Porque teve essa explosão de violência em Paraisópolis?

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Não me surpreendo mais em ler nas mal traçadas letras de jornalões paulistas, de assistir em canais da TV tradicional e ouvir nas rádios, as mentes iluminadas da imprensa brasileira, que a serviço sabe-se lá de quem preferem esconder a realidade da população, transparecendo que fatos como que os que ocorreram em Paraisópolis são fatos isolados e que para resolvê-los basta a ocupação policial permanente e intensiva.

À exceção do jornalista Mílton Jung que publicou um post sobre o que ocorreu ontem e de mais alguns poucos que conseguem não se contaminar pelo discurso preconceituoso contra nossa comunidade.

A tese de muitos é exemplificada da seguinte maneira: “Ao encontrar sua filha transando no sofá, o sujeito joga fora o sofá”, resolvendo assim um problema eminentemente de educação sexual.

Não adianta virar a cara para o outro lado e achar que bloqueando a comunidade esses problemas vão ser resolvidos, fingir que se preocupa também não adianta, o problema continua lá. O que falta é comprometimento e descer do pedestal de senhores iluminados e buscar arregaçar as mangas em prol da população.

A ameaça do Morumbi é aumentar a pressão sobre Paraisópolis. Costumamos dizer que “Não existe Morumbi bom com Paraisópolis Ruim.”

Movimento espontâneo que se descontrolou ou ação manipulada não importa, porque o que devemos nos atentar agora é a razão que leva a ocorrência de atos deste tipo.

Julguemos que sejam presos os tais responsáveis por orquestrar essa ação, o que fazer daqui para frente? Deixar para lá? Fingir que nada aconteceu? Barril de pólvora é assim quanto mais é pressionado tem cada vez mais chance de explodir. Deve-se lembrar que ali residem mais de 80.000 pessoas, cidadãos que precisam ser assistidos pela sociedade, ser inclusos para exercerem plenamente sua cidadania.

Agora a polícia ocupa Paraisópolis por tempo “indeterminado”, até prender os responsáveis [dizem os comandantes]. Espero que os direitos dos moradores, falo daqueles que saem as 5 da manhã e voltam às 18-19 horas e não estavam naquela baderna não sejam mais uma vez violados à guisa de “encontrar” os responsáveis pela ação.

Tem um detalhe que gostaria que analisassem, o estopim que está sendo relatado na imprensa, o suposto assassinato de um trabalhador [ou de um bandido, como diz a PM] teria ocorrido por volta do meio-dia do domingo, e a manifestação de ontem ocorreu bem próximo dos horários dos programas polícias da TV aberta [Brasil Urgente, SP Record e logo mais o SPTV da Rede Globo], ou seja mais de 24 horas depois do ocorrido.

Neste fogo cruzado quem é a verdadeira vítima, é a população que vive nesta comunidade, com índices baixos de violência, com histórico de atuação dos movimentos sociais em rede entre outras ações.

A violência tem raiz e é ela que deve ser atacada, não os frutos, pois assim as razões dos problemas permanecem intactos.

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Sobre Joildo Santos

- Editor do Jornal Espaço do Povo


6 Comentários

  • @anarina
    3 de fevereiro de 2009 | Permalink | Responder

    Joildo, deve ser muito muito duro viver nesse fogo cruzado. As pessoas cujos grandes medos incluem “sofrer um seqüestro relâmpago” ñ conseguem enxergar a diferença entre pessoas que se parecem, moram no mesmo bairro, mas pensam, agem e sonham de maneiras distintas.

  • 3 de fevereiro de 2009 | Permalink | Responder

    O q me encanou qdo soube da treta na segunda de noite é q não pode ter uma morte no domingo e um confronto no dia seguinte, assim, sem vários fatos que levam um ao outro. Também, a não ser que tivessem matado alguém emblemático pra comunidade, não cola que derrubar um suposto fugitivo faça isso. O noticiário tinha tanto buraco….
    e a trolha das tão faladas e pouco usadas como se deve “redes sociais”, como Twitter, Orkut e talz… não traziam nada.
    Foi a @anarina q lembrou-me do seu blog e ele foi o único lugar para fugir das escaladas dos telejornais da noite.

