que prefiro guardá-las para o tribunal.</p>
<p><strong>SL &#8211; A senhora entende que, para algumas pessoas, será difícil  acreditar em sua versão se a senhora não publicar as fotos.</p>
<p>YS -</strong> Penso que, entrando nesse tipo de detalhes, perde-se a  essência. A essência é que três bloggers acompanhados por uma amiga  dirigiam-se a um ponto da cidade que era a Rua 23, esquina G. Tínhamos  ouvido falar que um grupo de jovens convocara uma passeata contra a  violência. Pessoas alternativas, cantores de hip hop, de rap, artistas.  Eu compareceria como blogueira para tirar fotos e publicá-las em meu  blog e fazer entrevistas. No caminho, fomos interceptados por um carro  da marca Geely.</p>
<p><strong>SL &#8211; Para impedi-los de participar do evento?</p>
<p>YS</strong> &#8211; A razão, evidentemente, era esta. Eles nunca me disseram  formalmente, mas era o objetivo. Disseram-me que entrasse no carro.  Perguntei quem eles eram. Um deles me pegou pelo pulso e comecei a ir  para trás. Isso aconteceu em uma zona bastante central de Havana, em um  ponto de ônibus.</p>
<p><strong>SL &#8211; Então havia outras pessoas. Havia testemunhas.</p>
<p>YS -</strong> Há testemunhas, mas não querem falar. Têm medo.</p>
<p><strong>SL &#8211; Nem mesmo de modo anônimo? Por que a imprensa ocidental não as  entrevistou preservando seu anonimato, como faz muitas vezes quando  publica reportagens críticas sobre Cuba?</p>
<p>YS &#8211; </strong>Não posso lhe explicar a reação da imprensa. Posso lhe contar o  que aconteceu. Um deles era um homem de uns cinquenta anos, musculoso  como se tivesse praticado luta livre em algum momento da vida. Digo-lhe  isso porque meu pai praticou esse esporte e tem as mesmas  características. Tenho os pulsos muito finos e consegui escapar, e lhe  perguntei quem era. Havia três homens além do motorista.</p>
<p><strong>SL &#8211; Então havia quatro homens no total, e não três.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Sim, mas não vi o rosto do motorista. Disseram-me: &#8220;Yoani,  entre no carro, você sabe quem somos.&#8221; Respondi: &#8220;Não sei quem são os  senhores.&#8221; O mais baixo me disse: &#8220;Escute-me, voce sabe quem sou, você  me conhece.&#8221; Retruquei: &#8220;Não, não sei quem é você. Não o conheço. Quem é  você? Mostre-me suas credenciais ou algum documento.&#8221; O outro me disse:  &#8220;Entre, não torne as coisas mais difíceis.&#8221; Então comecei a gritar:  &#8220;Socorro! Sequestradores!&#8221;</p>
<p><strong>SL &#8211; A senhora sabia que se tratava de policiais à paisana?</p>
<p>YS </strong>- Imaginava, mas eles não me mostraram seus documentos.</p>
<p><strong>SL &#8211; Qual era seu objetivo, então?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Queria que as coisas fossem feitas dentro da legalidade, ou  seja, que me mostrassem seus documentos e me levassem depois, embora eu  suspeitasse que eles representavam a autoridade. Ninguém pode obrigar um  cidadão a entrar em um carro particular sem apresentar suas  credenciais. Isso é uma ilegalidade e um sequestro.</p>
<p><strong>SL &#8211; Como as pessoas no ponto de ônibus reagiram?</p>
<p>YS </strong>- As pessoas no ponto ficaram atônitas, pois &#8220;sequestro&#8221; não é  uma palavra que se usa em Cuba, não existe esse fenômeno. Então se  perguntaram o que estava acontecendo. Não tínhamos jeito de  delinquentes. Alguns se aproximaram, mas um dos policiais lhes gritou:  &#8220;Não se metam, que são contrarrevolucionários!&#8221;</p>
<p>Esta foi a confirmação de que se tratava de membros da polícia política,  embora eu já imaginasse por causa do carro Geely, que é chinês, de  fabricação atual, e não é vendido em nenhuma loja em Cuba. Esses carros  pertencem exclusivamente a membros do Ministério das Forças Armadas e do  Ministério do Interior.</p>
<p><strong>SL &#8211; Então a senhora sabia desde o início, pelo carro, que se tratava  de policiais à paisana.</p>
<p>YS </strong>- Intuía. Por outro lado, tive a confirmação quando um deles  chamou um policial uniformizado. Uma patrulha formada por um homem e uma  mulher chegou e levou dois de nós. Deixou-nos nas mãos desses dois  desconhecidos.</p>
<p><strong>SL &#8211; Mas a senhora já não tinha a menor dúvida sobre quem eles eram.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Não, mas não nos mostraram nenhum documento. Os policiais não  nos disseram que representavam a autoridade. Não nos disseram nada.</p>
<p><strong>SL &#8211; É difícil entender o interesse das autoridades cubanas em  agredi-la fisicamente, sob o risco de provocar um escândalo  internacional. A senhora é famosa. Por que teriam feito isso?</p>
<p>YS -</strong> Seu objetivo era radicalizar-me, para que eu escrevesse textos  violentos contra eles. Mas não conseguirão.</p>
<p><strong>SL &#8211; Não se pode dizer que a senhora é branda com o governo cubano.</p>
<p>YS</strong> -Nunca recorro à violência verbal nem a ataques pessoais. Nunca  uso adjetivos incendiários, como &#8220;sangrenta repressão&#8221;, por exemplo. Seu  objetivo, então, era radicalizar-me.</p>
<p><strong>SL &#8211; No entanto, a senhora é muito dura em relação ao governo de  Havana. Em seu blog, a senhora diz: &#8220;o barco que faz água a ponto de  naufragar&#8221;. A senhora fala dos &#8220;gritos do déspota&#8221;, de &#8220;seres das  sombras, que, como vampiros, se alimentam de nossa alegria humana, nos  incutem o medo por meio da agressão, da ameaça, da chantagem&#8221;, e afirma  que &#8220;naufragaram o processo, o sistema, as expectativas, as ilusões. [É  um] naufráfio [total]&#8220;. São palavras muito fortes.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Talvez, mas o objetivo deles era queimar o fenômeno Yoani  Sánchez, demonizar-me. Por isso meu blog permaneceu bloqueado por um bom  tempo.</p>
<p><strong>SL &#8211; Contudo, é surpreendente que as autoridades cubanas tenham  decidido atacá-la fisicamente.</p>
<p>YS </strong>- Foi uma torpeza. Não entendo por que me impediram de assistir à  passeata, pois não penso como aqueles que reprimem. Não tenho  explicação. Talvez eles não quisessem que eu me reunisse com os jovens.  Os policiais acreditavam que eu iria provocar um escândalo ou fazer um  discurso incendiário.</p>
<p>Voltando ao assunto da detenção, os policiais levaram meus amigos de  maneira enérgica e firme, mas sem violência. No momento em que me dei  conta de que iriam nos deixar sozinhos com Orlando, com esses três  tipos, agarrei-me a uma planta que havia na rua e Claudia agarrou-se a  mim pela cintura para impedir a separação, antes de os policiais a  levarem.</p>
<p><strong>SL &#8211; Para que resistir às forças da ordem uniformizadas e correr o  risco de ser acusada disso e cometer um delito? Na França, se resistimos  à polícia, corremos o risco de sofrer sanções.</p>
<p>YS </strong>- De qualquer modo, eles nos levaram. A policial levou Claudia.  As três pessoas nos levaram até o carro e comecei a gritar de novo:  &#8220;Socorro! Um sequestro!&#8221;</p>
<p><strong>SL &#8211; Por quê? A senhora sabia que se tratava de policiais à paisana.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Não me mostraram nenhum papel. Então começaram a me bater e me  empurraram em direção ao carro. Claudia foi testemunha e relatou isso.</p>
<p><strong>SL &#8211; A senhora não acaba de me dizer que a patrulha a havia levado?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Ela viu a cena de longe, enquanto o carro de polícia se  afastava. Defendi-me e golpeei como um animal que sente que sua hora  chegou. Deram uma volta rápida e tentaram tirar-me o papel da boca.</p>
<p>Agarrei um deles pelos testículos e ele redobrou a violência.  Levaram-nos a um bairro bem periférico, La Timba, que fica perto da  Praça da Revolução. O homem desceu, abriu a porta e pediu que saíssemos.  Eu não quis descer. Eles nos fizeram sair à força com Orlando e foram  embora.</p>
<p>Uma senhora chegou e dissemos que havíamos sido sequestrados. Ela nos  achou malucos e se foi. O carro voltou, mas não parou. Eles só me  jogaram minha bolsa, onde estavam meu celular e minha câmera.</p>
<p><strong>SL &#8211; Voltaram para devolver seu celular e sua câmera?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Sim.</p>
<p><strong>SL &#8211; Não lhe parece estranho que se preocupassem em voltar? Poderiam  ter confiscado seu celular e sua câmera, que são suas ferramentas de  trabalho.</p>
<p>YS -</strong> Bem, não sei. Tudo durou 25 minutos.</p>
<p><strong>SL &#8211; Mas a senhora entende que, enquanto não publicar as fotos, as  pessoas duvidarão de sua versão, e isso lançará uma sombra sobre a  credibilidade de tudo o que a senhora diz.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Não importa.</p>
<p><strong><br />
A Suíça e o retorno a Cuba </strong></p>
<p><strong>SL &#8211; Em 2002, a senhora decidiu emigrar para a Suíça. Dois anos  depois, voltou a Cuba. É difícil entender por que a senhora deixou o  &#8220;paraíso europeu&#8221; para regressar ao país que descreve como um inferno. A  pergunta é simples: por quê?</p>
<p>YS </strong>- É uma ótima pergunta. Primeiro, gosto de nadar contra a  corrente. Gosto de organizar minha vida à minha maneira. O absurdo não é  ir embora e voltar a Cuba, e sim as leis migratórias cubanas, que  estipulam que toda pessoa que passa onze meses no exterior perde seu  status de residente permanente.</p>
<p>Em outras condições eu poderia permanecer dois anos no exterior e, com o  dinheiro ganho, voltar a Cuba para reformar a casa e fazer outras  coisas. Então o surpreendente não é o fato de eu decidir voltar a Cuba, e  sim as leis migratórias cubanas.</p>
<p><strong>SL &#8211; O mais surpreendente é que, tendo a possibilidade de viver em um  dos países mais ricos do mundo, a senhora tenha decidido voltar a seu  país, que descreve de modo apocalíptico, apenas dois anos depois de sua  saída.</p>
<p>YS</strong> &#8211; As razões são várias. Primeiro, não pude ir embora com minha  família. Somos uma pequena família, mas minha irmã, meus pais e eu somos  muito unidos. Meu pai ficou doente em minha ausência e tive medo de que  ele morresse sem que eu pudesse vê-lo. Também me sentia culpada por  viver melhor do que eles. A cada vez que comprava um par de sapatos, que  me conectava à internet, pensava neles. Sentia-me culpada.</p>
<p><strong>SL &#8211; Certo, mas, da Suíça, a senhora podia ajudá-los enviando  dinheiro.</p>
<p>YS </strong>- É verdade, mas há outro motivo. Pensei que, com o que havia  aprendido na Suíça, poderia mudar as coisas voltando a Cuba. Há também a  saudade das pessoas, dos amigos. Não foi uma decisão pensada, mas não  me arrependo.</p>
<p>Tinha vontade de voltar e voltei. É verdade que isso pode parecer pouco  comum, mas gosto de fazer coisas incomuns. Criei um blog e as pessoas me  perguntaram por que eu fiz isso, mas o blog me satisfaz  profissionalmente.</p>
<p><strong>SL &#8211; Entendo. No entanto, apesar de todas essas razões, é difícil  entender o motivo de seu regresso a Cuba quando no Ocidente se acredita  que todos os cubanos querem abandonar o país. É ainda mais surpreendente  em seu caso, pois a senhora apresenta seu país, repito, de modo  apocalíptico.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Como filóloga, eu discutiria a palavra, pois &#8220;apocalíptico&#8221; é  um termo grandiloquente. Há um aspecto que caracteriza meu blog: a  moderação verbal.</p>
<p><strong>SL &#8211; Não é sempre assim. A senhora, por exemplo, descreve Cuba como  &#8220;uma imensa prisão, com muros ideológicos&#8221;. Os termos são bastantes  fortes.</p>
<p>YS </strong>- Nunca escrevi isso.</p>
<p><strong>SL &#8211; São as palavras de uma entrevista concedida ao canal francês  France 24 em 22 de outubro de 2009.</p>
<p>YS</strong> &#8211; O senhor leu isso em francês ou em espanhol?</p>
<p><strong>SL &#8211; Em francês.</p>
<p>YS </strong>- Desconfie das traduções, pois eu nunca disse isso. Com  frequência me atribuem coisas que eu não disse. Por exemplo, o jornal  espanhol ABC me atribuiu palavras que eu nunca havia pronunciado, e  protestei. O artigo foi finalmente retirado do site na internet.</p>
<p><strong>SL &#8211; Quais eram essas palavras?</p>
<p>YS</strong> &#8211; &#8220;Nos hospitais cubanos, morre mais gente de fome do que de  enfermidades.&#8221; Era uma mentira total. Eu jamais havia dito isso.</p>
<p><strong>SL &#8211; Então a imprensa ocidental manipulou o que a senhora disse?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Eu não diria isso.<br />
<strong><br />
SL &#8211; Se lhe atribuem palavras que a senhora não pronunciou, trata-se de  manipulação.</p>
<p>YS </strong>- O Granma manipula a realidade mais do que a imprensa ocidental  ao afirmar que sou uma criação do grupo midiático Prisa.</p>
<p><strong>SL &#8211; Justamente, a senhora não tem a impressão de que a imprensa  ocidental a usa porque a senhora preconiza um &#8220;capitalismo sui generis&#8221;  em Cuba?</p>
<p>YS </strong>- Não sou responsável pelo que a imprensa faz. Meu blog é uma  terapia pessoal, um exorcismo. Tenho a impressão de que sou mais  manipulada em meu próprio país do que em outra parte. O senhor sabe que  existe uma lei em Cuba, a lei 88, chamada lei da &#8220;mordaça&#8221;, que põe na  cadeia as pessoas que fazem o que estamos fazendo.</p>
<p><strong>SL &#8211; O que isso quer dizer?</p>
<p>YS </strong>- Que nossa conversa pode ser considerada um delito, que pode ser  punido com uma pena de até 15 anos de prisão.</p>
<p><strong>SL &#8211; Perdoe-me, o fato de eu entrevistá-la pode levá-la para a  cadeia?</p>
<p>YS</strong> &#8211;  É claro!</p>
<p><strong>SL &#8211; Não tenho a impressão de que isso a preocupe muito, pois a  senhora está me concedendo uma entrevista em plena tarde, no saguão de  um hotel no centro de Havana Velha.</p>
<p>YS </strong>- Não estou preocupada. Esta lei estipula que toda pessoa que  denuncie as violações dos direitos humanos em Cuba colabora com as  sanções econômicas, pois Washington justifica a imposição das sanções  contra Cuba pela violação dos direitos humanos.</p>
<p><strong>SL &#8211; Se não me engano, a lei 88 foi aprovada em 1996 para responder à  Lei-Helms Burton e sanciona sobretudo as pessoas que colaboram com a  aplicação desta legislação em Cuba, por exemplo fornecendo informações a  Washington sobre os investidores estrangeiros no país, para que estes  sejam perseguidos pelos tribunais norte-americanos. Que eu saiba,  ninguém até agora foi condenado por isso.</p>
<p>Falemos de liberdade de expressão. A senhora goza de certa liberdade de  tom em seu blog. Está sendo entrevistada em plena tarde em um hotel. Não  vê uma contradição entre o fato de afirmar que não há nenhuma liberdade  de expressão em Cuba e a realidade de seus escritos e suas atividades,  que provam o contrário?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Sim, mas o blog não pode ser acessado desde Cuba, porque está  bloqueado.</p>
<p><strong>SL &#8211; Posso lhe assegurar que o consultei esta manhã antes da  entrevista, no hotel.</p>
<p>YS</strong> &#8211; É possível, mas ele permanece bloqueado a maior parte do tempo.  De todo modo, hoje em dia, mesmo sendo uma pessoa moderada, não posso  ter nenhum espaço na imprensa cubana, nem no rádio, nem na televisão.</p>
<p><strong>SL &#8211; Mas pode publicar o que tem vontade em seu blog.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Mas não posso publicar uma única palavra na imprensa cubana.</p>
<p><strong>SL &#8211; Na França, que é uma democracia, amplos setores da população não  têm nenhum espaço nos meios, já que a maioria pertence a grupos  econômicos e financeiros privados.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Sim, mas é diferente.</p>
<p><strong>SL &#8211; A senhora recebeu ameaças por suas atividades? Alguma vez a  ameaçaram com uma pena de prisão pelo que escreve?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Ameaças diretas de pena de prisão, não, mas não me deixam  viajar ao exterior. Fui convidada há pouco para um Congresso sobre a  língua espanhola no Chile, fiz todos os trâmites, mas não me deixam  sair.</p>
<p><strong>SL &#8211; Deram-lhe alguma explicação?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Nenhuma, mas quero dizer uma coisa. Para mim, as sanções dos  Estados Unidos contra Cuba são uma atrocidade. Trata-se de uma política  que fracassou. Afirmei isso muitas vezes, mas não se publica, pois é  incômodo o fato de eu ter esta opinião que rompe com o arquétipo do  opositor.</p>
<p><strong><br />
As sanções econômicas<br />
</strong><br />
<strong>SL &#8211; Então a senhora se opõe às sanções econômicas.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Absolutamente, e digo isso em todas as entrevistas. Há algumas  semanas, enviei uma carta ao Senado dos Estados Unidos pedindo que os  cidadãos norte-americanos tivessem permissão para viajar a Cuba. É uma  atrocidade impedir que os cidadãos norte-americanos viajem a Cuba, do  mesmo modo que o governo cubano me impede de sair de meu país.</p>
<p><strong>SL &#8211; O que acha das esperanças suscitadas pela eleição de Obama, que  prometeu uma mudança na política para Cuba, mas decepcionou muita gente?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Ele chegou ao poder sem o apoio do lobby fundamentalista de  Miami, que defendeu o outro candidato. De minha parte, já me pronunciei  contra as sanções.</p>
<p><strong>SL &#8211; Este lobby fundamentalista é contra a suspensão das sanções  econômicas.</p>
<p>YS</strong> &#8211; O senhor pode discutir com eles e lhes expor meus argumentos,  mas eu não diria que são inimigos da pátria. Não penso assim.</p>
<p><strong>SL &#8211; Uma parte deles participou da invasão de seu próprio país em  1961, sob as ordens da CIA. Vários estão envolvidos em atos de  terrorismo contra Cuba.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Os cubanos no exílio têm o direito de pensar e decidir. Sou a  favor de que eles tenham direito ao voto. Aqui, estigmatizou-se muito o  exílio cubano.</p>
<p><strong>SL &#8211; O exílio &#8220;histórico&#8221; ou os que emigraram depois, por razões  econômicas?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Na verdade, oponho-me a todos os extremos. Mas essas pessoas  que defendem as sanções econômicas não são anticubanas. Considere que  elas defendem Cuba segundo seus próprios critérios.</p>
<p><strong>SL &#8211; Talvez, mas as sanções econômicas afetam os setores mais  vulneráveis da população cubana, e não os dirigentes. Por isso é difícil  ser a favor das sanções e, ao mesmo tempo, querer defender o bem-estar  dos cubanos.</p>
<p>YS</strong> &#8211; É a opinião deles. É assim.</p>
<p><strong>SL &#8211; Eles não são ingênuos. Sabem que os cubanos sofrem com as  sanções.</p>
<p>YS </strong>- São simplesmente diferentes. Acreditam que poderão mudar o  regime impondo sanções. Em todo caso, creio que o bloqueio tem sido o  argumento perfeito para o governo cubano manter a intolerância, o  controle e a repressão interna.</p>
<p><strong>SL &#8211; As sanções econômicas têm efeitos. Ou a senhora acha que são  apenas uma desculpa para Havana?</p>
<p>YS </strong>- São uma desculpa que leva à repressão.</p>
<p><strong>SL &#8211; Afetam o país de um ponto de vista econômico, para a senhora? Ou  é apenas um efeito marginal?</p>
<p>YS </strong>- O verdadeiro problema é a falta de produtividade em Cuba. Se  amanhã suspendessem as sanções, duvido muito que víssemos os efeitos.</p>
<p><strong>SL &#8211; Neste caso, por que os Estados Unidos não suspendem as sanções,  tirando assim a desculpa do governo? Assim perceberíamos que as  dificuldades econômicas devem-se apenas às políticas internas. Se  Washington insiste tanto nas sanções apesar de seu caráter anacrônico,  apesar da oposição da imensa maioria da comunidade internacional, 187  países em 2009, apesar da oposição de uma maioria da opinião pública dos  Estados Unidos, apesar da oposição do mundo dos negócios, deve ser por  algum motivo, não?</p>
<p>YS </strong>- Simplesmente porque Obama não é o ditador dos Estados Unidos e  não pode eliminar as sanções.</p>
<p><strong>SL &#8211; Ele não pode eliminá-las totalmente porque não há um acordo no  Congresso, mas pode aliviá-las consideravelmente, o que não fez até  agora, já que, salvo a eliminação das sanções impostas por Bush em 2004,  quase nada mudou.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Não, não é verdade, pois ele também permitiu que as empresas de  telecomunicações norte-americanas fizessem transações com Cuba.</p>
<p><strong>Os prêmios internacionais, o blog e Barack Obama</p>
<p>SL &#8211; A senhora terá de admitir que é bem pouco, quando se sabe que Obama  prometeu um novo enfoque para Cuba. Voltemos a seu caso pessoal. Como  explica esta avalanche de prêmios, assim como seu sucesso internacional?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Não tenho muito a dizer, a não ser expressar minha gratidão.  Todo prêmio implica uma dose de subjetividade por parte do jurado. Todo  prêmio é discutível. Por exemplo, muitos escritores latino-americanos  mereciam o Prêmio Nobel de Literatura mais que Gabriel García Márquez.</p>
<p><strong>SL &#8211; A senhora afirma isso porque acredita que ele não tem tanto  talento ou por sua posição favorável à Revolução cubana? A senhora não  nega seu talento de escritor, ou nega?</p>
<p>YS </strong>- É minha opinião, mas não direi que ele obteve o prêmio por esse  motivo nem vou acusá-lo de ser um agente do governo sueco.</p>
<p><strong>SL &#8211; Ele obteve o prêmio por sua obra literária, enquanto a senhora  foi recompensada por suas posições políticas contra o governo. É a  impressão que temos.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Falemos do prêmio Ortega y Gasset, do jornal El País, que  suscita mais polêmica. Venci na categoria &#8220;Internet&#8221;. Alguns dizem que  outros jornalistas não conseguiram, mas sou uma blogueira e sou pioneira  neste campo. Considero-me uma personagem da internet. O júri do prêmio  Ortega y Gasset é formado por personalidades extremamente prestigiadas e  eu não diria que elas se prestaram a uma conspiração contra Cuba.</p>
<p><strong>SL &#8211; A senhora não pode negar que o jornal espanhol El Paístem uma  linha editorial totalmente hostil a Cuba. E alguns acham que o prêmio,  de 15.000 euros, foi uma forma de recompensar seus escritos contra o  governo.</p>
<p>YS </strong>- As pessoas pensam o que querem. Acredito que meu trabalho foi  recompensado. Meu blog tem 10 milhões de visitas por mês. É um furacão.</p>
<p><strong>SL &#8211; Como a senhora faz para pagar os gastos com a administração de  semelhante tráfego?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Um amigo na Alemanha se encarregava disso, pois o site estava  hospedado na Alemanha. Há mais de um ano está hospedado na Espanha, e  consegui 18 meses gratuitos graças ao prêmio The Bob&#8217;s.</p>
<p><strong>SL &#8211; E a tradução para 18 línguas?</p>
<p>YS</strong> &#8211; São amigos e admiradores que o fazem voluntária e  gratuitamente.</p>
<p><strong>SL &#8211; Muitas pessoas acham difícil acreditar nisso, pois nenhum outro  site do mundo, nem mesmo os das mais importantes instituições  internacionais, como as Nações Unidas, o Banco Mundial, o Fundo  Monetário Internacional, a OCDE, a União Europeia, dispõe de tantas  versões de idioma. Nem o site do Departamento de Estado dos EUA, nem o  da CIA contam com semelhante variedade.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Digo-lhe a verdade.</p>
<p><strong>SL &#8211; O presidente Obama inclusive respondeu a uma entrevista que a  senhora fez. Como explica isso?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Em primeiro lugar, quero dizer que não eram perguntas  complacentes.</p>
<p><strong>SL &#8211; Tampouco podemos afirmar que a senhora foi crítica, já que não  pediu que ele suspendesse as sanções econômicas, sobre as quais a  senhora diz que &#8220;são usadas como justificativa tanto para o descalabro  produtivo quanto para reprimir os que pensam diferente&#8221;. É exatamente o  que diz Washington sobre o tema.</p>
<p>O momento de maior atrevimento foi quando a senhora perguntou se ele  pensava em invadir Cuba. Como a senhora explica que o presidente Obama  tenha dedicado tempo a lhe responder apesar de sua agenda extremamente  carregada, com uma crise econômica sem precedentes, a reforma do sistema  de saúde, o Iraque, o Afeganistão, as bases militares na Colômbia, o  golpe de Estado em Honduras e centenas de pedidos de entrevista dos mais  importantes meios do mundo à espera?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Tenho sorte. Quero lhe dizer que também enviei perguntas ao  presidente Raúl Castro e ele não me respondeu. Não perco a esperança.  Além disso, ele agora tem a vantagem de contar com as respostas de  Obama.</p>
<p><strong>SL &#8211; Como a senhora chegou até Obama?</p>
<p>YS </strong>- Transmiti as perguntas a várias pessoas que vinham me visitar e  poderiam ter um contato com ele.</p>
<p><strong>SL &#8211; Em sua opinião, Obama respondeu porque a senhora é uma blogueira  cubana ou porque se opõe ao governo?</p>
<p>YS -</strong> Não creio. Obama respondeu porque fala com os cidadãos.</p>
<p><strong>SL &#8211; Ele recebe milhões de solicitações a cada dia. Por que lhe  respondeu, se a senhora é uma simples blogueira?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Obama é próximo de minha geração, de meu modo de pensar.</p>
<p><strong>SL &#8211; Mas por que a senhora? Existem milhões de blogueiros no mundo.  Não acha que foi usada na guerra midiática de Washington contra Havana?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Em minha opinião, ele talvez quisesse responder a alguns  pontos, como a invasão de Cuba. Talvez eu tenha lhe dado a oportunidade  de se manifestar sobre um tema que ele queria abordar havia muito tempo.  A propaganda política nos fala constantemente de uma possível invasão  de Cuba.</p>
<p><strong>SL &#8211; Mas ocorreu uma, não?</p>
<p>YS </strong>- Quando?</p>
<p><strong>SL &#8211; Em 1961. E, em 2003, Roger Noriega, subsecretário de Estado para  Assuntos Interamericanos, disse que qualquer onda migratória cubana em  direção aos Estados Unidos seria considerada uma ameaça à segurança  nacional e exigiria uma resposta militar.</p>
<p>YS </strong>- É outro assunto. Voltando ao tema da entrevista, creio que ela  permitiu esclarecer alguns pontos. Tenho a impressão de que há uma  intenção de ambos os lados de não normalizar as relações, de não se  entender. Perguntei-lhe quando encontraríamos uma solução.</p>
<p><strong>SL &#8211; A seu ver, quem é responsável por este conflito entre os dois  países?</p>
<p>YS </strong>- É difícil apontar um culpado.</p>
<p><strong>SL &#8211; Neste caso específico, são os Estados Unidos que impõem sanções  unilaterais a Cuba, e não o contrário.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Sim, mas Cuba confiscou propriedades dos Estados Unidos.</p>
<p><strong>SL &#8211; Tenho a impressão de que a senhora faz o papel de advogada de  Washington.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Os confiscos ocorreram.</p>
<p><strong>SL &#8211; É verdade, mas foram realizados conforme o direito  internacional. Cuba também confiscou propriedades da França, Espanha,  Itália, Bélgica, Reino Unido, e indenizou estas nações. O único país que  recusou as indenizações foram os Estados Unidos.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Cuba também permitiu a instalação de bases militares em seu  território e de mísseis de um império distante&#8230;</p>
<p><strong>SL &#8211; &#8230;Como os Estados Unidos instalaram bases nucleares contra a  URSS na Itália e na Turquia.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Os mísseis nucleares podiam alcançar os Estados Unidos.</p>
<p><strong>SL &#8211; Assim como os mísseis nucleares norte-americanos podiam alcançar  Cuba ou a URSS.</p>
<p>YS</strong> &#8211; É verdade, mas creio que houve uma escalada no confronto por  parte de ambos os países.</p>
<p><strong>Os cinco presos políticos cubanos e a dissidência</p>
<p>SL &#8211; Abordemos outro tema. Fala-se muito dos cinco presos políticos  cubanos nos Estados Unidos, condenados à prisão perpétua por infiltrar  grupelhos de extrema direita na Flórida envolvidos no terrorismo contra  Cuba.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Não é um tema que interesse à população. É propaganda política.</p>
<p><strong>SL &#8211; Mas qual é seu ponto de vista a respeito?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Tentarei ser o mais neutra possível. São agentes do Ministério  do Interior que se infiltraram nos Estados Unidos para coletar  informações. O governo de Cuba disse que eles não desempenhavam  atividades de espionagem, mas sim que haviam infiltrado grupos cubanos  para evitar atos terroristas. Mas o governo cubano sempre afirmou que  esses grupos estavam ligados a Washington.</p>
<p><strong>SL &#8211; Então os grupos radicais de exilados têm laços com o governo dos  Estados Unidos.</p>
<p>YS </strong>- É o que diz a propaganda política.</p>
<p><strong>SL &#8211; Então não é verdade.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Se é verdade, significa que os cinco realizavam atividades de  espionagem.</p>
<p><strong>SL &#8211; Neste caso, os Estados Unidos têm de reconhecer que os grupos  violentos fazem parte do governo.</p>
<p>YS</strong> &#8211; É verdade.</p>
<p><strong>SL &#8211; A senhora acha que os Cinco devem ser libertados ou merecem a  punição?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Creio que valeria a pena revisar os casos, mas em um contexto  político mais apaziguado. Não acho que o uso político deste caso seja  bom para eles. O governo cubano midiatiza demais este assunto.</p>
<p><strong>SL &#8211; Talvez por ser um assunto totalmente censurado pela imprensa  ocidental.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Creio que seria bom salvar essas pessoas, que são seres  humanos, têm uma família, filhos. Por outro lado, contudo, também há  vítimas.</p>
<p><strong>SL &#8211; Mas os cinco não cometeram crimes.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Não, mas forneceram informações que causaram a morte de várias  pessoas.</p>
<p><strong>SL &#8211; A senhora se refere aos acontecimentos de 24 de fevereiro de  1996, quando dois aviões da organização radical Brothers to the Rescue  foram derrubados depois de violar várias vezes o espaço aéreo cubano e  lançar convocações à rebelião.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Sim.</p>
<p><strong>SL &#8211; No entanto, o promotor reconheceu que era impossível provar a  culpa de Gerardo Hernández neste caso.</p>
<p>YS</strong> &#8211; É verdade. Penso que, quando a política se intromete em  assuntos de justiça, chegamos a isso.</p>
<p><strong>SL &#8211; A senhora acha que se trata de um caso político?</strong></p>
<p><strong>YS </strong>- Para o governo cubano, é um caso político.</p>
<p><strong>SL &#8211; E para os Estados Unidos?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Penso que existe uma separação dos poderes no país, mas é  possível que o ambiente político tenha influenciado os juízes e jurados.  Não creio, no entanto, que se trate de um caso político dirigido por  Washigton. É difícil ter uma imagem clara deste caso, pois jamais  obtivemos uma informação completa a respeito. Mas a prioridade para os  cubanos é a libertação dos presos políticos.</p>
<p><strong>O financiamiento dos dissidentes cubanos pelos Estados Unidos</p>
<p>SL &#8211; Wayne S. Smith, último embaixador dos Estados Unidos em Cuba,  declarou que era &#8220;ilegal e imprudente enviar dinheiro aos dissidentes  cubanos&#8221;. Acrescentou que &#8220;ninguém deveria dar dinheiro aos dissidentes,  muito menos com o objetivo de derrubar o governo cubano&#8221;.</p>
<p>Ele explica: &#8220;Quando os Estados Unidos declaram que seu objetivo é  derrubar o governo cubano e depois afirmam que um dos meios para  conseguir isso é oferecer fundos aos dissidentes cubanos, estes se  encontram de fato na posição de agentes pagos por uma potência  estrangeira para derrubar seu próprio governo&#8221;.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Creio que o financiamento da oposição pelos Estados Unidos tem  sido apresentado como uma realidade, o que não é o caso. Conheço vários  membros do grupo dos 75 dissidentes presos em 2003 e duvido muito dessa  versão. Não tenho provas de que os 75 tenham sido presos por isso. Não  acredito nas provas apresentadas nos tribunais cubanos.<br />
<strong><br />
SL &#8211; Não creio que seja possível ignorar esta realidade.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Por quê?</p>
<p><strong>SL &#8211; O próprio governo dos Estados Unidos afirma que financia a  oposição interna desde 1959. Basta consultar, além dos arquivos  liberados ao público, a seção 1.705 da lei Torricelli, de 1992, a seção  109 da lei Helms-Burton, de 1996, e os dois informes da Comissão de  Assistência para uma Cuba Livre, de maio de 2004 e julho de 2006. Todos  esses documentos revelam que o presidente dos Estados Unidos financia a  oposição interna em Cuba com o objetivo de derrubar o governo de Havana.</p>
<p>YS</strong>: Não sei, mas&#8230;</p>
<p><strong>SL &#8211; Se me permite, vou citar as leis em questão. A seção 1.705 da  lei Torricelli estipula que &#8220;os Estados Unidos proporcionarão  assistência às organizações não-governamentais adequadas para apoiar  indivíduos e organizações que promovem uma mudança democrática não  violenta em Cuba.&#8221;</p>
<p>A seção 109 da lei Helms-Burton também é muito clara: &#8220;O presidente [dos  Estados Unidos] está autorizado a proporcionar assistência e oferecer  todo tipo de apoio a indivíduos e organizações não-governamentais  independentes para unir os esforços a fim de construir uma democracia em  Cuba&#8221;.</p>
<p>O primeiro informe da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre prevê a  elaboração de um &#8220;sólido programa de apoio que favoreça a sociedade  civil cubana&#8221;. Entre as medidas previstas há um financiamento de 36  milhões de dólares para o &#8220;apoio à oposição democrática e ao  fortalecimento da sociedade civil emergente&#8221;.</p>
<p>O segundo informe da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre prevê  um orçamento de 31 milhões de dólares para financiar ainda mais a  oposição interna. Além disso, está previsto para os anos seguintes um  financiamento anual de pelo menos 20 milhões de dólares, com o mesmo  objetivo, &#8220;até que a ditadura deixe de existir&#8221;.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Quem lhe disse que esse dinheiro chegou às mãos dos  dissidentes?</p>
<p><strong>SL &#8211; A Seção de Interesses Norte-americanos afirmou em um comunicado:  &#8220;A política norte-americana, faz muito tempo, é proporcionar  assistência humanitária ao povo cubano, especificamente a famílias de  presos políticos. Também permitimos que as organizações privadas o  façam.&#8221;</p>
<p>YS </strong>- Bem&#8230;</p>
<p><strong>SL &#8211; Inclusive a Anistia Internacional, que lembra a existência de 58  presos políticos em Cuba, reconhece que eles estão detidos &#8220;por ter  recebido fundos ou materiais do governo norte-americano para realizar  atividades que as autoridades consideram subversivas e prejudiciais para  Cuba&#8221;.</p>
<p>YS </strong>- Não sei se&#8230;</p>
<p><strong>SL &#8211; Por outro lado, os próprios dissidentes admitem receber dinheiro  dos Estados Unidos. Laura Pollán, das Damas de Branco, declarou:  &#8220;Aceitamos a ajuda, o apoio, da ultradireita à esquerda, sem condições&#8221;.  O opositor Vladimiro Roca também confessou que a dissidência cubana é  subvencionada por Washington, alegando que a ajuda financeira recebida  era &#8220;total e completamente lícita&#8221;. Para o dissidente René Gómez, o  apoio econômico por parte dos Estados Unidos &#8220;não é algo a esconder ou  de que precisemos nos envergonhar&#8221;.</p>
<p>Inclusive a imprensa ocidental reconhece. A agência France Presse  informa que &#8220;os dissidentes, por sua parte, reivindicaram e assumiram  essas ajudas econômicas&#8221;. A agência espanhola EFEmenciona os &#8220;opositores  financiados pelos Estados Unidos&#8221;. Quanto à agência de notícias  britânica Reuters, &#8220;o governo norte-americano fornece abertamente um  apoio financeiro federal às atividades dos dissidentes, o que Cuba  considera um ato ilegal&#8221;. E eu poderia multiplicar os exemplos.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Tudo isso é culpa do governo cubano, que impede a prosperidade  econômica de seus cidadãos, que impõe um racionamento à população. É  preciso fazer fila para conseguir produtos. É necessário julgar antes o  governo cubano, que levou milhares de pessoas a aceitar a ajuda  estrangeira.</p>
<p><strong>SL &#8211; O problema é que os dissidentes cometem um delito que a lei  cubana e todos os códigos penais do mundo sancionam severamente. Ser  financiado por uma potência estrangeira é um grave delito na Franca e no  restante do mundo.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Podemos admitir que o financiamento de uma oposição é uma prova  de ingerência, mas&#8230;</p>
<p><strong>SL &#8211; Mas, neste caso, as pessoas que a senhora qualifica de presos  políticos não são presos políticos, pois cometeram um delito ao aceitar  dinheiro dos Estados Unidos, e a justiça cubana as condenou com base  nisso.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Creio que este governo se intrometeu muitas vezes nos assuntos  internos de outros países, financiando movimentos rebeldes e a  guerrilha. Interveio em Angola e&#8230;</p>
<p><strong>SL &#8211; Sim, mas se tratava de ajudar os movimentos independentistas  contra o colonialismo português e o regime segregacionista da África do  Sul. Quando a África do Sul invadiu a Namíbia, Cuba interveio para  defender a independência deste país. Nelson Mandela agradeceu  publicamente a Cuba e esta foi a razão pela qual fez sua primeira viagem  a Havana, e não a Washington ou Paris.</p>
<p>YS </strong>- Mas muitos cubanos morreram por isso, longe de sua terra.</p>
<p><strong>SL &#8211; Sim, mas foi por uma causa nobre, seja em Angola, no Congo ou na  Namíbia. A batalha de Cuito Cuanavale, em 1988, permitiu que se pusesse  fim ao apartheid na África do Sul. É o que diz Mandela! Não se sente  orgulhosa disso?</p>
<p>YS </strong>- Concordo, mas, no fim das contas, incomoda-me mais a ingerência  de meu país no exterior. O que faz falta é despenalizar a prosperidade.</p>
<p><strong>SL &#8211; Inclusive o fato de se receber dinheiro de uma potência  estrangeira?</p>
<p>YS </strong>- As pessoas têm de ser economicamente autônomas.</p>
<p><strong><br />
SL &#8211; Se entendo bem, a senhora preconiza a privatização de certos  setores da economia.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Não gosto do termo &#8220;privatizar&#8221;, pois tem uma conotação  pejorativa, mas colocar em mãos privadas, sim.</p>
<p><strong>Conquistas sociais em Cuba?</p>
<p>SL &#8211; É uma questão semântica, então. Quais são, para a senhora, as  conquistas sociais deste país?</p>
<p>YS </strong>- Cada conquista teve um custo enorme. Todas as coisas que podem  parecer positivas tiveram um custo em termos de liberdade. Meu filho  recebe uma educação muito doutrinária e contam-lhe uma história de Cuba  que em nada corresponde à realidade. Preferiria uma educação menos  ideológica para meu filho. Por outro lado, ninguém quer ser professor  neste país, pois os salários são muito baixos.</p>
<p><strong>SL &#8211; Concordo, mas isso não impede que Cuba seja o país com o maior  número de professores por habitante do mundo, com salas de 20 alunos no  máximo, o que não ocorre na França, por exemplo.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Sim, mas houve um custo, e por isso a educação e a saúde não  são verdadeiras conquistas para mim.</p>
<p><strong>SL &#8211; Não podemos negar algo reconhecido por todas as instituições  internacionais. Em relação à educação, o índice de analfabetismo é de  11,7% na América Latina e 0,2% em Cuba. O índice de escolaridade no  ensino primário é de 92% na América Latina e 100% em Cuba, e no ensino  secundário é de 52% e 99,7%, respectivamente. São cifras do Departamento  de Educação da Unesco.</p>
<p>YS </strong>- Certo, mas, em 1959, embora Cuba vivesse em condições difíceis,  a situação não era tão ruim. Havia uma vida intelectual florescente, um  pensamento político vivo. Na verdade, a maioria das supostas conquistas  atuais, apresentadas como resultados do sistema, eram inerentes a nossa  idiossincrasia. Essas conquistas existiam antes.</p>
<p><strong>SL &#8211; Não é verdade. Vou citar uma fonte acima de qualquer suspeita:  um informe do Banco Mundial. É uma citação bastante longa, mas vale a  pena.</p>
<p>&#8220;Cuba é internacionalmente reconhecida por seus êxitos no campo da  educação e da saúde, com um serviço social que supera o da maior parte  dos países em desenvolvimento e, em certos setores, comparável ao dos  países desenvolvidos. Desde a Revolução cubana de 1959 e do  estabelecimento de um governo comunista com partido único, o país criou  um sistema de serviços sociais que garante o acesso universal à educação  e à saúde, proporcionado pelo Estado. Este modelo permitiu que Cuba  alcançasse uma alfabetização universal, a erradicação de certas  enfermidades, o acesso geral à água potável e a salubridade pública de  base, uma das taxas de mortalidade infantil mais baixas da região e uma  das maiores expectativas de vida. Uma revisão dos indicadores sociais de  Cuba revela uma melhora quase contínua desde 1960 até 1980. Vários  índices importantes, como a expectativa de vida e a taxa de mortalidade  infantil, continuaram melhorando durante a crise econômica do país nos  anos 90&#8230; Atualmente, o serviço social de Cuba é um dos melhores do  mundo em desenvolvimento, como documentam numerosas fontes  internacionais, entre elas a Organização Mundial de Saúde, o Programa  das Nações Unidas para o Desenvolvimento e outras agências da ONU, e o  Banco Mundial. Segundo os índices de desenvolvimento do mundo em 2002,  Cuba supera amplamente a América Latina e o Caribe e outros países com  renda média nos mais importantes indicadores de educação, saúde e  salubridade pública.&#8221;</p>
<p>Além disso, os números comprovam. Em 1959, a taxa de mortalidade  infantil era de 60 por mil. Em 2009, era de 4,8. Trata-se da taxa mais  baixa do continente americano do Terceiro Mundo; inclusive mais baixa  que a dos Estados Unidos.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Bom, mas&#8230;</p>
<p><strong>SL &#8211; A expectativa de vida era de 58 anos antes da Revolução. Agora é  de quase 80 anos, similar à de muitos países desenvolvidos. Cuba tem  hoje 67.000 médicos frente aos 6.000 de 1959. Segundo o diário ingles  The Guardian, Cuba tem duas vezes mais médicos que a Inglaterra para uma  população quatro vezes menor.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Certo, mas, em termos de liberdade de expressão, houve um recuo  em relação ao governo de Batista. O regime era uma ditadura, mas havia  uma liberdade de imprensa plural e aberta, programas de rádio de todas  as tendências políticas.</p>
<p><strong>SL &#8211; Não é verdade. A censura da imprensa também existia. Entre  dezembro de 1956 e janeiro de 1959, durante a guerra contra o regime de  Batista, a censura foi imposta em 630 de 759 dias. E aos opositores  reservava-se um triste destino.</p>
<p>YS</strong> &#8211; É verdade que havia censura, intimidações e mortos ao final.</p>
<p><strong>SL &#8211; Então a senhora não pode dizer que a situação era melhor com  Batista, já que os opositores eram assassinados. Já não é o caso hoje. A  senhora acha que a data de 1º de janeiro é uma tragédia para a história  de Cuba?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Não, de modo algum. Foi um processo que motivou muita  esperança, mas traiu a maioria dos cubanos. Fui um momento luminosos  para boa parte da população, mas puseram fim a uma ditadura e  instauraram outra. Mas não sou tão negativa como alguns.</p>
<p><strong>Luis Posada Carriles, a lei de Ajuste Cubano e a emigração</p>
<p>SL &#8211; O que acha de Luis Posada Carriles, ex-agente da CIA responsável  por numerosos crimes em Cuba e a quem os Estados Unidos recusam-se a  julgar?</p>
<p>YS</strong> &#8211; É um tema político que não interessa às pessoas. É uma cortina  de fumaça.</p>
<p><strong>SL &#8211; Interessa, pelo menos, aos parentes das vítimas. Qual é seu  ponto de vista a respeito?</p>
<p>YS </strong>- Não gosto de ações violentas.</p>
<p><strong>SL &#8211; Condena seus atos terroristas?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Condeno todo ato de terrorismo, inclusive os cometidos  atualmente no Iraque por uma suposta resistência iraquiana que mata os  iraquianos.<br />
<strong>SL &#8211; Quem mata os iraquianos? Os ataques da resistência ou os  bombardeios dos Estados Unidos?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Não sei.</p>
<p><strong>SL &#8211; Uma palavra sobre a lei de Ajuste Cubano, que determina que todo  cubano que emigra legal o ilegalmente para os Estados Unidos obtém  automaticamente o status de residente permanente.</p>
<p>YS</strong> &#8211; É uma vantagem que os demais países não têm. Mas o fato de os  cubanos emigrarem para os Estados Unidos deve-se à situação difícil  aqui.</p>
<p><strong>SL &#8211; Além disso, os Estados Unidos são o país mais rico do mundo.  Muitos europeus também emigram para lá. A senhora reconhece que a lei de  Ajuste Cubano é uma formidável ferramenta de incitação à emigração  legal e ilegal?</p>
<p>YS</strong> &#8211; É, efetivamente, um fator de incitação.</p>
<p><strong>SL &#8211; A senhora não vê isso como uma ferramenta para desestabilizar a  sociedade e o governo?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Neste caso, também podemos dizer que a concessão da cidadania  espanhola aos descendentes de espanhóis nascidos em Cuba é um fator de  desestabilização.</p>
<p><strong>SL &#8211; Não tem nada a ver, pois existem razões históricas e, além  disso, a Espanha aplica esta lei a todos os países da América Latina e  não só a Cuba, enquanto a lei de Ajuste Cubano é única no mundo.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Mas existem fortes relações. Joga-se beisebol em Cuba como nos  Estados Unidos.</p>
<p><strong>SL &#8211; Na República Dominicana também, mas não existe uma lei de ajuste  dominicano.</p>
<p>YS</strong> &#8211; Existe, no entanto, uma tradição de aproximação.</p>
<p><strong>SL &#8211; Então por que esta lei não foi aprovada antes da Revolução?</p>
<p>YS</strong> &#8211; Por que os cubanos não queriam deixar seu país. Na época, Cuba  era um país de imigração, não de emigração.</p>
<p><strong>SL &#8211; É absolutamente falso, já que, nos anos 50, Cuba ocupava o  segundo lugar entre os países americanos em termos de emigração rumo aos  Estados Unidos, imediatamente atrás do México. Cuba mandava mais  emigrantes para os Estados Unidos que toda a América Central e toda a  América do Sul juntas, enquanto que atualmente Cuba só ocupa o décimo  lugar apesar da lei de Ajuste Cubano e das sanções econômicas.</p>
<p>YS &#8211; </strong> Talvez, mas não havia essa obsessão de abandonar o país.<br />
<strong><br />
SL &#8211; As cifras demonstram o contrário. Atualmente, repito, Cuba só ocupa  o décimo lugar no continente americano em termos de fluxo migratório  para os Estados Unidos. Então a obsessão da qual você me fala é mais  forte en nove países do continente pelo menos.</p>
<p>YS &#8211; </strong>Sim, mas naquela época os cubanos iam e regressavam.</p>
<p>Fonte: Rebelión, reproduzido por Opera Mundi</p></blockquote>

