O Estado e o novo pedágio da Castelo



A noticiada proposta da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) de instituir a cobrança de pedágio na via expressa da Castelo Branco parece já estar maculada pela ilegalidade antes mesmo da sua aprovação. Isso porque, segundo o Ministério Público do Estado de São Paulo, o edital de licitação e o respectivo contrato de concessão não previam a instalação de praças de pedágio nas pistas expressas da rodovia, conforme veiculado no jornal O Estado de S. Paulo, em 13/2/2008.

Embora legalmente admitida, a alteração superveniente do contrato de concessão não pode acarretar desprestígio aos princípios da isonomia e da impessoalidade, como se vislumbra no caso. Não bastasse isso, a proposta da Artesp ainda assume o declarado intuito de compensar as concessionárias em razão da construção de dois complexos viários que facilitarão o acesso à Marginal do Tietê.

Com isso, se aprovada nesses termos, a exação surgirá também eivada pelo vício do desvio de finalidade, o que, mais uma vez, torna a cobrança ilegal. Um dos pressupostos de validade dos atos administrativos é que a sua prática seja consoante à finalidade prevista em lei. E os pedágios, nada obstante a divergência doutrinária acerca da sua natureza jurídica, assumem a finalidade de subsidiar a manutenção e a melhoria das vias cuja utilização enseja a sua cobrança.

Com efeito, a aplicação dos recursos advindos com a arrecadação de pedágios deve atender à finalidade de transferir aos usuários tais vantagens econômicas mediante o aperfeiçoamento da via, como estabelece a Lei Federal n.º 10.233, de 5/6/2001. A instituição de pedágio visando à arrecadação de recursos para o financiamento de obra pública afasta, por completo, o ato da finalidade legal a que se encontra vinculado. E vício dessa natureza, diga-se de passagem, não pode ser superado pelas pesquisas de opinião favoráveis à cobrança, tanto noticiadas pela Artesp.

O custeio das obras públicas deve se dar com recursos próprios do orçamento estatal e não pela população, via transversa, com a cobrança de pedágios.

A conclusão de uma obra pública pode, no máximo, dar ensejo à instituição de contribuição de melhoria, a ser cobrada dos proprietários beneficiados com a valorização dos imóveis circunscritos à construção e em razão dela.

Caso a cobrança do pedágio seja levada a efeito, à população restará manifestar sua indignação, seja com protestos, como, aliás, fez quando da criação da cobrança nas vias marginais da mesma Castelo, seja batendo às portas do Poder Judiciário, buscando o reconhecimento da sua nulidade pela via da ação popular, legítimo instrumento de exercício direto do Poder Estatal pelo povo, seu verdadeiro titular. Ao que tudo indica, parece que, desta vez, é o Estado quem vai desviar no novo pedágio da Castelo.

ADVOGADA, PROFESSORA DA FACULDADE DE DIREITO DA PUC/SP E ASSESSORA DA REITORIA DA PUC/SP

Do JT 29/06

Sobre Joildo Santos

- Editor do Jornal Espaço do Povo


6 Comentários

  • Rodrigo Morais
    27 de julho de 2009 | Permalink | Responder

    Relamente é um absurdo que o povo tenha que arcar com as despesas de uma má gestão do Estado de São Paulo. A princio se pensa numa má gestão, porém nesse país, quando se fala de política, a picaretagem, a pilantragem e o abuso sempre está pauta, e não duvido dessa hipótese. Os reis da corrupção MUNDIAL, nesse quesito o Brasil é sempre campeão…Meu Deus!!! Até qdo vamos continuar sendo TROXAS e não fazendo nada para protestar…??? Se isso fosse na Europa, já teriam quebrado os parlamentos, se fosse na Korea, vixe!! já teriam queimados os carros….mas aqui no Brasil….afff….acaba em PIZZA….Palhaçada!!!!!!!!!

  • Dênis Rosas
    3 de novembro de 2009 | Permalink | Responder

    Alguém traduz, por favor?
    Infelizmente eu não entendo muitos dos termos jurídicos desse artigo.

  • Zapping³²
    15 de novembro de 2009 | Permalink | Responder

    QUERIA MANDAR MEUS MAIS SINCEROS PARABÉNS AO GOVERNADOR DE SÃO PAULO. ELE ESTA AGINDO COMO UM VERDADEIRO PALHAÇO, COM AS ATITUDES DE VISTA GROSSA DELE. QUEM ME DERA SER GOVERNADOR DESTE ESTADO. PRIMEIRO QUE OS PEDAGIOS IRIAM ABRIR AS 00:00 DA NOITE ATÉ AS 05:47 DA MANHÃ. QUERIA VER SE O TRANSITO DE SÃO PAULO JA NÃO GANHARIA FOLEGO, POIS A MAIORIA DOS CAMINHONEIROS, IRIAM APROVEITAR ESSE HORARIO PARA ATRAVESSAR NOSSA CIDADE, OU ATÉ MESMO NOSSO ESTADO. POIS ANDEI MUITOS QUILOMETROS QUANDO FUI PARA PERNAMBUCO E POR INCLIVEL QUE PAREÇA, SOMENTE SÃO PAULO E RIO QUE TEM PEDAGIOS. POR FAVOR GOVERNADOR, LIBEREM OS PEDAGIOS DA 23:00 AS 04:00 DA MANHÃ. ACORDA BANDO DE IMBECIL. ESTAMOS CANSADOS DESSES GOVERNATES HIPOCRITAS QUE O POVO ESCOLHE POR SER IGNORANTE. OU PODERIA DIZER TAMÉM DESSA FORMA, ACORDA POVO IGNORANTE. QUANDO ISSO ACONTECER, OS GOVERNANTES COMEÇAM A DAR VALOR A TODOS NÓS. DESCULPEM O DESABAFO. E BOA SORTE A TODOS. QUEM ME DERÁ TER FORÇA PARA CONSEGUIR UNIR O POVO PARA DERRUBAR ESSES PEDAGIOS. CASO ISSO ACONTECESSE, AI O GOVERNO TERIA COPRAGEM DE TER ATITUDES, CLARO NÉ A CORDA SEMPRE ARREBENTA PRO LADO FRANCO.

  • 28 de novembro de 2009 | Permalink | Responder

    Gostaria de saber se na inauguração da praça do pedágio o nosso governador estará presente em palanque.

  • claudio
    6 de janeiro de 2010 | Permalink | Responder

    Alguma providência legal já foi tomada ? Diante de tantos abusos juridicos, não é possível que alguém não tome uma atiutude. E por favor, cade o nome da escritora do artigo ?

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