Ato secreto dá vaga a sobrinha de Sarney



Os boletins secretos que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), diz desconhecer foram usados em maio de 2003 para nomear sua sobrinha Vera Macieira Borges para um cargo na Casa. Apesar de morar em Campo Grande (MS), a 1.079 km de Brasília, ela foi contratada para o cargo de confiança de assistente parlamentar, com salário de R$ 4,6 mil, originalmente na Presidência do Senado.

Sarney exercia, então, seu segundo mandato na presidência da Casa. Vera está na folha de pagamento do Senado até hoje. Assinada pelo então diretor-geral Agaciel Maia, a primeira nomeação de Vera foi publicada, às claras, em março do 2003, mas ela não tomou posse.. Um mês e meio depois, porém, Agaciel assinou duas outras medidas com caráter de sigilo. Uma delas, só agora divulgada, tratava da nomeação da sobrinha do presidente do Senado.

Procurada ontem, a assessoria de Sarney confirmou o parentesco, a nomeação e informou que, na verdade, Vera dá expediente no escritório político do senador Delcídio Amaral (PT-MS), em Campo Grande. Segundo assessores de Sarney, ela é funcionária de carreira do Ministério da Agricultura e está “cedida” ao Senado. Mas o JT telefonou para o escritório de Delcídio e, lá, funcionários disseram não conhecer Vera.

“Não tem ninguém aqui com esse nome. É estranho isso”, disse um assessor do petista em Campo Grande. No gabinete do senador em Brasília, Vera também é desconhecida, segundo outros assessores consultados pela reportagem.

O JT falou com Delcídio, que afirmou ter Vera entre funcionários de seu escritório em Campo Grande. “Ela trabalha comigo, sim, e dá expediente de segunda a sexta-feira”. Delcídio, porém, não soube informar o nome completo da assessora nem precisar há quanto tempo ela trabalha em seu escritório. “Eu acho que tem quatro ou cinco anos. Ela veio do Ministério da Agricultura”.

O senador disse que foi Sarney quem lhe pediu que acolhesse Vera em seu escritório. “Ele me solicitou, porque ela estava aqui, em Campo Grande, e eu atendi”.

O nome da servidora foi ignorado no ajuste feito pela Casa para se enquadrar à súmula antinepotismo do Supremo Tribunal Federal. Vera é filha do irmão de Marly Sarney, mulher do presidente do Senado. A assessoria de Sarney atribuiu a “um erro técnico” o fato de a nomeação ter sido publicada reservadamente. O JT já revelou que o Senado contratara o neto de Sarney, João Fernando, de 22 anos, por R$ 7,6 mil.

Ontem, o procurador Marinus Marsico, representante do Ministério Público no Tribunal de Contas da União, entrou com pedido de abertura de investigação dos atos secretos.

JT 13/06

Sobre Joildo Santos

- Editor do Jornal Espaço do Povo

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