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		<title>Movimento dos Sem Mídia apresenta representação para auditar as pesquisas eleitorais</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 23:04:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><p>Reproduzo abaixo trecho do artigo postado no blog <a href="http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2010-04-18_2010-04-24.html#2010_04-22_22_53_47-3429108-0">Cidadania.com</a> de autoria do Eduardo Guimarães, presidente do Movimento dos Sem Mídia &#8211; MSM. Que apresentou representação à Procuradoria-Geral Eleitoral buscando que TODAS as pesquisas eleitorais sejam auditadas pela Justiça Eleitoral até as eleições de que se avizinham</p>
<blockquote><p>Reproduzo, abaixo, a íntegra da Representação que o Movimento dos Sem Mídia fez à Procuradoria-Geral Eleitoral pedindo investigação das pesquisas de intenção de voto para presidente da República feitas neste ano pelos quatro mais importantes institutos de pesquisa do país – Datafolha, Ibope, Sensus e Vox Populi.</p>
<p>Além disso, o MSM pede que a Justiça monitore e eventualmente audite todas as pesquisas sobre a sucessão presidencial que venham a ser divulgadas até o fim do processo eleitoral deste ano.</p>
<p>Pouco importa qual é a sua posição política ou a sua ideologia. Se você quer eleições limpas, coloque um comentário neste post declarando seu apoio à Representação do MSM à Justiça Eleitoral. É preciso pôr nome e sobrenome, cidade, estado e profissão. Pede-se, também, que seja um comentário curto.</p>
<p>A lista de assinaturas virtuais nesta Representação será remetida à Justiça Eleitoral como forma de lhe dar maior representatividade. Contudo, seu apoio não implicará em qualquer responsabilidade de sua parte, sendo esta tão somente do Movimento dos Sem Mídia e do seu presidente, o signatário deste blog.</p></blockquote>
<p>Acesse o <a href="http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2010-04-18_2010-04-24.html#2010_04-22_22_53_47-3429108-0">blog do Eduardo Guimarães</a> e manifeste seu apoio à essa representação.</p>

