
Em teleconferência a empresários gaúchos, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que a redução da taxa Selic está trazendo “problemas para uma sociedade acostumada a viver com taxas em níveis elevados”. Entre os “problemas” citados estão as “rentabilidades mínimas” dos fundos de pensão e “questões fiscais e de rentabilidade” da caderneta de poupança.
O presidente do BC disse que a taxa real de juros está “abaixo de 6%”, descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses.
Primeiramente, a redução a conta gotas de 3,5 pontos da taxa Selic ocorrida neste ano ainda mantém o Brasil com taxa de juros reais elevadíssima, a terceira maior do mundo. É essa taxa de juros em um patamar bastante alto que tem criado problemas efetivos em relação aos investimentos, com implicações para a produção da indústria.
A sociedade acostumada com juros altos a que se refere Meirelles é aquela meia dúzia de rentistas, os que vivem especulando com títulos da dívida pública, dos quais a parcela da população que guarda seus parcos recursos na caderneta de poupança passa longe. Esta rende apenas a Taxa Referencial de Juros (TR) e mais 0,5% ao mês. Portanto, a rentabilidade da caderneta de poupança não tem nada a ver com a taxa Selic.
Já a rentabilidade dos fundos de pensão é de outra natureza. Na época dos tucanos, os fundos de pensão foram um dos principais sustentáculos das privatizações, isto é, seus imensos recursos serviram para aprofundar a desnacionalização da nossa economia. Posteriormente seus investimentos foram direcionados para ativos de maior liquidez e de curto prazo, como os títulos públicos, remunerados pela Selic, e fundos de renda fixa.
Ao se referir a problemas irreais, Meirelles mostra é sua resistência em reduzir substancialmente os juros, essencial para a ampliação dos investimentos e do crescimento econômico.
VALDO ALBUQUERQUE



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