  • Diogo
    3 de fevereiro de 2009 | Permalink | Responder

    É claro que a ação foi feita pelo PCC. Mas, pode ser que existam moradores (uns poucos, óbvio) que façam parte da facção. É preciso lembrar que estes bandidos estão infiltrados na cidade inteira, controlando boa parte das atividades ilegais da cidade.

  • osvaldo
    5 de fevereiro de 2009 | Permalink | Responder

    parabens para a policia jamais deveria abadonar a favela continuar a abordar e reprimir o crime organizado

  • Fabio
    9 de fevereiro de 2009 | Permalink | Responder

    Como cidadão comum, honesto e trabalhador eu não me importo em ser abordado pela policia para averiguação se isto é feito justamente para dar segurança a pessoas como eu. Já fui abordado por algumas vezes e após uma abordagem ostenciva, afinal eles não sabem quem estão abordando, me foi explicado de forma educada a ação que estão realizando, retribuindo minha colaboração na abordagem.
    Reclamar do que?
    Pelo contrário, agradeço por estarem fazendo o papel de policia protejendo minha integridade.
    Manifestação é diferente de bandalheira, manifestação é um pedido de algo para alguém, bandalheira é depredação, invasão, roubo de propriedades privada conseguida por quem trabalhou duro para ter.
    Infelizmente nesta guerra urbana ocorrem sacrificios de inocentes, isto é inevitável, mas como a policia poderia agir para conter a situação?
    Não tinha como ser diferente, na verdade tinha sim, a policia poderia ter agido com mais rigor, poderiam ter atirado com munição de verdade e bombas do helicóptero, com certeza teriam acalmado os animos muito mais rápido, mesmo que custasse o sacrifício de inocentes.
    Com certeza a comissão de direitos humanos ajudará que perdeu carro, negócios a recuperar aquilo que conquistou com suor e honestidade.
    E parabens aos nossos politicos proprietários de suntuosos castelos comprado com nosso dinheiro.

  • Antônio Pereira
    17 de maio de 2009 | Permalink | Responder

    Opinião do internauta da Global Voice Online

    • Sandro
    Fico profundamente preocupado, tomei a liberdade de citar novamente: ”(…) Roma caiu porque ignorou os povos bárbaros, estamos cometendo o mesmo erro.

    Favelas são o câncer de uma cidade. E antes de se tornar maligno deve ser removido”.

    Evidente que as favelas se constituem em problema seríssimo para o Brasil, principalmente para as pessoas que ali vivem. Há alguns anos atrás, tanto as autoridades quanto intelectuais e urbanistas, acreditavam que a saída para esse mal seria acabar com as favelas. Hoje essa mentalidade está superada, sabe-se que é inviável fazer isso, uma vez que a população que se encontra nessas condições em nosso país é absurdamente grande, não há condições materiais, tampouco espaciais para alocar essa população em outro lugar. A saída é considerar a realidade existente, levar em consideração a complexidade e os dilemas que afloram ao se pensar na resolução desse grande problema. Uma possibilidade seria urbanizar, aperfeiçoar, melhorar as favelas, promover dentro delas condições adequadas de vivência e de convivência, além disso políticas públicas que visem a promoção da cidadania em efetivo seriam, no mínimo, bem vindas.

    P.S. A organização jurídica e administrativa da Europa contemporânea, por exemplo, é bem híbrida. Tal ordenamento tem sua origem na convivência, nas trocas culturais entre os bárbaros e os romanos, além disso, a história da humanidade está marcada pela pluralidade.
    Favelas nascem quando há desigualdade social exagerada.
    A desigualdade social é um câncer, deve ser combatido antes que se torne malígno.

    http://pt.globalvoicesonline.org/2009/02/04/brasil-a-policia-so-ataca-quando-a-globo-esta-ao-vivo/

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