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		<title>PPL comemora em encontro nacional o seu 1º aniversário</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Apr 2010 16:46:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Publicado no Jornal Hora do Povo 2857

Negociar patrimônio público na ...]]></description>
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><p>Publicado no <a href="http://www.horadopovo.com.br">Jornal Hora do Povo 2857</a><br />
<a class="shutterset" href="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2010/04/p1a1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3114" title="p1a1" src="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2010/04/p1a1.jpg" alt="" width="600" height="214" /></a></p>
<blockquote><p><strong>Negociar patrimônio público na bacia das almas, nunca mais! </strong></p>
<p><em>Pronunciamento do presidente do PPL, Sérgio Rubens de A.Torres, no Encontro Nacional em comemoração ao primeiro aniversário do partido </em></p>
<p>Companheiros e companheiras,</p>
<p>Estamos no dia 21 de abril de 2010.</p>
<p>Esta data marca os 218 anos do martírio de Tiradentes, levado à forca no Largo do Lampadário (Rio de Janeiro), para, conforme assinalava a sentença, “nela morrer de morte natural para sempre”.</p>
<p>Mas o que ficou para sempre, a incendiar os corações e as mentes dos brasileiros, foram os quatro ideais dos Inconfidentes, que ele, mais do que todos, soube erguer e sustentar com bravura: Independência, República, Abolição e Indústria. É importante lembrar que já naquela época se sabia que sem indústria não poderia haver independência completa.</p>
<p>No dia 21 de abril, não há 218 anos, mas há 25, outro brasileiro ilustre passava da vida à história, depois de um esforço inaudito que consumiu suas forças empenhadas além do limite na faina para virar a página de uma quadra conturbada da vida nacional.</p>
<p>Como Tiradentes, também era filho da região de São João del-Rei. Falamos do nosso querido presidente Tancredo Neves, que capitaneou a transição da ditadura à democracia com a autoridade de quem, em 1954, recebeu das mãos do próprio presidente Getúlio Vargas a sua imortal Carta-Testamento e a caneta com a qual ele a havia acabado de lavrar.</p>
<p>Portanto, devo dizer que companhia melhor é impossível, e que para nós é uma honra podermos comemorar um ano da fundação do Partido Pátria Livre nesta data carregada de significados literais e simbólicos, que não escaparam ao presidente JK quando este, em 1960, a adotou para a inauguração de Brasília.</p>
<p>Nós escolhemos o 21 de abril como data da fundação do PPL para que ficasse marcada em nossa carne a lembrança dos ensinamentos e dos sacrifícios de nossos precursores para conduzir o Brasil a seu destino de grande Nação, próspera, democrática e plenamente independente, mas também generosa e solidária, sem qualquer laivo de prepotência imperialista.</p>
<p>É esta a obra que lutamos para completar. Esta que se encontra em adiantado estágio de construção e que recebeu um grande impulso do presidente Lula, ao retomá-la após os tristes anos da maldição neoliberal. Esta que deve avançar com a vitória da ampla coalizão de forças nacionais aglutinadas em torno da candidatura da ex-ministra Dilma Roussef à presidência da República.</p>
<p>E aproveito a ocasião para me congratular com a companheira Dilma, pela feliz iniciativa de começar seu roteiro de viagens de campanha pelo berço da Independência, e sob as bênçãos de Tancredo.</p>
<p>O PSDB nada tem a ver com o presidente Tancredo Neves, a não ser por um laço de parentesco com um de seus próceres – coisa que, como se sabe, não é fruto de uma escolha. Politicamente, esse partido colocou-se em campo oposto, desde que fixou como princípio riscar do mapa as conquistas da era Vargas. E nele permanece &#8211; por teimosia, ausência de espírito patriótico e a mais completa insensibilidade social.</p>
<p>Companheiros e companheiras,</p>
<p>Como hoje é um dia de festa, eu não gostaria de cansá-los com um informe longo, mas há duas questões, uma internacional e outra nacional – ambas relacionadas com a crise – que é necessário pelo menos pontuar, para não perdermos de vista o terreno em que estamos pisando.</p>
<p>A despeito da grande esperança que a campanha eleitoral de Obama despertou nos EUA e no mundo, o resultado desses primeiros 16 meses de governo foi nulo em matéria de mudanças. Lembremo-nos de que o mote dessa campanha era  “Change”, isto é “Mudança”.</p>
<p>Obama recuou da retirada no Iraque; suspendeu a desativação da infame prisão de Guatánamo; dobrou os efetivos militares no Afeganistão; renovou o mal denominado “Ato Patriótico”; elevou o orçamento militar; cobriu os rombos produzidos pela especulação monopolista com recursos públicos, ampliando o já monumental déficit; abriu mão de qualquer regulação pelo Estado, por mínima que seja, desses monopólios; deflagrou uma guerra cambial para desvalorizar o dólar com o objetivo de elevar as exportações dos EUA e facilitar a aquisição de ativos no exterior – ou seja, esboçou um plano para sair da crise às custas dos demais; e retomou a velha ladainha da chantagem nuclear para obrigar nações soberanas a atenderem suas exigências, por mais descabidas que sejam.</p>
<p>O nosso velho camarada Obama mais parece um ator seguindo à risca – ainda que a contragosto &#8211; um script elaborado pelo consórcio dos grandes bancos, indústria armamentista e mega-conglomerados norte-americanos: os mesmos que com sua ganância irrefreada provocaram a atual crise mundial.</p>
<p>Com um script desses, vai ser muito difícil, para não dizer impossível, que EUA, Europa e Japão superem a crise. As previsões do FMI, que estão sendo formalmente divulgadas hoje, são sombrias para a Europa: 0,8% de crescimento do PIB em 2010 e 1,5% em 2011. Para os EUA, são menos desanimadoras: 3% em 2010 e 2,7% em 2011.</p>
<p>Ocorre que a China e a Índia, cujas economias apresentam defesas mais consistentes em relação aos monopólios imperialistas, não tomaram conhecimento da crise e seguiram crescendo em 2009 a taxas de 8,7% a primeira e 6,1% a segunda.</p>
<p>Olhando um pouco para trás, veremos que entre 1990 e 2006, um intervalo de 16 anos, o PIB dos EUA aumentou 61%, o do Japão 21%, da Alemanha 28%, França 32%, Inglaterra 49%, Espanha 51%, Brasil 51%. Enquanto isso, a Índia cresceu 155% e a China 329%. <strong>(1)</strong></p>
<p>Medido pelo critério convencional, o PIB da China em 2009 chegou a US$ 4,75 trilhões, que corresponde a 31% do PIB dos EUA. Portanto, à frente da Alemanha (US$ 3,23 trilhões) e encostado no Japão (US$ 5,04 trilhões). O PIB do Brasil, para não perdermos a referência, em 2009, foi de US$ 1,49 trilhão. <strong>(2)</strong></p>
<p>Calculado pelo PPC (Paridade do Poder de Compra), critério que o Banco Mundial considera mais preciso, o PIB da China de 2009 se eleva a US$ 8,79 trilhões (61% do PIB dos EUA). Japão e Alemanha somem, pois somados não passam de US$ 6,95 trilhões. O PIB do Brasil, pelo mesmo critério, vai a US$ 1,99 trilhão. <strong>(3)</strong></p>
<p>Se considerarmos que crescendo 9% ao ano se dobra o PIB a cada oito anos e que crescendo a 2% o resultado em igual período será um avanço de apenas 17%, é impossível deixar de relacionar as medidas de Obama com a dificuldade do establishment americano de aceitar um mundo livre da sua hegemonia e das reiteradas ameaças de uso do poder militar para mantê-la a qualquer preço.</p>
<p>Por isso, faz muito bem o Brasil em não se curvar às provocações contra o Irã, contra a Coréia Democrática, contra Cuba, contra a Venezuela, porque elas não são mais do que a ponta do iceberg.</p>
<p>Os EUA são o último país do mundo que pode invocar como pretexto para seus atos de agressão o compromisso com desarmamento nuclear e direitos humanos.  Um país descaradamente armado até os dentes, que ainda não conseguiu decidir se afogamento é ou não tortura, e que mantém uma lei que dá ao Executivo o poder de suspender a qualquer momento os direitos constitucionais de um cidadão, tem muito mais a aprender do que a ensinar nessa matéria.</p>
<p>E, para concluir o ponto, cito o trecho inicial do Soneto 49 de Luís de Camões:</p>
<p><em>“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,</em></p>
<p><em>Muda-se o ser, muda-se a confiança;</em></p>
<p><em>Todo o mundo é composto de mudança,</em></p>
<p><em>Tomando sempre novas qualidades”.</em></p>
<p>Fazemos votos para que eles não demorem muito a se acostumar com isso.</p>
<p>Companheiras e companheiros,</p>
<p>Ainda em dezembro de 2008, quando estávamos em discussões preliminares para fundação do PPL, apresentamos num documento uma fórmula simples para surfarmos sobre a crise, crescendo a ritmo chinês ou indiano, vou ler:</p>
<p>“Hoje, mais do que nunca, o que interessa ao povo brasileiro é avançar no caminho indicado pelo presidente Lula com o PAC: crescimento econômico com expansão do mercado interno – mais produção, mais emprego e mais salário.</p>
<p>Para isso é indispensável ampliar, no interior da economia, o peso do setor estatal e do setor privado nacional não-monopolista em relação aos monopólios, pois no Brasil, assim como no mundo, são eles a fonte dos maiores problemas e das maiores desgraças.</p>
<p>Ao enfraquecê-los, a crise internacional nos oferece uma oportunidade ímpar de acelerar esse processo. Não devemos desperdiçá-la”.</p>
<p>Em nosso programa, aprovado no Congresso de Fundação, há um ano, apresentamos essa fórmula de modo mais sintético: <em>“Prioridade nos financiamentos e encomendas às empresas nacionais, especialmente às estatais e empresas privadas não-monopolistas”.</em></p>
<p>Hoje podemos afirmar sem medo de errar, que tudo de mal que se evitou em relação à propagação da crise no Brasil, veio das medidas que levaram essa fórmula em consideração, e o que não foi evitado veio da sua não observância.</p>
<p>Se tivéssemos inventado essa fórmula, poderia parecer jactância. Mas como apenas enunciamos a premissa básica do projeto nacional-desenvolvimentista, cujos alicerces foram plantados por Getúlio Vargas, estamos livres deste pecado.</p>
<p>O PIB do Brasil recuou 0,2% em 2009. Comparando com Rússia, México, Alemanha, Japão, Itália, Inglaterra, EUA e França, onde as quedas foram respectivamente de 7,9%, 6,5%, 5%, 5%, 5%, 4,8%, 2,4% e 2,2%, foi um recuo pequeno. Em relação à China e a Índia foi um mau resultado.</p>
<p>Não por coincidência o BNDES, nesse ano, destinou apenas 17,5% de seus financiamentos às médias, pequenas e microempresas, contra os 25% dos anos anteriores.</p>
<p>Os desembolsos do BNDES foram de R$ 137,4 bilhões, um aumento de 49% em relação a 2008 &#8211; deixando claro que o nosso setor público dá conta de financiar a produção nacional, independente dos bancos privados.</p>
<p>Porém, não foi dada prioridade ao setor estatal e empresas privadas não monopolistas.  O esforço foi dispersado no atendimento ao “clubinho” composto por GM, Fiat, Tim, Oi, OHL, Votorantim, Alcoa, Imbev, Shell-BG, Vale etc. – empresas que derrubaram o nosso crescimento, puxando o desemprego e procurando impor uma redução salarial, logo no início do ano.</p>
<p>Os juros altos do BC e a concentração dos financiamentos do BNDES onde eles são menos interessantes para o país – inclusive para alavancar multinacionais, que deveriam estar se financiando com recursos de outra origem – bloquearam nossa possibilidade de melhor desempenho.</p>
<p>Há quem creia que isso agora não importa porque a má fase está vencida e a perspectiva é de crescermos 5% em 2010. Mas, sem canalizar financiamentos e encomendas do Estado para o conjunto das empresas que não remetem lucros nem são estruturalmente importadoras, esse alívio pode ser mais curto do que se possa imaginar.</p>
<p>Com o crescimento das exportações freado pela fraca demanda internacional e pela sobrevalorização do real, não haverá saldo comercial para cobrir as remessas de lucros, royalties, juros e pagamentos de serviços.</p>
<p>No primeiro trimestre de 2010, o saldo comercial foi 70% menor que o do primeiro trimestre de 2009. Achar que é possível tapar o buraco com mais entrada de capital externo equivale a sair do fosso mais raso para cair no mais fundo.</p>
<p>É preciso não esquecer que o estoque de capital externo no Brasil foi multiplicado por seis entre 1995 e 2008. As remessas de lucros e as importações tiveram igualmente extraordinário crescimento. O estoque atingiu US$ 287,9 bilhões, as importações US$ 173,2 bilhões e as remessas US$ 57,2 bilhões.</p>
<p>Todos os estudos dão conta de que as multinacionais instaladas no país possuem uma inserção no comércio exterior brasileiro maior do que as empresas nacionais e que essa inserção é mais pronunciada nas importações do que nas exportações. Alguns chegam a computar que “as empresas estrangeiras exportam, em média, 70% a mais do que as empresas nacionais, e importam cerca de 290% a mais”. <strong>(4)</strong></p>
<p>É impossível pensar em desenvolvimento sustentado sem encarar esse problema, e superá-lo.</p>
<p>E mais não diremos, porque a urgência da questão eleitoral nos obriga a recorrer mais uma vez a Camões, que assim falou nos Lusíadas:</p>
<p><em>“Cesse tudo o que a Musa antiga canta,</em></p>
<p><em>Que outro valor mais alto se alevanta”.</em></p>
<p>Companheiros e companheiras,</p>
<p>Todas as discussões e batalhas sobre os rumos da nossa economia e da nossa sociedade continuarão a se dar num ambiente mais favorável à afirmação do interesse nacional ou mais penoso, a depender do resultado dessas eleições.</p>
<p>Temos tudo para ganhá-la.</p>
<p>O governo do presidente Lula tirou milhões da miséria; melhorou a vida dos trabalhadores; recuperou as estatais e a capacidade de investimento do Estado; promoveu o desenvolvimento; criou o PAC; abriu as universidades; retomou o ensino técnico; implantou programa para a construção de 1 milhão de habitações; livrou o país daquele vexatório quadro de negociar o patrimônio público na bacia das almas para fazer caixa; elevou como nunca o prestígio do Brasil no cenário internacional, pelas posições altivas e justas &#8211; respeitosas com os maiores e generosas com os menores; deu um futuro ao país, muito diferente daqueles tristes anos de estagnação e desemprego, que foram a tônica do governo de FHC e Serra.</p>
<p>A nossa companheira Dilma é a melhor candidata possível para representar a continuidade e o avanço desse projeto. Ninguém mais do que ela colaborou com o presidente Lula para implantá-lo e conduzi-lo. E tem mais duas vantagens sobre o principal oponente: é uma mulher de passado limpo e uma cara só.</p>
<p>O candidato José Serra representa apenas a resistência neoliberal ao avanço desse processo.</p>
<p>Temos tudo para ganhar, mas vamos precisar ralar muito, pois estamos ainda em abril e os monopólios de mídia já se ultrapassaram na arte do “trabalho sujo” nas quatro frentes de sempre: desinformar, forjar supostos escândalos, paralisar as ações do governo e fraudar pesquisas.</p>
<p>Para finalizar, devo dizer que é muito importante que os dois projetos que no nosso entender pelo seu alcance são os mais estratégicos do governo Lula sejam aprovados no espaço de tempo mais breve possível. A saber: a Nova Lei do Petróleo, para garantir que a riqueza do pré-sal fique nas mãos dos brasileiros – de preferência sem submeter esse direito a qualquer espécie de leilão -, e a Reativação da Telebrás, para garantir a universalização da banda larga, base para o avanço do estratégico setor de telecomunicações.</p>
<p>E que tolices partidas de setores do governo interessados em flexibilizar os direitos autorais e intervir nas entidades de autores, livremente constituídas, sejam devidamente desestimuladas.</p>
<p>Era o que eu tinha a dizer,</p>
<p>Muito obrigado.</p>
<p><em>(1) IMF, World Economic Outlook Database</em></p>
<p><em>(2) FMI</em></p>
<p><em>(3) CIA World Factbook</em></p>
<p><em>(4) Fernanda De Negri, “Desempenho Comercial das Empresas Estrangeiras no Brasil na Década de 90”, pág. 60.</em></p></blockquote>

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		<title>Corrida ao Senado no PSDB de SP</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Apr 2010 16:19:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Roberto Fonseca JT 24/04/2010
CORRIDA AO SENADO
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<blockquote><p><strong>CORRIDA AO SENADO<br />
Thame de saída do duelo tucano</strong></p>
<p>Integrantes do PSDB no Estado e até apoiadores dizem que o deputado federal e presidente do partido no Estado, Mendes Thame, abriu mão da pré-candidatura ao Senado. Com isso, o duelo interno pela vaga resumiria-se ao deputado José Aníbal contra o ex-chefe da Casa Civil Aloysio Nunes.</p>
<p>A coluna perguntou a Thame se ele estava fora do páreo. Resposta: “Não está definido isso (saída) ainda. Mas minha posição como presidente é ingrata. Outros podem postular, no meu caso pode ser interpretado como botar posições pessoais diante do partido.” O PSDB se reúne segunda. A provável prévia ao Senado não está na pauta oficial. Mas tucanos apostam que será o principal tema do encontro.</p>
<p><strong>Sutis farpas</strong></p>
<p>Aníbal mandou carta à militância do PSDB sobre sua pré-candidatura ao Senado. O texto cita frase de Mário Covas: “Não devemos temer disputas internas”. Tucanos veem recado ao grupo de Aloysio Nunes, que mira o Senado, mas não desejaria prévias.</p></blockquote>

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		<title>Mônica Bergamo: [Jornal da ACSP usa números de fevereiro da pesquisa espontânea, favorecendo Serra]</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Apr 2010 07:38:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Mônica Bergamo Folha de São Paulo 23/04/2010
OUTROS NÚMEROS
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<blockquote><p><strong>OUTROS NÚMEROS</strong><br />
O &#8220;Diário do Comércio&#8221;, ligado à Associação Comercial de São Paulo, divulgou dados de fevereiro, e não de abril, nos resultados da pesquisa espontânea de intenção de voto para presidente da República, encomendada ao Ibope. Os números antigos são favoráveis a José Serra (PSDB-SP). Em fevereiro, ele tinha 10% na sondagem espontânea, contra 9% de Dilma Rousseff (PT-RS). Em abril, a petista ultrapassou o tucano, com 15% contra 14%. &#8220;Não tem nenhuma má intenção. Se houve um erro nosso, a gente corrige&#8221;, diz Moisés Rabinovici, diretor do jornal.</p>
<p><strong>TRINCA</strong><br />
A Associação Comercial, que controla o jornal, tem como vice-presidentes o prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP), Guilherme Afif Domingos (DEM-SP) e Jorge Bornhausen (DEM-SC). Os três apoiam Serra à Presidência.</p></blockquote>

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		<title>PSDB acusa Sensus com dado errado</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Apr 2010 13:17:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Folha de São Paulo 22/04/2010
 Em notícia-crime contra instituto, tucanos ...]]></description>
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<blockquote><p> <strong>Em notícia-crime contra instituto, tucanos usam pesquisa feita em SC, e não a nacional</p>
<p>Diferença está no percentual de entrevistados com renda de até um salário; advogado reconhece erro e afirma que denúncia será reformulada</p>
<p>BRENO COSTA<br />
DA REPORTAGEM LOCAL</strong></p>
<p>O PSDB utilizou dados incorretos para basear a notícia-crime que o partido pretende apresentar hoje ao Ministério Público Eleitoral contra o Instituto Sensus, por divulgação de pesquisa fraudulenta. A Folha verificou que os advogados dos tucanos usaram uma pesquisa feita pelo instituto em Santa Catarina para atacar outra, nacional.</p>
<p>As informações referiam-se ao nível econômico dos entrevistados pelo Sensus em pesquisa divulgada na semana passada, que apontou um empate técnico entre os pré-candidatos à Presidência José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT).</p>
<p>O PSDB encontrou cinco supostas irregularidades, relatadas em relatório produzido após análise, por técnicos do partido, nas 2.000 folhas de resposta da pesquisa contratada por um sindicato de São Paulo ligado à Força Sindical.<br />
A principal delas, conforme citou anteontem o advogado do PSDB Ricardo Penteado, é justamente a que se baseou em dados errados.</p>
<p>O relatório afirma que os dados passados pelo instituto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) indicavam que 6% dos entrevistados tinham renda de até um salário mínimo.</p>
<p>O PSDB afirma, após checagem dos questionários, que os entrevistados naquela faixa de renda eram 17,7% -diferença favorável a um segmento do eleitorado supostamente mais simpático ao governo Lula.</p>
<p>A Folha, porém, analisou os dados disponíveis no site do TSE e constatou que, na verdade, a pesquisa na qual 6% dos entrevistados estavam na faixa mínima de renda foi uma realizada apenas em municípios de Santa Catarina, a pedido da Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística e registrada no dia 6 de abril sob o nº 7866/ 2010.</p>
<p>Os dados da pesquisa alvo da contestação do PSDB, por sua vez, apontam que 16,3% dos entrevistados tinham renda de até um salário mínimo -uma divergência muito menor e, segundo a Folha apurou, considerada normal.<br />
O advogado do PSDB reconheceu o erro, segundo, um &#8220;equívoco&#8221; da área técnica que fiscalizou a pesquisa. Penteado disse que vai reformular a denúncia. &#8220;Não tenho o menor problema em reconhecer que houve um equívoco.&#8221;</p>
<p>O diretor do Sensus, Ricardo Guedes, não comentou o caso.</p></blockquote>

