Gabeira – o “ético”, também é da banda podre do Congresso


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Santo Gabeira do pau oco
Luis Nassif

Neste festival de irrelevâncias sobre passagens aéreas dos parlamentares, senador chorando para cá, parlamentar se punindo para lá, não há nada que se compare ao mea culpa do deputado Fernando Gabeira.

Gabeira é sujeito preparado, inteligente, experiência internacional, foi jornalista, conhece as mumunhas do meio. Quando foi transformado em ícone da moralidade pela Veja, estava na cara que era apenas uma instrumentalização consentida, para conferir mais decibéis às suas críticas ao governo. Virou santo e envergou as asas com a mesma desenvoltura com que vestia sua tanga de crochê nos anos 80.

Agora, no altar de Veja, está na companhia do santo Marcelo Itagiba. São Gabeira e São Itagiba no sétimo céu da Veja – o que é profundamente injusto para com Gabeira, saliente-se.

E o que faz um “santo” quando pego em um pecado venial? (Aliás, que pecado? Pecado é o lobby escancarado no meio parlamentar, os esquemas de compadrio. Cotas de passagens aéreas, ao menos, são benefícios transparentes, válidos para todos os parlamentares, incluídos nos chamdos “fringe benefits” da categoria e sem exigir nenhuma contrapartida espúria.)

Primeiro, a autocrítica que redime. Redimido, saca de novo a espada flamenjante para prosseguir na sua catilinária contra os maus:

Na Folha

Gabeira afirmou que discursará da tribuna da Câmara amanhã. Disse que vai reconhecer um “erro” e iniciar uma “batalha” na Casa.

O erro: ter cedido passagens da cota a que faz jus como deputado para que familiares viajassem ao exterior. A batalha: convencer a direção da Câmara a modificar as regras que disciplinam o uso das passagens.

“No meu caso, há um ou dois bilhetes para familiares”, disse. “Vou falar como um deputado que errou. Mas que não se compromete com o erro.” Ele prometeu devolver o valor gasto aos cofres públicos.

(…) Para ele, ao liberar os deputados para ceder bilhetes aéreos a terceiros, a Mesa perpetuou o vício em vez de eliminá-lo.

No Estado

Além de iniciar uma “batalha” para rever as regras do uso de bilhetes aéreos no Congresso, Gabeira está disposto a fazer uma espécie de mea-culpa. Ele reconhece que sucumbiu à tradição brasileira que confunde público e privado. “Acho que é preciso esclarecer essa confusão e definir que só é realmente privado o salário. É a única coisa que o deputado pode gerir solitariamente”, afirmou.

(…) “O que nos era transmitido é que as cotas pertenciam ao deputado e eles podiam gerir solitariamente essas cotas. Cada deputado entendeu que usaria da sua maneira”, disse, confessando não ter refletido sobre o dilema ético de usar a dotação de maneira pessoal, embora a ação não fosse ilegal. “Não adianta voltar atrás e dizer: mas era permitido. Era permitido, mas não questionei.”

Lembra um samba clássico: “eu, na verdade, indiretamente sou culpado da nossa infelicidade / mas, se Deus for consultado / a sua consciência será meu advogado…..

Ser Veja é não ter medo do ridículo.

Sobre Joildo Santos

- Editor do Jornal Espaço do Povo


Um Comentário

  • 22 de abril de 2009 | Permalink | Responder

    Oi Joildo,
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