Faltam 103 médicos em hospital de Itaquera



Adriana Ferraz
do Agora

Faltam 103 médicos no quadro de funcionários do hospital municipal de Itaquera (zona leste de SP), segundo relatório interno da própria prefeitura. O deficit atinge 16 especialidades –com destaque para as áreas de ortopedia e traumatologia, pediatria, psiquiatria e clínica médica –e representa 42% do total de profissionais indicados para o local. A unidade também precisa contratar 41 auxiliares de enfermagem e 25 técnicos administrativos, além de quatro enfermeiros.

Com a falta de médicos, os casos de emergência, de acordo com o estado do paciente, são encaminhados para a AMA (Assistência Médica Ambulatorial) que fica ao lado. “As pessoas já estão até acostumadas. Os funcionários mesmo falam, logo na entrada, para a gente voltar depois de quatro ou cinco horas ou ir direto à AMA. Não dá para entender o motivo, mas lá [na AMA] o atendimento é melhor”, diz a desempregada Gleice Aparecida Martim, 30.

Segundo representantes do conselho gestor do hospital, o atendimento está prejudicado há mais de um ano. “O número de médicos vem caindo constantemente e agora atingiu o ponto mais crítico, com 103 médicos a menos. Está sobrecarregado”, diz o conselheiro Paulo Roberto Belinelo, 56 anos. Ele diz que o hospital é referência em tratamento psiquiátrico na região. “Só que sempre falta psiquiatra. Os pacientes ficam misturados aos demais, nos corredores.

O maior problema, no entanto, está no tratamento oferecido a vítimas de traumas. Segundo levantamento detalhado produzido pela própria prefeitura, em julho deste ano, o hospital deveria ter 19 médicos ortopedistas, mas conta com somente três. A diferença é de 84%. A situação encontrada por quem procura atendimento infantil também é complicada. A mesma lista mostra que faltam 18 pediatras para medicar as crianças.

A reportagem conseguiu dados informando que o deficit aumentou de 91 em julho para 103 atualmente –os dados sobre a falta de profissionais em cada uma das especialidades não foram atualizados.

Muitos pacientes também não conseguem atendimento por falta de informação. A unidade não atende, por exemplo, casos de neurocirurgia ou cirurgia plástica.

Presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, a vereadora Juliana Cardoso (PT) afirmou ontem que vai entrar com representação no Ministério Público Estadual para cobrar, na Justiça, uma solução. A denúncia deverá ser feita nos próximos dias.

“A comissão visitou o hospital em junho, mas nenhum dos encaminhamentos que fizemos à prefeitura foi atendido. A falta de médicos é extremamente grave e atinge toda a zona leste”, afirma.

Sobre Joildo Santos

- Editor do Jornal Espaço do Povo


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