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		<title>Dilma Rousseff: &#8220;Compromisso com o futuro&#8221;</title>
		<link>http://www.joildo.net/artigos/dilma-rousseff-compromisso-com-o-futuro/</link>
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		<pubDate>Sat, 17 Apr 2010 18:28:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Brasil é um país sedento de novas ideias, ávido por políticas públicas inovadoras que atendam às suas maiores carências. Quem aspira ao poder deve exibi-las, desde já, em vez de se preocupar apenas em depreciar o que está sendo feito. O salto para o futuro, em construção no presente, exige que se desatem alguns nós que nos prendem ao passado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
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<blockquote><p><span style="position:relative;color:green;width:170px;background:white;border-top:  2px solid gold ;border-bottom:2px solid gold;float:right;padding: 0.1em; margin: 0.3em;font-family:Georgia,Verdana,Arial, Helvetica;font-size: 12pt;line-height:26px; text-align: right;"><span style="filter:alpha(opacity=75);-moz-opacity:.75;opacity:.75;">O </span><b> </b>Brasil <br><b></b>é <br><b>um </b>país <br><b>sedento de </b>novas <br><b>ideias, </b>ávido <br><b>por políticas </b>públicas <br><b>inovadoras que atendam </b>às <br><b>suas maiores carências. Quem aspira ao poder deve exibi-las, desde já, em vez de se preocupar apenas em depreciar o que está sendo feito. O salto para o futuro, em construção no presente, exige que se desatem alguns nós que nos prendem </b>ao<span style="filter:alpha(opacity=90);-moz-opacity:.90;opacity:.90;"> passado.</span></span></p>
<p><strong>Por Dilma Rousseff*</strong></p>
<p>Protagonista de um extraordinário enredo de progresso e amadurecimento, o Brasil está diante de um desafio imposto a poucos países. Manter a rota virtuosa traçada nos últimos anos ou pôr um freio às recentes conquistas sociais e econômicas? Promover o salto ainda maior, esperado por uma população que voltou a sonhar alto, ou retroceder aos passos lentos e sofríveis das duas décadas anteriores? Os que me conhecem sabem que, diante dessas indagações, eu fico com as primeiras respostas.</p>
<p>Não se trata de ver o país como uma escala binária entre o certo e o errado, entre o bom e o mau, entre o bonito e o feio. Trata-se de reconhecer a vitalidade de um momento definidor dos rumos do Brasil. Há vinte anos batendo às portas do clube dos países desenvolvidos, estamos a um passo de atravessar o seu umbral. Com estabilidade. Sem sobressaltos.</p>
<p>Poucas nações tiveram a oportunidade posta à disposição do Brasil. Estamos diante de uma versão nacional do Tratado de Kanagawa, firmado entre Japão e Estados Unidos, em 1854, que permitiu aos japoneses iniciar a grande virada em sua industrialização. Ou algo como a etapa seguinte à Guerra da Secessão nos Estados Unidos, quando norte-americanos se viram sob o acúmulo crescente de capital, expansão territorial e revolução nos transportes, a ponto de ultrapassarem os britânicos como a maior economia mundial. Talvez haja semelhança com o passo fundamental das reformas chinesas, iniciadas ao fim da década de 1970 por Deng Xiaoping, que impulsionaram a arrancada capaz de trazer à China a marca do gigante.</p>
<p>Resguardadas as circunstâncias históricas específicas de cada trajetória de desenvolvimento, o Brasil vive o seu momento. Sem se resignar à condição de cópia melhorada, mera reprodução de modelos importados, está construindo sua própria história, a partir das suas necessidades, singularidades e esperanças. Buscamos enterrar, de uma vez por todas, uma marca que se repetia de maneira exasperante: a enorme distância entre o falar e o fazer, entre o discurso e a realidade.</p>
<p>A gigantesca incorporação de grandes contingentes do povo ao mercado de consumo, por via do controle da inflação, das políticas sociais agressivas e da distribuição de renda, mostra que é hora de deixar o passado onde ele deve estar: para trás. Do mesmo modo, pode-se citar o fato de que, no governo Lula, do qual fiz parte, com muito orgulho, o Brasil rompeu a rotina histórica segundo a qual os países subdesenvolvidos e em desenvolvimento crescerão quando crescerem os países ricos, e entrarão em crise junto com eles. Fomos os últimos a trafegar pelo terreno pantanoso da crise financeira internacional, e os primeiros a atravessá-lo. Repita-se: com estabilidade e sem sobressaltos. E sempre sob a proteção visível da democracia.</p>
<p>Não é boa política ignorar o passado. É preciso coragem para voltar os olhos aos erros cometidos, a fim de evitá-los no futuro. É assim que se constrói algo novo. Políticos que têm legítima ambição de chegar ao poder não podem fingir que caíram de paraquedas no meio da refrega. Como se não tivessem pisado em outros tapetes. Devem, contudo, uma vez esclarecido o que fizeram ou deixaram de fazer em suas trajetórias, voltar-se para o futuro e oferecer propostas ao julgamento do eleitor.</p>
<p>O Brasil é um país sedento de novas ideias, ávido por políticas públicas inovadoras que atendam às suas maiores carências. Quem aspira ao poder deve exibi-las, desde já, em vez de se preocupar apenas em depreciar o que está sendo feito. O salto para o futuro, em construção no presente, exige que se desatem alguns nós que nos prendem ao passado. Não há exemplo mais importante dessa imposição do que o caráter indispensável, fundamental, de uma educação de qualidade.</p>
<p>A educação é um dos gargalos para o desenvolvimento sustentado e para a elevação definitiva do padrão de vida dos brasileiros. O Brasil tem pressa. Enfrentará em breve – e nesse assunto não medimos o tempo por décadas ou anos, mas por meses – os desafios da sociedade do conhecimento. Precisa superar um atraso de raiz secular e, ao mesmo tempo, saltar para um futuro de acesso pleno, democrático, popular, à educação, ao ensino, à informação. Com rapidez. Sem pestanejar.</p>
<p>O governo Lula lançou as bases para essa nova etapa do desenvolvimento brasileiro. Retirou a política educacional de um estado de lassidão e a levou a uma mudança de paradigma. Ainda que se deva reconhecer que no governo anterior houve significativo investimento no aumento da escolaridade, no incremento do número de matrículas e na efetiva implantação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, na virada do milênio esses acertos se mostraram escassos para a exigência da nação. Houve negligência em relação ao ensino médio, estagnação do ensino técnico, paralisia das universidades públicas – com a duvidosa contrapartida de uma concepção privatista da educação, estimulando a criação desenfreada de escolas e faculdades particulares.</p>
<p>Lula reconstruiu a gestão da educação brasileira. Corrigiu a política da indiferença e estabeleceu novas prioridades – menos teóricas do que práticas, realizadas de fato ao longo de seu governo: uma política integrada de ensino, da creche à universidade; universalização da educação básica de qualidade; democratização do acesso ao ensino; garantia de permanência dos alunos na escola; superação da exclusão por classe social, etnia ou gênero; fortalecimento da relação do ensino com o trabalho; e, por último, mas, no entanto, mais importante, valorização dos profissionais da educação.</p>
<p>A revolução na educação brasileira não está marcada para começar no ano que vem. Começou com Lula, a partir de tudo o que havia sido construído antes dele, e a despeito de tudo o que se deixou de fazer antes que ele chegasse à Presidência. Política educacional – boa ou má – demora a mostrar resultados, e não pode ser feita aos soluços, mas como processo, caminhada constante. O espaço deste artigo, mesmo que generoso, não é suficiente para enumerar o que se fez nos últimos sete anos pela educação. A campanha eleitoral oferecerá o tempo necessário. O mais oportuno, aqui, é falar do próximo grande passo. O pulo do gato, talvez. O movimento que pode significar a diferença entre um salto para o futuro e uma volta à estagnação.</p>
<p>Assegurada a continuação das mudanças implantadas por Lula, a revolução evoluirá naturalmente para a ampla democracia no acesso à informação, à tecnologia, à cultura e, para usar a expressão mais contemporânea que resume tudo isso, ao conhecimento. O próximo grande passo é o pleno direito popular de acesso à internet em alta velocidade. Quanto maior a capacidade de um povo de processar informações complexas, mais conhecimento, riqueza e poder esse povo terá. A inclusão digital é uma exigência econômica, social e cultural, imprescindível para a competição entre os países e para as necessidades dos cidadãos.</p>
<p>Há enormes desigualdades a vencer nesse campo. Tão acentuadas ou até maiores que as que separam os brasileiros pobres e ricos em outros ramos de atividade. Mas nós temos um compromisso: superar a exclusão digital e, já numa primeira etapa, democratizar e universalizar o uso da internet de maneira massiva nas escolas públicas de todo o país. Nós temos os meios e os recursos para promover a revolução digital na educação. Teremos, inclusive, amparo legislativo, com uma lei, de autoria do senador do meu partido, Aloizio Mercadante, que prevê o uso intensivo de banda larga e a produção de material didático digitalizado em todas as escolas públicas.</p>
<p>Não vai demorar muito para que o Brasil seja, também, um país democrático quanto ao acesso pleno à informação. Essa revolução já começou nas escolas. E levará sua riqueza para todos os professores e estudantes do país.</p>
<p>*Dilma Rousseff é candidata do PT à Presidência da República</p></blockquote>

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		<title>Para Veja José Serra já está eleito</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Apr 2010 18:22:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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		<title>O manual de redação do neojornalismo</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Apr 2010 16:08:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Do Blog do Luis Nassif Enviado pelo leitor Marcos RTI
Do ...]]></description>
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<blockquote><p>Do livro “Gerenciando Como a Máfia” – CURTIS L. JOHNSON:</p>
<p>- Se não der para ganhar uma luta honesta, use golpes baixos ou mande outra pessoa lutar por você.</p>
<p>- É muito melhor que seus inimigos pensem que você é maluco do que o achem razoável e racional.</p>
<p>- Nada pesa menos que uma promessa.</p>
<p>- Se tiver de machucar alguém, faça-o tão brutalmente que não haja risco de uma vingança.</p>
<p>- Se permitir que seus inimigos – ou amigos – pensem que são iguais a você, eles imediatamente se sentirão superiores.</p>
<p>- Sempre tire a cobra do buraco com a mão de outra pessoa.</p>
<p>- É preferível que seu inimigo superestime a sua estupidez do que sua esperteza.</p>
<p>- A melhor defesa contra os traidores é a traição.</p>
<p>- Um chefe de gangue esperto, faz ele mesmo uma parte do trabalho sujo e se assegura de que seus soldados saibam disto.</p>
<p>- Se não puder vencer, faça com que a vitória de seu inimigo tenha um preço exorbitante.</p>
<p>- De cada quinze que elogiam, pelo menos quatorze mentem.</p>
<p>- Sentimento é coisa de imbecil.</p>
<p>- Só se conhece o soldado quando ele vira tenente.</p>
<p>- O capo conta parte de seu plano para um, parte para outro, tudo para ninguém.</p>
<p>- A escolha errada, muitas vezes, parece a mais razoável.</p>
<p>- Não ensine aos seus soldados todos os seus truques, ou você pode se tornar vítima de si mesmo.</p></blockquote>

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		<title>Cientista político do PSDB diz que &#8220;não havia indícios de fraude&#8221; na pesquisa Sensus</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Apr 2010 13:57:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><p>Vejam leitores o titulo abaixo que consta de matéria que circula na Folha de São de Paulo de hoje 17/04/2010, <strong>PSDB aguarda 7 horas para ter dados da Sensus</strong>, o que você acharia, que o Sensus estaria escondendo alguma coisa, não é?</p>
<p>Leiam a matéria e veja o item que destaquei abaixo, onde um cientista político contratado pelo PSDB declara à FSP que não havia indicio de fraude. Ora isto não é a informação mais relevante neste assunto? pois é, os &#8220;bons&#8221; jornalistas da Folha resolveram destacar o tempo que o Sensus demorou para garanti a privacidade dos cidadãos que participaram da pesquisa. </p>
<p>Da <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u722194.shtml">Folha de São Paulo de 17/04/2010</a></p>
<blockquote><p><strong>PSDB aguarda 7 horas para ter dados da Sensus<br />
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE<br />
DA REPORTAGEM LOCAL</strong></p>
<p>Mesmo com uma autorização expedida pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), dois representantes do PSDB tiveram que esperar por sete horas para ter acesso aos questionários da última pesquisa presidencial realizada pelo Instituto Sensus.</p>
<p>Mesmo assim, o partido reclama que o instituto não autorizou a cópia dos questionários ou a gravação dos dados em um pen-drive. Antes de liberar a consulta na sede do instituto, em Belo Horizonte, a direção do Sensus convidou PT, PV e PSB para acompanhar a abertura dos dados aos tucanos. Apenas o PT foi ao local.</p>
<p>A pesquisa apontou empate técnico entre José Serra (32,7%) e Dilma Rousseff (32,4%). O PSDB entrou com representação na quarta-feira contra a pesquisa. Anteontem, teve autorização para checar os 2.000 questionários.</p>
<p><strong>À Folha, o cientista político Fabrizio Tavoni, contratado pelo PSDB, disse que não havia indícios de fraude. O trabalho entraria pela noite. Ricardo Guedes, diretor do instituto, disse que chamou os partidos para dar transparência ao ato.</strong></p>
<p>Ao final, o presidente do PT-MG, Reginaldo Lopes, disse que o questionamento do PSDB era &#8220;absurdo&#8221; e que pode pedir a abertura da pesquisa do Datafolha de março. &#8220;Fizemos várias pesquisas para ver o cenário de Minas na mesma data em que o Datafolha, e em Minas deu 31% a 33% para o Serra. O Datafolha diz que Minas deu 40% a 25%.&#8221;</p>
<p>Na pesquisa Datafolha feita em 25 e 26 de março, Serra obteve 40% contra 24% de Dilma na região Sudeste (SP, RJ, ES e MG). O último levantamento por Estado feito pelo instituto foi de 14 a 18 de dezembro de 2009. Em MG, Serra ficou à frente, com 39% contra 20%.</p></blockquote>

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		<title>Folha de SP não se entende sobre Aécio ser vice de Serra</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Apr 2010 13:03:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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ELIANE CANTANHÊDE Folha de São Paulo 11/04/2010
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><p><a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1104201004.htm">ELIANE CANTANHÊDE Folha de São Paulo 11/04/2010</a></p>
<blockquote><p><strong>O partido das massas cheirosas</strong><br />
<strong>BRASÍLIA</strong> &#8211; &#8220;Estarei a seu lado, governador José Serra, onde quer que eu seja convocado&#8221;, discursou Aécio, saudado aos gritos de &#8220;vice, vice, vice&#8221; no lançamento de Serra à Presidência ontem.<br />
PSDB, DEM e PPS deliraram, mas a alegria durou pouco, até Aécio, curiosamente, explicar que disse uma coisa querendo dizer outra. Primeira leitura: se convocado, ele aceitaria ser vice. Explicação posterior do próprio: se convocado, vai desfilar pelo país com Serra. Típica tucanice, que reacende a suspeita de que Aécio vá lavar as mãos mais uma vez para o candidato tucano. (&#8230;)</p></blockquote>
<p>Já Renata Lo Prete, no <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1104201001.htm">PAINEL da Folha 11/04/2010</a></p>
<blockquote><p>(&#8230;)<strong>Tá vendo?</strong> Louca para acreditar na possibilidade de Aécio aceitar ser vice, a plateia se agarrou especialmente na seguinte frase do discurso do ex-governador, que se dirigia a Serra: &#8220;Estarei a seu lado onde eu for convocado&#8221;. </p>
<p><strong>Convincente</strong>. Petistas que assistiram ao discurso engajado de Aécio passaram a duvidar um pouco da ideia de que o mineiro vá &#8220;lavar as mãos&#8221; na campanha presidencial.(&#8230;)</p></blockquote>
<p>Qual é a visão da Folha afinal???</p>

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		<title>Discurso de Dilma Rousseff em São Bernardo do Campo [10/04/2010]</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Apr 2010 22:40:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><blockquote><p>Estou aqui hoje e quero aproveitar este momento para me identificar com maior clareza. Os da oposição precisam dizer quem são. Vocês sabem quem eu sou, e vão saber ainda mais. O que eu fiz, o que planejo fazer e, uma coisa muito importante, o que eu não faço de jeito nenhum. Por isso gostaria de dizer que:</p>
<p>1 Eu não fujo quando a situação fica difícil. Eu não tenho medo da luta. Posso apanhar, sofrer, ser maltratada, mas estou sempre firme com minhas convicções. Em cada época da minha vida, fiz o que fiz por acreditar no que fazia. Só segui o que a minha alma e o meu coração mandavam. Nunca me submeti. Nunca abandonei o barco.</p>
<p>2 Eu não sou de esmorecer. Vocês não me verão entregando os pontos, desistindo, jogando a toalha. Vou lutar até o fim por aquilo em que acredito. Estarei velhinha, ao lado dos meus netos, mas lutando sempre pelos meus princípios. Por um País desenvolvido com oportunidades para todos, com renda e mobilidade social, soberano e democrático;</p>
<p>3 Eu não apelo. Vocês não verão Dilma Rousseff usando métodos desonestos e eticamente condenáveis para ganhar ou vencer. Não me verão usando mercenários para caluniar e difamar adversários. Não me verão fazendo ou permitindo que meus seguidores cometam ataques pessoais a ninguém. Minhas críticas serão duras, mas serão políticas e civilizadas. Mesmo que eu seja alvo de ataques difamantes.</p>
<p>4 Eu não traio o povo brasileiro. Tudo o que eu fiz em política sempre foi em defesa do povo brasileiro. Eu nunca traí os interesses e os direitos do povo. E nunca trairei. Vocês não me verão por aí pedindo que esqueçam o que afirmei ou escrevi. O povo brasleiro é a minha bússola. A eles dedico meu maior esforço. É por eles que qualquer sacrifício vale a pena.</p>
<p>5 Eu não entrego o meu país. Tenham certeza de que nunca, jamais me verão tomando decisões ou assumindo posições que signifiquem a entrega das riquezas nacionais a quem quer que seja. Não vou destruir o estado, diminuindo seu papel a ponto de tornar-se omisso e inexistente. Não permitirei, se tiver forças para isto, que o patrimônio nacional, representado por suas riquezas naturais e suas empresas públicas, seja dilapidado e partido em pedaços . O estado deve estar a serviço do interesse nacional e da emancipação do povo brasileiro.</p>
<p>6 Eu respeito os movimenos sociais. Esteja onde estiver, respeitarei sempre os movimentos sociais, o movimento sindical, as organizações independentes do povo. Farei isso porque entendo que os movimentos sociais são a base de uma sociedade verdadeiramente democrática. Defendo com unhas e dentes a democracia representativa e vejo nela uma das mais importantes conquistas da humanidade. Tendo passado tudo o que passei justamente pela falta de liberdade e por estar lutando pela liberdade, valorizo e defenderei a democracia. Defendo também que democracia é voto, é opinião. Mas democracia é também conquista de direitos e oportunidades. É participação, é distribuição de renda, é divisão de poder. A democracia que desrespeita os movimentos sociais fica comprometida e precisa mudar para não definhar. O que estamos fazendo no governo Lula e continuaremos fazendo é garantir que todos sejam ouvidos.</p>
<p>Democrata que se preza não agride os movimentos sociais. Não trata grevistas como caso de polícia. Não bate em manifestantes que estejam lutando pacificamente pelos seus interesses legítimos.</p>
<p>Companheiras e companheiros,</p>
<p>Aquele país triste, da estagnação e do desemprego, ficou pra trás. O povo brasileiro não quer esse passado de volta.</p>
<p>Acabou o tempo dos exterminadores de emprego, dos exterminadores de futuro. O tempo agora é dos criadores de emprego, dos criadores de futuro.<br />
Porque, hoje, o Brasil é um país que sabe o quer, sabe aonde quer chegar e conhece o caminho. É o caminho que Lula nos mostrou e por ele vamos prosseguir. Avançando.</p>
<p>Com a força do povo e a graça de Deus.</p></blockquote>

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		<title>Onde Houver Fé, Que Eu Leve A Dúvida</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Apr 2010 22:25:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Para bom entendedor meia-palavra basta!!!
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><p>Para bom entendedor meia-palavra basta!!!</p>
<blockquote><p><strong>Falcão<br />
Composição: Falcão/Tarcísio Matos</strong></p>
<p>Eu não bebo, não fumo, não cheiro<br />
Não danço, não jogo, não namoro em pé<br />
Mas no caminho que eu estou vou me acabar na mão<br />
Eu não deixo, não aceito, não abro<br />
Não permito, não tolero<br />
Botar a perder essa bendita ereção<br />
Um padre certa vez me disse:<br />
&#8220;O que não é bom certamente é mau<br />
O que não é doce com certeza é fel<br />
E o que não é inferno talvez seja o céu.&#8221;<br />
Eu rezo novena, trezena, eu encho o bucho de hóstia<br />
E até como bosta pra pagar promessa<br />
Eu peco, eu fresco, eu minto<br />
Eu caio em tentação, eu como carne de porco<br />
Eu juro o santo nome em vão<br />
O papa já devia ter dito:<br />
Que a castidade não importa mais<br />
Deve ser quebrada na frente ou por trás<br />
Pois tem certas coisas que não se concebe<br />
Porque é dando que se recebe.</p></blockquote>

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		<title>Discurso de José Serra no lançamento de sua candidatura a presidência da república em 2010</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Apr 2010 22:13:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Discurso de lançamento da candidatura de José Serra à presidência ...]]></description>
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><p>Discurso de lançamento da candidatura de José Serra à presidência da república em 10/04/2010</p>
<blockquote><p><strong>O BRASIL PODE MAIS</strong></p>
<p>Venho hoje, aqui, falar do meu amor pelo Brasil; falar da minha vida; falar da minha experiência; falar da minha fé; falar das minhas esperanças no Brasil. E mostrar minha disposição de assumir esta caminhada. Uma caminhada que vai ser longa e difícil mas que com a ajuda de Deus e com a força do povo brasileiro será com certeza vitoriosa.</p>
<p>Alguns dias atrás, terminei meu discurso de despedida do Governo de São Paulo afirmando minha convicção de que o Brasil pode mais.  Quatro palavras, em meio a muitas outras. Mas que ganharam destaque porque traduzem de maneira simples e direta o sentimento de milhões de brasileiros: o de que o Brasil, de fato, pode mais. E é isto que está em jogo nesta hora crucial!</p>
<p>Nos últimos 25 anos, o povo brasileiro alcançou muitas conquistas: retomamos a Democracia, arrancamos nas ruas o direito de votar para presidente, vivemos hoje num país sem censura e com uma imprensa livre. Somos um  Estado de Direito Democrático. Fizemos uma nova Constituição, escrita por representantes do povo.  Com o Plano Real, o Brasil transformou sua economia a favor do povo, controlou a inflação, melhorou a renda e a vida dos mais pobres, inaugurou uma nova Era no Brasil. Também conquistamos a responsabilidade fiscal dos governos. Criamos uma agricultura mais forte,  uma indústria eficiente e um sistema financeiro sólido. Fizemos o Sistema Único de Saúde,  conseguimos colocar as crianças na escola, diminuímos a miséria, ampliamos o consumo e o crédito, principalmente para os brasileiros mais pobres. Tudo isso em 25 anos. Não foram conquistas de um só homem ou de um só Governo, muito menos de um único partido.  Todas são resultado de 25 anos de estabilidade democrática, luta e trabalho. E nós somos militantes dessa transformação, protagonistas mesmo, contribuímos para essa história de progresso e de avanços do nosso País.  Nós podemos nos orgulhar disso.</p>
<p>Mas, se avançamos, também devemos admitir que ainda falta muito por fazer. E se considerarmos os avanços em outros países e o potencial do Brasil, uma conclusão é inevitável: o Brasil pode ser muito mais do que é hoje.</p>
<p>Mas para isso temos de enfrentar os problemas nacionais e resolvê-los, sem ceder à demagogia, às bravatas ou à politicagem. E esse é um bom momento para reafirmarmos nossos valores. Começando pelo apreço à Democracia Representativa, que foi fundamental para chegarmos aonde chegamos. Devemos respeitá-la, defendê-la, fortalecê-la. Jamais afrontá-la.</p>
<p>Democracia e Estado de Direito são valores universais, permanentes, insubstituíveis e inegociáveis. Mas não são únicos. Honestidade, verdade, caráter, honra, coragem, coerência, brio profissional, perseverança são essenciais ao exercício da política e do Poder. É nisso que eu acredito e é assim que eu ajo e continuarei agindo. Este é o momento de falar claro, para que ninguém se engane sobre as minhas crenças e valores. É com base neles que também reafirmo: o Brasil, meus amigos e amigas, pode mais.</p>
<p>Governos, como as pessoas, têm que ter alma. E a alma que inspira nossas ações é a vontade de melhorar a vida das pessoas que dependem do estudo e do trabalho, da Saúde e da Segurança. Amparar os que estão desamparados.</p>
<p>Sabem quantas pessoas com alguma deficiência física existem no Brasil? Mais de 20 milhões – a esmagadora maioria sem o conforto da acessibilidade aos equipamentos públicos e a um tratamento de reabilitação. Os governos, como as pessoas, têm que ser solidários com todos e principalmente com aqueles que são mais vulneráveis.</p>
<p>Quem governa, deve acreditar no planejamento de suas ações. Cultivar a austeridade fiscal, que significa fazer melhor e mais com os mesmos recursos. Fazer mais do que repetir promessas.   O governo deve ouvir a voz dos trabalhadores e dos desamparados, das mulheres e das famílias, dos servidores públicos e dos profissionais de todas as áreas, dos jovens e dos idosos, dos pequenos e dos grandes empresários, do mercado financeiro, mas também do mercado dos que produzem alimentos, matérias-primas, produtos industriais e serviços  essenciais,  que são o fundamento do nosso desenvolvimento, a máquina de gerar empregos, consumo e riqueza.</p>
<p>O governo deve servir ao povo, não a partidos e a corporações que não representam o interesse público.  Um governo deve sempre procurar unir a nação. De mim, ninguém deve esperar que estimule disputas de pobres contra ricos, ou de ricos contra  pobres. Eu quero todos, lado a lado, na solidariedade necessária à construção de um país que seja realmente de todos.</p>
<p>Ninguém deve esperar que joguemos estados do Norte contra estados do Sul, cidades grandes contra cidades pequenas, o urbano contra o rural, a indústria contra os serviços, o comércio contra a agricultura, azuis contra vermelhos, amarelos contra verdes.  Pode ser engraçado no futebol. Mas não é quando se fala de um País. E é deplorável  que haja gente que, em nome da política, tente dividir o nosso Brasil.</p>
<p>Não aceito o raciocínio do nós contra eles. Não cabe na vida de uma Nação. Somos todos irmãos na pátria. Lutamos pela união dos brasileiros e não pela sua divisão.  Pode haver uma desavença aqui outra acolá, como em qualquer família. Mas vamos trabalhar somando, agregando. Nunca dividindo. Nunca excluindo. O Brasil tem grandes carências. Não pode perder energia com disputas entre brasileiros. Nunca será um país desenvolvido se não promover um equilíbrio maior entre suas regiões. Entre a nossa Amazônia, o Centro Oeste e  o Sudeste. Entre o Sul e o Nordeste.   Por isso, conclamo: Vamos juntos. O Brasil pode mais. O desenvolvimento é uma escolha. E faremos essa escolha. Estamos preparados para isso.</p>
<p>Ninguém deve esperar que joguemos o governo contra a oposição, porque não o faremos. Jamais rotularemos os adversários como inimigos da pátria ou do povo. Em meio século de militância política nunca fiz isso. E não vou fazer. Eu quero todos juntos, cada um com sua identidade, em nome do bem comum.</p>
<p>Na Constituinte fiz a emenda que permitiu criar o FAT, financiar e fortalecer o BNDES e tirar do papel o seguro-desemprego – que hoje beneficia 10 milhões de trabalhadores.  Todos os partidos e blocos a apoiaram. No ministério da Saúde  do governo Fernando Henrique tomei a iniciativa de enviar ou refazer e impulsionar seis projetos de lei e uma emenda constitucional – a criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e da Agência Nacional de Saúde, a implantação dos genéricos, a proibição do fumo nos aviões e da propaganda de cigarros, a regulamentação dos planos de saúde, o combate à falsificação de remédios e a PEC 29, que vinculou recursos à Saúde nas três esferas da Federação &#8211;  todos, sem exceção, aprovados pelos parlamentares do governo e da oposição. É assim que eu trabalho: somando e unindo, visando ao bem comum. Os membros do Congresso que estão me ouvindo, podem testemunhar: suas emendas ao orçamento da Saúde eram acolhidas pela qualidade, nunca devido à sua filiação partidária.</p>
<p>Se o povo assim decidir,  vamos governar com todas e com todos, sem discriminar ninguém. Juntar pessoas em vez de separá-las; convidá-las ao diálogo, em vez de segregá-las; explicar os nossos propósitos, em vez de hostilizá-las. Vamos valorizar o talento, a honestidade e o patriotismo em vez de indagar a filiação partidária.</p>
<p>Minha história de vida e minhas convicções pessoais sempre estiveram comprometidas com a unidade do país e com a unidade do seu povo. Sou filho de imigrantes, morei e cresci num bairro de trabalhadores que vinham de todas as partes, da Europa, do Nordeste, do Sul. Todos em busca de oportunidade e de esperança.</p>
<p>A liderança no movimento estudantil me fez conhecer e conviver com todo o Brasil  logo ao final da minha adolescência. Aliás, na época,   aprendi mesmo a fazer política no Rio, em Minas, na Bahia e em Pernambuco, aos 21 anos de idade. O longo exílio me levou sempre a enxergar e refletir sobre o nosso país como um todo.</p>
<p>Minha história pessoal está diretamente vinculada à valorização do trabalho, à valorização do esforço, à valorização da dedicação. Lembro-me do meu pai, um modesto comerciante de  frutas no mercado municipal: doze horas de jornada de trabalho nos dias úteis, dez horas no sábado, cinco horas aos domingos. Só não trabalhava no dia 1 de janeiro. Férias? Um luxo, pois deixava de ganhar o dinheiro da nossa subsistência.  Um homem austero, severo, digno. Seu exemplo me marcou na vida e na compreensão do que significa o amor familiar de um trabalhador: ele carregava caixas de frutas para que um dia eu pudesse carregar caixas de livros.</p>
<p>E eu me esforço para tornar digno o trabalho de todo homem e mulher, do ser humano como ele foi. Porque vejo a imagem de meu pai em cada trabalhador. Eu a vi outro dia, na inauguração do Rodoanel, quando um dos operários fez questão de me mostrar com orgulho seu nome no mural que eu  mandei fazer para exibir a identidade de todos  os trabalhadores que fizeram aquela obra espetacular. Por que o mural? Por justo reconhecimento e porque eu sabia que despertaria neles o orgulho de quem sabe exercer a profissão. Um momento de revelação a si mesmos de que eles são os verdadeiros construtores nesta nação.</p>
<p>Eu vejo em cada criança na escola o menino que eu fui, cheio de esperanças, com o peito cheio de crença no futuro. Quando prefeito e quando governador, passei anos indo às escolas para dar aula (de verdade) à criançada da quarta série. Ia reencontrar-me comigo mesmo. Porque  tudo o que eu sou aprendi em duas escolas: a escola pública e a escola da vida pública. Aliás, e isto é um perigo dizer, com freqüência uso senhas de computador baseadas no nome de minhas professoras no curso primário. E toda vez que escrevo lembro da sua fisionomia, da sua voz, do seu esforço, e até das broncas, de um puxão de orelhas, quando eu fazia alguma bagunça.</p>
<p>Mas é por isso tudo que sempre lutei e luto tanto pela educação dos milhões de filhos do Brasil. No país com que sonho para os meus netos, o melhor caminho para o sucesso e a prosperidade será a matrícula numa boa escola, e não a carteirinha de um partido político.  E estou convencido de uma coisa: bons prédios, serviços adequados de merenda, transporte escolar, atividades esportivas e culturais, tudo é muito importante e deve ser aperfeiçoado. Mas a condição fundamental é a melhora do aprendizado na sala de aula, propósito bem declarado pelo governo, mas que praticamente não saiu do papel. Serão necessários mais recursos. Mas pensemos no custo para o Brasil  de não ter essa nova Educação em  que o filho do pobre freqüente uma escola tão boa quanto a do filho do rico. Esse é um compromisso.</p>
<p>É preciso prestar atenção num retrocesso grave dos últimos anos: a estagnação da escolaridade entre os adolescentes.  Para essa faixa de idade, embora não exclusivamente para ela,  vamos turbinar o ensino técnico e profissional, aquele que vira emprego. Emprego para a juventude, que é  castigada pela falta de oportunidades de subir na vida.  E vamos fazer de forma descentralizada, em parcerias com  estados e municípios, o que garante uma vinculação entre as escolas técnicas e os mercados locais, onde os empregos são gerados. Ensino de qualidade e de custos moderados,   que nos permitirá multiplicar por dois ou três o número de alunos no país inteiro, num período de governo.  Sim,  meus amigos e amigas, o Brasil pode mais.</p>
<p>Podemos e devemos fazer mais pela saúde do nosso povo. O SUS foi  um filho da Constituinte que nós consolidamos no governo passado, fortalecendo a integração entre União, Estados e Municípios;  carreando mais recursos para o setor;  reduzindo custos de medicamentos;  enfrentando com sucesso  a barreira das patentes, no Brasil e na Organização Mundial do Comércio;   ampliando o sistema de atenção básica e o Programa Saúde da Família em todo o Brasil;  prestigiando o setor filantrópico sério,  com quem fizemos grandes parcerias,   dos hospitais até a prevenção e promoção da Saúde, como a Pastoral da Criança; fazendo a melhor campanha contra a AIDS do mundo em desenvolvimento; organizando os mutirões; fazendo mais vacinações; ampliando a assistência às pessoas com deficiência;  cerceando o abuso do incentivo ao cigarro e ao tabaco em geral. E muitas outras coisas mais. De fato, e mais pelo que aconteceu na primeira metade do governo, a Saúde estagnou ou avançou pouco.  Mas a  Saúde pode avançar muito mais. E nós sabemos como fazer isso acontecer.</p>
<p>Saúde é vida, Segurança também. Por isso, o governo federal deve assumir mais responsabilidades face à gravidade da situação. E não tirar o corpo fora porque a Constituição atribui aos governos estaduais a competência principal nessa área. Tenho visto gente criticar o Estado Mínimo, o Estado Omisso. Concordo. Por isso mesmo, se tem área em que o Estado não tem o direito de ser mínimo, de se omitir, é a segurança pública.   As bases do crime organizado  estão no contrabando de armas e de drogas, cujo combate efetivo cabe às autoridades federais.  Ou o governo federal assume de vez, na prática, a coordenação efetiva dos esforços nacionalmente, ou o Brasil não tem como ganhar a guerra contra o crime e proteger nossa juventude.</p>
<p>Qual pai ou mãe de família não se sente ameaçado pela violência, pelo tráfico e pela difusão do uso das drogas? As drogas são hoje uma praga nacional. E aqui também o Governo tem de investir em clínicas e programas de recuperação para quem precisa e não pode ser tolerante com traficantes da morte. Mais ainda se o narcotráfico se esconde atrás da ideologia ou da política. Os jovens são as grandes vítimas. Por isso mesmo, ações preventivas, educativas, repressivas e de assistência precisam ser combinadas com a expansão da qualificação profissional e a oferta de empregos.</p>
<p>Uma coisa que precisa acabar é a falsa oposição entre construir escolas e construir presídios. Muitas vezes, essa é a conversa de quem não faz nem uma coisa nem outra. É verdade que nossos jovens necessitam de boas escolas e de bons empregos, mas se o indivíduo comete um crime ele deve ser punido. Existem propostas de impor penas mais duras aos criminosos. Não sou contra, mas  talvez mais importante do que isso seja a garantia da punição. O problema principal no Brasil não são as penas supostamente leves. É a quase certeza da impunidade. Um país só tem mais chance de conseguir a paz quando existe a garantia de que a atitude criminosa não vai ficar sem castigo.</p>
<p>Eu quero que meus netos cresçam num país em que as leis sejam aplicadas para todos. Se o trabalhador precisa cumprir a lei, o prefeito, o governador e o presidente da República também tem essa obrigação. Em nosso país, nenhum brasileiro vai estar acima da lei, por mais poderoso que seja.  Na Segurança e na Justiça, o Brasil também pode mais.</p>
<p>Lembro que os investimentos governamentais no Brasil, como proporção do PIB, ainda são dos mais baixos do mundo em desenvolvimento. Isso compromete ou encarece a produção, as exportações e o comércio.  Há uma quase unanimidade a respeito das carências da infra-estrutura brasileira: no geral, as estradas não estão boas,  faltam armazéns,  os aeroportos vivem à beira do caos, os portos, por onde passam nossas exportações e importações, há muito deixaram de atender as necessidades. Tem gente que vê essas carências apenas como um desconforto, um incômodo. Mas essa é uma visão errada. O PIB brasileiro poderia crescer bem mais  se a infra-estrutura fosse adequada, se funcionasse de acordo com o tamanho do nosso país, da população e da economia.</p>
<p>Um exemplo simples: hoje, custa mais caro transportar uma tonelada de soja do Mato Grosso ao porto de Paranaguá do que levar a mesma soja do porto brasileiro até a China. Um absurdo. A conseqüência é menos dinheiro no bolso do produtor, menos investimento  e menos riqueza no interior do Brasil. E sobretudo menos empregos. </p>
<p>Temos inflação baixa, mais crédito e reservas elevadas, o que é bom, mas para que o crescimento seja sustentado nos próximos anos não podemos ter uma combinação perversa de falta de infra-estrutura, inadequações da política macroeconômica, aumento da rigidez fiscal e vertiginoso crescimento do  déficit do balanço de pagamentos.  Aliás, o valor de nossas  exportações cresceu muito nesta década, devido à melhora dos preços e da demanda por nossas matérias primas.  Mas vai ter de crescer mais. Temos de romper pontos de estrangulamento e atuar de forma mais agressiva na conquista de mercados. Vejam que dado impressionante:  nos últimos anos, mais de 100 acordos de livre comércio foram assinados em todo o mundo. São um instrumento poderoso de abertura de mercados.  Pois o Brasil, junto com o MERCOSUL,  assinou apenas um novo acordo (com Israel), que ainda não entrou em vigência!<br />
Da mesma forma, precisamos tratar com mais seriedade a preservação do meio-ambiente e o desenvolvimento sustentável. Repito aqui o que venho dizendo há anos: é possível, sim, fazer o país crescer e defender nosso meio ambiente, preservar as florestas, a qualidade do ar a contenção das emissões de gás carbônico. É dever urgente dar a todos os brasileiros saneamento básico, que também é meio ambiente. Água encanada de boa qualidade, esgoto coletado e tratado não são luxo. São essenciais. São Saúde. São cidadania. A economia verde é, ao contrário do que pensam alguns,  uma possibilidade promissora para o Brasil. Temos muito por fazer e muito o que progredir, e vamos fazê-lo.</p>
<p>Também não são  incompatíveis a proteção do meio ambiente e o dinamismo extraordinário de nossa agricultura, que tem sido a galinha de ovos de ouro do desenvolvimento do país, produzindo as alimentos para nosso povo, salvando nossas contas externas, contribuindo para segurar a inflação e ainda gerar energia! Estou convencido disso e vamos provar o acerto dessa convicção na prática de governo. Sabem por quê? Porque sabemos como fazer e porque o Brasil pode mais!</p>
<p>O Brasil está cada vez maior e mais forte.  É uma voz ouvida com respeito e atenção. Vamos usar essa força para  defender a autodeterminação dos povos e os direitos humanos, sem vacilações. Eu fui perseguido em   dois golpes de estado, tive  dois exílios simultâneos, do Brasil e do Chile. Sou sobrevivente do Estádio Nacional de Santiago, onde muitos morreram. Por algum motivo, Deus permitiu que eu saísse de lá com vida.  Para mim, direitos humanos não são negociáveis. Não cultivemos ilusões: democracias não têm gente encarcerada ou condenada à forca por pensar diferente de quem está no governo. Democracias não têm operários morrendo por greve de fome quando discordam do regime.</p>
<p>Nossa presença no mundo exige que não descuidemos de nossas Forças Armadas e da defesa de nossas fronteiras. O mundo contemporâneo é desafiador. A existência de Forças Armadas treinadas,  disciplinadas, respeitadoras da Constituição e das leis foi uma conquista da Nova República. Precisamos mantê-las bem equipadas, para que cumpram suas funções, na dissuasão de ameaças sem ter de recorrer diretamente ao uso da força e na contribuição ao desenvolvimento tecnológico do país.</p>
<p>Como falei no início, esta será uma caminhada longa e difícil. Mas manteremos nosso comportamento a favor do Brasil.  Às provocações,  vamos  responder com serenidade; às falanges do ódio que insistem em  dividir a nação vamos responder com nosso trabalho presente e nossa crença no futuro. Vamos responder sempre dizendo a verdade. Aliás, quanto mais mentiras os adversários disserem sobre nós, mais verdades diremos sobre eles.</p>
<p>O Brasil não tem dono. O Brasil pertence aos brasileiros que trabalham; aos brasileiros que estudam; aos brasileiros que querem subir na vida; aos brasileiros que acreditam no esforço; aos brasileiros que não se deixam corromper; aos brasileiros que não toleram os malfeitos; aos brasileiros que não dispõem de uma &#8220;boquinha&#8221;; aos brasileiros que exigem ética na vida pública porque são decentes; aos brasileiros que não contam com um partido ou com alguma maracutaia para subir na vida.</p>
<p>Este é o povo que devemos mobilizar para a nossa luta; este é o povo que devemos convocar para a nossa caminhada; este é o povo que quer, porque assim deve ser, conservar as suas conquistas, mas que anseia mais. Porque o Brasil, meus amigos e amigas, pode mais. E, por isso, tem de estar unido. O Brasil é um só.</p>
<p>Pretendo apresentar ao Brasil minha história e minhas idéias. Minha biografia.  Minhas crenças e meus valores. Meu entusiasmo e minha confiança. Minha  experiência e minha vontade.</p>
<p>Vou lhes contar uma coisa.  Desde cedo, quando entrei na vida pública, descobri qual era a motivação maior, a mola propulsora da atividade política. Para mim, a motivação é o prazer. A vida pública não é sacrifício, como tantos a pintam, mas sim um trabalho prazeroso. Só que não é o mero prazer do desfrute. É o prazer da frutificação. Não é um sonho de consumo. É um sonho de produção e de criação. Aprendi desde cedo que servir é bom, nos faz felizes, porque nos dá o sentido maior de nossas existências, porque nos traz uma sensação de bem estar muito mais profunda do que  quaisquer confortos ou vantagens   propiciados pelas posições de Poder. Aprendi que nada se compara à sensação de construir algo de bom e duradouro para a sociedade em que vivemos, de descobrir soluções para os problemas reais das pessoas, de fazer acontecer.</p>
<p>O grande escritor mineiro Guimarães Rosa, escreveu:  O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.  Concordo. É da  coragem que a vida quer que nós precisamos agora.</p>
<p>Coragem para fazer um projeto de País,  com sonhos, convicções e com o apoio da maioria.</p>
<p>Juntos, vamos construir o Brasil que queremos, mais justo e mais generoso. Eleição é uma escolha sobre o futuro. Olhando pra frente, sem picuinhas, sem mesquinharias, eu me coloco diante do Brasil, hoje, com minha biografia,  minha história política   e com . esperança no nosso futuro. E determinado a fazer a minha parte para construir um Brasil melhor. Quero ser o presidente da união. Vamos juntos, brasileiros e brasileiras, porque o Brasil pode mais.</p></blockquote>

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		<title>Bota-fora na TV Cultura</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Apr 2010 01:29:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Mônica Bergamo 09/04/2010 Folha de São Paulo
Bota-fora
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><p><a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0904201007.htm">Mônica Bergamo 09/04/2010 Folha de São Paulo</a></p>
<blockquote><p><strong>Bota-fora</strong></p>
<p>Baixa de alta plumagem na TV Cultura: José Henrique Reis Lobo, ex-secretário do governo José Serra e coordenador da campanha do tucano à Presidência, está renunciando ao conselho da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da emissora. Contrário à manutenção de Paulo Markun na direção da TV (o jornalista deve ser reeleito em maio, com apoio de Serra), Lobo pediu o boné.</p>
<p><strong>BOTA-FORA 2</strong></p>
<p>Crítico contumaz de Markun, em especial por causa da baixa audiência da TV, Lobo, desta vez, preferiu ser discreto. Em carta, disse que deixava o conselho para cuidar da campanha presidencial. Além dele, os jornalistas Matinas Suzuki e Eugênio Bucci abriram mão de serem reconduzidos para o colegiado. Saem também Marcos Mendonça e Milú Villela, cujos mandatos vencem neste mês. Cinco novos conselheiros serão eleitos na próxima segunda.</p>
<p><strong>O GOVERNO MANDA </strong></p>
<p>E Jorge da Cunha Lima, que deixa a presidência do conselho da Cultura em maio, defenderá mudanças no sistema de escolha dos diretores da emissora. &#8220;A lei diz que o conselho manda [na TV] e você tem uma conjuntura na qual o governo manda&#8221;, diz. O Estado, com R$ 80 milhões anuais, paga boa parte das despesas da TV. &#8220;Vou propor um protocolo ético no qual a escolha dos dirigentes seja partilhada entre governo e conselho de forma transparente.&#8221;</p></blockquote>

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		<title>Serra propagandeia milagres e privatiza poema de Vinicius</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Apr 2010 14:11:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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		<category><![CDATA[eleições 2010]]></category>
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Do Hora do Povo
Professores, segurança pública, teatro e muitos outros ...]]></description>
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><p>Do <a href="http://www.horadopovo.com.br">Hora do Povo</a></p>
<blockquote><p><em>Professores, segurança pública, teatro e muitos outros foram vítimas do discurso de despedida</em></p>
<p>O discurso de despedida do governador José Serra está inscrito numa longa tradição da retórica, por que não dizer, universal – aquela que promete uma mulher para cada homem e um homem para cada mulher. Sempre na vanguarda, por pouco não revelou que sua operosa administração conseguiu uma mulher paulista para cada homem paulista e um homem paulista para cada mulher paulista.</p>
<p>Fora isso, conseguiu tudo, até que a criminalidade – em franca alta em todas as suas modalidades, segundo as estatísticas da Secretaria de Segurança – tivesse uma redução espetacular. Isso porque <em>“repudiamos sempre a espetacularização, bravatas, a busca da notícia fácil, o protagonismo sem substância</em>”. Por isso, revelou que <em>“os professores e servidores estão ganhando mais</em>”, do que se conclui que ele faz milagres – os servidores conseguem ganhar mais sem que ele tenha concedido aumento.</p>
<p>Porém, nada se compara a: <em>“&#8230; não pude deixar de me lembrar de uma poesia do Vinícius de Morais, que eu, espero que acreditem, eu também fiz teatro, não é? Fui diretor de teatro na Escola Politécnica. (…) Aprendi muita poesia. Eu me lembrei de uma poesia do Vinícius que eu sabia de memória, até hoje eu sei quase toda de memória. Chamada ‘O Operário em Construção’. Ele dizia: <strong>‘Pareceu me, então, que até aquele momento ele, o operário, desconhecia esse fato extraordinário, que o operário faz a coisa e a coisa faz o operário. Casa, cidade, nação&#8230; Tudo o que existia era ele quem o fazia, ele, um humilde operário, um operário que sabia exercer a sua profissão’</strong>. Eu me senti muito realizado, muito emocionado e pensei comigo: ‘Olha&#8230;Valeu à pena’”.</em></p>
<p><strong>POEMA</strong></p>
<p>“O Operário Em Construção” não é um poema sobre a mera criação de valor pelo trabalho. É um poema sobre a luta pela liberdade, a recusa do operário a aceitar a expropriação daquilo que é seu, daquilo que criou, e, em especial, é um poema sobre a integridade, sobre os que dizem não a se vender, sobre a eternidade dos que não traem aos outros &#8211; e, sobretudo, não traem a si mesmos -, sobre como um ser humano, se torna consciente, e recusa degradar sua própria humanidade aceitando o suborno, a traição ou rendendo-se à delação e à tortura. Daí, seu belo final: <em>“E o operário ouviu a voz/ De todos os seus irmãos/ Os seus irmãos que morreram/ Por outros que viverão./ Uma esperança sincera/ Cresceu no seu coração/ E dentro da tarde mansa/ Agigantou-se a razão/ De um homem pobre e esquecido/ Razão porém que fizera/ Em operário construído/ O operário em construção.”</em></p>
<p>Esta é a razão porque Vinícius colocou como epígrafe do poema o trecho do Evangelho de São Lucas em que Jesus recusa o assédio de Satanás:</p>
<p><em>“E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:</em></p>
<p><em>“– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.</em></p>
<p><em>“E Jesus, respondendo, disse-lhe:</em></p>
<p>“– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.”</p>
<p>No poema, Vinícius assim descreve a recusa do operário:</p>
<p><em>“Um dia tentou o patrão/ Dobrá-lo de modo vário./ De sorte que o foi levando/ Ao alto da construção/ E num momento de tempo/ Mostrou-lhe toda a região/ E apontando-a ao operário/ Fez-lhe esta declaração:/ – Dar-te-ei todo esse poder/ E a sua satisfação/ Porque a mim me foi entregue/ E dou-o a quem bem quiser./ Dou-te tempo de lazer/ Dou-te tempo de mulher./ Portanto, tudo o que vês/ Será teu se me adorares/ E, ainda mais, se abandonares/ O que te faz dizer não.// Disse, e fitou o operário/ Que olhava e que refletia/ Mas o que via o operário/ O patrão nunca veria./ O operário via as casas/ E dentro das estruturas/ Via coisas, objetos/ Produtos, manufaturas./ Via tudo o que fazia/ O lucro do seu patrão/ E em cada coisa que via/ Misteriosamente havia/ A marca de sua mão./ E o operário disse: Não!// Loucura! – gritou o patrão/ Não vês o que te dou eu?/ – Mentira! – disse o operário/ Não podes dar-me o que é meu.”</em></p>
<p>Serra, presidente da UNE, abandonou a luta no próprio dia do golpe de 1964 – refugiou-se na embaixada da Bolívia, deixando a UNE sem presidente, no momento em que os estudantes iriam se transformar na principal força que resistiria à ditadura nos anos subsequentes.</p>
<p>Depois de um período no Chile, e de um episódio pouco explicado, em que ele foi preso pelos golpistas de Pinochet, levado ao Estádio Nacional, e em seguida liberado sem problemas, Serra foi para os EUA – e, ao contrário de milhares de brasileiros que tiveram alguma participação política, os americanos permitiram que entrasse no país, e, mais: abrigaram-no em duas das universidades privadas mais caras da elite ianque, Cornell e Princeton, onde, mesmo sem graduação, Serra fez pós-graduação. Por que a casta norte-americana investiu num pobretão nascido na Mooca, que vivia fazendo discursos esquerdistas antes do golpe que ela patrocinou?</p>
<p>Ao voltar ao Brasil, sua associação com Fernando Henrique – e com o dinheiro da Fundação Ford (cf., <em>“Os 40 anos da Fundação Ford no Brasil”</em>, Fundação Ford, 2002) &#8211; é por demais conhecida, assim como o papel dessa fundação em repassar o dinheiro da CIA (cf. Frances Stonor Saunders, <em>“Quem pagou a conta? – A CIA na Guerra Fria da Cultura</em>”, Record, 2008).</p>
<p>Na mesma época, Serra tornou-se o principal editorialista da “Folha de S. Paulo” &#8211; como, aliás, ele mesmo afirma em seu baboso necrológio do dono desse jornal, conhecido por sua colaboração com a ditadura, pelo acobertamento e apoio a torturas e assassinatos, e uma das publicações mais reacionárias, antinacionais e antipopulares do país.</p>
<p><strong>TEMPO</strong></p>
<p>Sobre os anos imediatamente posteriores, melhor será reproduzir o testemunho de um homem que se considerou durante muito tempo um dos maiores amigos de Serra. Disse o jurista, depois ministro e vice-presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Flavio Bierrenbach, no programa eleitoral da campanha de 1988: <em>“Serra entrou pobre na Secretaria de Planejamento do Governo Montoro e saiu rico. Ele usa o poder de forma cruel, corrupta e prepotente. Poucos o conhecem. Engana muita gente. Prejudicou a muitos dos seus companheiros. Uma ambição sem limite. Uma sede de poder sem nenhum freio”.</em></p>
<p>O resto, os brasileiros mais jovens sabem – sua participação como ministro do Planejamento e presidente da Comissão de Privatização de Fernando Henrique, a proliferação de epidemias quando foi ministro da Saúde, sua indústria de dossiês difamatórios contra adversários, sua afinidade eletiva pelo neoliberal-entreguismo, a sofreguidão privatizadora que levou aos desastres no Metrô, Rodoanel, Tietê, Saúde, Educação, Segurança – e mais não dizemos, leitores, porque haverá tempo para dizer e informar tudo o que precisa ser dito e informado.</p>
<p><em>CARLOS LOPES</em></p></blockquote>

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		<title>Tempestade no Cerrado</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Mar 2010 07:30:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>

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Do Blog Sindicalismo e Cultura
Operação “Tempestade no Cerrado”: o que ...]]></description>
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Do <a href="http://sindicalismoecultura.blogspot.com/2010/03/operacao-tempestade-no-cerrado-o-que.html">Blog Sindicalismo e Cultura</a></p>
<blockquote><p><strong>Operação “Tempestade no Cerrado”: o que fazer?</strong><br />
<strong>por Mauro Carrara</strong></p>
<p><strong>O PT é um partido sem mídia&#8230; O PSDB é uma mídia com partido.</strong></p>
<p>“Tempestade no Cerrado”: é o apelido que ganhou nas redações a operação de bombardeio midiático sobre o governo Lula, deflagrada nesta primeira quinzena de Março, após o convescote promovido pelo Instituto Millenium.</p>
<p>A expressão é inspirada na operação “Tempestade no Deserto”, realizada em fevereiro de 1991, durante a Guerra do Golfo.</p>
<p>Liderada pelo general norte-americano Norman Schwarzkopf, a ação militar destruiu parcela significativa das forças iraquianas. Estima-se que 70 mil pessoas morreram em decorrência da ofensiva.</p>
<p>A ordem nas redações da Editora Abril, de O Globo, do Estadão e da Folha de S. Paulo é disparar sem piedade, dia e noite, sem pausas, contra o presidente, contra Dilma Roussef e contra o Partido dos Trabalhadores.</p>
<p>A meta é produzir uma onda de fogo tão intensa que seja impossível ao governo responder pontualmente às denúncias e provocações.</p>
<p>As conversas tensas nos &#8220;aquários&#8221; do editores terminam com o repasse verbal da cartilha de ataque.</p>
<p>1) Manter permanentemente uma denúncia (qualquer que seja) contra o governo Lula nos portais informativos na Internet.</p>
<p>2) Produzir manchetes impactantes nas versões impressas. Utilizar fotos que ridicularizem o presidente e sua candidata.</p>
<p>3) Ressuscitar o caso “Mensalão”, de 2005, e explorá-lo ao máximo. Associar Lula a supostas arbitrariedades cometidas em Cuba, na Venezuela e no Irã.</p>
<p>4) Elevar o tom de voz nos editoriais.</p>
<p>5) Provocar o governo, de forma que qualquer reação possa ser qualificada como tentativa de “censura”.</p>
<p>6) Selecionar dados supostamente negativos na Economia e isolá-los do contexto.</p>
<p>7) Trabalhar os ataques de maneira coordenada com a militância paga dos partidos de direita e com a banda alugada das promotorias.</p>
<p>8 ) Utilizar ao máximo o poder de fogo dos articulistas.</p>
<p><strong>Quem está por trás </strong><br />
Parte da estratégia tucano-midiática foi traçada por Drew Westen, norte-americano que se diz neurocientista e costuma prestar serviços de cunho eleitoral. É autor do livro The Political Brain, que andou pela escrivaninha de José Serra no primeiro semestre do ano passado. A tropicalização do projeto golpista vem sendo desenvolvida pelo “cientista político” Alberto Carlos Almeida, contratado a peso de ouro para formular diariamente a tática de combate ao governo.</p>
<p>Almeida escreveu Por que Lula? e A cabeça do brasileiro, livros que o governador de São Paulo afirma ter lido em suas madrugadas insones.</p></blockquote>

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		<title>Os perigos de uma crítica maniqueísta</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Mar 2010 05:45:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Destaque]]></category>

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Da Folha de São Paulo 27/03/2010
Os perigos de uma crítica ...]]></description>
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><p>Da <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2603201008.htm">Folha de São Paulo 27/03/2010</a></p>
<blockquote><p><strong>Os perigos de uma crítica maniqueísta</strong></p>
<p><strong>KABENGELE MUNANGA</strong></p>
<p><span style="position:relative;color:green;width:170px;background:white;border-top:  2px solid gold ;border-bottom:2px solid gold;float:right;padding: 0.1em; margin: 0.3em;font-family:Georgia,Verdana,Arial, Helvetica;font-size: 12pt;line-height:26px; text-align: right;"><span style="filter:alpha(opacity=75);-moz-opacity:.75;opacity:.75;">A </span><b> </b>demanda <br><b></b>social <br><b>das </b>políticas <br><b>de ação </b>afirmativa <br><b>se </b>fundamenta <br><b>na situação </b>estrutural <br><b>das relações entre </b>brancos <br><b></b>e<span style="filter:alpha(opacity=90);-moz-opacity:.90;opacity:.90;"> afrodescendentes</span></span></p>
<p>POR QUAL motivo o STF promoveria uma audiência pública antes de votar matéria de sua competência, como se seus ministros não tivessem já opinião construída sobre a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade das cotas &#8220;raciais&#8221;? Penso que o Supremo teria partido do suposto de que as leis sozinhas não resolvem todos os problemas de uma sociedade e que era preciso reunir opiniões e pontos de vista provindos de diferentes setores.</p>
<p>É no âmbito dessa audiência pública que se coloca o pronunciamento do senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Os argumentos que defendeu provocaram reações, interpretações e comentários críticos que o geógrafo Demétrio Magnoli, em artigo neste espaço (&#8220;<a href="http://clipping.tse.gov.br/noticias/2010/Mar/9/o-jornalismo-delinquente">O jornalismo delinquente</a>&#8220;, 9/3), qualificou como delinquência, amnésia ideológica, falsificação da história, manipulação, ignorância etc.</p>
<p>Conhece-se a facilidade sem limites que o geógrafo Demétrio Magnoli tem para atribuir palavras de sua conveniência a seus adversários. Mas o que disse exatamente o senador? Em seu pronunciamento, deixou claramente explícita sua posição contrária às cotas &#8220;raciais&#8221;. Afirmou que não aconteceram sequestros e capturas de escravos porque foram os próprios africanos que o fizeram. Eles forneciam escravos não apenas aos mercados ocidentais e americanos, mas bem antes ao mundo árabe.</p>
<p>O senador disse ainda que os donos de escravos não eram somente brancos ou ocidentais, mas também africanos ou negros. Acrescentou à sua peça acusatória que os abusos sexuais cometidos contra as mulheres negras durante o regime escravista eram algo consentido. Ademais, criticou a categoria censitária que soma negros e mestiços numa única classificação e aproveitou para alfinetar os efeitos manipuladores das pesquisas quantitativas do IBGE e do Ipea. Chegou até a negar a existência no Brasil do racismo estrutural, reiterando a posição já antiga do racismo socioeconômico embutido no mito de democracia racial.</p>
<p>Na minha interpretação, o senador deixou claro que o Estado brasileiro não teria nenhuma obrigação de compensar os afrodescendentes por meio de políticas de ação afirmativa pelos crimes cuja responsabilidade cabe em parte aos próprios africanos que venderam seus &#8220;irmãos&#8221; mundo afora. Não surpreende que o senador tenha uma posição contrária.</p>
<p>No entanto, o conteúdo de seus argumentos, pela posição que ocupa, causou estranhamento e mal-estar político. Afirmar publicamente que a violência sexual contra a mulher negra durante o regime escravista era consentida é ignorar o contexto de assimetria e de subalternidade em que esses abusos eram cometidos. Afirmar que não aconteceram sequestros e capturas durante o tráfico negreiro é chocante para quem conhece um pouco dessa história. Todos os presentes à audiência pública, pelo menos os do campo oposto, ficaram horrorizados com as palavras do senador.</p>
<p>Os termos &#8220;negro&#8221;, &#8220;africano&#8221;, &#8220;europeu&#8221; e &#8220;branco&#8221; remetem ao mesmo contexto, pois os traficantes africanos ou reinos africanos eram negros, e os traficantes europeus eram brancos. Não vejo nenhuma manipulação ao trocar um termo por outro, a não ser na visão deturpada de alguns.</p>
<p>Os fatos históricos não são de todo incorretos, mas o que importa é a condenação moral da escravidão, externa ou interna, independentemente da origem geográfica ou &#8220;racial&#8221; do traficante. Ninguém inocentaria a Alemanha nazista pelo fato de o Holocausto ter contado com colaboradores europeus e traidores judeus.</p>
<p>Seria bom reafirmar que nenhum historiador negaria a participação de alguns reinos africanos no tráfico negreiro. Mas isto é certo: nenhum navio negreiro era propriedade dos africanos e nenhum traficante africano atravessou mares e oceanos para vender seus &#8220;irmãos&#8221; no exterior. Ao dizer isso em outros termos, o professor Luiz Felipe de Alencastro não está tendo nenhuma amnésia ideológica, como o sugere o geógrafo Demétrio Magnoli.</p>
<p>A demanda social das políticas de ação afirmativa não se fundamenta nesse passado escravista evocado pelo senador. Não se baseia na lógica da reparação coletiva em comparação com à que foi concedida ao Estado de Israel e aos israelitas vítimas das vexações nazistas.</p>
<p>Ela se fundamenta, do meu ponto de vista, sobretudo na situação estrutural das relações entre brancos e afrodescendentes que, segundo estatísticas de IBGE e Ipea, apresenta um tão profundo abismo acumulado em matéria de educação que jamais poderá ser reduzido apenas pelas políticas macrossociais ou universalistas.</p>
<p><strong><em>KABENGELE MUNANGA, antropólogo, é professor titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. É autor, entre outras obras, de &#8220;Origens Africanas do Brasil Contemporâneo: Histórias, Línguas, Culturas e Civilizações&#8221; e &#8220;Rediscutindo a Mestiçagem no Brasil. Identidade Nacional versus Identidade Negra&#8221;.</em></strong></p></blockquote>

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		<title>Archimedes Marques: A Polícia precisa da participação popular para melhor proteger o idoso</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Mar 2010 00:25:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><blockquote><p>A Lei 10.741, de 1º de outubro de 2003, mais conhecida como Estatuto do Idoso representa uma mudança significativa no sistema protetivo dessa vulnerável camada social, contudo, apesar de contar com mais de seis anos em vigor continua sendo pouco divulgada e não muito respeitada por parte considerada da população brasileira.</p>
<p>É obrigação da família, da sociedade e do poder público, zelar e assegurar com absoluta prioridade o efetivo direito à vida do idoso, assim como a sua saúde, alimentação, educação, cultura, cidadania, esporte, lazer, trabalho, liberdade, dignidade, respeito e a convivência familiar e comunitária, além da prioridade no atendimento público e privado.</p>
<p>Apesar desses direitos e garantias constituídos, do rigor penal do Estatuto do Idoso e do próprio Código repressivo brasileiro que complementa as diversas punições para os seus transgressores, essa classe social continua sendo desrespeitada e vítima dos mais diversos tipos de violência e maus tratos, tanto no âmbito social e familiar quanto na área das entidades públicas e privadas diversas que agem como se estivessem acima da Lei.</p>
<p>O idoso é vítima fácil para todas as espécies de marginais. Constantemente sofre lesões corporais, injúrias, homicídios, latrocínios, roubos, furtos e golpes de estelionatos ou fraudes diversas.</p>
<p>No âmbito familiar não é diferente. Por vezes os próprios filhos, netos ou parentes próximos dos idosos, além da prática dos maus tratos físicos e psicológicos, usando de artifícios e fraudes, de posse de procurações ardilosas passam a administrar os seus bens e proventos ou realizam empréstimos em nome desses desviando o dinheiro em benefícios próprios.</p>
<p>Resta ainda a problemática freqüente em que muitos familiares ao saírem de casa, trancam os idosos sozinhos que por vezes estão acamados, em cadeiras de rodas ou seriamente doentes, tratando-os como verdadeiros animais inclusive deixando-os a passar fome ou em situação de higiene totalmente subumanas.</p>
<p>A Polícia está  atenta a qualquer tipo de ocorrência envolvendo o idoso, não só na esfera familiar, como nas ruas, em bancos, transporte coletivo e outros locais públicos, entretanto precisa ainda mais da ajuda de toda a população para tomar conhecimento de tais ilícitos. Os olhos do povo têm que ser a extensão dos olhos da Polícia.</p>
<p>Deve, cada vez mais, a população por uma questão de Justiça e respeito, abandonar a postura passiva frente a tal problemática tomando para si o sofrimento e maus tratos que ainda se praticam contra essa classe social, agindo com mais sensibilidade, consciência, para denunciar com mais freqüência as diversas ilicitudes pelas quais passam os nossos idosos que por vezes preferem calar e até desmentir as suas próprias dores para não prejudicar outras pessoas.</p>
<p>Espoliados, vilipendiados e humilhados, na condição de dependência daqueles com quem vive, ou sobrevive, muitos idosos recuam e omitem informações por medo, resquícios de amor para com seus familiares, falta de amor a sua própria vida, ou até mesmo por impossibilidade absoluta de fazê-lo como é o caso dos idosos prostrados em leito sendo maltratados ou aqueles deficientes mentais e certos deficientes físicos mantidos em família como espécie de cárcere privado.</p>
<p>Todas as Polícias podem receber as denúncias das ilicitudes praticadas contra os idosos para as primeiras providencias, entretanto, para cumprimento e iniciação dos procedimentos investigativos criminais, temos nas principais cidades do país as Delegacias Especializadas de Proteção ao Idoso, e quando não, as Delegacias de Policia comuns que dão conhecimento dos fatos devidamente apurados ao Judiciário para punição aos transgressores.</p>
<p>As denuncias também podem ser feitas para o Ministério Público, OAB, Defensoria Pública, Guardas municipais, Conselhos Estaduais ou Conselho Nacional do idoso, Igrejas, Associações de classes inerentes ou para os diversos órgãos municipais que realizam o trabalho social, que por certo endereçarão o problema para a Polícia Judiciária iniciar a investigação pertinente.</p>
<p>Não bastasse toda essa problemática que vai de encontro as Leis e aos direitos do Idoso, ainda existe a questão da luta pela reposição das perdas salariais que são frequentemente desrespeitadas, com aposentadorias ínfimas e com Projetos de Lei que visam melhoria para a classe que se arrastam no Legislativo por anos sem solução, bem como da falta de educação e sensibilidade do povo que frequentemente o descrimina em diversas áreas sociais.</p>
<p>Todo idoso tem a sua história de vida, experiências diversas e, os seus conselhos e ensinamentos também devem ser mais observados e seguidos. O idoso é antes de tudo um sobrevivente desse mundo tão conturbado, um exemplo para todos. O respeito aos seus direitos é o mínimo que podemos ofertá-los.</p>
<p>Só uma luta vigilante e permanente das entidades de classe inerentes com mobilizações constantes e ajuda do povo para cobrança de providencias pelo poder público, além da exaltação e amor próprio no âmbito dessa camada social são capazes de configurar um novo olhar, um olhar dignificante e merecedor para os nossos queridos idosos que são os nossos irmãos, pais, tios, avós, parentes, amigos, cidadãos e, seremos nós num futuro próximo, se tivermos sorte, caso a morte não antes nos leve. </p>
<p><em>Archimedes Marques (Delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela UFS)</em></p></blockquote>

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		<title>A cota do DEM</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 12:20:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Folha de São Paulo 09/03/2010
MARCOS NOBRE
A cota do DEM
O SENADOR ...]]></description>
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<blockquote><p><strong>MARCOS NOBRE</strong></p>
<p><strong>A cota do DEM</strong></p>
<p>O SENADOR DEMÓSTENES Torres (DEM-GO) resolveu entrar de sola na disputa sobre políticas de reconhecimento nas universidades públicas. Falando contra as chamadas &#8220;cotas&#8221;, disse barbaridades várias. Falou, por exemplo, do escravo como &#8220;principal item de exportação da economia africana&#8221; até o início do século 20. Discorreu sobre uma pretensa &#8220;integração da casa-grande com a senzala, ainda que com dominação&#8221;, tendo sido a dita &#8220;integração&#8221;, segundo ele, &#8220;muito mais consensual do que gostaria o movimento negro&#8221;.</p>
<p>Entre outros, <a href="http://www.joildo.net/artigos/a-teoria-negreira-do-dem-saiu-do-armario/">Elio Gaspari</a> e Luiz Felipe Alencastro, na Folha de domingo último, já mostraram a infâmia de tais afirmações. A questão que fica é: por que o senador decidiu colocar o brucutu na praça neste momento? E a pergunta cabe porque, por incrível que pareça, Demóstenes Torres é o mais próximo de um ideólogo de que dispõe o seu partido.</p>
<p>A resposta mais plausível para essa defesa abrupta e ríspida de teses infames é: porque o DEM está encurralado. A prisão de José Roberto Arruda foi o golpe de misericórdia que diminuiu ainda mais o já exíguo espaço da mais autêntica direita brasileira.</p>
<p>Demóstenes Torres foi o primeiro a pedir a cabeça do ex-governador do DF e de seu vice. Percebeu o desastre que significava a demora de medidas como a expulsão sumária do partido dos principais envolvidos no escândalo.</p>
<p>Teve clareza de que ali se esvaia o último recurso de que tinha lançado mão o DEM para tentar se manter como um partido relevante, o discurso da &#8220;eficiência com ética&#8221;. Algo que fazia o partido recuar às suas origens, ao conservadorismo da velha União Democrática Nacional lá dos anos 1950.</p>
<p>Nem isso mais restou. O ataque de Demóstenes Torres às políticas de reconhecimento é um ato de desespero. É o sintoma mais claro de que o DEM será obrigado a recuar ainda mais. Terá de ir ao mais profundo do conservadorismo social, moralista e nacionalista para tentar manter algo do seu eleitorado.</p>
<p>Terá de tentar a sua sorte nos limites da família, da tradição e da propriedade. No fundo, é a vitória do modelo Kátia Abreu (DEM-TO), senadora que defende de há muito um ruralismo canhestro e reacionário.</p>
<p>Na entrevista a Maria Inês Nassif, do jornal &#8220;Valor Econômico&#8221;, Demóstenes Torres afirmou ainda: &#8220;O problema estrutural do Brasil não é o racismo, mas a pobreza&#8221;. É tocante ver os conservadores descobrirem a pobreza estrutural brasileira, mesmo que tardiamente.</p>
<p>Principalmente porque é essa mesma pobreza que, com título de eleitor na mão, vai lhes tirar os mandatos em 3 de outubro.</p></blockquote>

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		<title>A teoria negreira do DEM saiu do armário</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 12:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Folha de São Paulo 07/03/2010 Elio Gaspari
A TEORIA NEGREIRA DO ...]]></description>
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><p><a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0703201010.htm">Folha de São Paulo 07/03/2010 Elio Gaspari</a></p>
<blockquote><p><strong>A TEORIA NEGREIRA DO DEM SAIU DO ARMÁRIO</strong></p>
<p>O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) é uma espécie de líder parlamentar da oposição às cotas para estimular a entrada de negros nas universidades públicas. O principal argumento contra essa iniciativa contesta sua legalidade, e o caso está no Supremo Tribunal Federal, onde realizaram-se audiências públicas destinadas a enriquecer o debate.</p>
<p>Na quarta-feira o senador Demóstenes foi ao STF, argumentou contra as cotas e disse o seguinte:<br />
&#8220;[Fala-se que] as negras foram estupradas no Brasil. [Fala-se que] a miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. Gilberto Freyre, que hoje é renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual&#8221;.</p>
<p>O senador precisa definir o que vem a ser &#8220;forma muito mais consensual&#8221; numa relação sexual entre um homem e uma mulher que, pela lei, podia ser açoitada, vendida e até mesmo separada dos filhos.</p>
<p>Gilberto Freyre escreveu o seguinte:<br />
&#8220;Não há escravidão sem depravação sexual. É da essência mesma do regime&#8221;.</p>
<p>&#8220;O que a negra da senzala fez foi facilitar a depravação com a sua docilidade de escrava: abrindo as pernas ao primeiro desejo do sinhô-moço. Desejo, não: ordem.&#8221;</p>
<p>&#8220;Não eram as negras que iam esfregar-se pelas pernas dos adolescentes louros: estes é que no sul dos Estados Unidos, como nos engenhos de cana do Brasil, os filhos dos senhores, criavam-se desde pequenos para garanhões. (&#8230;) Imagine-se um país com os meninos armados de faca de ponta! Pois foi assim o Brasil do tempo da escravidão.&#8221;</p>
<p>Demóstenes Torres disse mais:<br />
&#8220;Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para o mundo islâmico, para a Europa e para a América. Lamentavelmente. Não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos. Mas chegaram. (&#8230;) Até o princípio do século 20, o escravo era o principal item de exportação da economia africana&#8221;.</p>
<p>Nós, quem, cara-pálida? Ao longo de três séculos, algo entre 9 milhões e 12 milhões de africanos foram tirados de suas terras e trazidos para a América. O tráfico negreiro foi um empreendimento das metrópoles europeias e de suas colônias americanas. Se a instituição fosse africana, os filhos brasileiros dos escravos seriam trabalhadores livres.</p>
<p>No início do século 20 os escravos não eram o principal &#8220;item de exportação da economia africana&#8221;. Àquela altura o tráfico tornara-se economicamente irrelevante. Ademais, não existia &#8220;economia africana&#8221;, pois o continente fora partilhado pelas potências europeias. Demóstenes Torres estudou história com o professor de contabilidade de seu ex-correligionário José Roberto Arruda.</p>
<p>O senador exibiu um pedaço do nível intelectual mobilizado no combate às cotas.</p></blockquote>

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		<title>Resultado do Oscar 2010</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 18:39:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Guerra ao Terror


Melhor Filme
Melhor Diretor &#8211; Kathryn Bigelow
Melhor Edição &#8211; ...]]></description>
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<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center; width: 222px;"><a href="http://www.imdb.com/title/tt0887912/"><img src="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2010/03/guerraaoterror-212x300.jpg" alt="" title="guerraaoterror" width="212" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-3040" /><br />
<strong>Guerra ao Terror</strong></a></td>
<td>
<ul>
<li>Melhor Filme</li>
<li>Melhor Diretor &#8211; Kathryn Bigelow</li>
<li>Melhor Edição &#8211; Bob Murawski and Chris Innis</li>
<li>Melhor edição de som &#8211; Paul N.J. Ottosson</li>
<li>Melhor mixagem de som &#8211; Paul N.J. Ottosson and Ray Beckett</li>
<li>Melhor roteiro original &#8211; Mark Boal</li>
</ul>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://www.imdb.com/title/tt0499549/"><img src="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2010/03/filmeavatar-300x202.jpg" alt="" title="filmeavatar" width="300" height="202" class="alignnone size-medium wp-image-3027" /><br />
<strong>Avatar</strong></a></td>
<td>
<ul>
<li>Melhor direção de arte &#8211; Rick Carter and Robert Stromberg (Art Direction); Kim Sinclair (Set Decoration)</li>
<li>Melhor fotografia &#8211; Mauro Fiore</li>
<li>Melhores efeitos especiais &#8211; Joe Letteri, Stephen Rosenbaum, Richard Baneham and Andrew R. Jones</li>
</ul>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://www.imdb.com/title/tt1263670/"><img src="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2010/03/crazy-heart-trailer-234x300.jpg" alt="" title="crazy-heart-trailer" width="234" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-3028" /><br />
<strong>Crazy Heart</strong></a></td>
<td>
<ul>
<li>Melhor Ator &#8211; Jeff Bridges</li>
<li>Melhor Música Original – &#8220;The Weary Kind (Theme from Crazy Heart)&#8221; Music and Lyric by Ryan Bingham and T Bone Burnett</li>
</ul>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://www.imdb.com/title/tt0361748/"><img src="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2010/03/ib-205x300.jpg" alt="" title="ib" width="205" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-3029" /><br />
<strong>Bastardos Inglórios</strong></a></td>
<td>
<ul>
<li>Melhor ator coadjuvante &#8211; Christoph Waltz</li>
</ul>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://www.imdb.com/title/tt0878804/"><img src="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2010/03/blind-side-201x300.jpg" alt="" title="blind-side" width="201" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-3030" /><br />
<strong>Blind Side</strong></a></td>
<td>
<ul>
<li>Melhor Atriz &#8211; Sandra Bullock</li>
</ul>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://www.imdb.com/title/tt0929632/"><img src="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2010/03/preciosa-200x300.jpg" alt="" title="preciosa" width="200" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-3031" /><br />
<strong>Preciosa</strong></a></td>
<td>
<ul>
<li>Melhor atriz coadjuvante &#8211; Mo&#8217;Nique</li>
<li>Melhor roteiro adaptado &#8211; Geoffrey Fletcher</li>
</ul>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://www.imdb.com/title/tt1049413/"><img src="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2010/03/up-altas-aventuras-poster-203x300.jpg" alt="" title="up-altas-aventuras-poster" width="203" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-3032" /><br />
<strong>Up</strong></a></td>
<td>
<ul>
<li>Melhor filme de animação</li>
<li>Melhor trilha sonora original &#8211; Michael Giacchino</li>
</ul>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://www.imdb.com/title/tt0962736/"><img src="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2010/03/the-young-victoria-poster-300x225.jpg" alt="" title="the-young-victoria-poster" width="300" height="225" class="alignnone size-medium wp-image-3033" /><br />
<strong>A Jovem Victoria</strong></a></td>
<td>
<ul>
<li>Melhor Figurino &#8211; Sandy Powell</li>
</ul>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://www.imdb.com/title/tt1313104/"><img src="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2010/03/cove_xlg-202x300.jpg" alt="" title="cove_xlg" width="202" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-3034" /><br />
<strong>The Cove</strong></a></td>
<td>
<ul>
<li>Melhor documentário de longa-metragem</li>
</ul>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://www.imdb.com/title/tt1543539/"><img src="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2010/03/roger-ross-williams-elinor-burkett-1-200x300.jpg" alt="" title="02_82_TC_0205.jpg" width="200" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-3035" /><br />
<strong>Music by Prudence</strong></a></td>
<td>
<ul>
<li>Melhor documentário de curta-metragem</li>
</ul>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://www.imdb.com/title/tt1305806/"><img src="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2010/03/el-secreto-de-sus-ojos-cartel-210x300.jpg" alt="" title="el-secreto-de-sus-ojos-cartel" width="210" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-3036" /><br />
<strong>The Secret in Their Eyes (El Secreto de Sus Ojos)</strong></a></td>
<td>
<ul>
<li>Melhor Filme em lingua estrangeira </li>
</ul>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://www.imdb.com/title/tt0796366/"><img src="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2010/03/Star_Trek_XI_Poster-202x300.jpg" alt="" title="Star_Trek_XI_Poster" width="202" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-3037" /><br />
<strong>Star Trek</strong></a></td>
<td>
<ul>
<li>Melhor maquiagem</li>
</ul>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://www.imdb.com/title/tt1563725/"><img src="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2010/03/affiche-logorama-205x300.jpg" alt="" title="AFFICHE_4b" width="205" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-3038" /><br />
<strong>Logorama</strong></a></td>
<td>
<ul>
<li>Melhor animação de curta-metragem</li>
</ul>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://www.imdb.com/title/tt1520428/"><img src="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2010/03/new-tenants.jpg" alt="" title="new-tenants" width="300" height="300" class="alignnone size-full wp-image-3039" /><br />
<strong>The New Tenants</strong></a></td>
<td>
<ul>
<li>Melhor documentário de curta-metragem</li>
</ul>
</td>
</tr>
<tr>
<td colspan="2">Fonte: <a href="http://oscar.go.com/oscar-night/winners?cid=10_oscars_gridLayout_hot">Site Oficial do Oscar</a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
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		<item>
		<title>Archimedes Marques: De policial a travestido de Polícia</title>
		<link>http://www.joildo.net/artigos/archimedes-marques-de-policial-a-travestido-de-policia/</link>
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		<pubDate>Sat, 06 Mar 2010 02:05:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>

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Fruto de uma Sociedade em que cada vez mais se ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
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<a class="google_buzz"  
href="http://www.google.com/reader/link?url=http://www.joildo.net/artigos/archimedes-marques-de-policial-a-travestido-de-policia/&title=Archimedes+Marques:+De+policial+a+travestido+de+Polícia&srcURL=http://www.joildo.net" target="_blank" rel="nofollow"><img
src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><blockquote><p>Fruto de uma Sociedade em que cada vez mais se clamam pela probidade administrativa e que ainda se tem a Policia como delinqüente, está em meio às Instituições policiais a figura do digno policial, do verdadeiro policial a cumprir a sua árdua missão de bem servir e defender a população, ao mesmo tempo em que paga em conceitos depreciativos pelas ações indignas do falso policial, do travestido de Polícia. Infelizmente para muitas pessoas, policial e marginal é “farinha do mesmo saco”, ou seja, generalizam-se toda a Instituição policial por conta de uma minoria desvirtuada que age à margem da Lei e que por excesso de burocracia ou pelas brechas das Leis continuam a desempenhar as suas funções normalmente.</p>
<p>É bom que se frise que o termo Polícia aqui usado engloba todas as instituições policiais estatuídas na atual Carta Magna, enquanto que, a palavra policial é direcionada a todos os seus membros, do mais baixo ao mais alto grau de carreira, vez que todos nós que policiamos e mantemos a ordem pública, somos policiais, ao passo que, o termo travestido de Policia, nada mais é do que aquele componente que apesar de fazer parte da Polícia preferiu passar para o lado oposto, para o lado da <del datetime="2010-03-06T02:47:30+00:00">marginalidade</del> <ins datetime="2010-03-06T02:47:30+00:00">criminalidade</ins>.</p>
<p>A somação dos atos criminosos praticados pelo travestido de Polícia, além de abrir chagas no seio da instituição é, sem sombras de dúvidas, a mais séria e grave existente no âmbito da segurança pública, vez que o policial é acima de tudo o guardião da Lei e protetor da ordem pública.</p>
<p>Na verdade o travestido de Polícia está na força pública para extorquir, roubar, matar, prevaricar e sempre se proteger atrás do seu distintivo, fazendo dos bons o seu escudo e dividindo com os honestos as críticas pelos seus atos insanos.</p>
<p>Polícia e bandido são opostos que não podem ser atraídos para o mesmo objetivo. Tal missão ilícita é própria do travestido de Polícia que, além de tudo, ainda espera contar com a conivência ou benevolência dos seus colegas de armas como se os mesmos fossem obrigados a partilhar da sua insanidade.</p>
<p>É bem verdade que em todos os órgãos governamentais existe o verdadeiro e o falso funcionário, mas já assistimos bons avanços de resgate da dignidade administrativa, embora esteja ainda aquém do desejo e exigência popular. Os exemplos de punidades nos três poderes já aparecem mais frequentemente e são bem aplaudidos pela sociedade que espera a justa continuidade do processo de limpeza geral em toda a administração pública.</p>
<p>Para que a depuração e a autodepuração sejam trilhadas fortemente também em todas as Instituições policiais e se acabe de vez com figura indesejável do travestido de Policia é necessário maior participação popular denunciando os seus ilícitos e que se reformem as Leis administrativas e penais em desfavor desses infratores, transformando os seus respectivos procedimentos em atos mais ágeis e menos burocráticos, aplicando punições justas quando das suas culpabilidades.</p>
<p>Complementando deve o ego do verdadeiro policial sempre ser massageado, colocando-o em melhor ocupação ou cargo de destaque com digno salário e gratificação merecedora, além das boas condições de trabalho para que o mesmo assim possa caminhar mirando também as suas próprias fileiras, expondo e ajudando a purgar as feridas causadas pelo travestido de Polícia.</p>
<p>Com honra, ética, e perseverança é possível fazer uma Polícia séria, sem corrupção ou interesses escusos para o próprio bem da Instituição, da sociedade, do poder público e do Brasil. </p>
<p><em>*Archimedes Marques (Delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela UFS)</em></p></blockquote>

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		<item>
		<title>Archimedes Marques: O policiamento comunitário como um bom caminho para a paz social</title>
		<link>http://www.joildo.net/artigos/archimedes-marques-o-policiamento-comunitario-como-um-bom-caminho-para-a-paz-social/</link>
		<comments>http://www.joildo.net/artigos/archimedes-marques-o-policiamento-comunitario-como-um-bom-caminho-para-a-paz-social/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 03:42:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>

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A paz no seio da sociedade é a aspiração, o ...]]></description>
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<a class="google_buzz"  
href="http://www.google.com/reader/link?url=http://www.joildo.net/artigos/archimedes-marques-o-policiamento-comunitario-como-um-bom-caminho-para-a-paz-social/&title=Archimedes+Marques:+O+policiamento+comunitário+como+um+bom+caminho+para+a+paz+social&srcURL=http://www.joildo.net" target="_blank" rel="nofollow"><img
src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><blockquote><p>A paz no seio da sociedade é a aspiração, o desejo fundamental de toda pessoa de bom senso, entretanto, só pode ser atingida com a ordenação da potencialidade da comunidade em confiança e somação ao poder público em torno do ideal comum de uma segurança justa.</p>
<p>A eficiência do trabalho da polícia está intimamente ligada ao bom relacionamento entre o cidadão e o policial. Os estudiosos da sociologia criminal entendem que a necessidade desta interação nada mais é do que uma “co-produção dos serviços policiais”, querendo com isso chamar a atenção para a relação simbiótica que deve existir entre a Polícia e o povo, ou seja, o povo precisa da Polícia para compor a sua proteção e em contrapartida lhe fornece os meios para alcançar tal finalidade.</p>
<p>Tal assertiva comunga com a filosofia do policiamento comunitário e é por via da confiança e da amizade que são formadas parcerias entre a população e as instituições de segurança publica no sentido de identificar, priorizar e resolver os problemas que afetam as comunidades relacionados a violência e o crime.</p>
<p>A estratégia principal do policiamento comunitário é de caráter preventivo para a conseqüente redução da criminalidade, contudo, alcança também a questão da diminuição do dano da vítima e modifica os fatores comportamentais da população em relação a instituição policial fazendo com que boas informações sejam colhidas para o trabalho da Polícia investigativa em repressão ao delitos ocorridos.</p>
<p>É fato que em tempos idos a Polícia e a comunidade andavam de mãos dadas contra o crime, época em que o policiamento vivia junto com o povo saneando as suas questões inerentes, mas, com o aumento populacional, com o crescimento desordenado das cidades e com a transformação das eras foram surgindo problemas diferentes, aumentando a violência e a marginalidade substancialmente fazendo com que novos modelos de Polícia fossem implementados e fossem abandonadas aquelas velhas e boas interações, começando assim o afastamento entre a Policia e a sociedade</p>
<p>As más ações policiais ocorridas no tempo e principalmente as executadas na ditadura militar em que os direitos do cidadão brasileiro foram rasgados e totalmente desrespeitados com grande número de pessoas inocentes ou não criminosas sendo torturadas, mortas e desaparecidas ajudaram a distanciar de vez o povo da sua Polícia.</p>
<p>Com esse afastamento a população passou a ter a Polícia não mais como sua amiga ou sua parceira contra o crime e, somente como sua protetora, dela exigindo tudo sem apoio nenhum a lhe fornecer em troca.</p>
<p>Aproveitando os espaços deixados entre Polícia e povo, o crime organizado foi assim ocupando os lugares vazios engrossando as fileiras do tráfico de drogas, raiz central de tantos outros tipos de crimes que assola o nosso País.</p>
<p>As favelas, invasões, morros, foram dominados pelos traficantes que organizaram facções criminosas para maior fortalecimento, enquanto os agentes públicos viam naqueles amontoados de barracos de vidas subumanas apenas possíveis votos a serem comprados.</p>
<p>O tráfico passou então a funcionar como uma espécie de governo paralelo dentro das diversas comunidades, realizando em troca de favores e informações o trabalho social para o povo carente local, distribuindo alimentos, mantimentos e remédios que são tomados de assalto em cargas diversas para tais finalidades. Funcionando também o grande traficante como se fosse um Juiz opressor ou ditador na resolução das contendas do povo,</p>
<p>Assim, em diversas localidades, o povo por falta de opção, prefere o tráfico ao poder público. O policial fora trocado pelo traficante por pura imprevidência e inabilidade do Estado. A alternativa plausível para resgatar o espaço perdido é, sem sombras de dúvidas, o policiamento comunitário.</p>
<p>Há mais de uma década atrás o grande Jurisconsulto, professor e Filosofo MIGUEL REALE assim inteligentemente já entendia: &#8230;”A<strong> polícia comunitária, aquela que diuturnamente convive com o povo, não é senão a visão da polícia à luz do valor da amizade; e é a única solução a ser dada com êxito para resolver a preocupante questão da violência, sobretudo nas grandes cidades</strong>.”</p>
<p>Um programa de policiamento comunitário bem aplicado resulta no aumento da qualidade de vida da comunidade, na redução do medo que sofre a população, na restauração da ordem publica danificada, na satisfação do povo em relação ao serviço policial prestado, no melhor relacionamento e confiança da sociedade nas ações policiais, além da redução da criminalidade e da real punição dos criminosos.</p>
<p>Fortes projetos inerentes abrangendo todos os Estados da Nação, bem monitorados e administrados com ética, legalidade e responsabilidade além de resgatar a interatividade perdida ainda farão com que os olhos do povo sejam a extensão dos olhos da Polícia para que nada de mal passe despercebido e nos aproximemos mais da tão sonhada paz social. </p>
<p><em>Archimedes Marques (delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela UFS</em>)</p></blockquote>

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		<title>Terra e demônios da garoa</title>
		<link>http://www.joildo.net/artigos/terra-e-demonios-da-garoa/</link>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 21:59:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Da Folha de São Paulo 25/01/2010
Terra e demônios da garoa
SÃO ...]]></description>
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<a class="google_buzz"  
href="http://www.google.com/reader/link?url=http://www.joildo.net/artigos/terra-e-demonios-da-garoa/&title=Terra+e+demônios+da+garoa&srcURL=http://www.joildo.net" target="_blank" rel="nofollow"><img
src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><p>Da <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2501201003.htm">Folha de São Paulo 25/01/2010</a></p>
<blockquote><p><strong>Terra e demônios da garoa</strong></p>
<p><strong>SÃO PAULO</strong> &#8211; Anos atrás, parecia mais fácil chamar São Paulo de &#8220;terra da garoa&#8221;. Daí vêm os Demônios da Garoa, grupo dos anos 1940, que se consagraria interpretando os sambas de Adoniran Barbosa.</p>
<p>O autor do &#8220;Trem das Onze&#8221; resistiu ao tempo, mas &#8220;terra da garoa&#8221; há muito deixou de ser só um apelido carinhoso. Diante da evidência de que a cidade foi derrotada pelas águas, o velho epíteto passa hoje por piada de mau gosto.</p>
<p>Repare na anomalia da situação. O Datafolha fez ao paulistano a seguinte pergunta: entre os problemas da cidade, qual deveria ser solucionado com prioridade? A resposta de 29%: as enchentes. Em segundo lugar, a falta de médicos e de hospitais públicos -com 13%.</p>
<p>Mas não vivemos em Veneza. Ainda não adotamos as gôndolas como meio de transporte. Os canais navegáveis do aprazível Jardim Pantanal ainda não foram descobertos pelo turismo. São Paulo -vale lembrar- não está no nível do mar. O resultado da pesquisa é a confissão coletiva de um colapso urbano, de uma tragédia histórica ainda não assimilada inteiramente.</p>
<p>Ou não parece muito, muito estranho que, nessa cidade complexa e de tantas mazelas, as enchentes sejam citadas como maior problema por quase um terço do povo? Isso não significa, é claro, que outras carências estejam equacionadas. Sabemos que não. O trânsito inviável, a violência das ruas, as condições precárias da saúde pública, a falta de moradia decente -a lista é vasta e nos afasta da vida civilizada.</p>
<p>Há regiões da cidade cujo IDH (índice de desenvolvimento humano) é equiparável ao da Dinamarca; e há outras, bem mais numerosas, na periferia leste, em que o IDH é inferior ao de países africanos.</p>
<p>É óbvio que o resultado do Datafolha está associado à época do ano. O problema não é esse, mas o inverso: findo o verão, esquecemos os traumas da chuva com rapidez espantosa. A capacidade de adaptação ao absurdo é, como Adoniran, um patrimônio da terra da garoa.</p></blockquote>

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		<item>
		<title>O Brasil deve defender a democracia no Haiti</title>
		<link>http://www.joildo.net/artigos/o-brasil-deve-defender-a-democracia-no-haiti/</link>
		<comments>http://www.joildo.net/artigos/o-brasil-deve-defender-a-democracia-no-haiti/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 19 Jan 2010 14:01:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[haiti]]></category>

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		<description><![CDATA[


Da Folha de São Paulo 19/01/2010 Tendências/Debates
MARK WEISBROT
Os  EUA, ...]]></description>
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Da <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1901201008.htm">Folha de São Paulo 19/01/2010 Tendências/Debates</a></p>
<blockquote><p><strong>MARK WEISBROT</strong></p>
<p><span style="position:relative;color:green;width:170px;background:white;border-top:  2px solid gold ;border-bottom:2px solid gold;float:right;padding: 0.1em; margin: 0.3em;font-family:Georgia,Verdana,Arial, Helvetica;font-size: 12pt;line-height:26px; text-align: right;"><span style="filter:alpha(opacity=75);-moz-opacity:.75;opacity:.75;">Os </span><b> </b>EUA, <br><b></b>ao <br><b>lado </b>de <br><b>Canadá e </b>a <br><b>França, </b>conspiraram <br><b>abertamente durante </b>quatro <br><b>anos para derrubar </b>o <br><b>governo eleito </b>do<span style="filter:alpha(opacity=90);-moz-opacity:.90;opacity:.90;"> Haiti</span></span></p>
<p>MUITO TEMPO antes do terremoto, a situação do Haiti já era comparável à de muitos sem-teto nas ruas de grandes cidades dos EUA: pobres demais e negros demais para ter os mesmos direitos concretos que outros cidadãos.</p>
<p>Em 2002, quando um golpe militar que teve o apoio dos EUA afastou temporariamente o governo eleito da Venezuela, a maioria dos governos no hemisfério reagiu rapidamente e ajudou a forçar o retorno do governo democrático. Mas, dois anos mais tarde, quando o presidente haitiano democraticamente eleito, Jean-Bertrand Aristide, foi sequestrado pelos Estados Unidos e levado de avião para o exílio na África, a reação foi fraca.</p>
<p>Diferentemente dos dois séculos de saque e pilhagem do Haiti desde sua fundação graças a uma revolta de escravos em 1804, da ocupação brutal por fuzileiros navais dos EUA entre 1915 e 1934 e das incontáveis atrocidades cometidas sob ditaduras auxiliadas e apoiadas por Washington, o golpe de 2004 não pode ser relegado ao esquecimento, visto como nada mais que &#8220;história antiga&#8221;. Aconteceu há apenas seis anos e é diretamente relacionado ao esforço de ajuda e reconstrução que o presidente Obama está propondo agora.</p>
<p>Os Estados Unidos, ao lado de Canadá e a França, conspiraram abertamente durante quatro anos para derrubar o governo eleito do Haiti, cortando quase toda a ajuda internacional ao país com o objetivo de destruir sua economia e torná-lo ingovernável. Eles conseguiram.</p>
<p>Para aqueles que se indagam por que não existem instituições governamentais haitianas para ajudar com os esforços de socorro e ajuda às vítimas do terremoto, essa é uma das grandes razões. Ou o porquê de haver 3 milhões de pessoas amontoadas na área atingida pelo terremoto.</p>
<p>A política dos EUA ao longo dos anos também ajudou a destruir a agricultura haitiana, por exemplo, ao forçar a importação de arroz americano subsidiado e eliminar milhares de plantadores de arroz haitianos.</p>
<p>O primeiro governo democrático de Aristide foi derrubado após apenas sete meses, em 1991, por oficiais militares e esquadrões da morte que, mais tarde, se descobriu estarem a soldo da Agência Central de Inteligência dos EUA. Agora Aristide quer retornar a seu país, algo que a maioria dos haitianos reivindica desde sua derrubada.</p>
<p>Mas os EUA não o querem ali. E o governo Preval, que é completamente dependente de Washington, decidiu que o partido de Aristide -o maior do Haiti- não será autorizado a concorrer nas próximas eleições (previstas originalmente para fevereiro).</p>
<p>O medo que Washington tem da democracia no Haiti talvez explique o porquê de os Estados Unidos agora estarem enviando 10 mil soldados e priorizando a &#8220;segurança&#8221;, em lugar das necessidades de vida ou morte dos milhares de pessoas que precisam de atendimento médico urgente.</p>
<p>Na manhã de domingo, o mundialmente renomado grupo humanitário Médicos Sem Fronteiras queixou-se que um avião transportando sua unidade hospitalar móvel foi obrigado pelos militares americanos a mudar de rota, passando primeiramente pela República Dominicana. Isso custaria 24 horas cruciais e um número desconhecido de vidas.</p>
<p>Essa ocupação militar por tropas dos EUA vai suscitar outras preocupações no hemisfério, dependendo de quanto tempo elas permanecerem -assim modo como a ampliação recente da presença militar dos Estados Unidos na Colômbia vem sendo recebida com insatisfação e desconfiança consideráveis.</p>
<p>Organizações não governamentais vêm levantando outras questões sobre a reconstrução proposta: compreensivelmente, querem que a dívida remanescente do Haiti seja cancelada e que sejam feitas doações ao país, e não empréstimos (o FMI propôs um empréstimo de US$ 100 milhões). As necessidades da reconstrução chegarão a bilhões de dólares.</p>
<p>Será que Washington vai incentivar o estabelecimento de um governo que funcione? Ou vai impedi-lo, canalizando a assistência por meio de ONGs e assumindo ele próprio várias outras funções, devido a sua oposição de longa data à autonomia do Haiti?</p>
<p>O Brasil não segue a linha de Washington na América do Sul nem, mais recentemente, o fez em Honduras, &#8220;quintal&#8221; dos Estados Unidos -onde o governo brasileiro defendeu em vão a restauração da democracia após o golpe de 28 de junho, e a administração Obama, não.</p>
<p>Por que não defender a democracia também para o Haiti, mesmo que Washington seja contra?</p>
<p><strong>MARK WEISBROT, doutor em economia pela Universidade de Michigan, é codiretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, em Washington ( <a href="http://www.cepr.net">www.cepr.net</a> ). Tradução de Clara Allain .</strong></p></blockquote>

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		<title>Quem tem medo da verdade e da justiça?</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jan 2010 20:10:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><blockquote><p><strong>Ainda faz falta ao Brasil, como já ocorreu em outros países da América Latina, uma Comissão que, em nome do Estado, mas com independência e autonomia, inclusive de ações e recursos, possa nos levar a pista mais concreta da Verdade e da Justiça. (Belisário dos Santos Junior )</strong></p>
<p>O debate sobre a edição da 3ª. versão do Programa Nacional dos Direitos Humanos (PNDH-3), publicada no final de 2009, reacende, mais uma vez, a questão da necessidade imperiosa de investigar os crimes de violação dos direitos humanos cometidos pelo aparato repressivo do estado contra militantes políticos de oposição à ditadura militar. As posições raivosas dos que são contrários aos direitos humanos, e ao mesmo tempo, fazem parte de um governo eleito democraticamente pelo voto popular, nos indicam que o caminho continua árduo na busca dos direitos fundamentais como a verdade e a justiça. O impasse deve ser resolvido num processo democrático, respeitadas as decisões tomadas, numa ampla discussão popular que resultou no programa de direitos humanos.</p>
<p>A Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos tem pautado sua trajetória, ao longo de mais de três décadas, na busca incansável pela Verdade e Justiça. Produzimos algumas edições do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos, sendo que a última, publicada em 2008, pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, traz uma lista de 426 mortos e desaparecidos políticos durante a Ditadura Militar de 1964 a 1985. Há outras listas como a que foi feita pelo Movimento Sem Terra com o registro de 1.188 assassinatos de trabalhadores rurais no mesmo período.</p>
<p>Os familiares enfrentaram e, enfrentam, como mostram os debates diários na imprensa, diversos impedimentos de negação do direito à verdade e à justiça. Mas permanecem na busca de esclarecimento dos desaparecimentos dos opositores políticos e exigem que se apurem as responsabilidades por seqüestros, torturas, assassinatos e ocultação dos cadáveres praticados pelo estado autoritário e seus agentes.</p>
<p>Em 1982, os familiares dos guerrilheiros do Araguaia, iniciaram uma ação judicial para exigir do Estado esclarecimentos sobre as circunstâncias das mortes e desaparecimentos de seus parentes e a localização dos seus restos mortais. Em razão da morosidade da justiça brasileira, os familiares recorreram, em 1996, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA. Passados alguns anos, a ação foi ganha aqui e na OEA também foi aceita e aguarda-se ainda a decisão final. Em 2003, quando a juíza Solange Salgado proferiu sentença obrigando o estado a garantir o direito à verdade aos familiares dos desaparecidos políticos, determinou que fossem feitas rigorosas investigações no âmbito das Forças Armadas, prevendo inclusive a intimação a todos os agentes militares ainda vivos que tenham participado da operação, independentemente dos cargos que ocupavam à época.</p>
<p>Naquela ocasião, o governo interpôs recursos e embargos para impedir a execução da sentença, mas não conseguiu sucesso. Mais uma vez familiares e entidades de direitos humanos protestaram contra tal decisão arbitrária. Suzana Lisboa que integrava a CEMDP – Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos do Ministério da Justiça, como representante dos familiares, pediu sua demissão como forma de protesto.</p>
<p>O governo tentou, de forma autoritária, um esvaziamento político da CEMDP e criou, na surdina, uma Comissão Interministerial. Esta Comissão (Interministerial), até os dias atuais, jamais prestou contas de suas atividades e não deu nenhuma informação à opinião pública e sequer aos familiares e entidades de direitos humanos.</p>
<p>Em 2008, os familiares e amigos dos desaparecidos políticos atenderam à convocação da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República e participaram dos trabalhos da realização da 11ª. Conferência Nacional de Direitos Humanos, propuseram a inclusão de mais um eixo de diretrizes: direito à memória e à verdade, quando apresentaram a proposta da criação da Comissão da Verdade e da Justiça , que foi majoritariamente aprovada.</p>
<p>O programa nacional aprovado em 2008 sofreu alterações no decorrer de 2009, e a Comissão da Verdade e Justiça foi reduzida apenas à Comissão da Verdade. Os familiares e entidades de direitos humanos entendem que a verdade deve ser seguida de justiça para que tais fatos jamais voltem a se repetir. Mesmo assim, apoiaram e apóiam na integra o PNDH-3. Há uma conivência histórica de setores dominantes da sociedade brasileira perante as violações aos direitos humanos que vem desde os idos da escravização da população negra e da dizimação de indígenas. Mas é preciso mudar este quadro para consolidar a democracia. As forças defensoras da dignidade da nação precisam ser ouvidas e respeitadas. A democracia não pode ser apenas uma fachada, ela precisa ser um instrumento vivo de efetivação de direitos, capaz de por um fim à impunidade histórica que tem deixado nosso país em posição cada vez mais desvantajosa em relação aos países vizinhos quando o assunto é violação dos direitos humanos.</p>
<p>Aos que temem a verdade e a justiça, recolham-se para uma reflexão mais profunda. Respeitem o desejo dos que participaram ativamente na elaboração do PNDH-3, sob uma perspectiva holística de direitos humanos, na qual basta um ser humano coagido e violado em seus direitos para que toda sociedade se incomode e busque recuperar sua cidadania e dignidade.</p>
<p><strong>(*) Da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos</strong></p></blockquote>

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		<title>Ecos do porão</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jan 2010 19:44:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Emiliano José (*)
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><p><a href="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2010/01/foto_mat_24337.jpg"><img src="http://www.joildo.net/wp-content/uploads/2010/01/foto_mat_24337.jpg" alt="" title="foto_mat_24337" width="450" height="310" class="alignnone size-full wp-image-2947" /></a></p>
<blockquote><p><strong>Emiliano José (*)</strong></p>
<p>Fico pensando no que foi o nazismo. No Tribunal de Nuremberg. Na justiça que se procurou fazer diante daquele genocídio. Julgou-se os assassinos, e ponto. Não os que a ele resistiram. E só o faço como alusão à situação brasileira.</p>
<p>Fico pensando na decisão argentina de abrir todos os arquivos confidenciais das Forças Armadas referentes ao período da ditadura militar, ocorrida entre 1976-1983. Essa abertura foi feita para subsidiar a apuração de violações aos direitos humanos durante aquele período.</p>
<p>E penso novamente no Brasil, no barulho que se está fazendo diante da possibilidade da criação da Comissão Nacional da Verdade, que já aconteceu na maioria dos países da América Latina que viveram também a tenebrosa experiência de ditaduras. Nesses países encara-se com naturalidade que criminosos, torturadores, assassinos sejam julgados, e muitos deles foram julgados, condenados e presos.</p>
<p>Quem desembarcasse no Brasil nos últimos dias e não soubesse nada de nossa história, certamente começaria a assimilar a idéia de que não houve ditadura. Que ela não matou, não seqüestrou, não torturou barbaramente homens, mulheres, crianças, religiosos, religiosas. Que não empalou pessoas, que não fez desaparecer seres humanos, que não cortou cabeças, que não queimou corpos. Que não cultivou o pau de arara, o choque elétrico, o afogamento, a cadeira do dragão, que não patrocinou monstros como Carlos Alberto Brilhante Ustra ou Sérgio Paranhos Fleury, este morto, o primeiro ainda exibindo sua arrogância, cinismo e ainda certeza da impunidade.</p>
<p>De repente, se não insistirmos na luta para afirmar a verdade da história, gente do nosso povo pode até acreditar na versão que querem passar de que houve apenas uma luta entre um regime legal e os que a ele se opunham.</p>
<p>É falso, mentiroso dizer que a Comissão Nacional da Verdade que se pretende implantar queira eliminar a Lei de Anistia. Ela pretende, se instalada, apurar todas as violações de direitos humanos ocorridas no âmbito da repressão política durante os 21 anos de ditadura.</p>
<p>É a forma de legalmente desencadear o processo histórico, político, ético,<br />
criminal, como disse o ministro Vannuchi, de todos os episódios de tortura, assassinatos e desaparecimentos de opositores políticos registrados naquele período.</p>
<p>O que se sustenta, aqui e em todo o mundo democrático, é que a tortura é crime imprescritível, e que esse crime não pode permanecer impune. Não é à toa que o ex-ditador Pinochet, um assassino, foi detido em Londres e depois julgado em seu país.</p>
<p>Não se queira fazer acreditar que a Comissão Nacional da Verdade pretenda desmoralizar as Forças Armadas. Ao contrário. Pretende-se que quaisquer que sejam os cidadãos que tenham cometido o crime da tortura ou que tenham assassinado pessoas por razões políticas ou tenham feito com que desaparecessem sejam julgados por seus crimes de lesa-humanidade.</p>
<p>E julgamento é atribuição do Judiciário, com sua soberania e com os ritos próprios da democracia. Diz-se isso para que se diferencie dos mais de 20 anos da ditadura, onde não havia qualquer legalidade. Muitos dos nossos companheiros não chegaram a ser julgados: foram mortos de forma covarde, insista-se na palavra, covarde, na tortura brutal, cruel, e os registros históricos são vastíssimos. Não cabem neste artigo.</p>
<p>Assistam o filme Cidadão Boilensen. É interessante como registro da associação corrupta entre grupos empresariais e a Operação Bandeirante, entre o aparato repressivo e as finanças, entre a ditadura e o grande negócio. Puro banditismo, acobertado pelo silêncio imposto à época. E para compreender, também, parte, apenas parte, da impressionante crueldade desse aparato.</p>
<p>Não sei como se movimentará a sociedade brasileira nesse caso. Sei que mais de 10 mil cidadãos assinaram um manifesto, inclusive eu, defendendo que os envolvidos em crimes de tortura em nome do Estado brasileiro devem ser julgados e punidos pelos seus atos.</p>
<p>Estamos defendendo a civilização, a humanidade, a democracia. Não dá para acobertar crimes como o da tortura ou assassinatos e desaparecimentos de opositores políticos. Esta é a posição de quem não esquece o terrorismo da ditadura. A posição de quem defende intransigentemente a democracia. E que grita: ditadura, nunca mais!</p>
<p><strong>*Jornalista, escritor, deputado federal (PT/BA)</strong></p></blockquote>
<p>Publicado na <a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16327&#038;boletim_id=634&#038;componente_id=10568">Agência Carta Maior</a></p>

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		<title>Pelo direito à Verdade e à Justiça</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jan 2010 18:42:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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src="http://www.joildo.net/wp-content/plugins/google-buzz-button-for-wordpress/images/google-buzz.png" alt="Google Buzz" /></a><p>O blog do Joildo Santos publica, de forma simultânea a uma rede de blogs, a entrevista abaixo reproduzida, com as representantes da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil, Suzana Lisbôa e Criméia Almeida.</p>
<p><a class="shutterset" href="http://www.joildo.net/wp-content/photos/charges/abaixo-a-impunidade.gif"><img class="ngg-singlepic ngg-none" src="http://www.joildo.net/wp-content/photos/charges/abaixo-a-impunidade.gif" alt="Abaixo a impunidade" width="440" height="566" /></a><br />
<strong>Charge do Latuff</strong></p>
<blockquote><p><strong>“Estado é conivente com a tortura e os desaparecimentos durante a ditadura”</strong><br />
Desde a Lei da Anistia, os familiares dos mortos e desaparecidos políticos da ditadura militar lutam na justiça ou em qualquer instância possível para terem o direito de saber o que aconteceu com seus entes e receberem seus restos mortais para enterrar e seguir em frente. Ao conversar com as representantes da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos, Suzana Lisbôa e Criméia Almeida, a impressão é de uma luta infinita, difícil e dolorosa e de escassos resultados. Coube aos familiares dos desaparecidos – com seu luto inacabado – contar, além da história dessas pessoas que morreram sob condições brutais lutando contra a ditadura, essa parte ainda desconhecida de nossa história. Até hoje, apenas quatro corpos foram encontrados dos 176 desaparecidos e os governos que sucederam os militares vêm ignorando sistematicamente todos os pedidos e determinações – do Comitê de Direitos Humanos da ONU e da OEA – para abrir os arquivos secretos da ditadura e dar uma resposta concreta a essas famílias.</p>
<p>Neste momento, o Brasil está mergulhado na discussão sobre o terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos – PNDH III – decreto assinado pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva em dezembro passado, que prevê a criação, através de um projeto de lei ainda a ser encaminhado ao Congresso Nacional (portanto, sem nenhuma arbitrariedade inconstitucional, como querem fazer crer os detratores da lei na mídia corporativa) da Comissão da Verdade, destinada a investigar os crimes cometidos pelo Estado durante a repressão aos opositores da ditadura militar.</p>
<p>O PNDH III é o resultado de um longo e democrático processo de discussão – que incluiu a realização de diversas conferências ouvindo toda a sociedade e entidades representativas do setor – e negociação com todos os setores do governo. Os militares, liderados pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, descontentes com o acordo firmado por eles mesmos, criaram e vazaram uma crise governamental para tentar impedir a abertura dos arquivos secretos da ditadura, e uma possível punição aos torturadores – possibilidade que ainda dependerá de uma decisão do STF sobre o tema, caso os crimes de tortura venham a ser inventariados.</p>
<p><strong>Pedro Luiz Maia</strong></p>
<p><strong>Qual a principal luta da Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos?</strong><br />
<strong>Suzana Lisbôa</strong> – Nossa luta é para que o Estado brasileiro esclareça as circunstâncias das mortes dos desaparecidos políticos, onde e como morreram, entregue os restos mortais aos familiares e pela punição dos responsáveis pelas mortes e torturas durante a ditadura.</p>
<p><strong>Por que, na opinião de vocês, o governo não abre os arquivos secretos da ditadura, se tem poder para isso?</strong></p>
<p><strong>Suzana Lisbôa</strong>- O governo manteve o sigilo eterno (*) quando poderia ter aberto os documentos. Foi uma opção política. Os crimes de direitos humanos não prescrevem e não podem ser mantidos sob sigilo, mas o Estado nega. O direito a informação é um direito constitucional. Nós temos o direito de saber o que aconteceu com nossos parentes e temos o direito de enterrá-los.</p>
<p><strong>Criméia Almeida</strong> – O governo não abre os arquivos porque não quer. Não vejo disposição nenhum do governo conosco e com essa causa. Existe uma preocupação em mostrar que alguma coisa está sendo feita. Mas não existe disposição em fazer de fato alguma coisa. Para se ter uma ideia: Em 2009 a União foi obrigada judicialmente a realizar buscas no Araguaia por uma ação judicial (iniciada em 2003) transitada e julgada em julho de 2007, movida pelos familiares dos mortos e desaparecidos (**). Então, o Ministério da Defesa, só em 2009, porque foi obrigado, criou o “Grupo de Trabalho Tocantins” para procurar os restos mortais dos guerrilheiros do Araguaia. Até 2007, a palavra oficial do governo era que a Guerrilha do Araguaia não havia existido, para poder também negar a chacina (conhecida como “Operação Limpeza”). Então, ao criar um grupo de trabalho para procurar as ossadas das vítimas assassinadas pelo Estado lá, dá outro nome. Entende como funciona? Na coordenação deste grupo de trabalho está um general de brigada, que declarou sua defesa do golpe militar de 64, dizendo que “o exército brasileiro atendendo a um clamor popular foi às ruas contribuindo substancialmente e de maneira positiva, impedindo que o Brasil se tornasse um país comunista.”</p>
<p><strong>Suzana Lisbôa</strong> – Os familiares só puderam acompanhar as buscas no Araguaia com um decreto presidencial. O ministro Jobim dizia que a nossa participação era ilegal porque éramos parte do processo. Ou seja, estavam sendo obrigados por nós a procurar os corpos e não queria que nós acompanhássemos. Inclusive, as primeiras buscas foram feitas por uma caravana essencialmente militar, sem sequer um representante da SEDH.</p>
<p><strong>Como vocês veem essa divisão do governo Lula sobre o assunto, com o ministro Tarso Genro defendendo a punição dos torturadores? (a entrevista foi feita no final de 2009, antes da polêmica entre os ministros Nelson Jobim, da Defesa e Paulo Vannuchi, de Direitos Humanos em torno no PNDH-3)</strong></p>
<p><strong>Criméia Almeida</strong> – Para nós não faz diferença. Não vejo diferença e nem no que isso possa ajudar. Eles são todos ministros de um mesmo governo, que até agora não fez nada para avançar no esclarecimento das mortes e dos desaparecimentos. Acho que este governo como todos os outros é conivente com a ditadura ao não fazer nada de concreto. E o judiciário também é conivente.</p>
<p><strong>Suzana Lisbôa</strong> – Eu acho importante que o ministro da Justiça defenda a punição dos torturadores e diga que crime de tortura não prescreve. Mas no final das contas, quando o Estado brasileiro não se posiciona contra oficialmente, não apura, não pune, se torna conivente. Ao final, o Estado é conivente com a tortura e os desaparecimentos durante a ditadura.</p>
<p><strong>Mas saem notícias da Secretaria Especial de Direitos Humanos sobre os mortos e desaparecidos…</strong></p>
<p><strong>Suzana Lisbôa</strong> – O que a SEDH fez foi ampliar o critério de abrangência da Lei das indenizações e publicou o livro com o registro da memória dos desaparecidos. Apenas isso. A parte mais importante foi feita por nós, familiares, que foi a elaboração dos processos que permitiram os pedidos de indenizações e a liberação das tais certidões de óbito. O que é outro absurdo. Porque o Estado diz aos familiares para irem ao cartório mais próximo de sua residência com a cópia da lei e pedir o “atestado de morte presumida”. Só que essa morte vai entrar para o registro e estatística daquele local onde está situado o cartório, onde mora a família do desaparecido, e não onde ele morreu. A lei diz que o ônus da prova da morte é dos familiares, assim como a procura pelos corpos. E sem os arquivos, sem esses registros, nós não temos como provar nada. Tudo que conseguimos até hoje foi sendo construído, reconstituído, através dos poucos arquivos a que tivemos acesso ao longo desses anos.</p>
<p><strong>Criméia Almeida</strong> – O meu marido, André Grabois, “oficialmente” teria morrido cinco antes do nascimento de seu filho. Ele foi morto, “desapareceu”, em 73 no Araguaia e no atestado de morte presumida constaria como morto em 68. O registro do óbito deve ser feito no local da morte, como em qualquer outro caso. Mas, para “facilitar” a vida dos familiares, liberou-se o registro do óbito no cartório mais próximo. Com isso, apaga-se a história. Já não bastava o Estado ter desaparecido com a pessoa, ainda lhe nega a sua história.</p>
<p><strong>Como é ver os processos que julgam crimes das ditaduras em outros países latinos, como Uruguai, Argentina e Chile, em andamento?</strong></p>
<p><strong>Suzana Lisbôa</strong> – O Brasil é o país mais atrasado da América Latina na apuração e julgamento dos crimes ocorridos durante as ditaduras militares. O sentimento é de frustração. Nós fizemos uma tarefa que era do governo. Coube a nós, familiares, contar essa parte da história do país. O descaso do presidente da república é algo que me toca profundamente. Ainda me choca muito.</p>
<p><strong>Criméia Almeida</strong> – Foi o Estado que sumiu com essas pessoas. Se depois disso, o Estado não tem poder para abrir os arquivos desses processos de desaparecimento, que venha a público dizer que não conseguiu e peça desculpas. Mas não faça de conta que está buscando informações quando não está. Se o Estado foi capaz de torturar e assassinar, que seja capaz de assumir o que fez.</p>
<p><strong>Falando nisso, o governo fez uma campanha publicitária pedindo à população informações sobre os desaparecidos, para contar a história dessas pessoas, chamada “Memórias Reveladas”. Inclusive alguns familiares participam da campanha.<br />
</strong></p>
<p><strong>Suzana Lisbôa</strong> – Nós ficamos surpresas com a campanha. Parece mesmo jogo de cena, para dizer que o governo está fazendo alguma coisa. Mas joga para a população uma responsabilidade que é sua. Quando a campanha terminar vão dizer: “olha, a população não colaborou com nenhuma informação significativa”. Ficamos surpresas mesmo foi com os familiares que aceitaram participar. A D. Elzita, mãe do Fernando Santa Cruz, contou que deu um depoimento imenso, onde fazia cobranças ao governo e reclamava da demora na liberação das informações e em procurar os corpos, e que eles editaram e deixaram só aquele trecho dela lendo uma poesia e falando que não esquecia o filho. Fiquei muito admirada do Marcelo Rubens Paiva ter aceitado aparecer numa campanha do governo sobre o assunto.</p>
<p><strong>Criméia Almeida</strong> – É só para constar, para dizer que estão fazendo alguma coisa. Isso tudo deve ser por causa do prazo dado pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para que o governo abra os arquivos. O prazo já se esgotou e como o governo não fez nada, a corte criminal da OEA aceitou a denúncia entregue no dia 26 de março de 2009, e o Brasil deverá ser julgado ainda em 2010.</p>
<p><em>Suzana Lisbôa iniciou sua luta contra a ditadura no Julinho (Colégio Júlio de Castilhos – Porto Alegre/RS) e integrou a Ação Libertadora Nacional. Seu marido, Luiz Eurico Tejera Lisbôa, militante da ALN, PCB e VAL-Palmares, foi torturado e assassinado em 1972. A ossada de Luiz Eurico foi encontrada na vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, distrito de Perus (***), São Paulo. Suzana presidiu a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos.</em></p>
<p><em>Criméia Almeida cresceu numa família de militantes comunistas em Minas Gerais. Ex-guerrilheira no Araguaia e ex-militante do PCdoB, foi casada com André Grabois, também militante do PCdoB, desaparecido no Araguaia em 1973. Criméia foi presa e torturada grávida. Seu filho João Carlos, nasceu na prisão e conhece o pai apenas pela foto 3&#215;4 dos arquivos do DOPS. André Grabois permanece como desaparecido.</em></p>
<p>(*) Um documento, arquivo sigiloso é “classificado” na origem. Os que receberam o carimbo de “ultra secreto” podem permanecer sem acesso público para sempre, conforme a norma legal. O “sigilo eterno” foi introduzido por decreto em 2002, pelo então presidente FHC – considerado inconstitucional. Lula, apesar dos apelos, o manteve em 2003.</p>
<p>(**) A sentença da Justiça Federal determinou a quebra do sigilo das informações militares sobre todas as operações de combate aos guerrilheiros no Araguaia e que a União informasse onde estão sepultados os mortos no episódio. Para realizar as buscas, a União teve um prazo de 120 dias, já esgotados.</p>
<p>(***) A vala clandestina de Perus foi localizada no dia 4 de Setembro de 1990, com 1049 ossadas encontradas em sacos plásticos, todos sem qualquer identificação. A investigação e identificação se deram por determinação da prefeita de São Paulo na época, Luísa Erundina.</p>
<p>Seguem <a href="http://www.desaparecidospoliticos.org.br/pagina.php?id=39&amp;m=8">link</a> para a página do site dos desaparecidos políticos que relata toda a história da Vala de Perus e <a href="http://www.youtube.com/watch?v=7ZoWwVSE5r8">vídeo</a> da campanha Memórias Reveladas.</p></blockquote>

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		<title>Conheça o 3º Plano Nacional dos Direitos Humanos &#8211; PNDH-3</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jan 2010 16:58:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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		<title>CARLOS HEITOR CONY: Militares têm de pedir desculpas e admitir seus erros</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jan 2010 16:16:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joildo Santos</dc:creator>
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Da Folha de São Paulo 12/01/2010
Distorção profissional
RIO DE JANEIRO &#8211; ...]]></description>
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<blockquote><p><strong>Distorção profissional</strong></p>
<p><strong>RIO DE JANEIRO</strong> &#8211; Acompanho com algum interesse a crise aberta dentro do governo a respeito da Lei da Anistia. As posições estão definidas, o único indefinido até agora é o presidente da República. Nos tempos do velho PT, embora com poder decisório, ele mantinha suas hesitações para ganhar tempo e manter o partido em rédeas curtas.</p>
<p>Desta vez, não se trata de um partido cuja hegemonia precisa ser mantida. É mais do que um Estado: é uma nação.</p>
<p>Um ponto parece pacífico: o Estado, para o bem da nação, precisa abrir os porões do regime militar de 1964 a 1985. Não se trata de punir indivíduos, de saber a identidade e o CPF dos assassinos de Vladimir Herzog e de tantos outros, os que montaram a farsa de seu suicídio e de centenas de outros que estão desaparecidos ou oficialmente mortos.</p>
<p>Os militares que deram o golpe e mantiveram a ditadura são os principais responsáveis pelo que se convencionou chamar de &#8220;regime de exceção&#8221;. Foram eles que tomaram o Estado por meio da força e mantiveram a nação refém do arbítrio e da repressão. Precisamos saber como uma classe, destinada pela Constituição a defender a nação, decide empolgar o Estado e fazer dele o carrasco da sociedade.</p>
<p>Que venha a verdade, que ela seja ensinada nos currículos das escolas militares, mostrando que nem sempre o Estado é o defensor da nação, mas seu servo incondicional.</p>
<p>Vivemos um tempo em que se tornou banal o pedido de desculpas públicas. A i greja o fez, a propósito da Inquisição e de Galileu. Agora mesmo o governador do DF pediu desculpas pelo seu delito pessoal. A melhor forma de os militares pedirem perdão à sociedade é admitir os erros do passado e garantirem que a distorção profissional não mais se repetirá.</p></blockquote>

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